O Reformatório
6 Olhos negros
"Karofsky!"
Depois do soco que dei nele sabia que haveria uma tentativa de vingança mas não imaginava que ele usaria o Kurt para isso. Ele fez isso para me atingir e acertou em cheio! Um golpe baixo para uma pessoa baixa.. Não poderia esperar por menos.
De repente um silêncio se instala e eu consigo adivinhar o porquê. "Kurt está aqui." Quando consigo avistá-lo já é tarde de mais. Ele está olhando para a foto, pálido e sem nenhuma expressão facial. Me aproximo o suficiente para ver seus olhos encherem dágua. Quase que imediatamente ele arranca o pôster e segue para a sala do diretor com passos firmes.
Meu coração começa a acelerar e eu só consigo pensar em encontrar o Karofsky para dar a ele o que merece e, dessa vez, Puck não está aqui para me impedir.
–Alguém sabe onde o Karofsky está?
Escuto alguém cochichar que ele está no 327. Claro! Um rato covarde que se tranca no quarto para se esconder de mim.. Mas eu não vou deixar isso barato.
Corro para o quarto imediatamente e, ao ver que está trancada, dou murros na porta o mais forte que posso!
–KAROFSKY, ABRA ESSA PORTA! MAIS CEDO OU MAIS TARDE EU VOU ENTRAR E VOCÊ VAI ESTAR FUDIDO! KAROFSKY!
Apesar de ser grande, ele sabe que eu sou mais forte por causa do soco e, por isso, sei que ele não vai abrir a porta por conta própria.
–KAROFSKY! NÃO ERA ISSO QUE VOCÊ QUERIA? ME ATINGIR? POIS ENTÃO CONSEGIU!
Começo a dar chutes na porta, não me importando quando o corredor já está cheio de gente observando meu ataque de fúria.
–EU VOU TE MATAR KAROFSKY!
Dou mais alguns murros na porta até sintir pessoas segurando meus braços. Eles querem me impedir mas eu não vou deixar. Tento me livrar dos braços mas quanto mais eu me movo mais forte eles me prendem. Não consigo escutar ou ver nada! Só quero arrombar esta maldita porta e pôr minhas mãos no Karofsky. Mais gente vem para me segurar e, para impedir que eu começe a correr, eles me levantam do chão e começam a me afastar da porta.
–ME LARGUEM! ME COLOQUEM NO CHÃO! VOCÊS NÃO TEM ESSE DIREITO!
Nada adianta minhas súplicas porque quanto mais eu me mexo, mais gente vem para me segurar e mais difícil fica de me mover. Eles descem as escadas e sei que eles estão me levando para o meu quarto porque já consigo reconhecer as portas.
–NÃO! ME COLOQUEM NO CHÃO! EU TENHO QUE ACHAR O KAROFSKY!
–Blaine!
Escuto uma voz familiar me chamando mas, como minha cabeça está doendo e tem muito barulho de gente gritando, não consigo identificar o dono da voz. Em seguida eles (literalmente) me jogam no meu quarto e trancam a porta.
::::
Devem ter se passado umas duas horas.
Minhas mãos estão cortadas porque me lembro de ter dado um soco no vidro da janela. Sei que quebrei muito mais coisas no quarto porque posso ver que está uma bagunça aqui. Livros jogados no chão, folhas rasgadas e até meu colchão está fora da cama. Uma das piores crises de raivas que já tive..
Ouço alguém bater na porta.
–Blaine? Você está bem?
–Kurt!
Assim que ele ecuta o medo da minha voz ele destranca a porta e corre para dentro do meu quarto. Ele tranca a porta de novo mas dessa vez deixa a chave na mesa e corre para me abraçar.
–Blaine? O que aconteceu? Eu.. Não estava te reconhecendo! Seus olhos estavam negros..
–Me desculpe Kurt. O que o Karofs-
–Ele foi expulso, Blaine. Não se preocupe mais com ele. Uns meninos viram ele colando os pôsters e falaram com o diretor. Já acabou.
Ainda estamos abraçados mas sinto que ele não está pronto para me largar, assim como eu também não estou pronto para largá-lo.
–Blaine.. Eu disse que não precisava fazer isso.
–Eu não consegui, Kurt. Eu sinto que preciso fazer isso, que preciso... Te proteger!
Assim que termino de falar, Kurt para de me abraçar(mas sem tirar suas mãos dos meus ombros) e olha direto nos meus olhos.
–Por que?
–Porque... Porque eu te amo Kurt.
Nunca tive tanta certeza de alguma coisa na vida. Sinto que preciso mantê-lo salvo, seguro. Eu preciso dele feliz para que eu possa ser feliz e quando eu vi seus olhos cheios d'agua eu não aguentei.
–Tudo bem se você não sentir o mesmo! Eu já estou acostumado com esse tipo de coisa, pode ter certeza mas não me impeça de te ver, Kurt. Por favor.
Ele ainda está com os olhos fixos nos meus e... Ele está chorando?
–O que houve, Kurt? Desculpe se eu te assustei. Eu... Não vai acontecer de no-
Levo um pouco de tempo para perceber o que está acontecendo.
Nós estamos nos beijando.
Sua língua passa pela minha como se já se conhecessem e suas mãos agora estão na minha cintura me puxando cada vez mais para perto. Ficamos nos beijando por uns dois minutos e só paramos porque ambos estão sem ar.
Ele olha para mim com seus perfeitos olhos azuis e nada me prepara para o que ele diz.
–Eu.. também te amo, Blaine. Desde a primeira vez que eu te vi. Tentei me manter profissional mas eu não consigo.
Olho para ele e não consigo conter um sorriso. "Ele é mesmo real? Isso está mesmo acontecendo?"
Coloco a mão em seu rosto para ter certeza de que ele não é um sonho.. Ele está sorrindo para mim mas de repente um olhar preocupado aparece em seu rosto.
–Como isso pode dar certo, Blaine? Se o diretor descobre ele me demite daqui em um piscar de olhos.
–Nós vamos dar um jeito. Eu juro.
Ele dá um sorriso sincero e segura na minha mão, que ainda está sangrando.
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