O Rebelde
1 Introdução
Notas iniciais
Na frente do espelho, minha mãe, a amada rainha America me ajuda a escolher o vestido; o vestido que eu usaria esta noite, quando iria recepcionar os 35 jovens que vieram competir pela minha mão. É como um conto de fadas, e eu tinha de estar a altura. Mordo o lábio inferior.
-O que acha deste, Katie?-pergunta minha mãe, me trazendo um vestido na altura dos joelhos na frente e mais comprido na parte de trás. Ele é branco com flores rosas, e um corpete com decote em coração e sua saia levemente armada dá a ele um toque romântico.
-É lindo mãe- disse, tocando o corpete.
-É mesmo- disse ela, observando-o e o colocando no braço de Lily, minha criada e uma de minhas confidentes melhores amigas.
-Vai ficar lindo com suas sandálias prateadas, Alteza.
-Tem razão Lily! Obrigada! Será que você poderia...?-mas ela entendeu e foi pegar o par de saltos baixos com flores de cristal antes mesmo de eu terminar. Enquanto isso, minha mãe me ajudou a vestir o delicado vestido e a trançar meus longos cabelos.
Assim que voltou, Lily começou a prender ao longo da tranças flores de diamantes cor de rosa e transparentes, me deixando quase como uma fada. Me olhei no espelho.
-Está linda, querida- disse minha mãe.
-Com certeza, Alteza- disse Lily.
Suspirei. Era agora. Desci as escadas para o salão com entusiasmo; sabia que haveria câmeras, repórteres e... Meu futuro marido.
Quando cheguei ao pé da escada, me deparei com uma mesa de jantar muito grande, onde haviam 35 jovens de pé logo atrás de seus lugares. Alguns baixos, outros altos; todos se viraram e houve um suspiro geral quando adentrei o salão, um sorriso estampado em meu rosto; meus cabelos loiros como os de meu pai trançados e meus olhos amendoados – também como os de papai – estavam brilhantes como nunca. Parei cinco degraus antes do nível do andar.
-Muito bem vindos a todos os filhos de Iléia!- saudei, um sorriso enquanto era ovacionada.
-Quero que saibam que é uma honra recebê-los aqui, e quero muito que sua estadia seja agradável. Qualquer problema que tiverem, podem se dirigir diretamente a mim, ou se preferirem, dirijam-se aos seus criados, que foram designados para vocês. Esta noite não teremos tempo de conhecer a todos, porém, amanhã sim. Então, aproveitemos o banquete de boas vindas.
Mais palmas enquanto me dirijo à ponta da mesa, todos os olhos cravados em mim. Há muitos deles, e eu já decorei o nome de praticamente todos. Estou sentada ao lado de Lee, um japonês de olhos escuros e sorriso tímido, mas sincero. Ao outro lado, Dylan me observa ostentando um sorriso audacioso. Sinto que todos os olhos estão em mim durante o jantar, o que é péssimo. Eu tenho o dom de ser atrapalhada quando não poderia. Por sorte, desta vez, não houve nada de mais.
Depois do jantar terminar, subi para o meu quarto, já pensando no dia seguinte, quando eu me encontraria com alguns deles. Tirei os saltos e coloquei uma calça jeans Pink, uma blusa branca de renda e por cima um casaquinho leve. Fui para a sacada tomar um ar. O céu estava estrelado, e eu podia sentir o cheiro doce do amor. Fechei os olhos. Precisava falar com papai – ainda não era tão tarde, então, provavelmente, ele estaria em seu escritório. E mais; os cupcakes da sobremesa, de baunilha com cobertura de morango e chantilly estavam divinos, porém, como uma dama que era, não podia pegar mais de um – pelo o menos, não podia deixar que as câmeras me registrassem comendo mais de um. Decidi então ir encontrar meu pai e logo depois dar um pulinho na cozinha, afinal, o pessoal de lá me conhecia desde que eu nasci, e eu era bem amiga deles... Com certeza já esperavam a minha ´visita`.
Calcei sapatilhas brancas e me dirigi ao primeiro andar, entrando na cozinha.
-Alteza!- fui recebida por Janis, nossa cozinheira. Ela é baixinha e gordinha, e é simplesmente a melhor confeiteira de toda a Iléia.
-Oi Janis, oi pessoal!-disse, me dirigindo aos funcionários de maneira geral.
-Princesa, seus garotos comem ehin?! Estou preparando pratos e pratos de comida para amanhã!
-Só de coisas deliciosas, suponho-digo, e ela ri e toca meu braço.
-Certamente- disse, se voltando para a mesa de centro.
-Já esperava a sua visita...- disse ela, pegando em um cantinho escondido o que me parecia ser o último cupcake.
-Só sobrou um?!- disse, quase decepcionada.
-Sim- riu ela.
Com muita vontade de pegar, me detive.
-Vocês já comeram?
Ela riu da pergunta.
-Sim querida. Esse fairycake é seu- disse ela, me estendendo o docinho polvilhado de açúcar com uma pequena borboleta de fondú no topo.
-Fairycake?- repeti, enquanto segurava o bolinho.
-Gostei do nome- completei.
-Foi inspirado em você, Alteza- disse Mariane, a moça nova da cozinha.
-Awn gente, vocês são muito fofos... E me mimam demais!- disse, rindo com elas. Despeço-me e subo as escadas até o escritório de meu pai, lambendo os dedos onde eles tocaram o glacê.
Vejo vários guardas e a porta entreaberta. Quando me aproximo, porém, me detenho, pois nunca tinha ouvido a voz de meu pai tão preocupada.
-Mais ataques... Houve mortes desta vez?- perguntou ele.
-Sim, Majestade. Dois homens e uma criança que pertenciam à antiga casta seis- disse a voz do oficial Aspen Leger, que era como um segundo pai para mim. Ele e madame Lucy eram muito próximos a nossa família, e seus filhos, Michael e Danny eram como irmãos para mim.
Engoli o seco. Meu pai havia eliminado as castas há muitos anos, porém, os conflitos continuavam por meio dos extremistas. Isso era horrível, afinal, como podiam julgar que esta ou aquela pessoa só poderia viver de artes, educar ou coisas do tipo? Isso cabia a cada um, e não a sociedade.
Como o assunto era delicado e obviamente eu não o deveria estar ouvindo, decidi sair de fininho. Pelo caminho do meu quarto, fui observando meu fairycake. Tão absorta em pensamentos, comecei a devorá-lo sem nenhum requinte. Fui andando até os jardins e me deparei com um dos selecionados. Droga, nem me lembrava do seu nome! Ele estava de costas, mas quanto tentei voltar pelo caminho em que viera sem ser vista ou ouvida, esbarrei na porta, fazendo um barulho alto o suficiente para que ele se virasse. Droga em dobro!
-Alteza- disse ele, com uma reverência, se aproximando logo depois, enquanto eu lutava para engolir o enorme e exagerado pedaço de fairycake que eu tinha na boca. Ele sorri de maneira doce e eu quase engasgo.
-Eu adorei os bolinhos também- disse ele,apontando para o resto do bolinho despedaçado em minha mão. Rio, um pouco nervosa.
-É... São fairycakes...
-Me lembram você; são doces e delicados.
Senti-me corar.
-Você me permite...?- ele trouxe sua mão até meu rosto com delicadeza e um pouco de insegurança no começo, e limpou um pouco de glacê no canto de minha boca. Não tirei os olhos dos seus – eram verdes e lindos, os cabelos escuros... Me lembrava de sua foto, mas de seu nome...
-Desculpe... Eu não me lembro...
-Natan, Alteza- disse ele. Sim! Natan!
-Ah, obrigada... Espero que não tenha se ofendido!
-De maneira nenhuma- disse ele, sorrindo.
Sorrio timidamente e olho para o chão. Ele estava indo pelo caminho certo.
-Me sinto na vantagem, Senhorita.
-Como é?
-Pude conhecê-la antes dos outros, e ainda por cima, com privacidade, sem as câmeras...
-Ah sim. Quanto a isso, poderia ficar entre nós? Não seria bom se...
-Com certeza, Alteza- completou ele, com um sorriso que eu retribuí.
-Só espero que esse nosso encontro não me tire o tempo a sós que teria com você amanhã- disse ele, em tom brincalhão e esperançoso.
-De maneira nenhuma- disse.
-Posso... Acompanhá-la até o seu quarto?- pergunta ele, timidamente.
-Eu adoraria- disse.
Na porta de meu quarto, ele se despediu de maneira polida e beijou brevemente a minha mão. Quando entrei, pedi a Lily que preparasse a banheira com água bem quente e essência de jasmim, enquanto passava e repassava a noite em minha mente.
A Seleção começou.
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