O Recomeço

11 A Visita do Ministro


Notas iniciais
Depois de um tempinho, voltei! Me desculpem pela demora pra postar, mas agora as férias acabaram e não tenho mais tanto tempo. Não posso prometer mais de um capítulo por semana, mas vou me esforçar ao máximo pra continuar! Enfim, esse é mais um daqueles capítulos de transição, espero que gostem :)

Era mais uma tarde na Toca. Alguns dias haviam se passado desde toda a questão dos relacionamentos novos na casa. Harry e Gina estavam aproveitando ao máximo o fato de poderem estar juntos agora que todos os seus problemas tinham sido resolvidos. Se acostumaram a dar longas caminhadas pela propriedade, jogavam quadribol e passavam cada vez mais tempo juntos, o que ainda incomodava um pouco Ron. Jorge nem tinha mais que ver isso, pois ia quase todos os dias para sua loja, se preparando para abri-la novamente, com a ajuda de Percy. Ron e Hermione também faziam o de sempre, mas agora também planejavam, com Harry, a viagem para a Austrália. A parte mais difícil seria falar com a Sra. Weasley, pois não seria fácil conseguir a sua liberação. Ron e Harry estavam no quarto conversando sobre seus planos, depois de passarem o dia com suas respectivas namoradas.

— E Hogwarts, cara? — perguntou Ron. — A Hermione tava falando toda animada sobre a escola, como se fosse óbvio que a gente vai voltar. Não sei, seria estranho voltar pra Hogwarts depois de tudo o que aconteceu.

— Pois é, a Gina vai ter que voltar de qualquer jeito. Nem falei com ela sobre isso, mas eu não vou — respondeu Harry, decidido. — Não dá, depois do ano que nós passamos é impossível simplesmente sentar numa sala de aula e estudar História da Magia, pelo menos pra mim.

— Te entendo cara, acho que tô como você nessa, são muitas lembranças — disse Ron. — Mas e o que a gente vai fazer da vida sem os NIEMs? Emprego vai ser complicado, principalmente aquela nossa ideia de aurores. Você tem muito dinheiro, nem precisa trabalhar, agora eu preciso.

— Tem isso ainda — lembrou Harry, que sempre ficava desconfortável quando o assunto era dinheiro. — Realmente não sei o que fazer, mas a gente vai dar um jeito. Também não quero ser um cara que não trabalha. O mais difícil na realidade vai ser falar pra Gina, Hermione e sua mãe que a gente não vai voltar pra escola.

— Isso vai ser impossível, principalmente com a mãe — respondeu Ron, rindo. — Vai ser uma merda ficar quase um ano longe da Hermione também, mas não tem jeito de ela não voltar pra Hogwarts. Acho que se fosse por ela, ficava pra sempre lá só estudando.

— Verdade — disse Harry, também rindo. — A Gina vai querer me matar, mas não tem jeito mesmo. Não posso voltar.

Harry e Ron continuaram conversando até ouvirem a Sra. Weasley os chamar. O ruivo já ficou feliz, assumindo que o jantar estava pronto. Para variar, estava com fome. Porém, ao chegarem na sala encontraram uma pessoa que não esperavam ver tão cedo.

— Ministro! — disse Harry, surpreso ao ver Kingsley Shacklebolt sentado na mesa de jantar. — Não esperava o senhor aqui.

— Boa noite, garotos — disse o novo Ministro, simpático. — Bom ver que vocês estão bem, principalmente você, Harry. Sentem-se, por favor.

Harry e Ron sentaram ao lado de Hermione e Gina, que já estavam na cozinha. O Sr. Weasley, sua esposa e Jorge também estavam lá. O patriarca da família parecia tenso, como se a presença do Ministro ali fosse algo muito sério. Molly também parecia saber do que se tratava.

— Então Ministro, há que devemos a sua visita? — perguntou Hermione.

— Por favor Hermione, me chame de Kingsley. Não é só porque sou Ministro agora que precisamos de tantas formalidades — disse Shacklebolt. — Bom, logo após o fim da guerra eu tomei algumas medidas em relação a vocês três e essa família no geral. Entendi que era um momento de se estar em paz com a família e os amigos, principalmente depois de tudo o que aconteceu. Portanto, não interroguei vocês e não fui atrás de respostas sobre tudo o que aconteceu no último ano. Achei que tudo isso podia esperar.

— Obrigada Kingsley, isso realmente ajudou — disse Molly, agradecida.

— É o mínimo que eu podia ter feito — respondeu o Ministro. — Além disso, também fiz algumas negociações com o pessoal do Profeta, para que não publicassem nada sobre suas vidas particulares nessas primeiras semanas.

Ao ouvir isso, Harry percebeu que realmente era muito estranho que seu nome tivesse sido mencionado tão pouco. Na época do Torneio Tri Bruxo, seu nome aparecia quase toda semana, com o fim da guerra, deveria aparecer todo o dia.

— Ah então é por isso! — disse Hermione, pensando o mesmo que Harry. — Achei que o pessoal do Profeta só estivesse dando um tempo mesmo.

— Jornalistas não são tão compreensivos assim — disse Kingsley. — Aliás, tem vários repórteres na volta de sua propriedade, foi uma boa que vocês não saíram tanto.

— Por Merlin, essas pessoas não tem o mínimo de educação! — disse Gina, indignada.

— Eu temo que não, mas pelo menos eles não conseguiram nada — respondeu Kingsley. — Os seus feitiços de proteção funcionam muito bem Arthur.

— Obrigado, Ministro — respondeu o Sr. Weasley, não conseguindo esconder o orgulho.

— Boa ideia de vocês três, por sinal — falou Shacklebolt, apontando para Harry, Ron e Hermione. — De não saírem muito de casa. Aposto que vocês não conseguiriam nem andar no Beco Diagonal.

— Nós três? — perguntou Ron, confuso — Acho que é mais o Harry, não?

— Claro que não Ron! — respondeu Kingsley. — Tem muitos boatos por aí sobre o que vocês três aprontaram nesse último ano. E como VOCÊS derrotaram Voldemort. É melhor se acostumar, você e Hermione são tão famosos quanto Harry agora.

— Sinto muito por vocês — disse Harry, brincando com os amigos.

— Sério? — disse Ron, não conseguindo esconder o sorriso. — Que foda!

— Ronald! Olha o palavreado! — gritou Molly, repreendendo o filho.

— Quem diria que o Roniquinho ia ser o Weasley famoso, hein? — disse Jorge, zoando o irmão.

— Pois é, melhor vocês se acostumarem com a fama — disse Kingsley, rindo da reação da família. — Enfim, nos desviamos um pouco do assunto. Vamos voltar ao ponto principal.

— Só uma coisa antes, Ministro — interrompeu Harry. — O que aconteceu com os Dursleys? Eles estão bem? Não tenho notícias desde o ano passado.

Isso era um medo real que Harry tinha. As lembranças com a família não eram boas, mas ele não desejava o mal deles. Além de que, não queria mais pessoas machucadas por sua culpa.

— Ah verdade, esqueci de te falar sobre isso — lembrou o Ministro. — Eles estão bem. Depois que a guerra acabou, eles voltaram para sua casa. Sei que o relacionamento de vocês era complicado Harry, então, se não quiser e já sendo maior de idade, não precisa mais vê-los.

— Não pretendo, mas é bom saber que eles estão bem — disse Harry, aliviado.

— Bom, depois da guerra nós capturamos diversos Comensais da Morte — começou Shacklebolt. — Alguns poucos ainda estão foragidos, mas a maioria já aguarda julgamento em Azkaban. Em nossos interrogatórios, alguns nos contaram que tiveram contato com vocês no último ano. Ou na Mansão dos Malfoy, ou nas florestas quando os perseguiam. Eu sei que vocês três tiveram que fugir durante todo aquele tempo, mas preciso saber, o que vocês estavam fazendo?

Harry, Ron e Hermione se olharam sérios. Era uma pergunta complicada, pois eles não iriam dizer a verdade. Combinaram nunca falarem sobre as Horcruxes para ninguém. Aquela forma de magia ainda era muito desconhecida e eles não tinham a menor intenção de torná-la popular. Só o que faltava era surgirem outros Voldemorts para combater.

— Bom Ministro, nós estávamos procurando uma maneira de derrotar Voldemort — disse Hermione, tensa.

— Sim, mas como? O que exatamente vocês fizeram? — perguntou Kingsley, curioso.

— Nós não podemos dizer — disse Harry, deixando quase todos na sala perplexos. — Entendemos que você é o Ministro, mas tudo o que nós fizemos exatamente fica entre nós e Dumbledore.

— Harry, não estou apenas perguntando isso como Ministro, mas também como membro da Ordem — disse Kingsley, querendo muito saber mais.

— Então como membro da Ordem eu espero que você confie em mim e em Dumbledore — falou Harry, decidido. — O que nós sabemos é muito perigoso e vai morrer conosco.

— Vocês não vão contar nem pra nós? — perguntou Gina, enquanto todos os outros membros da família tinham a mesma expressão que ela.

— Sinto muito — disse Ron, deixando a família decepcionada. — Isso realmente vai ficar entre nós.

— Bom, vai ser difícil explicar isso lá no Ministério, mesmo sendo Ministro, mas vou pensar em alguma coisa — respondeu Kingsley. — Bom, de qualquer maneira, não é só isso. Temos que falar sobre a visitinha de vocês ao Gringotes.

— Vocês realmente fizeram isso, né? — disse Jorge, muito animado. — Vocês conseguiram roubar o lugar mais seguro da Terra!

— Impressionante mesmo! — disse o Sr. Weasley, enquanto recebia os olhares de censura de sua esposa.

— Não acredito que vocês fizeram isso mesmo! Que perigo! — disse Molly, com um olhar de preocupação.

— Deu tudo certo Sra. Weasley, não nos machucamos — disse Harry, buscando tranquilizar a sogra. — E Ministro, sinto muito, mas também não vamos dizer o que estávamos fazendo lá, só que era importante.

— Eu imaginava — respondeu o Ministro, desapontado. — Mas eu sei que vocês roubaram o cofre da Bellatrix Lestrange. De qualquer modo, o problema foi com os duendes. Mesmo tendo um bom motivo, eles não gostaram muito do que vocês fizeram. Tive que negociar muito para que vocês não fossem banidos do banco. Vocês só vão ter que assinar uma espécie de contrato deles, que os proíbe de fazerem qualquer coisa parecida novamente.

— Justo — respondeu Ron.

— Certo, só tem mais uma coisa — falou Kingsley, um pouco apreensivo. — Seria melhor até falar com você em particular Harry.

— Não precisa, pode dizer tudo na frente deles — disse Harry, imaginando que não havia nada horrível o suficiente que não pudesse ser dito na frente de sua família.

— Bom, se você prefere assim... — disse o Ministro, tenso. — Então, enquanto interrogávamos alguns Comensais da Morte, muito disseram que naquela noite em que você foi até a floresta... você foi morto. Disseram que você deixou Voldemort o acertar com uma maldição da morte no peito e que você caiu no chão, sem vida.

— É verdade — disse Harry, como se fosse a coisa mais normal do mundo.

Nesse momento, todos, com exceção de Ron e Hermione, olharam pra ele assustados. Ninguém sabia desses detalhes. Até onde eles imaginavam, Harry só havia iludido Voldemort de alguma maneira.

— Como assim, Harry? — disse Gina, não acreditando no que ouviu — Eu achei que você tinha dado um jeito de enganar ele, que já tivesse aparecido morto. Por que você tá vivo?

— Bom, isso é outra coisa que não vou contar pra vocês — disse Harry, deixando todos desapontados. — Hermione e Ron sabem o que aconteceu e o porquê. Isso tudo realmente aconteceu. Não me perguntem por que, mas eu precisava que ele me matasse, pra derrotá-lo. Sei que é confuso, mas eu também não entendi tudo na hora. Honestamente, eu realmente fui achando que ia morrer. Era o único jeito.

Todos olharam para Harry ao mesmo tempo perplexos e confusos. A Sra. Weasley já tinha lágrimas nos olhos. Ele não sabia o que dizer para confortá-los, então ficou em silêncio.

— Nunca mais faz isso — disse Gina, apertando sua mão.

— Não vou precisar — respondeu Harry, com um sorriso.

— Pelo visto vou voltar sem nada — disse o Ministro, visivelmente desapontado. — Porém, nossas conversas não acabaram. Não vou mais tomar o tempo de vocês. Mas vou precisar de Harry e Ron no Ministério amanhã, tenho algumas coisas para falar com vocês.

— Estaremos lá — disse Ron, curioso.

— Perfeito, até amanhã então — disse o Ministro, enquanto se despedia e ia embora.

— O que você acha que ele quer com a gente? — perguntou Ron.

— Não tenho a menor ideia. Mas vai ser bom sair um pouco. Estamos aqui dentro há muito tempo — respondeu Harry.

Os pais da família Weasley trocaram olhares nervosos, que todos conseguiram perceber.

— Vocês sabem o que é? — perguntou Gina.

— Os meninos conversam com o Ministro amanhã, agora vamos comer — disse Arthur, sério.

— Arthur, eu não sei... — disse Molly, hesitante.

— Querida, já conversamos sobre isso. Eles têm idade suficiente — respondeu o marido.

Contrariada, Molly foi servir a comida. Seus filhos, Hermione e Harry se olharam curiosos, imaginando o que podia ser. O resto da noite foi tranquila, com a família evitando mencionar a conversa que tiveram com Kingsely anteriormente. Harry, Ron e Hermione ainda não mencionaram a viagem para a Austrália, pois não queriam causar uma discussão naquele momento. Ficou decidido que Harry e Ron falariam com o Ministro no outro dia sobre isso, para garantir que não havia problema. No fim, eles foram dormir tranquilos, mal sabendo tudo o que estava reservado para eles no dia seguinte.

Notas finais
E aí, curtiram? Odiaram? Me digam aí nos comentários!