Notas iniciais
Final do conto. Deixe seu comentário! :D

Já havia passado uma semana desde que Morgan esteve em estado de hipnose por algumas horas na frente do espelho e desde então, ela esteve paranoica. Olhava sempre para todos os lados, com a sensação de que a tal figura de preto estivesse ali, sempre perto. Ela não conseguia fechar os olhos sem se lembrar da sensação de ser observada por aqueles intensos olhos vermelhos.

Todo o sentimento de não pertencer à lugar nenhum agora a perseguia. Morgan mal falava com seus colegas de faculdade ou com sua família. Mas tudo bem, porque ela não precisava manter tanto o contato com eles. Não era tão importante. Aliás, eles quase sempre agiam com grande pesar e continuavam a ignorá-la.

Era sexta-feira 13 agora e ela não conseguia não esperar pelo pior acontecer. Estava com todas as luzes ligadas, incensos acesos e diversas imagens de Jesus espalhadas pelo seu quarto. Havia coberto seu espelho, pois tinha medo do que aconteceria caso passasse na frente dele de novo e perdesse a noção do tempo. Deitada em sua cama, ela ouviu um barulho vindo do corredor. Achou que seus pais haviam voltado para casa, então gritou por eles.

Ninguém a respondeu. Atreveu-se a abrir a porta e olhar escada abaixo. Nos últimos degraus, pensou ter visto aquela figura de roupa preta que a assombrava, sentada e chorando. Ela avançou mais uns degraus e então percebeu que aquele era, na verdade, seu pai. O que havia acontecido? Por que ele estava tão triste? Ela pensou em perguntar, mas foi aí que ela ouviu alguém chamá-la, finalmente, em seu quarto.

Abriu a porta e deu de cara com a figura preta, encapuzada, onde só se via os olhos vermelhos. Deu um berro e saiu correndo em busca de seus pais, mas eles não estavam em lugar algum. Não havia ninguém na casa. Não havia mais luzes acesas, não havia mais o cheiro do incenso. Havia o silêncio e o seu próprio desespero. Estaria Morgan numa hipnose novamente? Estaria ela presa na frente de seu próprio espelho? No seu próprio reflexo?

Como ela poderia saber que logo no dia que seus pais haviam ido pra um enterro, ela estaria destinada à morrer também? Isso não era justo com eles. Não era justo que eles perdessem duas pessoas em tão pouco tempo. "Mas isso só é o meu medo falando mais alto, eu vou ficar bem", ela repetia para si mesma mentalmente.

"Tem certeza?" disse uma voz distante.

"Quem está aí?" ela gritou de volta. E gritou mais uma vez e depois mais outra vez. Ninguém a respondia. "Devo estar perdendo a cabeça..."

"Você perdeu, de fato, muitas coisas, Morgan" a voz pronunciou-se mais uma vez, de forma lenta e tênue.

Morgan agora estava de frente pra escada, esperando que a forma negra e encapuzada aparecesse lá em cima. Ela sentiu um calafrio em suas costas e então se virou, suspeita.

Tinha um espelho atrás. E no reflexo, a criatura de preto com olhos vermelhos. Ela começou a chorar no mesmo instante e começou a se perguntar o que aquilo queria dizer. O reflexo tirou o capuz.

Morgan parou de respirar quando viu o rosto por baixo daquela roupa fantasmagórica: o seu próprio. A única pessoa que estava assustando Morgan, era ela mesma. Uma Morgan tão magra que a assustava. Tão fria e sozinha que era irreconhecível.

Finalmente ela havia entendido por que todos estavam sem notar sua presença. Por que houve um enterro naquela tarde e por que ela sonhou com tantas coisas estranhas em uma noite só.

Morgan sentiu, quando se olhou naquele espelho uma semana atrás, como se não pertencesse àquele lugar. Como se seu corpo estivesse muito pesado para sua alma. Só então, naquela sexta-feira 13, ela entendeu que aquilo não se tratava de só uma hipnose. Mas sim de sua passagem do mundo mortal para o mundo espiritual.

Então, ela atravessou o espelho e cobriu seu rosto com um capuz.

Notas finais
aê, meu primeiro conto de terror o/ dskjfhkja deixem suas opiniões. Obrigada por lerem!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!