O Reino Vermelho
13 Porque eu só precisava disso...

Arya
—Kipap Descaltrin! (Olá Descaltrin!) -Digo com um sorriso.
—Trunak açany "kipap"?! (Como assim "olá"?!) -Ele grita. -Nax raor e Daminaz! (Eu sou um Demônio!)
Bufo e trinco os dentes sentindo ele apertar mais a minha perna.
—Nax mur opaptqui... Bukz copnex vad muor alx ijap latipans cuorn. (Eu me lembro... Você tentou comer minha alma algumas semanas atrás.)
Agora a caveira bufa.
—Agnopy! Jihaj yag yad fadinior. (Ótimo! Tem mais comida aqui.) -Ele diz me soltando e indo em direção a Damon.
—Hyni capai! (Se afaste!) -Damon grita e lança um raio de magia.
O Descaltrin ri de seu empenho.
—Nax salp mec Icana Nacry: Rayo e alx jija buks, pa clop fancap ina. (Eu juro pelo Ciclo Negro: Trarei uma alma pra você, se nos deixar ir.) -Falo sabendo que juramentos feitos pelo Ciclo Negro ou Branco não podem ser quebrados.
Descaltrin me olha com cautela inclinando a cabeça para o lado.
—Nax walkap muor alx nicant. (Quero minha alma rápido.) -Ele me pressiona.
—Nax salp mec Icana Nacry! (Eu juro pelo Ciclo Negro!) -Firmo minha palavra e ele se enterra no chão novamente.
Passo minhas mãos em meus cabelos e suspiro encarando Aspen enquanto escutamos os grunhidos do Liiatama.
—Vamos voltar a correr. -Ele diz.
—E ela vai correr com essa perna? -Alaric pergunta.
—Não, não... Vamos arrancar essa fora e colocar outra no lugar! -Respondo pra ela com a cara séria, como se eu realmente fosse fazer isso.
Ela rola os olhos e nós voltamos a correr.
Vamos as confissões: Eu nunca fui boa em educação física, então correr não é lá a minha praia.
Passamos um minuto correndo e eu já nem conseguia mais correr... Um minuto! E não, não foi por causa da minha perna!
—Héstia, consegue ver onde ele está?
—Olha ver, na verdade, eu não tô vendo nada, sabe, aqui é meio escuro eu tô só seguindo o Aspen mesmo e...
—Héstia! -Eu e Aspen gritamos e a interrompemos. Ela da risada e finalmente paramos para que ela possa se localizar. Colocando a mão no muro do Labirinto seus olhos ficam completamente negros e ela entra num tipo de transe. Logo ela já tira a mão.
—Meu demônio! Que tipo de demônio é esse? Bicho horrível, lazarento! -Ela diz fazendo uma cara de nojo. -Ele tá bem longe daqui. Tá comendo alguma coisa que eu não sei o que é...
—Certo, vamos voltar a andar normalmente e de vez em quando damos uma corridinha pra que ele não nos alcance. -Aspen fala.
—A quanto tempo estamos aqui? -Simon pergunta.
—Meu relógio marca 3 min. depois que entramos aqui. -Damon responde.
—Caralho! -Andrew xinga.
Aspen
Depois de sei lá quantas horas (horas do Mundo das Sombras) caminhando, com a Arya dizendo: Tô com fome a cada 5 min; finalmente resolvo parar.
—Ok, vamos dormir um pouco. -Digo me sentando.
—Não! Agora não mesmo, Aspen! Falta menos de uma hora pra chegarmos lá, e você sabe disso! Quando estivermos voltando a gente descansa. -Arya reclama.
—Tá, que seja, vamos continuar.
—Ah não! Eu tô cansado demais! Como vamos lutar com um turbilhão de Libertadores assim? -Andrew reclama.
—Quando nós nos teletransportarmos para o mundo "normal" de novo vocês não vão se sentir cansados...Só eu e Aspen vamos nos sentir...vai ser como se tivessem caminhado apenas 3 min. e não todas essas horas. -Arya explica.
Caminhamos mais uns trinta minutos até chegar no portal certo.
—E agora? A gente pula dentro? -Damon pergunta.
—Não, não, sentamos em volta e esperamos ele engolir a gente. -Arya responde sarcástica como sempre. Sorrio.
—Tá foda hoje né, Arya. -Damon fala pra ela.
—Vamos logo com essa porra! -Héstia fala já entrando no portal com a Arya indo atrás.
Depois que todos passam eu entro.
Saímos dentro dos portões do Ciclo Branco sem chance do Viggo saber que estamos ali a não ser que alguém conte.
—Boa sorte. -Diz Arya abraçando a Héstia.
—Igualmente. -Ela responde.
Depois de todos se despedirem, eu Arya e Damon voltamos para O Mundo das Sombras.
—O que vamos fazer agora? -Damon pergunta.
—Descansar. -Digo.
Arya tira o casaco para fazer de travesseiro e deita. Eu faço o mesmo e dito ao seu lado enquanto Damon deita do outro lado dela.
Eu e ele sorrimos um para o outro só pra ver pra qual lado ela vai virar, mas ela simplesmente se levanta, da risada, pega sua jaqueta e se deita perto dos nossos pés, de forma que ela não se vira nem pra um, nem pra outro, mas sim para os os dois ou para a parede.
Eu bufo e Damon sorri.
—Ah, Damon, se você por acaso ouvir um barulho parecido com um zunido e ver as luzes dos portais se apagarem ou mudarem de cor não se desespere, ok? Eles só estão mudando sua localização. -Arya o avisa.
—Hã, certo. -Ele responde. -Boa noite, mesmo que não seja noite.
Eu e Damon nos encaramos disputando pra ver pra quem ela dará boa noite primeiro.
—Boa noite pra vocês. -Ela diz.
Nós sorrimos. Ela é esperta...
—Boa noite. -Digo mais pra ela do que pra ele.
"Amanhã" ou "daqui a pouco" Vamos para o Palácio das Sombras, propriedade de Castiel Larke. E vamos passar longos dias (Dias no Mundo das Sombras) aqui.
Héstia
O Ciclo Branco era virado numa doçura só... Flores para todos os lados, ninguém falava palavrão, os idosos eram tratados com muito "zelo", não vi nenhum casal se beijando,(O que pode parecer normal pra você mas acredite casal se beijando é uma coisa que se vê o tempo todo no Ciclo Negro) crianças passavam vendendo biscoitos e coisinhas "fofas" ( as crianças do Ciclo Negro só treinam Magia Negra e zoam com qualquer um que estiver perto delas), todo mundo se abraçava, (um senhor que eu nem conheço veio me abraçar e eu tive que aceitar o abraço pra ninguém estranhar... )
Enfim, eu já estava cagando arco-íris e vomitando unicórnios...
Alaric havia nos dado capas brancas e nós escondemos tatuagens e outros acessórios que denunciassem de onde viemos.
—Vamos ter de esperar anoitecer para entrar no Palácio Branco. -Alaric diz. -Vai ser mais seguro.
—E onde vamos ficar enquanto isso? -Andrew pergunta.
—Vamos ficar numa pousada. -Ela responde.
***
"Pousada Arco-Íris" Não posso deixar de rir...
" Ah Arya, o que as amigas não fazem uma pela outra..." Penso.
Todo o prédio era colorido. E os funcionários? Vestiam uniformes coloridos.
Chegamos na recepção e a Alaric começa a conversar com a mulher na tal língua da paz... O ideal era que eu e o Andrew ficássemos em um quarto e a Alaric e o Simon em outro. Mas...
—Ela só vai nos dar o quarto se eu ficar com a Héstia e o Simon com o Andrew. -Ela diz.
—Como assim? -Pergunto. -Ela tem uma pousada e se eu pedir um quarto pra duas pessoas ela precisa me dar um quarto pra duas pessoas! -Grito.- Eu vou pagar, sabe?! -Digo chegando bem perto da recepcionista.
—Aqui nós não temos relações ta-na-na antes do casamento Héstia. -Alaric sussurra.
—Relações ta-na-na? O que porras seria isso? Relações sexuais, Alaric! Fala direito. -Digo tirando sarro dela.
—É falta de respeito! -Ela diz. -E para de agir assim se não vão suspeitar. -Ela sussurra de novo.
Rolo meus olhos e mostro a língua pra ela. A recepcionista me olha.
—Sabe, eu acho que ter relações antes do casamento de certa forma acaba com o romantismo de um casal... As relações depois do casamento são muito melhores e mais "picantes" se é que me entende. -Ela dá um risinho.- Eu já tive a sua idade, queria desrespeitar meus pais e fazer logo com o meu namorado sem ninguém me dizendo que eu não podia. Mas vai por mim vai ser muito melhor se você e seu namorado esperarem... Pelo menos é a minha opinião...
Ela acha que eu tô aqui pra transar?! Sério isso produção?! E pior: ela acha que o Andrew é meu namorado?!
—Sério? Essa é sua opinião? -Digo fazendo cara de boba. -Pois saiba que eu acho que você devia ir pra Índia!
—Por que? -Ela pergunta. Chego bem perto dela e sussurro.
—Por que lá, opinião de vaca é sagrada. -Pego uma das chaves que ela havia deixado no balcão para nós e vou caminhando para o elevador, deixando ela com os olhos arregalados e cara de cachorro sem dono.
Alaric olha pra mim de boca aberta e começa a se explicar para a moça.
—Ela foi atingida recentemente por um Possuidor, e agora está agindo assim, e junto com a T.P.M?! Meu Deus! Você não tem noção... Mas esquece o que ela falou tá?
Nós quatro entramos no elevador.
—Você tá louca?! -Simon e Alaric gritam pra mim ao mesmo tempo enquanto Andrew só sorri.
—Quer que Viggo venha atrás de você e te torture até a morte? Te estupre, te queime, te bata, chicoteie e sabe Deus o que mais? -Simon continua. -Por que é isso que ele vai fazer se descobrir que estamos aqui!
Me viro pra ele furiosa. Quem ele pensa que é pra falar do que o Viggo é capaz?!
Parabéns Simon! Tocou na minha ferida!
—Não preciso que me diga o que ele vai ou não fazer. Se é que você se esquece vivi a minha vida inteira morando debaixo do teto da casa dele! E fui torturada por ele mais vezes do que sequer me lembro! Tenho pesadelos até hoje com algumas coisas que ele fez comigo! Tenho feridas tão profundas dentro de mim e tão horrendas que eu tenho total certeza de que jamais vão cicatrizar! Eu passei a minha infância inteira sendo torturada por ele! Sei tudo o que ele é capaz de fazer. Sei tudo o que ele vai fazer! E não preciso que um garoto como você que jamais foi torturado por ele e que jamais vai ser, me diga quem ele é e o que ele faz! Então quer saber Simon, vai a merda! -Digo apontando um dedo pra ele com cara de desgosto.- Você fala como se o conhecesse! Mas além de relatos e depoimentos de outras pessoas sobre suas torturas, o que mais você sabe? Nada! Nada! VOCÊ NÃO SABE NADA. -Sinto lágrimas brotando em meus olhos. Respiro fundo e não deixo elas virem.
Com um apito a porta do elevador se abre. Eu me viro saio em busca do meu quarto.
Ouço passos attás de mim e de início penso que é Alaric mas quando olho para trás vejo Andrew. Paro de andar. Por algum motivo idiota aquelas lágrimas insistem em voltar quando encaro seus olhos. Não consigo segurar todas as gotas e algumas acabam caindo. Desvio meu olhar, mas ele levanta meu queixo me fazendo olhar para ele de novo. Passando seus dedões embaixo dos meus olhos ele limpa minhas lágrimas. Me preparo mentalmente para toda aquela história de: Já passou, vai ficar tudo bem, você ainda está viva. Mas essa história não vem. Ele simplesmente me olha com ternura, sorri e me abraça.
E só isso.
Porque eu só precisava disso...
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