O Reencontro
19 Epílogo
Notas iniciais
Lucca
15 anos depois…
— Mãe! – chamei assim que entrei em casa.
— Oi!
— Na sala!
Ótimo as duas estavam aqui. Na verdade toda a família deveria estar, era aniversário de sessenta anos da minha avó Esme, e a festa seria na minha casa, já que era a que tinha um espaço maior.
— Ei, você já chegou? – disse beijando minha mãe.
— Sim, acabei de chegar aqui, viríamos ontem, mas houve um atraso no vôo.
— O tio Demi tá aí?
— Nos fundos com seu pai e tios.
— Lucca, boa tarde pra você também. – minha outra mãe falou.
Eu soltei Lola e fui até Bella que estava sentada em outro sofá.
— Oi, mãe. Não precisa ter ciúmes, sabe que tem amor aqui para as duas, né? – disse beijando seu rosto.
— Não é sobre ciúmes, é sobre educação, querido. Vamos, comprimente suas tias.
— Oi, tias. – dei um beijo no rosto de cada uma. – Oi, bebê! – brinquei com meu primo Elliott que estava no colo de tia Rose, ele estava tão grande, em breve faria dois anos.
— Agora me diz, porque entrou gritando. – minha mãe Bella perguntou.
Às vezes era meio confuso ter duas mães, mas era legal, significava presentes em dobro, mas broncas em dobro também.
Bella era minha madrasta na verdade, mas isso não mudava nada pra mim, da mesma forma que não ter o mesmo sangue de Edward não me tornava menos filho dele.
— Lucca? – mamãe me chamou, tirando-me das minhas divagações familiares.
— Eu queria saber se você pode me emprestar um carro, o meu só vai ficar pronto na semana que vem.
— Onde você vai? Sabe que a festa da sua avó começa às oito, né?
— Eu sei, prometo que volto antes disso. – pisquei pra ela. Sabia me meu charme era irresistível.
— E pra onde você vai?
— Port Angeles comprar o presente da vovó.
— Vai sozinho?
— Isso é um interrogatório?
— Quer que eu vá com você? – dessa vez foi minha mãe Lola quem perguntou.
— Não precisa, mãe. Eu vou indo pra não chegar atrasado.
Me despedi e tratei de fugir logo dali.
Fui até o meu quarto, pegando algumas coisas e indo até a garagem.
A casa de Forks, onde a gente tá morando agora, é grande, mas não tanto quanto a de Los Angeles, nem a de Paris.
Meu pai não mantinha tantos carros aqui, mas havia uma Ferrari e um Porsche, porém preferi pegar o Jeep da minha mãe que era bem mais discreto e parecido com o meu próprio carro, que também era um Jepp, porém de modelo diferente.
— Ei, de saída? – meu pai entrou na garagem.
— Sim, vou comprar o presente da vovó.
— Outro? – ele perguntou desconfiado.
— Mas eu não comprei ainda.
— Semana passada quando te perguntei você disse que tinha comprado.
— Eu menti pra vocês não reclamarem. – tentei me safar.
— Não, você está mentindo agora.
Edward Cullen me conhecia muito bem, por isso muita gente dizia que a gente era igual, mesmo não parecendo em nada fisicamente.
— É complicado, pai…
— Tenho certeza que eu posso entender se você me contar. – ele disse sério encostando em um dos carros e cruzando os braços.
— É sobre uma garota.
— Você está indo encontrar com uma garota agora?
— Sim. – respondi, não querendo dar mais detalhes.
— E por que isso seria complicado? Você tem dezoito anos e essa não é a primeira garota com quem se envolve.
— É a Hope. – confessei de uma vez. Não aguentando mais guardar aquilo, eu sempre falei tudo com o meu pai, ele era meu confidente. Mas nunca havia falado sobre estar ficando com a Hope pra ninguém.
— Eu acho que eu entendi o que está acontecendo aqui. – eu vi compreensão passar pelo rosto do meu pai.
— Se você se refere a eu estar muito apaixonado e muito ferrado, você está certo. – dei de ombros.
Edward riu e balançou a cabeça em negação.
— Você não precisa seguir todos os meus passos na vida, filho.
— Como?
— Você consegue desmarcar com ela?
Eu fiquei meio relutante. Estava morto de saudades, parecia que se não a beijasse hoje morreria.
— Ou melhor, remarque para noite.
— Mas e o aniversário da vovó? – perguntei. Esme ficaria arrasada se eu não estivesse aqui, ela sempre fazia questão da presença dos netos. De todos os nove.
— Confie em mim. E faça o que eu digo, preciso te mostrar um lugar.
Eu fiz o que ele disse e mandei uma mensagem pra Hope dizendo que tive um imprevisto, mas que daria um jeito de vê-la a noite.
Meu pai entrou no seu carro e eu fui junto, saímos da garagem e pegamos o caminho que levava a reserva.
Ele não quis me falar pra onde ia, mas eu confiava que para tanto sigilo, era algo importante.
Eu confiava cegamente em Edward. Ele havia me dado um sobrenome e muito amor. Não desistiu de cuidar da minha mãe quando ela passou mais de três anos em coma. E de quebra ainda me deu uma mãe maravilhosa que era a Bella. Fora as minhas irmãs, que eram pentelhas, mas eu as amava demais, e iria contra o mundo por elas.
Eu sempre tive uma família incrível, mesmo que ficássemos afastados às vezes.
Quando minha mãe Lola saiu do coma nós viemos morar nos Estados Unidos, mas não aqui em Forks e sim na Califórnia. Meu pai queria cuidar da Lola, mas sem deixar de ficar perto da Bella que era o grande amor da sua vida. Ele abriu mão da renovação de um contrato enorme com o Real Madrid no auge da sua carreira pra ficar perto da mulher que ele amava.
Ele começou a jogar no LA Galaxy, e lá ficou por quase um ano e meio. Ele ainda estava numa boa fase, tanto que o time ganhou alguns títulos naquele ano, mas não era a mesma coisa que jogar na Europa.
A essa altura minha mãe Lola já estava recuperada, ela não teve sequelas físicas aparentes além de algumas cicatrizes nos braços e o fato de não poder gerar mais filhos, por causa das condições do meu parto. Em contrapartida Bella estava grávida de Renesmee, minha primeira irmã, que é cinco anos mais nova que eu.
Meu pai já não estava muito feliz tão afastado do futebol valorizado, como ele chamava. Foi então que Bella decidiu que daria uma pausa na carreira, para curtir os primeiros anos da minha irmã de perto e de quebra meu pai poderia voltar a jogar na Europa.
Foram bons anos aqueles em Paris, onde eu cresci praticamente.
Minha mãe Lola não foi com a gente para Paris, ela tinha voltado a estudar, também tinha conhecido Demetri, que trabalhava com Bella, eles estavam namorando, apesar do meu pai não gostar muito dele no início, e só na adolescência eu descobri que era porque ele já tinha namorado a Bella.
Enquanto meu pai jogava no PSG, minha mãe estava envolvida com ONGs de apoio e proteção a mulher. Então quando eu já tinha treze anos nos mudamos para Inglaterra, com o meu pai voltando a jogar pelo Arsenal.
Edward conseguiu realizar seu sonho e foi eleito o melhor jogador do mundo quatro vezes consecutivas. Após realizar seu sonho, resolveu encerrar a carreira no time em que tinha começado a jogar.
No primeiro ano na terra da rainha eu ganhei mais duas irmãs, as gêmeas Elizabeth e Charlotte. Elas tinham quase cinco anos atualmente e agitavam a casa, enquanto Renesmee estava na parte chata da adolescência.
Quando meu pai se aposentou, ano passado nos mudamos para Forks, onde meus avós maternos e paternos moravam, além da tia Alice, tio Jasper e meu primo Calleb. A Megan estava fazendo faculdade em Nova York, Jornalismo, eu não via a hora de ir pra lá ano que vem. Diferente do que disse a vida toda, que seguiria os passos do meu pai no futebol, eu acabei dando pra música, com grande influência do tio Jasper. E estava esperando que fosse admitido em Julliard no próximo outono.
Minha mãe Bella tinha se tornado juíza, trabalhava em Port Angeles, porém continuava seu trabalho com ONGs pela região.
Minha mãe Lola, o tio Demi; a tia Rose e o tio Emmett e meus primos Thomas, Margareth e Elliot continuavam morando em Los Angeles por todos esses anos, mas a família sempre se reunia em Forks para qualquer comemoração.
O que nos levava àquele momento, estavam todos ali, reunidos para a grande comemoração da vovó, eu amava esses momentos, exceto quando eu queria encontrar com a garota pela qual estava apaixonado e minha família estragava isso.
— Chegamos. – Edward disse parando o carro.
— Que lugar é esse? É bem legal aqui. – falei olhando em volta.
Era uma clareira com um Chalé, com direito a uma pequena cachoeira e tudo mais. Parecia coisa de filme.
— Vem. – ele me chamou pra dentro da casa. Subimos até o mezanino e ele parou perto da janela, que dava pra ver o mar.
— É uma vista e tanto.
— Foi aqui que eu trouxe sua mãe quando a gente deu o primeiro beijo. – ele disse, parecia estar visualizando a cena.
— Impressionando a garota com a vista em… – bati nele com o ombro. Edward riu.
— Eu era um conquistador barato naquela época. Mas a Bella foi a única menina que eu trouxe aqui.
— Por que era especial? – perguntei curioso. Eu não sabia muitos detalhes sobre a história dos meus pais, só que eles namoraram na adolescência e se reencontraram anos depois, quando eu tinha três anos.
— Também, mas porque era escondido, era nosso lugar secreto. Ninguém nos veria aqui, bem era o que eu pensava.
— O vô Charlie não deixava a mamãe namorar?
— Não. Eu que era um idiota na época. Não queria que ninguém soubesse que eu tava a Bella porque ela não era uma garota popular, era só uma nerd tímida que andava com a filha do pastor.
Eu gemi em descontentamento.
— Sim. Você conhece sua mãe, ela é uma mulher incrível de todas as formas. E eu fui um idiota, que a perdi por oito anos, em consequência da minha imaturidade quando eu tinha a mesma idade que você.
Eu me sentei num sofá que tinha ali. O local estava totalmente limpo e mobiliado, eu não gostava nem de pensar o que eles faziam por ali.
— Hope é filha do pastor.
— Eu sei. – meu pai sentou ao meu lado e pôs a mão em meu ombro.
— Estou sendo um idiota não é? – perguntei.
— Está, como eu fui um dia. Mas como seu pai tenho a obrigação de te impedir de cometer o mesmo erro. Você gosta mesmo da Hope?
— Muito.
— Então não deixe a opinião dos outros estragaram as coisas entre vocês. Ela pode ser uma menina religiosa e tímida, pode não ser uma líder de torcida como as meninas que andam com você na escola. Mas se é a garota que você gosta, a única coisa que importa é estar com ela. E foda-se o resto.
— Eu te amo, pai. Obrigada por isso. – disse o abraçando.
— Eu também te amo, filho. Eu já tive sua idade um dia e minha parcela de erros, as coisas nessa época parecem mais complicadas do que realmente são, mas você vai entender isso daqui a uns anos. Agora vamos, acho que você tem alguém pra convidar pra festa da sua avó.
— Sim, eu tenho.
Naquela noite, Hope estava comigo, minha família adorou saber que estávamos juntos. Eu a havia pedido em namoro e ela disse sim. E como disse meu pai, isso era tudo que importava.
Mas aquela festa eu passei dividido entre Hope e a minha família, eu os observava. Minha irmã adolescente que havia se recusado a usar vestido e estava de jeans e uma camiseta de heróis jogada no sofá com seus inseparáveis fones de ouvido, as pequenas que corriam pela casa toda sempre derrubando alguma parte da decoração, e meus pais, que mesmo quando distantes um do outro pareciam nunca parar de se olhar, eles eram incríveis demais juntos. Eu me orgulhava disso.
FIM
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