O Reino Perdido
6 Capítulo 6 - Mistérios.
Notas iniciais
Depois da morte de Sebastian, os jovens ainda estão tristes, mas eles não podem parar a jornada por causa disso.
Eles precisam de portas e mais cômodos, então, eles lembram:
–Ei Tonny, precisamos de portas e objetos, certo? — Perguntou Scott.
–Sim…
–Então...você pode desenhá-los…
–Verdade! Nem me lembrei disso! Mas existe um limites de coisas que eu posso desenhar, sabe?
–Tipo…?
–Não posso desenhar objetos que matam ou que machucam…
–Vish...mas então, desenha as portas e algumas mesas.
–Ok.
Tonny entra no subsolo e pega sua mochila, leva a mesma até lá fora e abre ela.
Ele procura por todos os compartimentos e no último, encontra seu caderno e sua caneta, ele pega os dois, se senta no chão e apoia o caderno nas pernas.
Segurando a caneta, ele desliza a mesma suavemente pela folha e começa a desenhar: uma porta começa a se formar em meio aos rabiscos.
Scott está perto da árvore, de braços cruzados e olhando pra baixo, ele começa a lembrar de Sebastian e a tristeza volta…
Tonny, que já está terminando o desenho, percebe Scott no canto, quieto. Ele se levanta, largando tudo no chão e começa a andar em direção de Scott.
–O que foi, cara?
–Nada não...continue os desenhos…
–Tá bom..
Tonny se vira e começa a voltar para o caderno e a caneta, mas ele se vira para Scott novamente, e diz:
–Ei...não fica triste, beleza? Não quero que você fique com vergonha de mim ou algo do tipo pela morte do Sebastian...eu sei que não foi de propósito…
Ele espera uma resposta por três segundos, mas Scott continua de cabeça abaixada e Tonny se vira, voltando para o caderno. Ele se senta e novamente volta a desenhar os objetos.
Minutos depois, Anna acorda e se veste, ela desce as escadas e percebe os dois lá, ela anda até eles e diz:
–Bom dia, gente.
–Bom dia…
Scott não responde.
–O que foi, Scott? — Pergunta Anna, se aproximando dele.
–Nada…
Anna chega mais perto de Scott, e aproxima seu rosto ao rosto dele, ela dá um beijo na bochecha dele.
Tonny percebe a cena e solta a caneta, observando os dois, ele fica espantado.
Anna olha para Tonny e pergunta:
–Que foi? Nunca viu alguém beijar o outro na bochecha?
–Já…
–Então, ué…
Tonny pega a caneta volta a desenhar: Ele já está terminando.
Scott, do nada, pergunta para Anna, que observa Tonny desenhando:
–E a Beth...como ela está? — Ele continua de cabeça baixa, observando o solo.
–Ela tá dormindo, parece um anjinho *risos*...
–Que fofa…
De repente, Tonny grita:
–ACABEI! HÁ!
Anna se assusta.
–Aff! Pra que assustar os outros?
–Desculpa...me empolguei…
–Tá bom...vai lá, põe as coisas logo.
Tonny se levanta, com o caderno em uma mão, e a outra livre.
Em um estalar de dedos, tudo muda: As entradas do esconderijo ganham portas e do lado da grande árvore, uma pequena casinha, onde serão feitas pequenas reformas em objetos ou coisas do tipo.
–E aí, gostaram? — Pergunta Tonny com um sorriso no rosto.
–Ficou bom — Responde Anna.
Scott, ainda bem triste, diz:
–É...ficou legal…
–Scott.. — Diz Tonny.
–Que?
–Não se esquece do que eu falei, tá bom?
–Uhum…pode deixar…
Anna percebe alguém descendo as escadas do segundo andar: é Heloisa.
–Gente, a Helô acordou…
–Ok.
Tonny grita:
–BOM DIA HELÔÔÔ!
Ela se assusta, e descendo as escadas diz:
–Bom dia!
Heloisa chega ao solo e abraça os outros três, dizendo:
–Bom dia gente…
Eles respondem.
–Bom dia.
–Bom dia!
Scott, meio desanimado, solta um bom dia de alguém triste.
–Bom dia…
–O que foi Scott? — Pergunta Heloisa, tentando olhar nos olhos de Scott, que está de cabeça abaixada.
–Não foi nada…
Ela se aproxima dele, levantando seu rosto e olhando nos olhos dele, pergunta:
–É sério...me diz, o que foi?
–Não foi nada, eu já disse!
–Se você di...MEU DEUS! UMA CASA, O QUE É AQUILO?!!
–Calma...eu que desenhei, pra eu reformar nossas coisas...sou bom nisso como já disse…
–Atá, que susto…posso ir lá ver?
–Claro, vamos nós quatro…
–Eu não vou…- Diz Scott — Vou ficar aqui, outra hora eu olho, tá?
–Ok…
Anna, Tonny e Heloisa entram na pequena casa de reformas enquanto Scott fica do lado de fora.
Com as mãos nos bolsos e de cabeça abaixada, ele vai andando até perto da árvore, chutando algumas pedras do chão.
Ele se senta no chão, perto do esconderijo e retira as mãos dos bolsos e coloca elas no rosto e começa a chorar.
A pequena Elizabeth abre a porta do segundo andar e segurando na parede, coloca a cabeça um pouco pra fora e observa Scott no canto. Ela começa a descer as escadas e anda em direção de Scott.
–Ei… — Ela diz — O que você faz aí no canto, Cott? Vou te chamar assim, tá?
–Pode me chamar assim… — Responde Scott, ainda com as mãos no rosto.
–Mas o que você tá fazendo aí?
–Nada eu só...tô pensando…
–Em que?
–Nada, Beth...vai lá com o tio Tonny, vai?!
–Não, eu quero saber o que você tá fazendo aqui…
Ela chega mais perto de Scott e se senta do lado dele.
–Eu só estou esperando ele voltarem de lá…
–Você tá chorando tio Cott?
–Não…
Elizabeth desliza a mão direita no ar, em direção de uma mão de Scott, ela tenta puxar a mão dele pra ver se ele está chorando ou não, mas não consegue, ela não tem muita força.
–Por favor tio Cott...não fica triste…
–Beth...vai pra lá…
–Não...eu quero ficar com você…
–Por favor, Beth…
–Não tio Cott...deixa eu aqui com você!
–Por favor Beth, por favor…
–Aff…
–Olha, o Tio Tonny tá saindo de lá…
–Onde?
Elizabeth olha para a pequena casa de reformas e fica procurando com os olhos por Tonny.
Scott cria um impulso telecinético que faz com que ele ‘’voe’’ até um grande galho da árvore, a menina só sente o vento do impulso em seu rosto.
–Desculpa Beth...eu quero ficar sozinho! — Grita Scott, de cima da árvore.
–Tá bom…
Tonny, Anna e Heloisa já estão saindo da casa de reformas, Anna percebe Elizabeth e pergunta:
–Onde tá o Scott, Beth?
–Ele disse que queria ficar sozinho e subiu lá ó! — Ela aponta o galho onde Scott está.
Ele está virado de costas pro lado onde os outros estão.
–Aff, esse Scott… — Diz Tonny — Eu vou lá.
Tonny se transforma em uma águia e voa até o galho onde Scott está, ele volta a forma humana e se senta ao lado de Scott, o galho fica bem no topo da grande árvore.
–Scott, o que aconteceu?
–Por favor Tonny, sério mesmo...me deixa aqui sozinho.
–Me responde! O QUE ACONTECEU?
–Não altere a voz pra mim!
–Eu altero sim, quando eu quiser e onde eu quiser, mas eu sou seu amigo e quero saber o que aconteceu! Eu me preocupo com você, Scott!
–...
–Responde, Scott, o que aconteceu?
–Tonny, saia, por favor.
Anna, Heloisa e Elizabeth observam tudo do solo.
Elizabeth se afasta um pouco das duas, sem elas perceberem e começa a se concentrar em alguma coisa…
–EU NÃO VOU SAIR! — Gritou Tonny.
Scott fecha os olhos, como no dia da morte de Sebastian.
Elizabeth de longe, parece estar invocando alguma coisa, um tipo de magia, demônio ou algo do tipo, mas ninguém percebe ela ali.
De repente, um impulso telecinético faz Tonny ser jogado pra trás e ele começa a cair do galho, é uma grande altura, mas no meio da queda ele transforma em um gato e cai em pé no chão.
–MEU DEUS! DE NOVO! — Grita Anna, correndo até Tonny, junto com Heloisa. As duas estão desesperadas.
Elizabeth resmunga.
–Droga...dessa vez não deu certo.
Scott, no galho, olha pra baixo e pensa:
–De novo...eu não acredito...o que tá acontecendo comigo?!
Ele, voando com um impulso telepático, vai descendo ao solo e chega perto de Tonny, e diz:
–Por favor Tonny! ME DESCULPA! POR FAVOR, POR FAVOR, NÃO FOI EU!
Elizabeth se aproxima, e com a maior inocência, diz:
–Meu Deus tio Cott...o que você fez?!
–FICA QUIETA, SUA CHATA!
–O-o-oque?
–É ISSO MESMO QUE VOCÊ OUVIU! NÃO SE META EM COISA DE GENTE GRANDE, PIRRALHA!
Scott volta os olhares pra Tonny, e volta a falar com ele:
–Por favor, Tonny...não foi eu…
–O que tá acontecendo com você, Scott? — Disse Anna, que já está com um pouco de ‘’medo’’ de Scott.
–Não fui eu Anna, por favor, acreditem!
Anna, olhando pra Scott e balançando a cabeça, começa a andar até as escadas do segundo andar, Scott tenta ir atrás, mas ela sobe mais rapidamente e tranca o quarto.
Batendo na porta, Scott pede:
–POR FAVOR ANNA! ABRE! POR FAVOOR! N-N-N-ão...não faz isso comigo…
Elizabeth, resmunga de novo:
–Hahaha! Não foi do jeito que eu queria...mas foi melhor ainda! — Ela faz uma cara maligna, olhando Scott batendo na porta.
Heloisa pergunta:
–Tonny, tá tudo bem? Levanta…
–Tá sim. — Disse Tonny, limpando a calça e levantando.
–Heloisa, você acredita que o Scott tá fazendo isso de propósito?
Elizabeth interrompe a conversa:
–EU ACREDITO!
Heloisa e Tonny olham para a menininha e perguntam:
–Porque você acha isso?
–’’Num’’ sei...mas eu tenho certeza que ele tá fazendo de propósito…
Na parte de cima da árvore…
–POR FAVOR ANNA! ABRE!
–Não Scott, eu não posso…
–Anna...por favor! Não fui eu…
–Desculpa, Scott...eu não posso abrir…
–Anna…
–Não, Scott…
Para Scott, o mundo desabou: A pessoa que ele mais gosta está o desprezando e pensando que ele é um monstro; desapontado, ele começa a descer as escadas.
Ele chega no solo e todos sobem, atrás de Anna, menos Tonny, ele fica com Scott.
–Scott…
–...
–Eu sei que não foi proposital…
–Eu não sei o que tá acontecendo comigo, Tonny...parece que...alguém está usando meus poderes para o mal…
–Credo…
–Bom, você não vai acreditar mas...eu sinto que a Elizabeth não é uma boa companhia…
–Meu Deus Scott! Você desconfia de todo mundo! Tenho até medo do que você acha que eu sou...ela é uma garotinha inocente, ela não faz nada de mal cara…
–Tudo bem...mas quando ela fizer algo contra nós… lembre-se do que eu disse…
–Não espero coisas más dela...mas vou entrar na sua...confio em você! Até porque uma vez ela pareceu estar com olhos negros...
–Tudo bem...A Mary nem saiu do subsolo né?
–Não, ela tá lá lendo um livro…
–Hum...já devem ser umas...cinco horas da tarde né?
–Deve ser, não sei.
Os dois ficam ali, conversando, e as horas foram se passando, até que a noite começou a chegar.
–Vish...anoiteceu, vamos dormir já, ou você quer esperar?
–Tanto faz...mas vou ter que dormir em outro lugar, a Anna tá com medo de mim…
–Eita…
–Vou tentar ir falar com ela, a Heloisa e a Elizabeth tão aqui no subsolo né?
–Aham…
–Ok, vou lá.
Scott começa a subir as escadas novamente, com esperança de o medo de Anna desaparecer: É o que ele mais quer.
Ele bate na porta, e espera uma resposta, Anna se levanta e abri a porta, voltando a sentar na cama.
Scott entra e se senta ao lado de Anna.
Eles ficam 5 minutos em silêncio até que Scott põe a mão no rosto de Anna, virando o rosto dela pra ele.
Os lábios deles começam a se aproximar e entram em contato: Mais um beijo, que dura alguns segundos…
–Anna...você me desculpa?
–...
–Não fui eu que fiz aquilo…
–Então foi quem, Scott? Me diz?!
–Eu vou te contar minha teoria…
Depois de Scott explicar tudo o que pensa sobre Elizabeth, Anna começa a ligar os pontos: Lembrando que a menina saiu de perto dela e de Helosia na hora da queda e que ela tinha sumido na hora da morte de Sebastian.
Lá embaixo…
Tonny está sentado, cortando um papel que tinha achado no chão, já é noite e está tudo escuro, até que ele percebe algo como um cachorro correndo um pouco mais à frente: Ele se assusta e começa a correr em direção das escadas; subindo as mesmas ele chega até o quarto onde estão Scott e Anna, ele fecha e tranca a porta rapidamente e diz, quase sem fôlego.
–Desculpa...entrar...assim...é que…arf..arff...tinha uma coisa lá fora e...eu corri pra cá…
Scott e Anna observam ele de olhos arregalados enquanto Tonny explica tudo ofegante.
O que seria a coisa misteriosa que fez com que Scott matasse Sebastian e derrubasse Tonny da árvore? E aquele bicho que estava rodeando o esconderijo misteriosamente?
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