O Recomeço
13 Um Almoço Nada Tranquilo
Notas iniciais
Harry e Ron estavam nervosos. O Sr. Weasley era a primeira pessoa da família para quem contariam sobre a sua nova profissão. Obviamente ele já sabia sobre o assunto da reunião, mas os garotos não tinham certeza se ele gostaria muito do resultado. Então, ao abrirem a porta de seu escritório, os dois apenas o olharam nervosamente. Arthur, por sua vez, os observava com um olhar esperançoso. Ao perceber que nenhum dos dois falava nada ele se virou para a professora McGonagall, que estava ao lado de Harry. Ela acenou positivamente com a cabeça.
— Eu estou tão orgulhoso! — disse o Sr. Weasley, enquanto se levantava e abraçava Ron e Harry. — Não quis falar nada para não pressionar vocês, mas sabia que aceitariam.
— Obrigado, pai — respondeu Ron, timidamente. — Então você não está irritado com a gente por não voltar pra escola?
— Não, meu filho. Imaginei que vocês dois não quisessem voltar e quando Shacklebolt falou comigo sobre o assunto eu achei uma ótima ideia. Acredito que vocês já tenham conhecimento mais do que suficiente. Sei que é perigoso, mas vocês já passaram por muito pior. O problema vai ser convencer sua mãe. Ela queria muito que vocês não aceitassem — falou Arthur, pronunciando as últimas palavras com um pouco de medo na voz.
— Nós imaginamos — disse Harry. — Vai ser um almoço complicado. Gina e Hermione não vão ficar muito felizes também.
— Verdade. Só quero ver vocês dois se virando com aquelas duas! — respondeu o Sr. Weasley, rindo.
— Arthur, eu tomei a liberdade de acompanhá-los para ajudar. Espero que não seja um problema que eu vá — disse a nova diretora de Hogwarts.
— Claro que não, Minerva. Tenho certeza que irá ajudar bastante. Você é sempre muito bem-vinda!
Assim, os quatro ficaram mais um tempo no escritório do Sr. Weasley discutindo sobre o futuro de Ron e Harry como aurores. Arthur não conseguia esconder o seu entusiasmo. Ver seu filho e Harry, que era quase como um filho também, em uma profissão tão incrível como a de aurores era extremamente gratificante, principalmente porque aquela era a profissão dos sonhos dos dois. Então, mais perto da hora do almoço os quatro resolveram voltar para a Toca. Dessa vez, mesmo com os protestos de Ron que estava adorando toda aquela atenção, evitaram a área mais movimentada do Ministério, e saíram por uma cabine telefônica em uma região bem afastada. Depois, finalmente aparataram para casa.
Molly Weasley preparava o almoço enquanto recebia olhares nervosos de Gina e Hermione. As garotas sabiam que algo estava errado, mas Molly não dizia nada. Ainda tinha esperança que Ron e Harry não aceitassem o emprego. Eles eram tão novos e ser auror era algo tão perigoso! Não gostava nem de pensar no assunto, embora seu marido parecesse muito feliz com a ideia nos últimos dias. Porém, quando viu pela janela os garotos e Arthur voltando acompanhados de Minerva McGonagall, percebeu que havia perdido.
— Oi gente — disse Ron timidamente, entrando na cozinha. — Precisamos conversar.
— Não acredito! — disse Sra. Weasley, desiludida.
— Aconteceu alguma coisa? — perguntou Hermione, preocupada.
— Professora McGonagall, que surpresa! — disse Gina confusa, ao ver a diretora de Hogwarts em sua casa.
— Boa tarde, Molly, garotas — respondeu a diretora, firme como sempre. — Vim apenas acompanhar Harry e Ronald. Acredito que eles tragam notícias.
— Seguinte — disse Harry, tomando coragem enquanto se sentava à mesa de refeições com todos — o Ministro nos chamou essa manhã para nos oferecer o cargo de aurores no Ministério. Claro que o treinamento dura 2 anos...
— O QUE? — exclamou Gina, incrédula.
— Isso não é possível! Vocês nem tem os NIEMS — disse Hermione, totalmente perdida.
— O Ministro disse que já temos experiência suficiente, o que faz bastante sentido, né? Passamos os últimos anos literalmente em uma guerra — respondeu Ron.
— Mas e Hogwarts? Vocês não vão voltar? — perguntou Gina.
— Não — afirmou Harry, firmemente.
— Mas por que essa pressa em sair da escola? É o nosso último ano! — disse Hermione, inconformada.
— Exato! Eu achei que finalmente a gente ia estudar juntos — disse Gina, olhando tristemente para o seu namorado.
— Eu sei, Gina — respondeu Harry. — Eu sempre quis isso também, mas não é mais essa a questão. Eu não consigo voltar pra Hogwarts, não depois de tudo o que aconteceu. Não dá pra simplesmente voltar e estudar normalmente! Eu sinto que já passei dessa fase.
— Isso! — disse Ron, olhando para a sua namorada. — Não existe nada de pressa, Hermione. Eu vi o meu irmão morrer naqueles corredores. Não dá pra voltar. Mesmo que nós não tivéssemos recebido essa oferta. Eu e Harry já planejávamos isso faz tempo.
— E por que nunca discutiram isso com a gente? — indagou Hermione, indignada.
— Nós não sabíamos como contar — respondeu Harry. — Até porque tínhamos certeza que vocês voltariam. A Gina não tem escolha e você é a Hermione, é claro que vai terminar os estudos.
— Por isso que você não foi convidada para a reunião, senhorita Granger — explicou Minerva. — Você sempre teve a intenção de voltar, ou estamos errados?
— Não, é claro que eu vou voltar — respondeu Hermione, tristemente. — Mas não vai ser a mesma coisa sem vocês.
— E a gente ainda vai ficar um ano afastados! — disse Gina, mais triste ainda.
— A gente vai dar um jeito — respondeu Harry, segurando a mão da namorada. — Nós só queremos que vocês entendam a nossa escolha. É o nosso emprego dos sonhos e a oportunidade é agora. Além disso, vocês conseguem se divertir em Hogwarts sem nós. Por Merlin, tem a Luna!
Gina e Hermione sorriram levemente. Claro que estavam tristes por ficarem afastadas de Harry e Ron por um ano inteiro, mas entendiam os namorados. Não podiam cobrar que eles voltassem ou que desistissem do emprego dos sonhos. Então concordaram e decidiram deixar os problemas para depois. Molly Weasley, no entanto, que até agora observava aquela cena em silêncio, não se segurou e disse com lágrimas nos olhos:
— Mas por que, meninos? Nós acabamos de sair de uma guerra e vocês já querem se colocar em perigo de novo! Vocês têm tanto tempo para isso! Por que não procuram algo mais seguro?
— Sra. Weasley, eles precisam de nós. Não sobraram tantos aurores e o Ministério precisa de pessoal — disse Harry, tentando manter a calma. — Ainda existem Comensais da Morte soltos.
— Exatamente, mãe — disse Ron. — Nós precisamos terminar o que começamos.
— Mas e se vocês se machucarem? — insistiu Molly, ainda chorando.
— Molly, a comunidade bruxa precisa desses dois — começou Minerva, segurando a mão da Sra. Weasley. — Eles são novos, mas já fizeram mais do que muitos aurores profissionais por aí. Eles são bons nisso, imagina o bem que eles podem fazer para o mundo com algum treinamento profissional. Eu entendo que deve ser difícil para você, mas eles não são mais crianças. Concordo que eles correm risco demais, desde pequenos por sinal, mas agora isso é uma escolha deles. Além disso, é uma questão de tempo. Os dois sempre quiseram ser aurores e se não for agora, acontecerá no futuro. Eu prometi que os ajudaria a alcançar esse objetivo, então eu peço que, por favor, aceite a decisão deles.
— Eu não posso dizer que aceito, mas pelo visto não há nada que eu possa fazer — admitiu Molly, derrotada.
— Vai ficar tudo bem, querida — disse o Sr. Weasley, abraçando a esposa. — Por que não almoçamos para acalmar os ânimos, então?
— Sinto muito, mas eu não poderei ficar — disse McGonagall, levantando antes que os Weasley pudessem protestar. — Tenho muito trabalho em Hogwarts e lamento que não sobra muito tempo para almoço. Mas agradeço a gentileza.
Então, todos se despediram da diretora. Entretanto, antes que fosse embora, Minerva acidentalmente jogou uma bomba na cozinha, ao olhar para Harry, Ron e Hermione e dizer:
— Boa viagem na Austrália!
— O QUE? — berrou Molly.
— Opa — disse McGonagall, envergonhada. — Achei que todos já soubessem. Me desculpem, mas realmente tenho que ir. Adeus!
— Do que ela está falando, gente? — perguntou Arthur, intrigado.
— Nos desculpem por não contar antes Sr. e Sra. Weasley — começou Hermione. — Eu, Ron e Harry estamos planejando uma viagem para a Austrália nas próximas semanas. Precisamos buscar meus pais.
Arthur e Molly se olharam tristemente, não podiam dizer não a Hermione. Gina parecia um pouco abatida.
— Eu entendo, querida — disse a Sra. Weasley. — Mas por que não mandam alguém do Ministério buscá-los?
— Eu preciso fazer isso, Sra. Weasley — respondeu Hermione. — Eu que fiz isso com eles.
— Além disso, mãe — continuou Ron — estaremos completamente seguros. Shacklebolt disse que vai contatar o ministério de lá pra garantir que esteja tudo certo. Você já nos deixou partir em uma viagem muito mais perigosa do que essa.
Molly Weasley olhou para os três. Embora já estivessem com 17 anos, ela ainda os enxergava da mesma maneira que a 7 anos atrás. Era difícil acreditar que eles estavam crescendo tão rápido. Sabia que era hora de aceitar isso, mas era complicado. Nesse caso, porém, era a família de Hermione que estava em jogo e, apesar de não gostar nada dessas viagens, essa realmente parecia segura. Ela teve que ceder.
— Contanto que seja mesmo seguro, acho que não tem problema. Vou conversar com o Ministro — disse Molly. — Mas você vai levar muito protetor solar Ronald! Não adiante reclamar.
— Sim, senhora — respondeu Ron, rindo. — Obrigado por confiar na gente.
Harry, porém, ainda tinha algo a falar. Ele viu a expressão de Gina e imaginou que ela estivesse se sentindo excluída de novo. A verdade é que durante todos os últimos anos em Hogwarts sempre foram eles três: Harry, Ron e Hermione. Eles estavam tão acostumados a trabalharem juntos que nem lembraram de Gina. A garota obviamente ficara chateada por não ser convidada nem para ir a Austrália e agora que era sua namorada, Harry não podia deixar que ela se sentisse assim.
— Tem mais uma coisa — iniciou Harry, olhando para seu sogro e sua sogra. — Gostaria de pedir a permissão de vocês pra que a Gina fosse com a gente.
— O que? — exclamou Ron, levando um chute de Hermione na perna logo em seguida.
— Você tá falando sério? — perguntou Gina, esperançosa. — Claro que eu quero ir! Não ia aguentar ficar pra trás de novo. Mãe, pai, por favor!
— Bom, você sabe se cuidar — disse o Sr. Weasley. — E vai estar com futuros aurores! Acho que não tem problema. Certo Molly?
— Tudo bem. Mas tome cuidado, Ginevra! — respondeu a Sra. Weasley, que não queria mais uma discussão com a filha.
— Obrigada! — disse Gina, abraçando os dois.
— E eu achando que ia conseguir me livrar dessa chata por uns dias — provocou Ron. — Valeu, Harry!
— Não fale assim com sua irmã, Ronald! — disse Molly. — Bom, vocês têm mais alguma surpresa? Acho que já está bom por hoje, não é?
— Mais nada, Sra. Weasley — respondeu Hermione, sorrindo. — Tudo certo!
Porém, antes que pudessem finalmente almoçar, uma coruja chegou trazendo uma carta, que o Sr. Weasley logo pegou. Ao ler de quem era ficou em choque.
— É para você, Harry. Enviada por Draco Malfoy.
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