O Reino Perdido
7 Capítulo 7 - Emoções.
Notas iniciais
O sol sobe aos céus e esbanja luz à todo o reino, enquanto Scott se mexe no seu saco de dormir, em sono profundo.
Anna, dormindo, ouve os barulhos de Scott se mexendo e acorda: Levanta e se senta na cama, ela leva as mãos ao rosto e coça os olhos, depois, ela se espreguiça e levanta, andando vagarosamente para não acordar Scott.
Ela pega uma roupa e se veste: Um moletom branco, uma calça jeans escura, quase preta e um tênis. Ela anda até a cômoda e pega um pente e começa a pentear seus cabelos.
Anna, antes de sair pela porta, percebe Scott se mexendo no saco de dormir e fica intrigada.
Ele parece estar tendo um pesadelo, ou algo do tipo.
Ela pensa em acordar ele, mas desiste e andeja em direção da porta, ainda se espreguiçando ela abre a porta e começa a descer as escadas.
Chegando no chão, ela percebe Tonny sentado, com as costas encostadas na árvore.
Ele tinha ajuntado uma folha do chão e corta ela com as mãos.
Anna se aproxima e diz:
–Bom dia… — Com um tom de sono.
Tonny se assusta, olha pro lado e percebendo Anna, responde:
–Ahh...que susto! Bom dia!
Ela começa a caminhar pra mais perto dele, e se senta ao lado de Tonny.
–Você acordou faz muito tempo?
–Sim! Há bem mais do que você deve estar pensando... acordei três da manhã e eu percebi que do lado esquerdo do esconderijo, tem uma grande montanha, bem lá, longe...nós nunca fomos para aquela direção….que tal irmos hoje? Todos nós?
–Huuumm...Tem de ver com o Scott...ele tá meio triste ainda…
–Ok, eu vou conversar com ele.
–Tá, mas não seja tão gr…
Anna é interrompida por um grito, que parece vir de Scott.
Tonny e Anna se levantam, mas continuam no solo, esperando alguma resposta do acontecido.
De repente, a porta do segundo andar se abre e Scott sai, já com sua típica roupa: Touca, um casaco de couro, uma calça jeans, um tênis e uma camiseta marrom por baixo do casaco.
Ele parece eufórico e desce as escadas rapidamente.
Chegando no solo, ele começa a andar até os dois, e quase sem fôlego diz:
–Eu...eu...e-e-eu...eu tive...arf...arf…
–Calma cara, toma um copo de água. — Disse Tonny, sacando seu caderno rapidamente da mochila e desenhando um copo de água, em um estalar de dedos o copo aparece na mão de Scott.
Scott toma a água devagar, e solta o copo no chão depois de terminar.
Ele continua a falar:
–Eu tive...um pesadelo! Foi HORRÍVEL!
–Espera, fica calmo, senta aí e conta como foi.
Ele começa a explicar, meio cansado.
–Eu não lembro direito, mas foi assim: nós todos, estávamos lutando contra algo que não se sabia o que era, a gente só via a silhueta e um de nós atirou uma flecha: no meio do ‘’caminho’’ a flecha parou, se virou contra nós e veio com tudo, atingindo a barriga de alguém…
–Como assim alguém? — Pergunta Anna, com cara de quem não entende direito.
–Eu não sei, os rostos não eram visíveis… foi muito estranho!
–Que horror…vamos tomar mais cuidado agora — Disse Tonny.
Anna vai ‘’andando de joelhos’’ até onde esta Scott, sentado no chão. Chegando perto dele, ela diz:
–Bom dia, né?! — A boca dela se aproxima da bochecha de Scott, e ela dá um beijo nele.
–Bom dia…
Tonny olha os dois, boquiaberto.
–O que foi, Tonny? Nunca viu um beijo na bochecha? — Perguntou Anna, com um tom sarcástico e dando leves risadas.
–Já sim…
–Então…
Tonny levanta o rosto e olha para Scott.
Ele diz:
–Scott...eu sei que você está triste com os últimos acontecimentos...a morte do Sebastian...os mistérios e etcetera...mas...você não pode ficar sempre nessa, cara…
–Ok...eu te entendo e você tem razão, mas porque você tá falando disso?
–É que eu e a Anna combinamos de todos irem numa montanha que tem à direita do esconderijo….nós nunca fomos pra lá, que tal?
–Ok, pode ser…
–A gente só vai esperar os outros acordarem. — Disse Anna, que está sentada no lado de Scott.
Os três ficam ali por mais uns vinte minutos, meia-hora, até que os outros foram acordando.
Por ordem: Heloisa, Mary, Elizabeth. Elas desceram e deram bom dia à todos, eles ficaram conversando por alguns minutos, até que Tonny diz:
–Bom, eu a Anna e o Scott combinamos de todos nós, irmos em uma montanha que tem aqui por perto...em uma direção que a gente nunca foi, quem topa?
–EU! — Gritam as três.
–Beleza, vão se arrumar então…
As garotas entram no subsolo e começam a se arrumar, depois de 9 minutos elas saem com suas mochilas e todas arrumadas.
Scott e Anna vão até o segundo andar e pegam suas mochilas enquanto Tonny entra no subsolo e pega a sua também.
Tonny começa a falar:
–Beleza galera, lembram as armas e ferramentas que achamos antes de ontem? Então, quando eu acordei eu fui pra salinha de reformas e reformei todas elas...quem fica com a espada? Têm três… se ninguém quiser eu fico com duas e guardo uma…
–EU! — Grita Anna.
–Pega! — Tonny entrega uma espada pra Anna — Mais alguém?
Todos ficam em silêncio.
–Não...ok, eu fico com as duas. Fiz aulas sobre espadas uma vez, faz bastante tempo — Disse Tonny, jogando as espadas pro ar, onde giram e caem incrivelmente nas mãos dele.
–Quem fica com o arco e as flechas?
–EU! EU! EU! — Grita Scott, se levantando e indo em direção de Tonny.
–Toma. — diz Tonny entregando para Scott o arco e flecha.
–Eu sou bom em pontaria...eu treinava com o meu pai...saudades dele...quando ele era vivo...mas isso é passado! Eu tenho bons reflexos também, caso alguma flecha venha por traz ou até mesmo pela frente — Disse Scott, girando o arco e fitando ele atentamente.
Tonny entrega à Scott a bolsa de flechas, com várias flechas também.
–Bom, os outros sabem se defender com poderes, e a Beth...nós defendemos ela! Vamos então?
–Boora!
–Partiu!
–UHUUUL! VAMOOS!
Os jovens começam a caminhar, conversando sobre os últimos acontecimentos.
Depois de meia-hora, os jovens percebem estar mais perto da montanha, mas eles reparam um pouco à frente: uma silhueta de alguém sozinho, parado.
–Parem! Era assim...era assim! No meu pesadelo…! Fiquem parados…
Todos param e ficam em silêncio.
De repente, várias flechas voam em direção dos jovens, mas, felizmente nenhuma acerta eles.
Os jovens ficam intrigados, pois só havia uma silhueta...e várias flechas.
–Tenho uma ideia — Diz Scott.
Ele desliza o palmo destro até as costas e pega seu arco, juntamente com a flecha e equipa o arco com uma, ele mira um pouco acima da silhueta e puxa a corda; ele solta a corda e a flecha voa em direção da silhueta.
–Seja o que Deus quiser… — Disse Scott, se lembrando do seu pesadelo.
Do nada, a flecha para no meio do caminho.
Scott fica boquiaberto e diz:
–TOMEM CUIDADO!
A flecha se vira, em direção dos jovens e parece que alguma força estranha solta a flecha e ela vem voando em alta velocidade na direção da barriga de Tonny.
A ponta da flecha atinge a barriga de Tonny com tudo e o impulso dela foi forte, Tonny cai pra traz, no chão.
Em questão de segundos, toda sua vida passa pela sua cabeça, como um filme e sua barriga espirra gotas de sangue para os lados.
Scott corre até Tonny e lágrimas começam a escorrer pelo seu rosto. Ele se ajoelha do lado de Tonny e com poucas lágrimas no seu rosto, ele diz:
–Não...não não...NÃO! MAIS UM NÃO! Por favor...Tonny, você tá bem? Consegue levantar?
–Eu...eu não...não consigo levantar, a flecha vai entrar mais se eu tentar levantar...mas...eu tô bem...só tá doendo…
–Ah que droga! DROOOGA! ALGUÉM AÍ TEM UM CURATIVO NA MOCHILA, OU QUALQUER OUTRA PORCARIA QUE SIRVA PRA ESTANCAR O SANGUE?
Todos estão espantados e correm até o local onde estão Scott e Tonny
–Eu tenho, Scott! — Disse Mary.
–Anda logo! RÁPIDO!
Tonny está perdendo muito sangue e precisa logo estancar o sangramento.
Mary corre até os dois, com um grande pano gaze na mão.
Ela entrega o pano pra Scott.
Scott pega o pano e enrola o mesmo ao redor da flecha, por onde está saindo muito sangue.
–Ahhhr...que door! — Reclama Tonny, com uma cara de dor.
–Calma Tonny, calma… — Diz Anna, tentando acalmar Tonny.
–A gente tem que tirar a flecha… — Disse Heloisa.
–O QUÊ? VAI DOER DE MAIS! NÃO...NÃO NÃO! — Diz Tonny, tentando se levantar, mas sem sucesso — AAAAHHH! QUE DOR!
–FICA DEITADO, MERDA! — Grita Scott, apavorado.
–...
–Calma tio Cott...não se estressa — Disse Elizabeth, com um ar angelical.
–CALA A BOCA! SUA PIRRALHA!
–O-O-O-q-q-ue?
–ISSO MESMO QUE VOCÊ OUVIU!
Anna caminha até Scott e passa suas mãos nas costas dele, tentando acalmá-lo.
–Calma Scott…
Ele continua a enrolar os panos no ferimento, até que o sangue para de espirrar.
–Agora a gente vai ter de puxar a flecha...Tonny…
–NÃO! AH MEU DEUS!
–Calma...vai dar certo…
Scott leva o palmo destro até o meio da flecha; todos ficam tensos.
Depois de alguns segundos, Scott pergunta:
–Tonny, preparado?
–Não…
–Então se prepare…
–1...2...3...FOI!
Scott começa a puxar a flecha bem devagar, pra não cortar mais ainda a pele na parte da ponta da flecha e todos ficam mais tensos.
Depois de alguns breves segundos, a flecha é retirada.
–Ufa!
Todos dão um suspiro de alívio.
–Consegue levantar agora, Tonny?
–Acho que sim…
–Me dá a mão, Tonny.
Scott estica o braço e Tonny segura sua mão, Scott puxa Tonny e ele se levanta.
–Beleza?
–Aham...Ahhr…
–Tá doendo? — Pergunta Heloisa -.
–Não... EU ACABEI DE RECEBER UMA FLECHADA NO ESTÔMAGO E NÃO ESTÁ DOENDO! É CLARO QUE TÁ DOENDO SUA DOIDA!
–Ok, minha pergunta foi realmente idiota, vamos então…
Os seis voltam a caminhar e estão praticamente na frente da montanha.
A silhueta misteriosa tinha sumido, então, eles começam a caminhar com mais cautela.
Depois de mais 10 minutos, eles chegam na montanha, há algo parecido com uma ponte pra subir na montanha, o que facilita a subida na mesma.
Os jovens combinam e decidem que vão subir, Tonny diz que consegue e então eles começam a subir.
Depois de 9 minutos, eles chegam ao topo e a vista...é maravilhosa! Uma praia, com água cristalina e o sol brilha forte em todo o reino.
Há um farol um pouco no canto da praia, que está desligado pois é dia.
Os jovens ficam admirados e boquiabertos com a vista
–Uooow!
–Caraca…
–Explendido!
–Maravilhoso…
–Valeu a pena ter subido…
–Que lindo!
Há uma pequena escada para descer e os jovens vão em frente, mas antes, eles tiram os sapatos e deixam as mochilas em cima dos degraus.
Eles descem e começam a caminhar pela areia.
–Meu Deus! Que lugar perfeito! — Diz Anna, com um ar de liberdade -.
–Que lindo! Nossa…
Tonny percebe um homem andando calmamente pela areia, com as mãos nos bolsos; ele anda chutando a areia e de cabeça baixa, ele corre até o homem, colocando sua mão no ombro dele, ele têm a aparência de uns 26 anos.
O homem leva um susto e Tonny pergunta:
–Quem é você?!
–Eu…
–Sim..você!
–Eu sou mais um dos sobreviventes daqui...assim como vocês — Disse o homem, percebendo os outros jovens atrás.
–EI, GALERA! VENHAM AQUI!
Os jovens olham pra Tonny, e andam até ele.
–O que foi?
–Quem é ele?
–O que houve?
–Calma...CALMA!
–Espera… — Disse Scott, observando o homem, intrigado — Eu conheço você...de algum lugar...você me parece familiar…
–Você...você também… — Diz o homem, olhando para Scott.
–Qual o seu nome? — Pergunta Scott -.
–Meu nome é Gabriel…
–Espera! ESPERA! GABRIEL? GABRIEL SIMMONS?
–Sim…
Scott larga o arco e a bolsa de flechas no chão; boquiaberto corre até o jovem e o abraça. Chorando ele diz:
–Gabriel...você…
Os outros se olham com cara de quem não estão entendendo a situação.
–Você me conhece...eu sou Scott...Scott Simmons…
–O QUE? EU NÃO ACREDITO! MEU IRMÃO!
Os dois começam a chorar.
–Porque fez isso, Gabriel? Você me deixou...quando eu mais precisava de você! Porque? PORQUE?
–Me desculpa Scott...eu sinto muito...muito mesmo…
Os demais se emocionam e lágrimas começam a rolar pelos rostos de todos.
Scott e Gabriel param de se abraçar e Scott pergunta, limpando as lágrimas:
–Então...quando você fugiu de casa, você veio pra cá?
–Sim…
–Meu Deus…Bom, esses são meus amigos..
Scott apresentou todos e eles já viraram amigos, Gabriel fica conversando com Heloisa, Tonny, Elizabeth e Mary enquanto Scott e Anna, de mão dadas, começam a caminhar pela praia.
–Scott, quem é ele?
–Ele? Ele foi e é o melhor irmão do mundo...ele sempre me tirava de confusões e tentava ‘’tirar’’ minha timidez, mas sem sucesso...quando eu estava quase me socializando por causa dele, e quando eu mais precisei dele, ele e meus pais brigaram e ele fugiu de casa…
–Nossa...mas como assim ‘’quando você mais precisou dele’’ ?
–Eu já tava quase me socializando...eu tinha 12 anos e ele estudava na mesma escola que eu, ele me defendia das brigas e dos grandões que queriam me bater porque eu era tímido...e quando ele e meus pais brigaram, ele fugiu de casa e faltou a aula e foi esse o pior dia da minha vida; os grandões me espancaram tanto, e eu, que já tava sabendo da briga, transformei toda minha raiva, minha tristeza, meu rancor em algo sobrenatural e os caras que me batiam voaram pra longe, foi nesse dia que eu adquiri meus poderes telepáticos…
–Uow...que história conturbada a sua…
–E tem mais...meu pai morreu no mesmo dia, e minha madrasta me mudou de escola...e uma vez, quando eu voltei pra casa, não tinha ninguém lá...ela me abandonou. E assim que eu cresci, sem amigos, sem família, todo mundo me odiava e me achava esquisito.
–Nossa Scott…
–É.
–Mas agora...você tem amigos, bons amigos e você pode confiar na gente…quer dizer, em mim eu posso afirmar que você pode confiar…
–Eu sei…
Anna aproxima a boca da bochecha de Scott e beija o mesmo.
–Lindo! — Ela diz.
As bochechas de Scott se avermelham imediatamente, ele abaixa a cabeça e fica sem resposta.
Anna e Scott estão perto do farol, eles chegam mais perto e abrem a porta do farol, há um sofá lá dentro, eles se sentam e começam a conversar.
–Scott, você tem certeza da história da Elizabeth?
–Sim, eu tenho...ela é bem suspeita.
–É...você tem razão. Ela olhava fortemente para a flecha e achei que os olhos dela estavam... negros... mas acho que foi bobagem minha.
– Não, não é bobagem. Tonny me disse no dia da morte de Sebastian que ela saiu de perto de vocês e parecia estar com os olhos negros. — diz Scott.
– Pois é...
Os dois ficam em silêncio por vários minutos, eles escutam os outros rindo e conversando lá fora.
Depois de uns 7 minutos, Scott levanta a cabeça e olha para Anna.
Ela também olha pra ele.
Scott coloca uma das mãos no rosto de Anna.
Os rostos dos dois se aproximam cada vez mais, e os lábios deles se encontram e em questão de segundos eles se beijam.
De repente, eles ouvem:
–SCOTT! ANNA! VENHAM AQUI!
Eles param de se beijar, se levantam, abrem a porta e vão lá fora.
–O que foi? — Pergunta Scott.
–Vem cá, seu irmão tá contando umas histórias suas aqui, é verdade? — Disse Tonny, rindo.
Os outros jovens atrás também riam.
–Depende...quais histórias?
–Maninho, lembra aquela vez que a gente tava no shopping e você tava com um copo de milk-shake na mão, a gente tava andando pelo shopping e você esbarrou numa mulher e derramou tudo nela? — Disse Gabriel, se acabando de rir -.
–Vish...isso foi verdade…
Todos começam a rir.
De repente, Heloisa pergunta:
–Gabriel, você tem algum poder?
–Sim! Eu também sou um telepata, o Scott sabia desde pequeno, mas eu pedi pra ele não contar pra ninguém, e ele não contou.
–Pois é, eu não contei…
–Ah meu maninho, que saudades de você! Eu tentei voltar, mas sozinho não conseguiria invadir o castelo…
–Pois é…
–Aquele lugar deve ser horrível…
–Sim sim, mas não tem como sair daqui sem entrar lá…
–É…
–Bom, vamos ir voltando?
–Beleza...mas pra onde? — Pergunta Gabriel -.
–Ah, claro...a gente criou um esconderijo...um lugar pra ficar...sabe?!
–Uow...vocês são feras, em?
–Haha, valeu…
–Ok, vamos então.
Todos começam a caminhar e, pegando suas coisas nas escadas, começam a subir a mesma e descer a ponte, andando até o esconderijo.
Depois da flechada em Tonny, os jovens chegam à conclusão que há outro telepata ali, que seria aquele que parou as flechas e atirou a mesma em direção de Tonny.
Scott encontrou seu grande irmão e os mistérios sobre Elizabeth continuam.
Qual será o futuro dos jovens?!
Fale com o autor