O Reino Perdido
23 Capítulo 22 - Parte 2 - Destruição em massa.
Notas iniciais
Os jovens instintivamente gritam, com as mãos grudadas nos ouvidos. As pernas deles tremem como se estivessem sendo vítimas de um terremoto, ao mesmo tempo em que gritam de dor.
– É horrível não é? — exclama Hanslei — É como se uma máquina estivesse perfurando seus ouvidos e como se alguém estivesse balançando suas pernas.
Hanslei quebra o aparelho e os gritos de dor dos jovens cessam.
– O que você veio fazer aqui? — grita Anna com extrema arrogância.
– Eu preciso… de vocês! — Hanslei olha à todos e percebe que está faltando o Scott — Ei… onde está o Scott?
– Ele foi raptado por alguém bem pior que você. Agora suma daqui! — grita Ector.
– Calma… calma… — Hanslei parece ter medo, mas continua calmo — Eu só vim aqui buscar alguém.
Os jovens o olham com medo e raiva.
Tonny lança duas bolas de Sten do tamanho de bolas de boliche em Hanslei, Hanslei cria um portal e as bolas atingem a Anna, fazendo-a cair e desmaiar.
– SEU MONSTRO IDIOTA! — grita Heloisa com a raiva fazendo seus olhos parecerem que querem pular para fora do globo. Ela vira Olite e lança um rajada sonora em Hanslei que cria um portal telecinético e um portal na boca de Olite, os sons agudos passam pelo portal e atingem Fernando em cheio que cai de costas no chão e queima o gramado próximo à ele com o susto.
Os portais de Hanslei ficam falhando, mas sempre conseguem um sucesso final, o que o faz ter uma risada sarcástica e eclodir o seu escudo telecinético para todos os lados, fazendo todos (exceto Tonny que está em formato de Sten) serem lançados para os lados e se levantarem com a raiva presente em cada olhar.
Hanslei dá um pulo logo após criar mais um dos portais, entrando no mesmo e parecendo ter ido embora. Tonny retoma ao seu formato normal e ajuda Fernando a se levantar, sendo surpreendido por Hanslei caindo com os pés nas suas costas em extrema força, criando um portal abaixo da queda, onde Tonny cai e é levado pra base dos militares. Hanslei ri novamente e some pelo mesmo portal.
– Como o garoto está? — pergunta Hanslei olhando para Tonny em uma cela de vidro.
– Ele está tentando a toda hora admitir o formato de Sten, se transformar em algo ou em alguém. É irritante — fala Daniel.
– Quero que façam um estudo completo dele. Com força, agilidade, precisão… defesa e todas as suas características. O quanto ele foi exposto à radiação… TUDO! Quero todos os detalhes deste fedelho.
– Parra quando miestre? — pergunta Jirlav
– Em meia hora. — fala sério e sai da sala, andando pelo corredor.
Ele segue pelo corredor, vira à direita e se vê de frente à uma enorme porta. Ele cria um portal e o atravessa.
A sala é gigante e há três portais permanentes expostos atrás de um grande vidro. Por um destes portais dá para se ver várias cabanas de habitantes do reino. Pelo outro se vê vários prisioneiros sendo torturados. E no do meio se vê a Terra, por cima da cabeça do Cristo KRedentor, o céu está obscuro, as nuvens estão roxas, no mar quase não há ondas e há sangue nas ruas. Os prédios estão quase caindo em pedaços às ruínas e cadáveres dos humanos, há explosões a cada segundo e correrias ante os morros da Cidade “Maravilhosa”
Hanslei passa pelo vidro como se ele não existisse e entra no portal. A visão do Rio de Janeiro é muito pior. As favelas estão destruídas pelos desmoronamentos, as ruas, como visto pelo portal, estão manchadas de sangue. Há servidores de Hanslei em todos os lugares esperando a próxima vítima. Todo humano é massacrado e todo mutante é glorificado.
Ele sobrevoa o céu roxo da cidade e fica de frente ao Cristo Redentor. Há várias pessoas diante dele fazendo reverências e orando, chorando, religiosos desesperados gritando por misericórdia.
– Anciãos! — Hanslei usa seus poderes para amplificar o som da sua voz — Vocês estão reverenciando uma estátua à mim? Eu sou o Deus de vocês agora! Eu sou o poder! Mostrem o respeito de vocês… à mim! — ele aguarda — AGORA! — seu grito faz os corvos que estavam nos braços do Cristo Redentor voarem.
As pessoas apenas o olharam com ódio e jogaram pedras nele. Por sorte, elas passaram direto sem atingi-lo.
– Que isto… — começa ele, enraivecido — Sirva de exemplo.
Ele, que sobrevoa em frente ao Cristo Redentor, estende suas mãos nos ares, fecha seus olhos, coloca sua perna em espiral e abre novamente seus olhos. Seus olhos têm um brilho branco lampejante, é como se ele fosse realmente um deus.
Ele move suas mãos no ar, suas veias brilham fortemente, o que o dá uma aparência de divindade ao mutante.
– Morram! — ele usa toda sua força e bate suas mãos, girando-as.
O Cristo Redentor começa a rachar, começando do peito e se espalhando por toda a estátua. Cada barulho de uma parte se rachando é assustador e as pessoas no lugar param assustadas. Hanslei move seus braços e bate mais uma vez suas mãos, seguidamente ele aprecia a vista do lugar, as rachaduras da estátua se tornando cada vez mais visíveis, o céu roxo com as nuvens rosas em meio às estrelas que ajudam a iluminar a cidade.
Por fim, ele coloca seus braços para trás e dá um forte soco no ar.
O Cristo Redentor começa a desabar, cada pedaço caindo lentamente até aumentarem de velocidade e atingirem o chão, fazendo o sangue ser derramado por todo o morro do corcovado. Alguns milésimos de segundos depois a cabeça do monumento cai sobre os cadáveres e começa a rolar pelo morro do Corcovado, batendo contra um prédio que se parte ao meio e cai sobre os outros, derrubando um a um em efeito dominó.
Hanslei dá as costas ainda voando, com um sorriso malicioso. O brilho em seu corpo some e ele continua voando pela cidade. Minutos depois, desliza as mãos logo à frente do corpo, criando um portal e adentrando, aparecendo em São Paulo, onde os prédios estavam destruídos, em ruínas. Pessoas mortas pelas ruas e carros abandonados, acabados. A Catedral Metropolitana está queimada e destruída, os coqueiros da passarela até ela estão despedaçados e mortos. O monumento da grande ponte da cidade se contorceu e levou as estradas e os carros à destruição.
Desce lentamente, pousando numa avenida aparentemente vazia, até que é surpreendido por uma facada nas costas, de algum cidadão. Ele se vira rapidamente, segurando o homem pelo pescoço.
– Como ousa?!
O homem cria um portal atrás do corpo, onde joga o mesmo, que cai de uma altura inacreditável, Hanslei segura o corpo antes da queda, lançando-o contra um dos carros, que já destruído, explode com o corpo em contato.
Hanslei puxa o chapéu de policia da cabeça, ajeitando os cabelos; recolocando-o, cria outro portal, aparecendo em Londres.
Londres está um inferno. O céu alaranjado coberto por nuvens, os mortos caídos sobre as ruas e sobre os prédios. Crânios de pessoas pendurados em postes, o Big Ben manchado de sangue e de ossos das vítimas. As praças em chamas, os ônibus quebrados e virados.
– Hum… — exclama ele — Como eu previ e sonhei! Amo muito tudo isso. — diz ele quando olha sorrateiramente para a placa do McDonalds, com uma clara referência — Parece que meus policias fizeram um belo trabalho.
Maravilhado, ele cria outro portal e passa por ele. Ele sobrevoa a cidade de Salvador, onde os mares estão vermelhos (por conta do massacre sanguinário ocorrido na praia), o céu está coberto de nuvens com diferentes tonalidades de azul e verde. As areias na beira do mar estão cheias de objetos e ossos. Ele desce até uma área de Salvador, onde há uma faraônica construção do governo a centenas de anos, anda por toda a área e entra no Elevador Lacerda.
Dentro do Elevador Lacerda há vários cientistas e inúmeras máquinas trabalhando a todo vapor. De lá de dentro se têm uma vista privilegiada da capital baiana que está coberta de sangue. E os prédios ofuscados pela destruição.
– Como está indo as pesquisas? — ele pergunta.
– Mestre! — exclama uma cientista — Está indo tudo muito bem! Estamos colocando os mutantes que encontramos em celas nos EUA e os mais poderosos em prisões na Antártida.
– Ótimo! Então… eu estou indo… não quero conversar muito agora.
Hanslei cria um portal e o atravessa, indo direto à sala onde estão Jirlav e Daniel. É possível se ver pela vidraça, Tonny dentro de uma cela de vidro que o impede de usar os seus poderes que está na mesma sala onde Gabriel está. O mesmo olha assustado para Tonny e Tonny o observa com remorso.
– O senõr falou que iria esás aqui em meia horra. Já se fas duas hojas señor. Fue lo tiempo suficiente parra nos fazermos uno estudo completo del garroto. — fala Jirlav com orgulho nos olhos.
– Mostre-me.
Daniel aperta um botão vermelho e um holograma surge na cela de vidro de Tonny, o envolvendo totalmente.
– Os pontos totais dele no seu formato normal e Sten do mutante são:
Daniel se senta na poltrona e começa a dizer.
– Todos os dados aqui são calculados de zero à mil. A força dele é de 50 à 140 no seu formato normal, por ora ele só usou a força de 120 até agora. Já no seu formato Sten a sua força varia de 400 à 845 (por conta das diferentes forma que ele assume), mas o máximo que ele usou até agora foi de 687. A sua defesa em formato normal varia de 30 à 136, já no formato Sten ele varia de 899 à 1000. Lembrando que “1000”, se refere à uma defesa imensuravelmente enorme, ou seja, ele nunca é machucado. A não ser pela própria Sten.
– Interessante…Mas o que podemos tirar dele?
– É complicado mister Hanslei, los poderres do garroto son incrivelmente impossíbles de se retirar. Podemos conseguir una pequena essência dos neurônios e do sangue do garroto.
– Então façam o que for possível. E se for preciso, mate-o. — a última frase de Hanslei causou um enorme desconforto nos dois cientista e no próprio Tonny, que grita de uma forma ensurdecedora — Este aí já morreu uma vez e retornou. Desta vez ele não escapará. E eu fiquei sabendo que um amigo meu de longa data também está aqui no Reino, e há muito mais tempo do que eu. Ele têm conhecimentos sobre este lance de retirar os poderes. Já fez isto com uma garota… e olhem que ele fez algo impensável com os poderes dela. Não irei dar detalhes, apenas façam o que deve ser feito e se não der certo, eu próprio o convidarei para um jantar… como nos velhos tempos.
Hanslei de despede com um sorriso no rosto e gira a mão no ar, criando mais um de seus portais. Ele entra e surge numa cidade qualquer, onde lampejos de raios estufam os céus e carros pegam fogo pelas ruas e avenidas, enquanto pessoas correm, desesperadas.
Ele põe as mãos pra trás e vai caminhando pelo cenário destroçado, rasgando na cara um sorriso cínico.
Um cidadão, cansado de tudo aquilo, vem correndo por trás de Hanslei com um machado, gritando de raiva enquanto tenta acertar o policial. Ele só vai pro lado e vê o pulo falho do homem, que desliza pruma queda. Hanslei dá uma ajudinha e impulsiona o corpo do rapaz, deixando ele se espatifar no chão.
– Tolo…
Longe dali, Scott vai acordando, dolorido. Passa a visão turva pelo local, franzindo a cara pelas dores. Ele vira o rosto pro lado e só vê o abdómen definido do suposto psicopata, ouve uma voz e…
– Nananina não! — Konnan desce o pé de cabra já meio sujo de sangue até a testa do jovem, que desmaia de novo. Ele tira a touca de Scott e passa o olho pelo tecido, arqueando as sobrancelhas e largando no chão.
Hanslei cessa o voo baixo e choca os pés no chão, jogando carros pra longe sem esforço algum.
– Ótimo...menos dois... — resmunga Heloisa, indignada. Todos vão se levantando e voltando pro esconderijo.
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