O grande dia do casamento havia finalmente chegado. Elizabeth era a primeira madrinha, significava que iria fazer o primeiro discurso no jantar, iria segurar o buquê durante a cerimônia, ficaria ao lado da noiva o tempo todo. Porém, ao mesmo tempo com tanta responsabilidade, também conseguia sentir um certo alívio por ter realizado tantas tarefas em tão pouco tempo. Bolo, vestidos, convidados, buffet; foi tudo uma grande missão quase impossível, mas, havia sido realizada em grande sucesso. O local da cerimônia era, de fato, muito lindo; a decoração intercalava entre flores brancas e vermelhas. A cerimônia seria no mesmo local da festa, Kimberly e Harry eram modernos demais para seguirem a tradição da igreja segundo o pensamento deles.

O casamento realmente estava muito lotado, a família e amigos de Harry se dedicaram a irem à Itália prestigiar o momento tão feliz na vida do noivo. A cerimônia fora muito bem humorada, mas ainda um pouco formal e, durante todo o momento, Elizabeth ficara passando o seu discurso em sua mente por diversas vezes, fazendo e refazendo diversas alterações.

John observava o quanto ela aparentava estar nervosa enquanto permanecia sentado no banco dos convidados. Jennifer estava ao seu lado com Mike e os seus dois filhos, Valentina e George.

— Ela parece um pouco nervosa, não acha? — John disse, referindo-se a Elizabeth.

Jennifer assentiu. — Elizabeth sempre teve problema de falar em público.

— Ela sempre pareceu tão descontraída na Potere.

Jennifer riu, balançando a cabeça. — Você quer dizer agora, mas no começo era horrível, ela gaguejava o tempo todo.

John ficou pensativo por um tempo enquanto analisava Elizabeth atentamente. Ele não havia conversado muito com ela sobre o discurso que faria no casamento, sentiu-se culpado por aquilo, certamente. Sabia que deveria ter dado força para ela, mas ele não foi muito útil naquele momento, realmente estava ocupado com outras coisas. Estava decidido a dar doses de coragem para a sua amada antes que chegasse o seu grande momento. Porém, prometeu a si mesmo que continuaria admirando o quanto ela estava linda naquele longo vestido vermelho.

John levantou-se do banco, pegando sua câmera e a ajustando sobre seu rosto. Começou a fotografar a cerimônia e, claro que, muitas vezes Elizabeth. Ela havia percebido como a lente dele estava focada em sua direção, isso de algum modo, começou a lhe relaxar. Era estranho, mas estava começando a fazer com que os seus pensamentos parassem de focar tanto no discurso e passassem a apreciar somente a cerimônia. Como John conseguira lhe entender tão perfeitamente assim? Tão bem? Aos poucos um sorriso sereno transpareceu nos lábios de Elizabeth; o que durou pelo resto da cerimônia.

Felizmente, ela pensou.

As mesas estavam demarcadas com nomes, então não haveria confusão alguma; dessa forma os convidados foram se organizando no salão prontamente sem demora alguma, Kimberly havia reservado um lugar especial para Elizabeth, John, Jennifer e Mike, com os noivos. Era aliviador estar perto de John, segurando sua mão, apertando os seus dedos.

— Eu sei que Kimberly é a noiva, mas você é a mulher mais linda dessa festa — John murmurou, no ouvido de Elizabeth.

Ela sorriu, bebericando um pouco do vinho. — Ninguém pode ouvir isso, Phill.

— Você está nervosa com o discurso?

— Um pouco, eu acho — ela deu um longo gole no vinho.

John riu baixinho, afastando-se para olhá-la. — Eu vi você treinando o discurso no espelho noite passada vinte vezes, ele realmente está ótimo — ele disse, sendo otimista. — Você está pronta, não precisa ter medo de absolutamente nada, vai se sair perfeitamente bem.

Ela suspirou profundamente, sabendo que em poucos minutos seria a sua vez de fazer o discurso e não teria como escapar. — Tudo bem. Me lembrarei disso.

John suavemente beijou os lábios carnudos de Elizabeth, somente para dar boa sorte à ela, era o modo como eles se encorajavam diariamente. Aquilo certamente a deixou um pouco relaxada por alguns segundos ao menos, ela achou.

Suas palavras estavam embaralhadas quando se viu de pé para fazer o discurso e todos em silêncio. Observou Kimberly e Harry, eles olhavam para Elizabeth como se estivessem esperando o melhor discurso do ano. John estava sorrindo para ela, era o modo de encorajá-la de longe. Ela amava aquele sorriso, aquilo estava deixando seu coração calmo. Jennifer e Mike a olhavam tão fixamente que seus pensamentos poderiam ser ouvidos — vai logo, Elizabeth —, mas, era algo tão difícil para ela. Realmente não parecia aquela mulher que comandava as diversas reuniões mensais na Potere.

Suas mãos estavam suando, seus lábios estavam ficando secos. Elizabeth pigarreou de modo longo. — Boa noite a todos. Eu prometo ser breve, ou ao menos tentar ser. — Ela disse, sorrindo. — Conheço Kimberly há anos, posso dizer para vocês que ela é uma das melhores pessoas que qualquer um aqui pode conhecer na vida. Incluindo você, Harry.

Harry levantou sua taça de vinho, sorrindo para Elizabeth. — Eu sei — ele murmurou, beijando a bochecha da sua esposa, Kimberly.

— Através da minha querida amiga, também pude conhecer Harry, que é um dos seres humanos mais doces do mundo inteiro. Eu acredito fielmente que vocês encontraram o bem-querer estando um com o outro, porque vocês se completam. Felizmente consegui conviver com esse amor nos últimos anos, e posso afirmar verdadeiramente que vocês são almas gêmeas e, certamente que, isso é a melhor sensação do mundo, não é? — Elizabeth sorriu, olhando brevemente para John. — Eu espero que acreditem nisso tanto quanto eu acredito. Eu realmente estou muito feliz por vocês dois. Desejo muitos anos de amor e luz, e que vocês encontrem felicidade nas pequenas coisas da vida — ela suspirou profundamente. — E a última coisa para encerrar, eu juro, sei que todos estão mortos de fome.

Os convidados riram de Elizabeth, fazendo-a rir verdadeiramente.

— Por favor, Harry, quero que cuide muito bem da minha Kimberly. Desejo todo amor para os dois, uma longa vida, e toda felicidade que puderem ter. Um brinde. — Elizabeth ergueu sua taça, sorriu ao ver todos os convidados erguendo suas taças.

Bebericou um pouco do seu vinho, fechou os olhos ao sentir o delicioso alívio misturado com o gosto tão suave daquele vinho italiano. Como tudo parecia tão fácil, tão prazeroso agora. Suas mãos ainda estavam trêmulas, não era aquele discurso que ela havia planejado fazer, de todo modo, as palavras eram verdadeiras. Estava muito feliz por seus amigos, realmente amava muito Harry e Kimberly. Agora era só aproveitar o resto da noite com John, não havia mais nada para preocupar sua mente.

Kimberly e Harry dançavam lentamente a música, os outros casais seguiam o mesmo ritmo. John e Elizabeth também, não deixaram de fazer contato visual por nenhum segundo naquela noite, estavam tão apaixonados.

— Você não fez o discurso que havia tanto, tanto — John disse, dando ênfase —, tanto planejado.

Elizabeth riu, dando de ombros. — Eu esqueci de absolutamente tudo na hora.

— Você parece bem melhor agora — ele disse, encostando a testa sobre a de Elizabeth. — Aliás, aquilo de almas gêmeas...

— Eu estou dançando com o homem mais lindo dessa festa, John Phillip. Será que poderia estar melhor? — ela franziu a testa. — Ainda bem que você é esperto.

— Ninguém pode ouvir isso, Dean… ou melhor, alma gêmea? — ele disse, rindo.

Pelo restante da noite John e Elizabeth continuaram dançando apaixonadamente, trocaram beijos durante a festa, como também muitas fotos foram tiradas certamente. O bolo red velvet havia feito muito sucesso entre os convidados que não se contentaram apenas com um pedaço, precisaram repetir para apreciarem o delicioso sabor aveludado. Kimberly e Harry não demoraram muito para irem à lua de mel, queriam aproveitar as maravilhas do Caribe. O avião sairia em poucas horas, seriam semanas de puro luxo e felicidade para o feliz casal. Jennifer e Mike estavam cansados demais, os gêmeos haviam passado a cerimônia toda dormindo e a festa acordados, os dois estavam desgastados. Por um outro lado, a noite de John e Elizabeth só estava começando.