O Raio, o gelo e a Espada
2 O Cavaleiro do Grunge
Notas iniciais
Alex odiava a escola, mas odiava ainda mais que tudo voltar para casa, o horário de saída era 15:00 e o mais tardar que podia entrar no orfanato era 18:25 exatamente sem atrasos, eram cerca de vinte minutos da escola até a “casa” então tinha três horas para ficar vagando, e bem... Para quem tem TDAH não é muito difícil, Alexander tinha perdido as contas de quantas vezes chegará quase atrasado por que tinha passado cerca de três horas fazendo algo sem sentido, a chuva caia forte, as gotas grossas atingiam o garoto sem piedade e sem cessar, o cabelo negro cumprido dele já estava empapado da chuva, andava tamborilando os dedos no violão escondido na capa fazendo a melodia de Don’t stop me now de vez em quando misturando com I want to break free, um dos problemas da hiperatividade. Não conseguia ficar parado, calado ou quieto por muito tempo, e com o déficit de atenção fazia o perder a linha de raciocínio a cada coisa que brilhante que aparecia no meio da chuva, caminhou a esmo até achar um beco qualquer, certificou-se que não havia ninguém, não queria ser assaltado como já havia acontecido, parou sob uma proteção contra a chuva fria, tomou o violão timidamente nas mãos tateou os bolsos da camisa xadrez que usava por cima da camiseta rosa, tirou uma palheta, suspirou cansado e se pôs a palhetar as cordas do violão fazendo uma melodia aleatória, quando se deu conta o céu já era tingido de azul escuro, praguejou baixinho, odiava quando tinha essas “viagens” e não aproveitava o tempo, levantou-se bateu a poeira do jeans, colocou o violão dentro da capa, virou-se bruscamente ao ouvir um barulho estranho, segurou o violão fortemente com a mão esquerda e a direita escorregou para dentro do bolso direito da camisa, como não viu nada deixou um suspiro de alivio fugir e tomou rumo de volta para o caminho principal.
A chuva caia, porém já mais amena, Alex já estava cansado queria logo poder sumir dali odiava a escola, odiava sua “casa” pretendia achar um lugar qualquer no mundo e evaporar, se xingou mentalmente quando viu que errou o caminho e possivelmente estava em tese perdido, era um outro problema do déficit de atenção havia entrado em um beco, antes de dar meia volta e procurar o caminho correto uma lata de lixo caiu ruidosamente, ele instintivamente colocou a mão no bolso direito da camisa, de onde saiu o barulho e um cachorro saiu, provavelmente um rottweiler não era adulto mas também não chegava a ser um filhote, devia estar na transição entre eles, provavelmente deveria ter seis meses e uma mordida que ia doer, encarou o cachorro, provavelmente iria rosnar para ele e o atacar, apenas em ultimo caso, em todas as outras possibilidades fugiria, porém esse apenas latiu e abanou a cauda andando até ele alegremente, todos os sentidos disseram em uníssono “Perigo seu idiota! Isso NÃO É COMUM!” porém ele se abaixou e esperou o cachorro se aproximar para o acariciar, por sorte ou apenas pelo déficit de atenção, fitou a lata derrubada, estava amassada de uma forma que um cão daquele porte não tinha força para fazer um estrago daquele, soltou o violão e agarrou uma pedra que havia a sua esquerda, não que ele tivesse a visto antes, ou pelo menos viu e não prestou atenção, uma das coisas boas do déficit de atenção... Você consegue ver tudo em volta quando não está “viajando”. A arremessou com precisão acertou o focinho do cão que guinchou e saiu correndo para o outro lado do beco, talvez os seus sentidos estivessem enlouquecidos e acertou um cachorro que não fez nada ou, talvez, acabara de escapar de levar uma mordida no pescoço e sangrar até a morte e ainda tinha o fator da lata.
Caminhou de volta pelas ruas frias sob a camada de chuva, o cabelo negro empapado teimava em cair sob o rosto, e atrapalhar a visão, ele já não tinha uma concentração boa, e ainda aconteciam sete mil coisas para o distrair, chegou por fim a um prédio no fim de uma rua de paralelepípedo o prédio era velho, não devia ter mais que quatro andares, feito de tijolos vermelhos, estava meio empoeirado, suspirou pesado, caminhou para dentro do muro que cercava os portões, chegou num jardim, um tanto morto e descuidado, porém bem amplo, aquele lugar era uma prova total de negligência, seria um lugar muito bonito com certo cuidado que não existia no momento, caminhou para dentro do prédio sob olhares de desprezo, verificou o relógio, eram 18:15 por dez minutos não seria barrado, se bem que eles gostariam de impedi-lo de entrar, porém ainda tinha gente para chegar após ele então mesmo gostando muito não poderiam barrá-lo, a mulher que cuidava da recepção torceu o nariz quando o viu, resmungou alguma coisa e o permitiu entrar, caminhou pelos corredores, haviam alguns meninos brincando entre si, nenhum passava de dez anos, e nenhum gostava dele, seguiu os corredores até o refeitório, como sempre ou seria o primeiro a comer ou o último, ninguém gostava dele por perto nem mesmo na hora do jantar ou do almoço, ou seja, ele era odiado, comeu a comida azeda que lhe foi servida, engoliu a força, era melhor comer aquilo e vomitar dez ou vinte minutos depois que passar fome.
Subiu ao ultimo andar e foi até seu quarto e agradeceu mentalmente os deuses por estar vazio, sua cama estava sob um buraco gigantesco, como era o ultimo andar a água da chuva caia diretamente sob ela, molhando os lençóis que eram esburacados e bem velhos e o colchão que era o mesmo estado, sentou-se escorado a parede tirou um caderno bem menor que o convencional, o abriu e se pôs a escrever, escrevia coisas aleatórias, do que achava, de como via a situação, na capa dizia o que era “Diário de Guerra” ou como ele mesmo dizia “ Uma forma máscula de escrever mesma coisa que as meninas escrevem no diário”. Parou de escrever quando a porta do quarto foi aberta bruscamente, seus companheiros de quarto chegaram, seu companheiros eram as piores companhias possíveis, uma menina de exatos treze anos na sétima série, porém era maior que o próprio Alexander, não que ele fosse grande, mas para uma menina ela era gigantesca, ela devia ter um metro e oitenta, era enorme e forte, e seu companheiro era um típico jogador de futebol americano juvenil, fora si mesmo era o mais velho do orfanato tinha quatorze anos e estava na oitava série, porém já tinha assinado um contrato com uma boa escola de ensino médio que também era internato, e a menina havia achado uma família que adotaria uma rebelde sem causa porém havia ainda muita papelada para assinar então ela só iria sair dali em alguns meses, e claro ela iria ficar o resto do tempo importunando Alex, entraram no quarto e largaram as bolsas da escola sob a cama, lógico a menina tinha a melhor cama, sentou-se e olhou torto para o garoto, ele ainda estava com a boca inchada, o olho roxo, e um corte no supercílio que ainda não tinha se fechado completamente, não estava com uma das melhores caras, não que ela se importasse provavelmente só estava olhando o melhor ângulo para mandar o comparsa bater nele pra piorar ainda mais os ferimentos, ela lançou-se na cama, tirou os sapatos e as meias e espreguiçou-se — Ah... o dia foi longo! O ladrãozinho, massageia meus pés, to cansada — Alex a olhou, sinceramente, preferia enfiar um martelo no nariz dela resmungou alguma coisa, fechando o diário e colocando de volta na bolsa, de forma que parecesse que estava fazendo “dever de casa” não podia se dar ao luxo de eles verem todas as coisas que escrevia sobre ele, e lógico que era um sarcasmo.
Lançou a bolsa pro único canto protegido da pior parte do quarto que era a sua, e levantou-se — Nem vem, meu dia foi péssimo, não vou servir de escravo — Proferiu e depois que ela levantou-se subitamente preferiu ter feito a massagem nos pés sujos e fétidos dela. — Como é que é? Max, pega ele!— O grandão olhou ela duvidoso, ela o fuzilou com os olhos, ele estremeceu e se apressou a obedecer, ele não entendia como um garoto que podia fazer ela de palito de dentes e de bastão de baseball podia ter medo dela, porém ele tinha, tentou correr porém foi agarrado, e lançado contra parede sentiu a cabeça bater e diversos pontos pretos na visão que começava a ficar turva, a menina resmungou alguma coisa do tipo “Tenho que fazer tudo mesmo” e pegou alguma coisa na enorme bolsa, alguma coisa grande, cilíndrica e de cor marrom, ajeitou-se e pela postura ele notou que seria, apenas tentou-se defender do golpe do bastão de baseball e viu tudo ficar escuro.
Acordou com um relâmpago de sobre salto, estava na cama, seu travesseiro inundado em sangue e água, provavelmente chovera bastante, procurou com os olhos o relógio, 3:27 da manhã, tentou-se levantar e sentiu a dor na têmpora esquerda, levou a mão até ela e sentiu o enorme galo, e também um pequeno flerte de sangue que ainda escorria, levantou ainda cambaleante e tonto, apanhou o violão com certo esforço e a bolsa, verificou se seu companheiro estava dormindo, a menina não podia dormir ali, mas podia ficar cem por cento do resto do tempo livre o importunando, ajeitou o travesseiro de forma que quem abrisse a porta teria que ir até lá verificar se não era ele que estava dormindo, abriu um guarda roupa velho, retirou alguns trapos e uma sacola, colocou tudo dentro da bolsa, e foi até a porta, abriu-a ruidosamente colocou a cabeça para fora fingindo-se sonolento na pior das hipóteses diria que ouviu algo ou que queria água seria alvo de resmungos e xingamentos e voltaria para dentro sem problemas, estava vazio saiu do quarto e colocou o violão com a capa preso aos ombros, dava menos liberdade de movimento mas tinha uma mão livre, olhou em volta e seguiu com passos lentos, caminhou entre os corredores escorando-se nas paredes, o orfanato não era muito bem vigiado, pelo menos não para quem já sabia os lugares para evitar, era muito fácil escorregar entre os corredores quando não eram observados, desceu as escadas lentamente, o corpo não permitia fazer movimentos rápidos então só contava com a sorte e um pouco de habilidade em saber os pontos certos para “escapar” parou num corredor, certificou-se que não havia ninguém e entrou no banheiro, no feminino mesmo pois o masculino estava fora de qualquer condições, lavou o rosto, limpou a ferida e o sangue seco que estava no rosto, abriu a porta lentamente e deslizou para fora, caminhou com certa dificuldades pelos corredores, virou-se bruscamente quando viu uma das monitoras de costas, escondeu-se na quina de um dos corredores ela passou a lanterna onde o garoto se escondia e caminhou até lá, ele ainda tinha um truque, caminhou sem fazer ruídos para a parte mais escura do corredor, tirou uma pedra e a arremessou numa das portas, errou, resmungou baixinho culpando os deuses por errar e quando a mulher se aproximava lançou outra, dessa vez ela acertou a maçaneta em cheio, a mulher virou-se para ver o que era, caminhou até lá e ele escorregou pelo corredor, desceu mais alguns lances de escadas em silêncio total deslizou por mais meia dúzia de corredores e ganhou a liberdade do prédio.
O jardim era bem menos guardado que o prédio, mas ainda sim continuou a andar com cautela, até poder ter certeza que ninguém o veria, tateou o chão afastando algumas plantas com as mãos, estava num ponto mais “esquecido” do jardim, havia arbustos grandes, haviam exatas doze árvores no perímetro, e ele havia contado todas, desde a distancia entre uma e outra, até como eram suas raízes tudo estava memorizado, continuou tateando por alguns minutos até que achou o que procurava, um trinco de metal, afastou as plantas e o abriu, puxou pra cima e revelou um alçapão, não sabia como o achara, mas provavelmente tropeçara ali em algum dia do inverno passado, mesmo quando a neve cobria as árvores ele tinha a mania de se “esconder” lá, era frio, claro que era, mas era muito mais calmo que a porcaria do quarto, entrou fazendo questão de trancar por dentro e desceu dois lances de escada escura sem pestanejar, passo por passo exatamente memorizado, chegou ao fundo, tateou com a mão e achou o interruptor, o acendeu, era uma sala pequena, porém aconchegante, uma lâmpada pendia presas sob fios do teto, havia um armário velho, um guarda roupa velho e alguns outros móveis que ele desmontou para fazer uma fogueira, novamente colocou algumas partes de madeira no chão onde sempre fazia, pouco afastado da lâmpada para não acertar os fios, abriu o guarda roupa, tirou uma garrafa de álcool, jogou na madeira pegando um pedaço em mãos e o acendendo com o isqueiro que levava ao bolso, pronto fogueira feita, voltou ao armário, puxou um fio de náilon subiu sob um banquinho velho, amarrou em duas protuberâncias que havia uma em cada parede que cruzava a fogueira, despiu-se e colocou a roupa para secar ao fogo, sentou próximo a fogueira com algumas roupas gastas que usava enquanto as suas secavam, tomou o diário de guerra em mãos junto com um outro caderno, apanhou a sacola e a manteve perto do corpo, se ocupando em escrever coisas aleatórias.
Abriu o alçapão lentamente para garantir que ninguém o veria, ainda teria quarenta minutos para se arrumar e ir a escola, certo ele odiava a escola, porém odiava mais aquele lugar, então toda vez que ia para escola ia com um ânimo bem grande, suficiente para ter tempo de ficar na rua meia hora antes de ir para escola, subiu as escadas rápido, aquela hora da manhã, se alguém o visse não estranharia, diria que foi fazer qualquer coisa no jardim e sairia de fininho, correu até o banheiro para fazer a higiene matinal, assim que terminou ajeitou o violão preso aos ombros, correu até seu quarto, revirou as coisas sem fazer muito barulho e achou o resto de uns trocados que ganhou por ajudar uma mulher a pegar seu gato que ficou preso a uma árvore, não era muito, na realidade não daria nem pra comprar um sanduíche com aquele dinheiro, o guardou no bolso, desceu as escadas correndo, passou no refeitório e pegou seu almoço, claro seu almoço sempre era um sanduíche com pão velho e do que menos gostava, porém era melhor que ficar com fome. Correu desviando de alguns órfãos sonolentos que saiam de seu quarto, e finalmente ganhou a rua, a manhã era fria padrão de um dia de outono, porém como choveu no dia anterior estava mais fria que de costume, caminhou pelas ruas frias, suas roupas não eram próprias para aquele tipo de tempo, estremecia cada vez que o vento gélido soprava, via pessoas saindo de casas para ir a escola bem agasalhadas, outras iam com carros, e ele ali a mercê do frio e do vento, resmungou alguma coisa, ficou andando a esmo por mais alguns minutos, dez ou vinte minutos e depois se deu conta que estava atrasado, correu o máximo que pode e conseguiu passar pelos portões antes de serem fechados, subiu as escadas três degraus de uma vez, oito lances sem descanso, entrou na sala de súbito e a viu vazia, olhou com estranheza a cena e depois se xingou, desceu mais dois lances e entrou aos tropeços a sala de música, todos os olharam de esguelha, piadinhas foram feitas baixinhas e algumas pessoas cochichavam algo que ele não se interessava, Srta. Polly o olhou, um tanto severa e um tanto divertida, fez o gesto para ele sentar alguns protestos foram ditos de que alguém que chega dez minutos atrasado não deveria poder entrar na sala, porém a professora calou todos e ele pode se sentar , deixou o violão próxima a mesa dela, já que ninguém iria lá para fazer algo com ele, agradeceu-a por permitir e sentou-se em seu lugar, que na ocasião era o pior possível seu lugar era diretamente abaixo do ar-condicionado que não fazia ficar muito agradável, tremia o maxilar enquanto a professora explicava alguma coisa que ele nunca prestaria atenção, porém como era a Srta. Polly fez todo o esforço possível para prestar atenção na aula dela.
Saiu da sala resmungando, era a aluna exemplar, como podiam fazer aquilo? Caminhou batendo os pés irritada, subiu alguns andares de escada, ouviu uma melodia talvez um violão, já estava na quarta aula não deveria haver ninguém pelos corredores, passou a frente da sala de música e estava vazia, e a melodia continuava mais acima, subiu ao quarto andar, o som continuava indo acima podia ouvir uma voz um tanto melancólica, foi se aproximando, era uma voz meio rouca, deprimida, a melodia era feita no violão tinha certeza, a melodia não era tão lenta, mas era de fato um tanto triste, subiu mais um lance de escada e chegou ao terraço do prédio, um pequeno corredor a separava do lado de fora, se aproximou cautelosa e pode ver um menino tinha as mãos o violão, tinha longos cabelos negros que voavam ao vento, tocava baixinho o violão, porém o silêncio dos corredores a baixo fazia ecoar, pode ouvir com clareza a voz do jovem e lembrou-se que era o mesmo que salvara de ter o violão quebrado um dia antes
.... got some hope
You have been told
I promise you
I have been true
Let me take a ride
Cut yourself
I want some....
De súbito ele bateu as mãos sob as cordas do violão, interrompendo a música virou-se a encarou, escondida atrás da porta — É muito errado ficar espionando as pessoas, sabia? — Disse ele se afastando dando espaço, ela entendeu o recado e saiu recebendo uma rajada de vento gelado, não entendia como ele ficava ali exposto sem ao menos um agasalho, sentou-se ao seu lado e o encarou — Também é muito errado tratar mal a pessoa que te ajuda, sabia? — Ele estreitou os olhos e franziu a testa, como se agora processasse as informações que ela disse, e então sentiu o estalo — Ah sim... Você é a menina que salvou meu violão ontem... Desculpa, você tem uma voz que no momento me pareceu de uma patricinha irritante, sou Alexander, mas não tem problema me chamar de Alex — Ele estendeu a mão em cumprimento — E obrigado por ontem salvar meu violão. — Ela riu e aceitou o cumprimento — Me chamo Amanda. — Alex parou para a observar, tinha cabelos de cor louro quase castanho, os olhos eram de um castanho profundo quase marrom, tinha pele marcada pelo sol o que dava uma cor um tanto “bronzeada” como chamavam? Ah ele não se importava, ela usava um casaco que deveria valer o olho da cara, de couro, protegia muito bem contra o frio porém estava aberto, tinha um cachecol de cor rosa, e uma blusa simples por baixo, com um decote razoável, não que ele presta-se atenção no decote porém o déficit de atenção o fez reparar em tudo, e ele não reclamou, usava uma calça jeans bem cuidada ao contrário da sua e um all-star rosa, o que o fez dar uma risada fraca. — O que foi? Sou engraçada por estar respirando? — Ela disse um tanto irônica o encarando, ele a olhou nos olhos e começou a rir novamente — Não, não é só que... Você com esse tênis, e esse cachecol e jaqueta não combinam, você parece uma patricinha metida a skatista.— Ela bufou e deu um sorriso — Minha mãe insiste em me fazer vestir assim, só que não dá, né? Se ela me colocar uma saia e um salto alto vou ficar parecendo aquelas teen leaders vagabundas! — Riram juntos, era bom ter pelo menos alguém no mundo que entendia o humor, Alex a encarou novamente — Você não é daqui... — Ela sorriu e concordou com a cabeça — Não, sou da Dakota do sul, minha mãe mudou pra cá agora em julho e.... — Ele teve que a interromper — Não, não é isso... Digo daqui, Estados Unidos... Você... Não tem características daqui. — Ela o fitou um tanto brava, talvez ele tenha tocado num assunto delicado, deuses como pode ser tão burro, irritar a única pessoa que não lhe dava um soco ou ria de si, pelo contrário tentava o ajudar, iria se desculpar se ela não começasse a falar — Não, não sou daqui... Sou do sul, sou latina... — Ele concordou com a cabeça, realmente ela tinha um jeito latino, como é que falavam? “Caliente”?
Sua mente não era programada para o espanhol, logo corou com a tradução mais rápida do que pensava sobre ela, afastou os pensamentos com um balançar de cabeça, ela o olhou — Você... é órfão né? Eu sei que não deveria perguntar mas... Seus pais? Como eram? É que... antes de você me xingar e sair andando, eu gostaria de saber, eu nunca conheci meu pai... — Ele deu um sorriso fraco, ninguém nunca se importou de perguntar qualquer coisa sobre o passado dele, o que ele sentia ou qualquer coisa do gênero, simplesmente o xingavam e o agrediam por algum motivo — Desculpe... mas não lembro, não lembro de nada, de antes dos meus dez anos de idade... Me lembro de acordar em Seatle a cinco anos atrás, e desde lá, minha vida foi bem... Um inferno parcial... — Ela iria murmurar um “Sinto muito” mais ia parecer falso demais, apenas se pôs a pensar em como mudar de assunto, e sentiu a fagulha em sua mente — Você estava tocando não é? Polly, Nirvana... Você toca muito bem... E canta bem também, fez aula de canto? — Ele sorriu, não imaginava que ele cantava bem e muito menos que aquilo saiu mais harmonioso que um gato sendo assassinado estrangulado — Não, sei lá... É natural, eu simplesmente sei que nota tocar, é estranho.... Mas espera um instante, como uma patricinha latina da Dakota do Sul conhece Nirvana? — Ela riu com um grande gosto — Ué... Não sabia? Nevermind está bombando, toca todo instante na rádio, Nirvana é uma das bandas mais famosas agora, desde seu lançamento virou febre... De ontem pra hoje, simplesmente surgiu VÁRIOS fãs de Nirvana — Ele resmungou alguma coisa, não que não gosta-se, era mérito da banda o sucesso mas os fãs do “Heavy Metal” tinham um termo dos que se faziam fãs momentâneos da banda apenas pelo momento, eram os ditos...“Posers” que posavam como fãs e no final de contas não sabiam nada, resmungou alguma coisa porém uma rajada de vento mais forte e mais frio bateu em suas costas, segurou o violão firme e virou-se para origem da ventania — Melhor agente entrar... — Recebeu um olhar questionativo, explicar o porquê seria loucura, ele achava — Depois te explico, mas vamos entrar... Também vai chover. — Ele entrou segurando a porta, assim que ela entrou, fechou a porta e tratou de trancá-la, colocou o violão na capa e prendeu nos ombros — Vem... Vamos até a sala de música da Srta. Polly, é o melhor lugar dessa maldita escola mesmo... — Ela riu, deu de ombros e o seguiu.
Ela o olhou de cima a baixo enquanto desciam alguns andares de escada — E esse estilo largado? É de propósito ou apenas... — Ele a olhou sério — Não é... “Largado” é “Grunge”, é diferente, sim é proposital... — Iriam continuar conversando assuntos alheios quando o sinal de incêndio tocou e uma manada de adolescentes saíram da salas se acotovelando-se empurrando-se e se pisoteando algumas vezes, Alex puxou-a e afastou-a da enorme confusão, entrando entre duas vigas , ela bateu em seu ombro chamando sua atenção e apontou para um menino que vinha na direção contrária — o... o.... o que é a-a-aquilo!? — Ele olhou o garoto e estreitou a vista e a imagem tremeluziu, era um homem de três metros, cabelos desgrenhados com apenas um olho grande no meio da testa, ele engoliu em seco e a abraçou firme. — Calma, confia em mim, não se mecha... Meu cheiro vai camuflar o seu... — O ciclope passou frente a eles e saiu andando resmungando alguma cosia. Amanda estava em choque, tremia ele a puxou descendo alguns andares e chegou onde ficavam os armários escolares, ele parou a frente de um destrancou-o e abriu, havia nada dentro dele, bom pelo menos até Alex abrir o fundo falso, ele tateou dentro do buraco e tirou uma adaga, tinha cabo de couro, revestido com borracha para amenizar os impactos, havia um pomo protuberante uma esfera de um metal, provavelmente bronze com a marca de um “A” desembainhou a adaga lentamente quinze centímetros de bronze muito bem afiado, girou a adaga e ofereceu a empunhadura para Amanda — Confia em mim... vamos precisar disso, é bom você estar bem armada... — Ela aceitou e embainhou a adaga murmurou alguma coisa. — Ah claro, coloca uma faca de bronze afiado na mão de uma “Patricinha” contra um ciclope de três metros de altura! Que justo!
Gargalharam e eles saíram do prédio, um urro lá encima foi ouvido, provavelmente um ciclope muito irritado que achou o alvo correndo prédio abaixo. Alex parou e olhou para ela — Assim que ele se aproximar eu vou distrair ele, você enfia a adaga nele. — Ela assentiu desembainhando a arma segurou-a firme como se segura uma faca de cozinha, o ciclope começou a correr feito um louco, balançava os punhos pulando quatro degraus de uma vez da escada, correu até eles gritando, Alex olhou para ambos os lados, não havia ninguém, suspirou cansado o ciclope socou, ele desviou para a esquerda, tocou o pulso da criatura e girou-o sob os ombros o arremessando contra o chão, ela o olhou surpresa, se ele podia fazer aquilo com um homem de três metros e cento e trinta quilos, o que ele faria com aquele garoto que o batia, lembrou-se do que teria que fazer, empunhou a adaga com firmeza não queria derramar sangue de ninguém, mas era necessário, enfiou a adaga fundo no ombro do ciclope que tentou dar um urro porém virou um pó dourado e depois sumiu, Amanda arregalou os olhos, suas mãos tremiam não acreditava no que acontecera o monstro simplesmente virou poeira de ante dos seus olhos, ergueu os olhos para o moreno que apenas arrumou uma mecha negra — Você se acostuma com o tempo... Monstros fazem isso sempre que são atingidos por bronze celestial. — Saíram do prédio quando um relâmpago atingiu o prédio o fazendo outro foco de incêndio, o portão da escola queimava, uma parte do muro estava destruída, uma chuva ameaçava cair e castigar, gritos vinham mais ao longe trazidos pelo vento forte e gelado que jogava o cabelo de ambos fortemente pro lado — Não podemos sair daqui... Tem gente correndo perigo... — Ele correu para a parte de trás da escola indo para a parte das quadras, e a piscina, Amanda o seguia com a adaga embainhada ela ria divertida — Tudo bem, então Sir. Cavaleiro Grunge! — Chegaram nas quadras, o grupo de adolescentes corriam feitos loucos, gritando e se acotovelando a uma das árvores queimavam, alguns seres voavam acima da quadra atirando ocasionais relâmpagos Amanda gaguejou olhou assustada — O-o-o que são eles? — Um deles desceu fazendo um vôo rasante buscando ela num ataque, o moreno pulou avançando tirou a mão do bolso direito da camisa e socou o monstro que virou pó dourado que saiu com o vento, tinha na mão direita, uma placa de metal com quatro espinhos de bronze igual a adaga. — O que é isso? — O Moreno virou-se para ela, primeiro verificou se ela estava bem — Ah sim... Bronze celestial, eu explico depois... — Disse ele verificaram, havia uma menina escondida encolhida sob a bancada.
Alex e Amanda correram até lá, a menina era mais nova, tinha cabelos roxos, usava uma blusa preta com uma jaqueta da mesma cor e uma calça branca, se encolhia dos relâmpagos que crepitavam acima deles — Ah ótimo... agora são DOIS meios sangue! — Resmungou ele apoiando a menina para que ela se levanta-se — Calma, eu vou te ajudar... qual seu nome? — Ela gaguejou alguma coisa, encarou-o e viu que não era tão ameaçador, apenas um garoto normal com um soco inglês feito de bronze que pulverizou um monstro de vento e raios — Maxine... Me chamo Maxine, e por favor... Alguém pode me explicar o que tá acontecendo? — Ele ajudou-a se levantar verificou se tinha ferimentos — Claro... Depois, o que temos que fazer agora é fugir... Ciclopes nunca caçam sozinhos... E também não é bem legal ficar num lugar repleto de Anemoi Thuellai... Vamos sair daqui... Sigam-me... — A menina de cabelos de cor violeta ficou estática, parada analisando — Anem... o que? — Recebeu um olhar severo do moreno e a outra menina se postou ao seu lado — Ele disse que explica depois... Eu também estou tão confusa quanto você... Também acho que ele é louco... Mas é melhor ir do que ficar aqui no meio de um fogo cruzado de relâmpagos.— Elas trocaram um fraco sorriso e seguiram-no até a quadra, um cachorro, um Rottweiler de seis meses o mesmo que Alex havia acertado uma pedra no focinho um dia atrás, Amanda soltou um gritinho agudo Maxine olhou o garoto que olhava sem entender, até que estreitou os olhos e a imagem do cachorro pequeno porte deu lugar para um cão de cerca de três metros de altura, peludo e totalmente negro com olhos vermelhos, o cão latiu, alto suficiente para fazer a arquibancada toda tremer, o moreno resmungou algumas coisas — Ah ótimo... Um simples cão infernal era já suficiente... Mas não... Seria fácil demais... Vamos mandar um cão infernal gigante! — Resmungou se sentindo ínfimo perto daquele cão com apenas um soco inglês — Certo, vamos fazer o plano, vocês correm e eu distraio ele... Assim que tiverem longe eu fujo também... — Disse decidido e avançou.
O cão infernal mordeu o ar, Alex era mais rápido jogou-se para direita e mirou bem, um potente soco na base do pescoço, teve cem por cento de certeza que acertou e os espinhos de bronze celestial perfurou o cão, afastou-se com meio salto, abaixou a guarda por meio segundo e sentiu-se tolo quando as garras do cão acertaram e rasgaram seu tórax, cambaleou, tombando sentado, a dor era tamanha que tudo que ele queria naquele instante era poder desmaiar, forçou-se a ficar de pé, tinha duas meninas que não iriam sobreviver dez minutos sem ele, e ele odiava isso, o cão veio de novo com a boca cheia de dentes pronto para acertá-lo, jogou-se para a esquerda e acertou um cruzado na ponta do focinho, o cão deslizou pelo chão, levando poeira e uma ou outra convencional parte de pedra, o moreno quase entrou em desespero, dois ataques, dois golpes com bronze celestial e ele estava inteiro e atacando, monstros comum o mísero toque do bronze já os fazia virar pó dourado e esse o resistira a dois ataques, o monstro avançou de novo, lançou-se ao chão e rolou por baixo da criatura acertou-lhe um golpe no estômago e continuou a cambalhota, era uma fêmea, muito mas muito maior que os de sua mesma espécie, ela deu um outro latido potente, ele sentiu os joelhos fraquejarem, manteve-se firme colocou a mente em ordem e antes da criatura atacar foi acertada por uma adaga pouco acima da pata direita, Amanda empunhava a adaga como uma faca de cozinha e encravou toda a lâmina na cadela antes de receber uma focinhada e ser arremessada pelo chão, o cão infernal pareceu perder o interesse no moreno por mais que ele grita-se e fizesse barulho, pateou o chão e avançou contra a menina caída, Alex correu, não foi tão rápido mas conseguiu se colocar entre o cão e Amanda a tempo de receber a mordida no lugar dela, sentiu um canino encravar-se no abdome e a outra na coxa esquerda, antes que o cão fechasse a boca e provavelmente fizesse pedaços de meio sangue ele segurou firme a orelha da cadela, a levantou expondo seu ouvido e socou, três vezes com a mão direita protegida pelo soco inglês finalmente o cão o soltou e correu com o ouvido sangrando para longe fazendo altos gemidos.
Se sentou o cansado, dolorido e ofegante, as meninas corriam até ele desesperadas, não era sempre que um adolescente de quinze anos lutava contra um cachorro de três metros de altura, era perfurado por um dente dele, socava-o com uma soqueira de bronze celestial e sobrevivia pra contar a história, levantou-se com dificuldade amparado pelas duas — Você está ferido! Vamos pra um hospital urgente! —Maxie disse o segurando pelos ombros e ele riu com gosto o máximo que podia com o abdome e o tórax ferido, tocou a perna esquerda no chão e sentiu a dor aguda cruzar o músculo, nenhum tendão ou danos mais graves — Não... Explicar que fui mordido por um cachorro de três metros é complicado... E me levar pra um hospital é mesma coisa que me atirar numa cova de leões, precisamos de algum lugar seguro... — Amanda suspirou, correu até a adaga e a embainhou correu até ele segurando-o pelo outro ombro dele aliviando a outra do peso de seu corpo — Tudo bem, eu moro aqui perto, minha mãe é advogada não vai estar em casa, agente pode ir pra lá. Tenho faixas, gases, remédios, vamos poder tentar da um jeito nesse machucado, só não sei muita coisa de primeiros socorros então se eu fizer alguma coisa errada senhor Cavaleiro do Grunge, me perdoe — Ele resmungou sendo levado pelas meninas enquanto mancava — Eu consigo me virar... Eu só preciso de algumas faixa, esparadrapo e um banho pra lavar o sangue... Se tiver isso eu aceito. — Sinceramente, isso ele não poderia dizer que odiava, na realidade aquilo era o que ele era, e ele adorava!
Fale com o autor