O Reino Vermelho
6 Repita.
Notas iniciais

Arya
O resto da tarde passou voando. E quando eu vi já eram 18:00 e eu precisava ir embora...
—Eu te levo pra casa. -Insistiu Damon pela terceira vez.
—Já que você insiste tanto...-Respondo com um sorriso.
Damon não era o homem que eu conheci naquele dia...
Ele era uma pessoa super divertida, ria o tempo todo, cheio de brincadeirinhas e surpresas. Tinha os cabelos curtos da cor castanho escuro, olhos dourados, esbelto, alto, atraente, musculoso e ombros largos.
Ao longo do dia achamos várias coisas em comum como adorar doces, gostar de ir á piscina e praia, AMAR comer strogonoff de frango necessariamente com batata palha, perder a paciência fácil, adorar azul, odiar amarelo, mais coca do que pepsi, mais nescau que toddy... E a lista ainda vai longe...
Talvez, e eu estou dizendo Talvez, eu consiga me dar bem com ele durante nosso casamento.
Entramos num Audi A5 preto e partimos para minha casa.
—Que faculdade você cursa mesmo?-Ele me pergunta.
—Desing de moda.
—Que horas?
—De segunda á sexta das 9:00 ás 14:00. Por que?
—Só pra saber...
Hmm... Só pra saber? Sei...
Chegamos em minha casa por volta das 19:30.
—Quer entrar? -Eu ofereço.
—Não, obrigado.- Ele sorri.
—Bem, então tchau Vossa Alteza.- Ironizo.
—Tchau pequena. Até semana que vem.-Ele me da uma piscadela.
Saio do carro e sorrio com o apelido... pequena...
Entro em casa e sou bombardeada com milhares de perguntas da minha irmã gêmea.
—E aí? Se beijaram? Ele é um gato né? Já te pediu em casamento? Te elogiou? Sobre o que vocês conversaram? Ele tirou a camisa? E...
—Hey! Boa noite pra você também! -Interrompo rindo.
Aryna era minha gêmea idêntica a mim em quase tudo menos cor dos olhos e cabelo e "garotos". Ela adora sair e se pegar com todo garoto bonito que ela achar. Eu tenho os olhos azuis do pai e cabelos ruivos da mãe, ela os olhos verdes da mãe e cabelos pretos do pai.
—Não e não quero beija-lo tão cedo, sim ele é um gato, não pediu, não, sobre muita coisa... E, por que demônios ele tiraria a camisa?
—Ué, sei lá... Vai que rolou uns pegas?- Ela fala rindo.
Rolo meus olhos e dou risada.
—Deus Ary, como você viaja!
Subo pro meu quarto e encontro com a Héstia.
—Caralho! -Exclamo- Você ainda ta aqui?
—Não... é meu holograma.- Ela brinca.- Fui ao shopping com sua mãe e sua irmã. Compramos umas coisas pra você.
—Ah, valeu. Ta se arrumando pra ir a onde?
—Vou numa festa aqui perto... Quer ir comigo?
—Não posso, tenho aula amanhã cedo.
—Ah é... esqueci. E como foi com Damon?
—Bem melhor do que eu esperava... Ele mostrou um outro lado dele hoje, nos divertimos bastante...
—Que bom Arya! Não vai casar com um estúpido como você pensava.
—Pois é...
Héstia
Estou a caminho da festa quando escuto um barulho atrás de mim. Viro-me pra ver o que é, e quando torno minha visão pra frente só tenho tempo de ver um maluco correndo pra cima de mim enquanto olha pra trás.
Caio com tudo no chão e ele cai em cima de mim. Empurro ele com força e me levanto.
—Qual a porra do seu problema...-Vejo que é Andrew.- Ah não! AH NÃO! DEUS!? O senhor tá brincando comigo? Eu podia encontrar sei lá... o Johnny Deep, mas nããão... é o Andrew!!
—Cacete Héstia, eu sou tão ruim assim?-Ele pergunta com a mão no peito como se estivesse magoado.
Rolo meus olhos...
—Tá correndo do que retardado?
Andrew aponta pra alguma coisa atrás de mim.
Me viro e dou de cara com um Possuidor, enorme de alto e musculoso, muito puto.
—Ótimo! Agora eu posso matar dois!- Ele ruge.
Saco minha adaga escondida na bota de cano alto enquanto Andrew se levanta. Corremos.
—Como consegue correr com essas botas de salto fino?-Ele me pergunta.
—Primeiro: se chama salto agulha, não salto fino. Segundo: anos de prática.
Viramos várias curvas pra tentar despistá-lo.
Andrew olha pra trás e fala:
—Acho que o despistamos.
Paramos de correr e eu coloco minha mão na sombra de um muro.
Através das sombras posso ver o que acontece em outros lugares que não estou presente. Esse é um poder reservado apenas para pessoas do Reino Negro, assim como teletransportação é apenas do Vermelho e se transformar numa sombra apenas do Roxo.
—Não, não o despistamos, consigo vê-lo bem perto daqui.
Estou prestes a voltar a correr, quando Andrew me puxa pra um beco.
O Possuidor passa e eu o ataco por trás. Pulo em suas costas e cravo minha adaga em seu pescoço, não demora muito e ele morre, se dissolvendo em pó.
Acontece assim conosco e com os Libertadores...
Olho em volta pra ter certeza de que nenhum humano viu. O sinal da rua lá de trás se abre e os carros voltam a passar.
Me encosto no muro atrás de mim, tem sangue no meu vestido... Foi-se a festa.
Andrew apoia uma das mãos no muro ao lado da minha cabeça e volta a me encher o saco.
—E aí? Depois de um dia inteiro pra pensar, você ainda acha que aqueles beijos não significaram nada?
Bufo.
—Significaram... significaram que eu gosto de pegar garotos bonitos em minhas festas de aniversário e que sou uma garota que cumpre desafios num jogo da garrafa. E daí, algum problema com isso? -Rebato.
Ele morde o lábio inferior.
—Não Andrew, não significou nada! Se me der licença, estou indo embora.-Falo começando a andar.
—Espera! -Ele me puxa pelo braço, me arrasta até o beco que estávamos antes e me prensa com força na parede do fundo.
Ele desliza bem calmamente sua mãos em meus braços me arrepiando, cola seu corpo no meu e aproxima seu rosto, mas não me beija, ao invés disso ele me da vários beijinhos da bochecha até meu ouvido.
—Repita.-Ele desafia.
Consigo pensar em mil maneiras de ir embora daqui, mas estou paralisada. Jogando o jogo dele. Gostando do jogo dele, gostando dele.
—Não significou nada.-Digo confiante, tanto pra ele tanto pra mim mesma.
Ele morde o lóbulo de minha orelha e eu não consigo evitar um gemido.
—Isso...-Ele diz colocando suas mãos em minha cintura.
Ele desce seus beijos pelo meu pescoço, dando leves chupões as vezes. Quando chega no ombro, ele para e começa a fazer o caminho da volta. Estou ofegante. Novamente ele morde meu lóbulo e sussurra em meu ouvido com uma voz rouca:
—Repita.
Me arrepio dos pés á cabeça.
—Não... Significou nada. -Digo ofegante.
Ele vem com beijinhos até perto dos meus lábios e para, me fitando.
Bem lentamente, ele me beija um beijo calmo, superficial. Pede passagem e eu não dou.
Sinto ele sorrir... De repente, ele junta ainda mais seu corpo com o meu.
Gemo e dou passagem.
Não consigo mais me controlar. Passo uma de minhas mãos em seu pescoço e outra em seus cabelos, trazendo-o ainda mais pra mim, e o beijo que começou calmo agora era urgente.
Bruscamente, mordendo meu lábio inferior, ele rompe o beijo.
Como se respira mesmo?
—Repita.-Ele diz pela terceira vez, sorrindo.
Significou alguma coisa. Eu sabia disso... Eu me sentia diferente com ele, não era como beijar um cara qualquer por aí... Era mais... Só não sabia direito o que significava. Mas eu não podia dizer isso, ele ia querer dar mais um passo talvez pra um namoro ou pior, achar que eu realmente pudesse me apaixonar por ele... Coisa que não ia dar... Sou do Reino Negro, fodida demais em Magia Negra pra isso...
Me calei...
Nem sim. Nem não.
—Quem cala consente, Héstia.-Ele fala convencido. E começa a ir embora... Como assim?!
—Então você aparece, me derruba, acha um Possuidor pra eu matar, estraga minha ideia de ir á uma festa, me beija a ponto de me deixar ofegante e vai embora?
—Eu ainda vou cair em cima de você mais uma vez. -Ele diz e me da uma picadela indo embora.
Estou sozinha, num beco, suja de sangue, descabelada, ofegante e com um sorriso bobo na cara.
—O que demônios esse príncipe está fazendo comigo?- Pergunto pro nada.
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