O Que Você Faria?

3 Segunda opção


Notas iniciais
Para os que não se deixaram manipular pela preocupação e não agiram impulsivamente, preferiram usar a lógica a seu favor, aqui está o capítulo da segunda alternativa e também o final da nossa one. Espero que gostem! ^.^

Devo pensar sobre.

Continue imaginando:

Inativo. Exatamente como se fosse a escultura de um museu, é assim que você fica por vários segundos contínuos após aquele grito. Seu coração nem parece bater, seus pensamentos encontram-se nulos. Tudo o que te mantém ligado é o grito que ainda escuta repetidas vezes na cabeça. Se um nobre trovejo não o descongelasse, assim se seguiria por um bom tempo.

Abalado, a primeira coisa que faz é observar em volta. Tenta gritar por sua mãe, mas a voz recusa-se a sair e só te deixa com uma opção: ir até lá. Uma grande onda de coragem tenta tomar o controle de seu corpo e fazê-lo ir impulsivamente para o andar superior. Seu nervosismo apenas lhe deixa mais apreensivo, e chega ao ponto em que você se move de modo vago e acaba raspando o peito do pé em um caco de vidro.

Imediatamente, você recua e observa o fino pedaço do copo que entrou de raspão em sua pele. Então percebe que deu sorte por não agir impulsivamente, pois o corte podia ter sido horrível. Num ligeiro ato você puxa o objeto cortante, atira-o no chão e atravessa para o outro lado do balcão, tentando não cometer o mesmo erro. De tão leve que foi o ferimento, é facilmente ignorado e sua atenção regressa ao grito.

Não há o que contestar: a voz é de sua mãe, com toda a certeza! Porém, algo está estranho... A um mesmo período, sua preocupação manda-o ir checar e, em contrapartida, algo em seu raciocínio o pede para não ir. Sua razão se vê embaçada por alguma coisa que você não se lembra.

— Filho!

Um novo grito. Você treme por inteiro agora, porque esse foi muito pior. Te pega extremamente desprevenido e vem junto à um clarão muito mais forte que os anteriores, algo fora do natural ocorre quando toda a cozinha fica clara por vagos dois segundos. Seus ouvidos têm a estranha sensação de que o novo chamado parece vir de uma distância não tão grande quanto foi o primeiro.

Quando passa pela sua mente suposições do que possa acontecer com a sua ente, uma lágrima fina escorre de seus olhos e um flashback repentino desperta em sua memória. Em choque, se relembra das últimas vezes que a viu... dos últimos momentos que passou com ela... Então, você se recorda da notícia que assistiu noite anterior, do plantão que sua mãe lhe advertiu ter e de, logo em seguida, ter vindo a deitar-se.

Claro! A pessoa que mais ama nesse mundo está trabalhando; cuidando da vida de seus pacientes. Em aversão, um terceiro grito ecoa por toda a residência. Você tem um pequeno sobressalto e percebe o quão mais próximo de si ele está. “Na sala!” você distingue “Está descendo as escadas!”. Mas... se a sua mãe, a biológica e verdadeira, que sempre cuidou bem de ti, está fora, quem será a mulher a te chamar constantemente enquanto se aproxima?

Ignore! Sua mente lhe grita, finalmente dando sinal de vida. Você balança o rosto, desentendido, olha ao redor e vê o retângulo escuro da porta de saída. Você se aproxima, aflito, apalpa a parede dezenas de vezes enquanto tenta encontrar a maldita maçaneta e, contíguo, deseja com toda a sorte do universo que a chave reserva esteja na fechadura.

— Filho!

Não! Sua cabeça grita. Um suor gélido já desce sem cessar por sua face pálida. Ao passo que suas mãos trabalham arduamente para encontrar o que precisa, você engole em seco com seu olhar recuado ao vão da sala para a cozinha. Sabe perfeitamente que a coisa pode estar a metros de aparecer naquela escuridão e encará-lo — ou atacá-lo.

Aquele som irritante de ferros batendo um contra o outro surge. Seu sorriso brota curtamente, você encontrou a chave! Sem perca de tempo, gira-a e destrava a porta, e eleva sua mesma mão alguns centímetros acima da fechadura e se depara com a maçaneta. Parabéns! Um ponto a mais!

Seus olhos notam as unhas secas que apontam na passagem da sala. O que quer que seja, está usando um fino e rasgado vestido branco. Você percebe as pontas avantajadas do cabelo molhado do ser, sua pele cinza como se estivesse podre e...

Quando a porta se abre em uma reação brusca, você rapidamente ignora a coisa e sai correndo. No segundo passo, sua fuga cessa ao se assombrar com um clarão imenso que corta todo o céu negro. Apesar de mais fracas, as gotas que o atingem ainda são pesadas e frias. E para lhe ajudar, a varanda de cerâmica de sua casa está totalmente encharcada.

— Filho!

O gruído vem da porta pela qual passou a pouco. Você não pensa em nada quando o escuta, apenas fita o portão a frente da varanda — que dá diretamente para uma rua não muito movimentada do bairro — e sai apressado. Embora se esforce para não escorregar, falha miseravelmente várias vezes e quase chega a cair em algumas delas. Ao firmar-se na parede com os braços, consegue manter sua caminhada mais rápida e evita a todo o custo checar sua retaguarda.

Seu peito ainda bate em disparada. Sua respiração falha começa a ceder espaço para um largo sorriso de emoção que se cria e se estende a cada metro ganho em direção às grades do velho portão de ferro. Você conclui a varanda ansioso, desce uma pequena rampa de concreto e já consegue se imaginar escalando o portão e pulando aos gritos do outro lado. Sim, como os moradores daquela rua ficavam sempre nas calçadas conversando, não demoraria quase nada para que se enchesse de pessoas preocupadas ao seu redor. E ali, no meio da madrugada, aquele pesadelo chegaria ao fim.

Você encosta as suas mãos na grade e prestes a escalá-la, sente algo pegajoso tocar a sua perna esquerda. Um arrepio percorre cada centímetro do seu corpo e te deixa inteiramente paralisado. Com um choramingo de pavor, seu olhar limita-se a se abaixar vagarosamente mediante as lágrimas que escapam pelo seu rosto. Você pensa em sua mãe, pensa em nunca mais vê-la, pensa no que era aquela coisa e o que faria com você agora... Contudo, seus pensamentos também pausam ao, incrédulo, descobrir o que o havia pego: Boby, o seu cão de estimação.

O animal, desentendido, lambia carinhosamente as costas de sua perna em busca de um pouco de atenção. Um longo suspiro de alivio enche o seu peito e seus olhos marejam. Você se agacha brevemente perante o canino e alisa a sua cabeça, cochichando algo como “voltarei para pegá-lo”. Então, determinado, se iça e escala o portão.

Ao meio do caminho, quando algo brusco lhe segura pela camisa e puxa para trás com muita força, você cai e bate fortemente a cabeça no concreto da rampa. Sente vagamente seus cabelos sendo agarrados e puxados, e é levado junto sem nenhuma reação, afinal, a colisão te deixou inativo.

Seus olhos falham e diminuem drasticamente o seu ponto de visão. Tudo está embaçado: o céu, as gotas de chuva, os raios e qualquer outra coisa que possa observar. Seus ouvidos não são mais capazes de captar o som dos trovões. E sua mente, num último alerta, recorda-o que Boby, o seu cachorro fiel, morrera há praticamente um ano — vítima de uma doença fatal.

Mas, anime-se! Quase conseguiu! Se prestasse atenção como deveria, saberia que existe apenas um método para escapar de cenários como esse. E sabe qual é? Bom, ele não importa mais, isso não importa mais. Você está morto!

Notas finais
Gente, muito obrigado por tudo, por tudo MESMO! Seus comentários, acompanhamentos e favoritos sempre me deixaram feliz, então eu só tenho a agradecer. Recebi valiosas dicas aqui, me deram inspiradoras ideias para novas "ones" como essa e também maravilhosos elogios. Sério, amo vocês! E espero, bom, que não estejam me detestando muito pelo final. >.< É que eu esqueci de avisá-los do meu lado sádico que é contra sobreviventes. XD No mais, até logo! Nos vemos no grupo oficial do Nyah! Fanfiction no face! õ/
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!