O Reino Perdido
20 Capítulo 20 - Mistérios
Notas iniciais
Depois dos jovens assistirem um filme na sala, eles foram dormir. Novamente, Avril ficou na cama de Tonny e Anna na de Scott. Anna ficou aconselhando ele sobre o acontecido com Mary de noite, aos sussurros.
A manhã chegou. A chuva parou e o sol brilhava, fazia muito calor. Os jovens foram acordando aos poucos, se comprimentaram, se vestiram e lavaram o rosto. Foram pra cozinha e se sentaram lá, todos. Avril deu um beijo em Tonny.
–Tô sem fome… — Resmungou Anna. Ela estava sentada no colo de Scott, com os cotovelos apoiados na mesa e o queixo nas mãos.
–Eu também…
–Que tédio, não tem nada pra fazer!
–Concordo…
Fernando teve uma ideia: ir caminhar.
–Galera…
–O quê?
–Eu acho que vou dar uma caminhada, conhecer melhor isso aqui…
–Ahn, beleza.
–Vocês querem ir?
Ninguém aceitou.
–Ok…
Ele se levantou, arrumou sua calça e afundou os palmos nos bolsos da mesma. Caminhou até as escadas e desceu-as, abriu a porta e saiu andando.
Scott e Mary nem queriam olhar um para o outro de tanta raiva um do outro.
–Anna…- Scott disse.
–O quê?
Ela virou o rosto para Scott, ainda sentada no colo dele.
–Vamos lá fora?
–Tá…
Os dois se levantaram, deram as mãos e caminharam até o lado de fora do esconderijo.
Tonny e Avril fizeram o mesmo.
Elizabeth, Hikawa, Ector e Mary ficaram lá dentro, quietos, sem fazer nada.
Os policiais chegaram ao segundo andar e perceberam Hanslei indignado e furioso.
–O que esperam? Levem ela pra fora! Querem um cadáver aqui? Andem logo, inúteis!
–Sim senhor!
Os policiais andejaram até a jaula, abriram a mesma e pegaram o corpo de Heloisa.
–Deixem-na num campo, numa floresta, sei lá, mas andem logo!
–Sim senhor!
Eles andejaram até o elevador, carregando Heloisa. Desceram o tal e chegaram ao térreo. Começaram a andar, procurando um lugar pra deixar o corpo que parecia estar morto.
Scott estava apoiado no tronco de uma árvore, com a mão direita na cintura de Anna, que estava na sua frente. Ela tirou a touca dele com o palmo esquerdo e ficou acariciando seus cabelos com o direito; os dois se beijaram.
Avril e Tonny estavam sentados na beira do rio, abraçados de lado.
De repente, da porta da caverna, saem Elizabeth e Hikawa, brincando de pega-pega. Eles corriam de um lado pro outro, sorrindo.
Scott e Anna ficaram observando os dois.
–Parece que eles pararam com aquelas coisas…
–É...e isso é bom…
–Muito…
Alguns minutos já haviam se passado, os policiais chegaram em um campo com uma grama baixa e algumas árvores por ali, bem poucas. Largaram Heloisa ali, “limparam” as mãos e saíram andando.
Depois de andarem por mais alguns minutos, os policiais chegaram na base. Subiram para o segundo andar, onde Hanslei os esperava.
–Tudo feito, senhor!
–Ótimo!
Elizabeth e Hikawa estavam ofegantes; decidiram parar. Se sentaram na grama, ficaram conversando.
Tonny percebeu os dois e decidiu ir lá.
–Avril, eu vou lá com eles, se quiser vem junto…
–Ok…
Tonny lhe deu um beijo e levantou, andou até os dois. Chegando lá, se sentou com eles.
–Oi…
–Oi tio Tonny! — Diz Elizabeth, com os olhos fechados e um sorriso estampando o rosto.
–Oi! — Disse Hikawa.
–Tudo beleza com vocês?
–Aham!
–Sim, e com você, tio?
–Também…
–Que bom!
Fernando já havia caminhado muito, foi bem longe. Estava agora em um campo verde, com a grama baixa e poucas árvores. O campo era comprido, grande e muito belo. Ele estava assoviando e chutando algumas pedrinhas do chão, com as mãos ainda nos bolsos da calça.
De repente, ele levantou a cabeça e avistou algo caído no chão, de bruço; parecia ter asas, asas azuis.Lhe causou estranheza o que acabara de ver.Curioso, etirou os palmos dos bolsos e foi andando vagarosamente pra perto “daquilo”, com receio.
Quanto mais se aproximava, mais podia observar o corpo caído; tinha algumas bolas amarelas pela pele, as asas e chifres. Vendo isso, ele ficou mais assutado ainda, mas continuou.
Já estava mais perto; se abaixou e virou o corpo de barriga pra cima. Percebeu que estava de olhos fechados. Era Heloisa, mas ele nem sabia quem era. Achou a garota linda, mesmo não sabendo sobre ela.
Levou o dedo indicador e o do meio juntos, até o pulso de Heloisa e tocou-o.
–Está viva…
Ele olhou para os lados, desconfiado. Decidiu levar a garota até o esconderijo. Pegou-a no colo e a colocou no ombro; foi andejando pelo caminho que o levou até ali.
Ector e Mary saíram da porta da caverna, estavam conversando e ficaram caminhando pelas redondezas do esconderijo.
Tonny se levantou e foi até Avril; se sentou do lado dela e lhe deu um beijo.
–Avril…
–Hum?
–Vamos fazer alguma coisa?
–Tipo o quê?
–Sei lá, caminhar…?!
–Tá, vamos.
Eles se levantaram. Tonny colocou o braço no ombro de Avril e os dois ficaram andejando por ali.
Scott pegou a touca e a vestiu.
–Anna, vamos lá dentro?
–Ok…
Os dois deram as mãos e foram pra dentro da caverna; subiram as escadas e ficaram na sala, assistindo televisão.
Do nada, todos que estavam perto do esconderijo ouviram um grito;
–Heeeeey!
Scott e Anna não deram importância, pensaram que eram os outros, brincando.
Os que estavam lá embaixo, olharam pra onde o grito havia saído e perceberam Fernando, com Heloisa no ombro.
Ficaram boquiabertos; correram até ele.
–Fernando! É a Heloisa!
–O-oquê?
Fernando se abaixou devagar e largou Heloisa suavemente no solo; ficou ajoelhado do lado dela. Os outros correram até lá.
–Beth, chama o Scott e a Anna!
–Ok tio Tonny!
A garota se virou a correu; subiu as escadas, chegou na sala.
–Tio Cott! Vem!
–O que foi?
–VEM!
Ela saiu correndo e os dois a seguiram; desceram as escadas e correram até lá.
–Oh…
–Ela tá viva... — Disse Fernando.
–O quê que aconteceu com ela?!!
–Não sei! Eu encontrei ela caída num campo…
–Droga!
–Aahhr! Por favor, Helô...não…
Anna ficou paralizada, olhando pro nada, começou a lembrar de algo que Heloisa havia dito à ela.
–Gente! A Helô uma vez me contou...que se ela estivesse machucada ou sem forças, pra ela voltar ao normal, teria que ficar ouvindo música alta, no último volume com um fone e sozinha!
–Uow…
–Alguém tem um fone?!
–Eu! — Disse Scott.
Ele, sem mexer um músculo, fez com que seu headphone saísse flutuando pela janela do dormitório: pegou-o e entregou pra Anna.
–Ok...precisamos levá-la até o quarto e deixar ela sozinha, lá.
–Ok, ok…
Scott e Tonny levantaram Heloisa; perpassaram os braços dela em suas costas e foram andejando com ela até o dormitório.
Chegando lá, colocaram-a na cama e tamparam ela com as cobertas.
Scott pegou seu celular, conectou seu headphone e colocou o mesmo na cabeça de Heloisa; ligou as músicas.
–Vamos…
O grupo saiu do quarto; fechou a porta e ficaram na sala, esperando.
–Será que ela vai ficar bem, tio Cott? — Perguntou Elizabeth. Ela parecia estar triste.
–Vai sim, Beth...vai sim…
Horas e horas se passaram; horas que pareciam anos, séculos.
De repente, ouviram resmungos vindos do quarto.
–Ahhr…
–Ouviram?!!
–O quê? — Perguntou Scott.
–A Helô! — Disse Anna.
–...
–Eu vou lá! — Disse Anna, com um sorriso no rosto.
Scott se levantou e a segurou pelo braço.
–Não, Anna. Deixa ela se recuperar completamente…
–Aff...ok…
Ela voltou e se sentou no sofá
O tédio bateu; os jovens não sabiam o que fazer. Mais horas haviam passado e nenhum sinal de Heloisa...da sala, foram pra cozinha, da cozinha, pra fora do esconderijo.Estavam nervosos, esperando.
A noite estava chegando; 18:40. Todos ainda estavam do lado de fora. De vez em quando, Tonny entrava pra ver se ouvia ou via algo, mas não, o silêncio reinava lá dentro.
–Nada…
–Ahhr...que droga!
Scott se levantou; foi até Tonny.
–Tonny, lidere por um tempo...eu já volto.
–Onde você vai, Scott?
Scott se virou de costas pra Tonny; deu alguns passos e voltou com a pergunta.
–Eu vou ficar um tempo sozinho, é o quê...eu quero, beleza?
–Tá, mas toma cuidado…
–Pode deixar, eu volto logo…
Ele deu meia-volta e saiu andando. Anna se levantou e foi atrás dele; se aproximando, segurou-o, colocando seus palmos nos ombros dele.
–Onde você vai?
–Pensar um pouco...sozinho…
–Ok...não quer companhia?
–Não…
Scott se virou pra ela e lhe deu um beijo; novamente saiu andando.
Ele andou por alguns minutos; foi pra longe do esconderijo e de seus amigos. Chegou em um lugar com algumas árvores e folhas secas cobrindo quase o solo todo, já estava meio escuro.
Se sentou no chão; ficou fitando o nada, pensando. Sua mente inundou-se de lembranças.
Ele já estava esgotado de tudo aquilo, cheio daquele lugar, não aguentava mais.
–Por que tinha que ser a gente pra cair nesse buraco?! Justo a gente!
Ele ouviu passos, que pareciam pisar nas folhas secas, estalando-as.
Scott olhou pra trás rapidamente, mas nada viu. Voltou a olhar pra frente.
De repente, sentiu um dedo tocando seu ombro; olhou pra trás, e a única coisa que viu, foi alguém segurando um pé de cabra que se impactou contra sua testa (não a ponta, e sim a “curva” do pé de cabra) : desmaiou.
O que aconteceu com Scott?! Heloisa ficará bem? E Gabriel?
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