O Reino Vermelho
3 Azul no Verde. Verde no Azul.
Notas iniciais

Corro pro meu quarto e começo a me arrumar.
É a festa de 19 anos da Héstia.
Eu a conheço desde criança. Ela mora com o Viggo, pois os pais dela morreram quando ela era pequena e a esposa do Rei resolveu acolher ela.
Mas ela nunca para em casa, ela o odeia.
Coloco um vestido preto aberto nas costas e um salto agulha também preto, prendo metade do meu cabelo e faço uma make bem dark.
—Tá pronta Arya? Vamos nos atrasar!- Grita Aspen de trás da porta.
—Tô indo!- Grito pra ele.
Chegando na recepção da festa eu e Aspen passamos pelo guarda direto, mas eu logo voltei pra trás quando vi uma mulher chegar com a mão abanando.
—Oi senhora. Seguinte não sei se a senhora sabe, mas aqui nesse estabelecimento a gente trabalha com a política: Aniversariante sem presente, convidado sem "enchê" o bucho. —Digo bem rápido, com cara de inocente.- E já que você não tem presente pode ir embora. Boa noite!- E sorrio.
A mulher vai embora e Aspen me puxa.
—Não existe essa política Arya.- Ele diz sorrindo.
—Claro que existe, acabei de criar! Vamos que a gente tá atrasado.
Entrando na festa já vejo a Héstia.
—Oi!- Ela diz.
—Oi- Eu Aspen dizemos ao mesmo tempo.
Entregamos os presentes e partimos pra pista de dança.
Héstia
Estou dançando com a Arya quando alguém esbarra em mim e derrama cerveja no meu vestido.
—Vê se olha por onde anda, filho da puta!
Quando paro pra reparar em quem é vejo Andrew príncipe do Reino Laranja.
Eu beijei ele num jogo da garrafa antes de ontem. E ele ficou o resto da noite falando que eu tinha adorado.
Ele era um garoto bonito não posso negar isso.
— Você deve uma dança pra aniversariante agora.- Arya fala com um sorriso de quem quer cagar na vida de alguém.
—Não deve bosta nenhuma!
—Me concede a honra?- Ele pergunta fazendo uma reverência.
—Não.- Respondo seca.
Ele arqueia a sobrancelha me desafiando e sobe numa mesa da festa.
De momento penso que ele vai me convidar na frente de todo mundo, mas ele começa a tirar a roupa!
Arya está gargalhando.
O casaco, o colete, a camisa...
Quando ele está prestes a tirar a calça eu o paro.
—Uma dança! Nenhuma a mais.-Digo, pasma.
—Eu só quero uma.-Ele responde sério.
Andrew coloca as roupas e me leva para a pista de dança.
De longe vejo Arya bebendo uma cervejo com um sorriso de quem conseguiu cagar na vida de alguém.
Ela percebe que estou olhando pra ela mexe a boca formando: Eu te amo! E me manda um beijo.
Mostro o dedo do meio pra ela mas não posso evitar de sorrir...
Volto minha atenção ao Andrew...
—Vai continuar dizendo que aquele beijo não foi nada?- Ele sussurra no meu ouvido.
Eu gostei do beijo.
Mas eu não admitiria isso nem no inferno!
Obrigada, Arya!
Essa dança vai ser longa...
Arya
Três e meia da madrugada. Eu já estou descalço, com o cabelo bagunçado, quase bêbada e cansada pra caralho.
—Vamos embora?- Falo no ouvido de Aspen por causa do som alto.
—AS ÚLTIMAS DUAS MÚSICAS PESSOAL!- Grita o DJ.
—Só mais essas duas- Aspen cochicha per perto do meu ouvido me fazendo cócegas.
—Ok- respondo.
Vou procurar meus sapatos pelo salão.
Quando volto pra pista já está na última dança. Música lenta.
Estou prestes a me sentar quando vejo Aspen lá no fundo da pista sem ninguém.
Vou até ele.
— E aí? Não sobrou pra você- Falo com ironia.
—Não, na verdade já dancei com todas menos uma.- Ele responde me fitando.
Sei que ele está falando de mim.
Eu e Aspen tentamos não ter esses momentos muito íntimos um com o outro.
Da última vez que dançamos uma música lenta saímos pela pista a fora nos beijando...
Ele parece ter esquecido disso.
—Me concede a honra ruiva?- Ele fala com seu sorriso convencido.
Eu precisava dizer NÃO. Eu devia dizer NÃO.
Mas eu não queria dizer não.
—Sim.
Fomos para a pista.
Ele colocou as mãos em minha cintura.
Eu não gostava que ele me tocasse, quer dizer eu gostava... Mas era como se eu estivesse vulnerável eu sentia algo semelhante a um choque. Me sentia tensa, garganta seca.
Coloquei minha mão direita em seu ombro e a esquerda em seu pescoço.
Ainda estávamos um pouco longe um do outro.
Aspen me puxa contra ele.
Agora estamos a centímetros um do outro. Respirando o mesmo ar.
Azul no verde. Verde no azul.
Me perco nos seus malditos olhos verdes.
De repente ele encosta seus lábios nos meus.
Meu extinto sempre é recuar nessas horas.
Mas eu quero!
Ele aprofunda mais o beijo e eu subo minhas mãos pro seus cabelos.
Aspen tira uma de suas mãos da minha cintura e a coloca no meu pescoço.
Nos beijamos com urgência.
Ele me pede passagem com língua e eu dou.
Isso é bom. Isso é muito bom.
Paramos pela falta de ar. Ficamos apenas nos olhando.
A música acaba e eu pergunto:
—Podemos ir agora?
Aspen dá um sorriso malicioso.
—Sim, já fechei minha noite. Podemos ir agora ruiva.
—Vou chamar a Héstia, ela vai posar la em casa hoje...-Aviso ele.
—Tá.
Chegando em casa eu e Héstia vamos pro meu quarto.
Assim que fecho a porta ela fala:
—O que foi aquele beijo entre vocês?!
—Ah não... Eu não quero falar sobre isso! Só talvez sobre a sua pegação com o Andrew lá atrás...- Digo rindo pra ela.
—Podemos falar das duas coisas!- Ela sugere.
—Tá... Grrr. Aspen é só um garoto incrivelmente gato, que beija bem pra porra. E aquele beijo não foi nada!
Eu não queria que fosse nada... EU NÃO IRIA ME APAIXONAR POR NINGUÉM!
—Ok... Vou fingir que acredito... Andrew é só um cara incrivelmente gato que beija bem pra porra. E a pegação não significou nada!
—Ok... Vou fingir que acredito...- Falo rindo- Vamos matar uns Libertadores por aí?
—Bora!
Estamos quase saindo de casa quando minha mãe me para e diz:
—Amanhã você vai para o palácio Roxo pra passar o dia com Damon.
— Hey! Você não me disse que Damon tinha sido o escolhido.- Acusa Héstia.
—Não deu tempo Héstia!-Digo- O dia inteiro?- Pergunto pra minha mãe.
—Sim, Arya. Sinto muito. — Ela fala com um sorriso maternal. E uma cara cansada.
Ela tem cabelos curtos lisos e ruivos e olhos verdes.
Eu e minha mãe temos nossas diferenças mas eu a amo muito. Jamais sobreviveria sem ela...
As vezes minha parte Negra faz com que eu esqueça disso.
—Certo-Respondo com um sorriso. — Boa noite mãe.
—Boa noite, se cuide!
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