Notas iniciais
Outro capítulo para vocês!!!

— Me ataque! — disse Smirnnoskroff me entregando a espada.
Estávamos no meio da floresta. Andamos um pouco para longe da casa dele. Uns dois quilômetros, talvez.
— Te atacar como? — perguntei, um tanto quanto confusa.
— Sei lá. Se vira! — ele disse e levantou a espada.
Peguei a minha e segurei da melhor forma que pude. Avancei gritando e ele se esquivou facilmente, me fazendo cair no chão. Ao me levantar pude ouvir as gargalhadas dele.
— Por que você saiu gritando igual louca? — ele perguntou se dobrando de rir.
— É assim que se faz nos filmes. — eu disse um pouco invergonhada
— Filmes? Deve ser uma coisa só do seu mundo. Aqui nós calamos a boca e atacamos silenciosamente. — Smir disse com um sorriso sarcástico — Me ataque de novo! Mas dessa vez sem gritinhos tolos.
Segurei minha espada novamente e me concentrei. Aquele risinho tava me tirando do sério. Ele seria meu gás para os próximos movimentos. Suspirei e fiz como ele falou. Ataquei calada, mas isso não me impediu de grunhir enquanto eu caia no chão mais uma vez, depois dele aparar meu golpe e me jogar pra trás.
— Menina tola — ele disse ainda sorrindo — Você nunca irá aprender a lutar desse jeito.
Eu me levantei e peguei minha espada. Smir estava andando com uma mão nas costas.
— Está querendo se exibir o me ensinar a lutar? — eu disse
— Sou capaz de fazer os dois. — disse ele parando de frente pra mim a alguns metros.
— Você não faz meu tipo. — disse eu desferindo outro golpe, que ele rapidamente aparou. Mas dessa vez eu não cai.
— Ótimo! Seu equilíbrio melhorou um pouco, mesmo que seja insignificante.
Me estabilizei e avancei novamente.
— Eu estou... cansada dos... seus comentários... sarcásticos. — eu disse desferindo quatro golpes.
Smir impediu todos e eles e no último me segurou.
— Então vá pedir ajuda pra outro. — e me empurrou novamente.
— Como se você estivesse ajudando muito. — eu disse ainda presa.
Ele me jogou para trás e me desequilibrei, mas de novo, não cai.
— Se você quer tanto que eu fale, eu falo. Primeiro segura isso direito. Isso não é uma clava, é uma espada. Seja elegante, se é que consegue.
Nesse momento minha raiva já estava no máximo. Podia fatiá-lo, se conseguisse.
— Não coloca uma mão em cima da outra. — ele andou até ficar bem próximo de mim. Posicionou minhas mãos e meus pés. — Pronto. — Ficou na minha frente de novo e levantou a espada. — Me ataca de novo e dessa vez faça direito.
Eu o ataquei e de novo ele bloqueou, mas dessa vez foi diferente. Senti mais força emanando do meu corpo. Cotinuei atacando e Smir me bloqueava sem esforço. Ele ainda gritava comigo mas pelo menos não estava tentando me jogar no chão.
— É só isso que você tem? — dizia este entre os ataques — Não conseguiria vencer nem um guaxinim com uma adaga. BATA COM MAIS FORMA! Você tem quantos anos? Nove? Estou perdendo meu tempo aqui, você não vai conseguir lutar de uma forma decente.
Se a intenção dele era me deixar com raiva, estava conseguindo. Smir não investia, ele me deixava atacar e depois me xingava como se eu fosse a pessoa mais burra do mundo. Depois de um tempo, que pareceu uma eternidade, eu parei. Meu peito estava em chamas e meus braços doíam.
— Nada mal. — ele disse — Só precisa de um pouco mais de classe.
— Para matar com classe? — eu perguntei.
— Luta com espada é uma arte, e deve ser levada como tal. — ele encostou a espada no chão — Acho que está bom por hoje.
Smir estendeu a mão em direção à espada e eu a entreguei relutante. Ele se virou e começou a andar silenciosamente. Como minhas coisas estavam na casa dele eu o segui.
Chegamos lá em pouco tempo.
— Quando iremos treinar de novo? — eu perguntei.
— Amanhã, no mesmo horário. — ele disse guardando as espadas.
— Não acha que eu deveria andar com uma espada? — perguntei na esperança dele me entregar uma.
— Acho, mas isso é problema seu, não é? — Smir disse me encarando.
— Imaginei que essa fosse a resposta. — eu disse — Mesmo assim, obrigada.
Ele fez um gesto afirmativo e fui embora. Cheguei em casa e percebi que a única coisa maior que o meu cansaço era a minha fome. Depois de comer alguma coisa eu fui pro quarto e apaguei quase instantaneamente. Só deu tempo de colocar o celular pra despertar. O bom de dormir na parte da tarde é que de noite você está acordada pro que der e vier. E eu pretendia explorar o castelo até o amanhecer.

Reabasteci minha mochila que acordei. Abri o portal e vi que o salão estava escuro novamente. Ainda não dava pra ver nada e eu não ia arriscar acender a lanterna e alguém me ver.
Entrei no salão e esperei um pouco. Só silêncio, como na noite anterior. Comecei a andar na direção da porta, até que ouvi uma voz.
— Impressionante você ter voltado aqui — disse alguém que eu julgava ser um homem.
De repente toda a minha vida passou pelos meus olhos. Vi minha infância no parque que tinha perto de casa, a primeira vez que fui no cinema, meus pais e um amor que tinha vivido.
—Não se preocupe. Eu não vou te machucar. — a voz disse — Eu sei quem você é.
Eu suspirei e me acalmei. Não que eu acreditasse que ele não ia me matar, mas porque precisava de parecer calma.
— Então me resta saber quem você é. — eu queria que ele falasse, só assim poderia saber onde ele estava.
— Eu sou Criver. Guarda real e braço direito da rainha. E estou aqui pra te ajudar. — ele disse. Então era o cara que eu tinha visto no desastroso encontro que tive com aquela louca.
— Você não sabe o que eu quero. — eu disse. A voz parecia vir da minha esquerda, mas o salão era tão grande que é difícil dizer.
— Você quer o trono. — ele chegou mais perto — Quer tomá — lo da rainha.
Tive que conter uma gargalhada. Reinar Telmamlet era a última coisa que queria.
— Não chegou perto. — eu disse.
— Você tem interesse pelo Reino, isso é fato. Do contrário não estaria vindo escondida para explorar o castelo e a biblioteca. — Criver disse.
— O que sinto por Orygo é só curiosidade. — eu falei. Queria sair correndo dali. Eu estava cada vez mais incomodando. Podia apostar que ele sabia exatamente onde eu estava, afinal ele é um guarda real.
— Eu posso te ajudar. Posso contar o que você quiser. — ele me disse. Sua voz estava cada vez mais perto de mim, e eu estava mais nervosa.
— E por que eu confiaria em você? Espera, isso não seria traição? A Rainha me odeia e você quer me ajudar. — minha voz ecoava pelo salão. Já não tinha tanto medo de alguém me descobrir, afinal eu já tinha sido descoberta.
— Eu não sirvo a Rainha. Sirvo o reino, e você é a herdeira do trono. Você devia comandar Orygo e não ela. — ele disse.
— Pode tirar seu cavalinho da chuva porque eu não vou comandar nada.
— O quê? — ele disse com um voz de confusão — Essa frase não faz o menor sentido.
— Meu ponto é: não vai acontecer.
— Já lhe disseram que você é muito atrevida? — Criver disse entre dentes.
— Algumas vezes. — respondi
— Vá logo para a biblioteca. Mas tome cuidado, a rainha pode estar lá. Seria melhor se você viesse de tarde. Aquela sala fica trancada o dia todo.
— Por que você está fazendo isso? — disse desconfiada.
— Porque sigo o que acredito, princesa. — Me calei ao ouvir aquilo. Eu era mesmo a princesa, mas eu queria ser? — Estou aqui todas as noites, caso precise de mim. — ele disse quando eu saia pela porta.

Notas finais
Espero que vocês tenham gostado. Deixe um cometário e me faça feliz ♥
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.