O Recomeço
15 Gringotes
Notas iniciais
— Uma semana inteira! Tu acha que vai dar pra pegar uma praia na Austrália, Harry? To pensando se levo biquíni.
Gina estava realmente empolgada para a viagem. Iriam passar uma semana na pequena cidade de Lorne, no litoral australiano. Era lá que eles esperavam encontrar os pais de Hermione. Além disso, finalmente arranjaria um tempo sozinha com seu namorado, o que era raro na Toca. Num desses momentos de sorte, ela conversava com Harry em seu quarto sobre o que poderiam fazer lá e se atrapalhava toda tentando organizar a mala.
— Olha Gina, a prioridade é os pais da Mione, então não tenho certeza. Mas espero que sim. Tenho a impressão que tu deve ficar bem bonitinha de biquíni — respondeu o namorado, que estava deitado na cama, com um sorriso maroto.
— Quem sabe eu experimento agora e você me diz o que acha? — disse Gina, casualmente.
— Eu.. ahn... — gaguejou Harry.
Gina riu, se deitou ao lado de Harry e começou a beijá-lo. Um beijo de verdade. Fazia tempo que eles não conseguiam um momento como aquele, pois Ron, Jorge e o Sr. Weasley estavam sempre por perto. Hermione era a única que os ajudava, em parte porque também queria passar um tempo sozinha com o seu próprio namorado. Harry tentava se comportar, principalmente em respeito a Arthur. Porém, nesse momento com Gina em cima dele o beijando, o garoto perdeu o controle e foi se deixando levar... até que ouviram uma batida na porta.
— Harry, você está aí? — perguntou o Sr. Weasley. — Estou pronto para ir ao Gringotes.
Gina rapidamente saiu de cima do namorado e começou a arrumar o cabelo, Harry fez o mesmo. Em seguida, ela abriu a porta e sorriu para o seu pai, que a olhou desconfiado.
— Opa, não tinha visto o horário — respondeu Harry, envergonhado. — Mas também já estou pronto, vamos.
Assim, Harry se despediu da namorada e acompanhou seu sogro até a saída da Toca. Eles iriam até o banco naquela manhã para analisar as finanças de Harry, como sugeriu Shacklebolt. Aparentemente, havia novos valores que pertenciam ao Eleito. Ele até ficou com um pouco de vergonha de pedir ajuda ao Sr. Weasley, considerando sua situação financeira, mas realmente não conhecia ninguém melhor. Confiava em Arthur e, além disso, tinha certeza de que ele saberia lidar com finanças melhor do que ninguém. Sustentou uma família de 9 pessoas por anos apenas com um pequeno salário do Ministério.
— Estão prontos para a viagem de amanhã? — perguntou o Sr. Weasley, antes de aparatarem para o Beco Diagonal.
— Quase tudo. Hermione ainda está um pouco nervosa e Gina estavam terminando de arrumar a mala.
— Certo. Tenho certeza de que tudo vai ficar bem. Não esqueçam de prestarem atenção em tudo no avião quando embarcarem! Eu quero todos os detalhes!
Harry não conseguiu segurar uma leve risada. Nunca tinha visto Arthur tão empolgado. Aparentemente, os meios de transporte bruxos ainda não estavam totalmente seguros por conta de Comensais da Morte desaparecidos e a Austrália era muito longe para aparatar. Eles teriam que viajar de avião, o que obviamente deixou o Sr. Weasley maluco. Harry nunca tinha visto um bruxo tão obcecado pelo modo de vida dos trouxas e se divertia muito com a situação.
— Com certeza, senhor. Vou levar até uma câmera.
Depois de conversarem mais um pouco, os dois aparataram até o Beco Diagonal. Harry rapidamente colocou sua capa da invisibilidade para evitar repórteres e fãs, o que foi uma boa decisão, pois o Beco estava lotado. Em nada lembrava aquele Beco Diagonal vazio e tenebroso da época de Voldemort. Lojas estavam abertas, famílias passeavam, enfim, a vida estava voltando ao normal. Deu até vontade de tirar a capa e se divertir pelas lojas, mas não havia tempo para isso. Finalmente, eles chegaram as portas do Gringotes e Arthur teve que lembrar Harry de tirar a capa. Não sabiam se os duendes gostariam que ele entrasse escondido lá de novo, já que da última vez o resultado não foi muito legal. O salão principal, que alguns meses atrás fora destruído por um dragão, já estava reformado. Os duendes trabalhavam em silêncio, até que viram Harry. O encararam de maneira assustadora e começaram a cochichar entre si. O menino que sobreviveu não tinha certeza se sobreviveria muito mais tempo ali. Percebendo isso, Arthur logo levou Harry até o fim do salão e informou a um dos duendes que eles estava lá para analisar as finanças de Harry Potter, com um pedido especial do Ministro da Magia. Um pouco a contragosto os dois foram conduzidos até uma sala onde outro duende nada simpático os esperava. Ele disse, secamente:
— Boa tarde, senhor Potter. O senhor garante que confia nesse homem para ser responsável por suas finanças?
— Sim, confio plenamente — respondeu Harry.
— Ótimo — disse o duende, agora olhando para Arthur. — O senhor com certeza já tinha conhecimento da herança que o senhor Potter recebeu de seus pais, quando veio aqui alguns anos atrás. O detalhe é que aquilo era apenas parte da fortuna dos Potter. Eles reservaram uma outra parte apenas para quando Harry atingisse a maioridade.
— Que? — perguntou Harry, muito surpreso. — Tem mais?
— Isso é uma prática bem comum entre bruxos Harry. Não sei se os trouxas também fazem isso — respondeu o Sr. Weasley.
— Nem ideia — disse o garoto, com sinceridade.
— De qualquer maneira — continuou o duende — outra coisa que Harry herdou foi a fortuna dos Black, deixada por seu padrinho.
Harry se sentiu desconfortável. Não gostava de falar sobre Sirius. Além disso, nem imaginava que ele havia deixado algo além do Largo Grimmauld.
— Esse é o valor final do dinheiro do senhor Potter aqui no banco — disse o duende, apontando para uma folha de papel com um valor absurdo.
Harry e Arthur ficaram sem palavras. Era muito dinheiro. Nem Harry, nem umas 3 gerações de sua família precisariam trabalhar se não quisessem. Ele se sentiu horrível mostrando aquilo para Arthur, que nunca sonhara com tamanha quantia. Entretanto, o Sr. Weasley logo se endireitou e começou a falar tecnicidades financeiras com o empregado do banco. Harry, ainda abismado com o valor, ficou pensando em o que fazer com tanto dinheiro e acabou não prestando atenção em muito do que estava sendo dito ali. Por fim, a reunião terminou e eles se preparam para ir embora. Harry já estava na porta quando o duende disse:
— Senhor Potter, espere! Quase esqueci. Seus pais também lhe deixaram uma carta, para ser entregue na sua maioridade.
Então, ele abriu a gaveta e entregou a Harry uma carta com as assinaturas de Tiago e Lílian Potter. Harry não conseguia se mexer. Não acreditava que depois de tantos anos ainda houvesse algo desse tipo deixado por seus pais. Ele não sabia o que sentir. O Sr. Weasley, percebendo a reação de Harry, pegou a carta e colocou no bolso.
— Vamos, Harry — disse Arthur, com a mão no ombro do garoto que considerava um filho. — Lá em casa você lê com calma.
Assim, eles foram embora do Gringotes. Harry passou a volta toda pensando na carta. Não sabia o que esperar. Estava ansioso, mas ao mesmo tempo sentia medo. Não tinha certeza se estava pronto para ler algo de seus pais deixado especificamente para ele. Quando aparataram na frente da Toca, Arthur lhe entregou a carta e disse:
— Harry, sei que isso deve ser muito difícil para você, então sem pressa. Leia quando se sentir bem. Entendeu?
— Sim. Muito obrigado Sr. Weasley, por tudo — agradeceu Harry, um pouco emocionado.
— Não há de quê. Família serve para isso — respondeu Arthur, colocando o braço em torno de Harry e o levando para dentro.
Fale com o autor