O Reino da Meia-Noite.
3 Dragões, companheiros e marido.
Notas iniciais
Continua P.O.V. Lua.
Encarei o garoto, perplexa:
– Sexy, lindo e amável como sempre. – Ele disse dando uma piscadinha familiar, e sorrindo de canto.
– Eu tive que cortar o meu cabelo, aquela porcaria não saía de jeito nenhum. – Disse bufando e esquecendo o momento de perplexidade. Era óbvio que ele estaria ali, não sei como não tinha pensado antes.
– Morreu? Não, então está de boa. – Ele respondeu, sorrindo sacana. Revirei os olhos, mas não pude evitar um sorriso:
– Você continua o mesmo. Chato, irritante e besta. Ficarei pouco tempo no acampamento.
– Digo. Ele apenas deu de ombros e me encarou:
– O tempo faz bem para algumas pessoas, eu sou uma dessas pessoas. Tudo bem. Não pretendo ficar mesmo. – Falou, deixando bem claro que viria atrás de mim, eternamente. Encarei-o, determinada.
– Eu vou voltar para o meu Reino, sozinha. Só estou aqui à procura de um marido, se eu não tiver um, não poderei assumir o trono, e tenho que esperar os meus dragões crescerem. — Ele revirou os olhos:
– Bláhbláhbláh, entendiante. Não vou mais com você. – Disse. Encarei-o em desafio.
– E quem disse que você iria? – Pronunciei, de forma que minha voz ecoasse forte pelo lugar. A voz de uma rainha.
– Quem iria me impedir? – Ele respondeu no mesmo tom, me fazendo lembrar quem ele era, e que em questões de poder, eu e ele éramos iguais. Dei de ombros, voltando a voz ao costumeiro tom adocicado e suave.
– Ninguém te impediria, mas você morreria no caminho. – Expliquei, dando de ombros e recolhendo o arco no chão.
– Alguém disse morrer no caminho? – Ouvi uma voz forte e grave dizendo, e um arrepio passou pela minha coluna, como se algo me deixasse alerta a respeito disso. Olhei para de onde vinha a voz intrometida. Havia um garoto alto ali, eu chutaria pelo menos 1,80 cm para ele. A pele era bronzeada, e os músculos cheios de cicatrizes antigas do peitoral estavam expostos sob um colete de pele de algum animal, me lembrava ursos. Cabelos escuros e olhos profundos, mais escuros ainda. E por um momento, quando meus olhos percorreram sua aparência, uma atração nativa surgiu em minha mente.
– E quem é você? — Digo encarando-o.
– Dreyan Headhunter, e a Srta.? – Ele disse cortês, e não hesitou em me encarar de volta.
– Meu nome é Lua. Lua Darklight.
– Morrer no caminho, interessante. A mãe chata dos dragões. Sou Líkos, obrigado por perguntar. – Líkos disse, fazendo-me olhar para ele e quebrar o contato visual magnético de instantes anteriores.
– Eu não sou mãe deles, eu apenas cuido deles. E o Líkos, esse... Mala, é meu irmão de criação – Digo, revirando os olhos.
– Hm, só quero uma aventura... Meteu dragões já está bom. – Dreyan disse, dando de ombros e se recostando em uma coluna da arena.
– Ok, eu vou também. Oh yeah, dragons, bitch! – Líkos disse, sorrindo animadamente.
– Primeiramente, quem disse que vocês vão? E vocês não vão tocar nos meus lindos dragões. – Tentei de novo, explicar, que eles não iriam, apertando o arco em minhas mãos.
– Eu disse que eu vou, segundo, eu toco no que quiser. – Dreyan disse, calmamente se desencostando e fechando os punhos, seu olhar indo do meu arco, para o meu rosto.
– São meus dragões e ninguém vai tocá-los além de mim! – Grito e saio correndo.
– Jura? Droga, eu odeio correr. – Ouço Líkos dizer ao longe e percebo que ele corria atrás de mim.
De repente, correntes de diamante pulam para fora do solo, prendendo-me pelos pulsos fortemente. Dreyan corre até mim.
– Eu só caço aqueles que são selvagens. – Disse, se referindo aos dragões, aparentemente as correntes de diamante eram parte do poder dele, um provável filho de plutão. Ouço o som da espada, antes de realmente vê-la, e Líkos põe Venatricis no pescoço de Dreyan, após sacá-la da bainha. Sua voz soa forte e comandante.
– Dê mais um passo e o ''selvagem'' aí vai ficar sem cabeça. – Ele disse. Eu manti a calma.
– Me solte. Líkos, eu não preciso de sua ajuda. – Disse aos dois.
– Eu não estou a fim de brigar. Só depois de você me deixar ir, eu vou de qualquer forma, mas é mais fácil com você deixando. – Dreyan respondeu, afastando a lâmina de bronze de seu pescoço.
– Claro que não precisa. Feche os olhos e não verá a minha ajuda. Vou contar até três, e você, “Sr. Tenho Fetiche Em Prender Garotas De Cabelo Branco", vai soltar ela. Okay? – Líkos disse, firmando a espada de volta ao pescoço do garoto. Suspirei.
– Os únicos que vão comigo são o meu futuro marido e Joy. – Disse novamente, me lembrando de minha amiga. Líkos suspirou também, sem desgrudar os olhos de Dreyan, insistiu.
– E eu. – Eu revirei os olhos e observei um pequeno filete de sangue escorrer onde a lâmina tocava o pescoço de Dreyan. Respirei profundamente.
– Não o mate. – Disse, quase suplicando, eu não gostava de matar em vão, e algo naquele garoto me fazia querê-lo vivo.
– Feche os olhos e não o terei matado. – Líkos respondeu, Dreyan permanecia imóvel, ele não iria lutar enquanto pudesse evitar.
– Não o machuque... – Pedi de novo, cerrando os punhos como podia, abaixo das correntes fortes.
– Então posso ir? – Ele insistiu mais uma vez, respirei fundo, só conseguia ver o pequeno filete descer.
– Por favor. – Disse, aceitando sem outra opção.
– Okay. – Ele disse, mas relutou e não retirou a espada, um suspiro escapou por meus lábios, estava cansada daquela discussão idiota.
– Mas você vai morrer. – Continuei, tentando meramente fazê-lo mudar de ideia.
– Porque você não quer que ele me mate? – Dreyan perguntou, voltando seu olhar magnético para mim, pouco se importando com a espada ainda repousada ali.
– Okay. Vamos. – Líkos disse abrindo um sorriso radiante e finalmente guardando a espada.
– Sou contra a morte de pessoas que não sejam inimigas. – Expliquei, olhando para as minhas mão presas nas correntes ainda.
– Bláhbláhbláh, vocês vêm ou não? – Líkos perguntou impaciente. Olhei para Dreyan, esperando que me soltasse.
– Óbvio. – Ele respondeu e soltou minhas correntes, fazendo-as afundar no solo novamente, se aproximou de Líkos e postou-se ao seu lado.
– Eu preciso alimentar os pequenos. E não vou agora, quero passar mais um pouco, e tentar... Tentar ter uma vida fora de combate e lutas bizarras, por um tempo que seja... – Disse, esfregando levemente os pulsos e pegando a harpa que estava no chão, abrindo um portal.
– Dragões, amo dragões. Okay, isso foi legal. – Líkos disse, feliz e observou o portal, passando a mão por trás do círculo negro, e rondando-o.
– Vou para o meu quarto, tchau. – Disse mais seca, revirando os olhos com a reação dele. Sua testa se franziu e ele disse meio em desespero, meio desolado:
– Mas, mas... E os dragões? – Perguntou com cara de cachorro que caiu da mudança.
– Estou indo cuidar deles. – Disse dando de ombros e sorrindo com a expressão dele. Ele fechou a cara ao ver o meu sorriso.
– Estamos. Eu vou junto. Pode me permitir entrar, obrigado. – Disse, já dando um passo em direção ao portal. Dreyan se adiantou.
– Eu também. – Disse, Líkos assentiu com a cabeça.
– Isso aí, justo. – Concordou.
– Não. – Digo, entro e fecho o portal após sair no meu quarto no Acampamento Júpiter, era como os outros, mas continha umas coisas que eu tinha pedido especificamente, passei a cuidar dos meus pequenos escamosos com carinho.
P.O.V. Líkos.
– Droga... Vamos fazer algo? – Perguntei a Dreyan com cara emburrada, Lua sempre fora mimada e parece que não mudava. Ele deu de ombros, e disse seco:
– Você eu não sei, eu vou para a floresta. – Começou a se afastar. Eu revirei os olhos, estava me cansando dali.
– Bom, vou dar uma volta, ''por aí''. – Falei, e saí andando em direção ao meu próprio quarto com passos duros.
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