O Que Está Além de um Olhar...
28 Capítulo 28
— Ah sei lá, eu não conheço o cara, só sei que também convidaram o Rodrigo. – Luciana contava pela milésima vez ao pai.
— E o Rodrigo vai porque nessa festa então.- Jorge não de dava por convencido, pelo contrário só interrogava ainda mais a filha desconfiando de toda a situação.
— Porquê, porque convidaram papai, que tanta pergunta eu hein, olha e só uma festa e em poucas horas eu estou de volta.- Luciana afirmava já exaustivamente, diante da insistência do homem.
— Jorge chega dessa discussão. – Sueli pediu ágil, depositando o prato com macarrão que havia preparado para o jantar da família um pouco cansada da batessao de boca de pai e filha.
— Ok,ok mais volte antes da meia noite. – pediu o ex-garçom taxativo.
— Pai, eu não sou a cinderela pra virar abóbora, faça-me o favor. – Lu rolou os olhos irritadicíssima com a objeção feito.
— Pois ou é isso ou não vai em festa nenhuma com ninguém. – Jorge se manteve firme.
— Ai tá não vou discutir mais, coisa. – a moça cruzou os braços sendo obrigada a aceitar, ao menos por hora.
— Então agora podemos jantar. – Sueli os convidou com um sorriso breve.
— Vamos, vamos sim, que essa macarronada está com uma cara ótima meu amor. – Jorge concordou com água na boca, devido ao aroma da comida da mulher.
— Olha mãe aproveita, elogio de chefe. – Luciana brincou com os pais.
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Dia seguinte, na lanchonete...
— Quer dizer que o teu pai deixou você ir na festa comigo. – Rodrigo ficava extremamente alegre com a novidade anunciada pela moça.
— É deixou, mais é melhor eu pular a parte da conversa que a gente teve, meu pai acha que eu tenho cinco anos Rodrigo. – Luciana reclama, em parte chateada.
— Ih pra mim nem é isso, ele morre é de ciúmes de você, tá percebendo que você cresceu, e não tem mais cinco anos. – riu o rapaz.
— Pode ser. – a garota acabou rindo junto com o amado.
— Que bom que você vai comigo, eu nem estava com muita vontade, sozinho já nem ia nessa festa. – Rodrigo alega meio tenso, ao menos aos olhos de Luciana.
— Porque isso, olha por minha causa relaxa, a gente também não nasceu grudado e também eu confio em você. – Luciana respondeu estranhando as feições do namorado, que pareciam preocupadas.
— Não Lu, não é isso, é só uma sensação meio estranha, não sei explicar. – informou Rodrigo de modo confuso. – Vai ver não é nada, tá chegando o dia de mais um mês da morte do João, vai ver é isso cisma, tensão só. – preferiu pensar o rapaz.
— Fica assim não. – Luciana disse tentando confortá-lo com um abraço.
— Mais então é, que horas que eu posso passar lá na tua casa pra te buscar. – Rodrigo preferiu se preocupar com seu presente, não com o passado que não lhe trazia boas lembranças.
— Qualquer horário só não demora muito, vai que seu Jorge muda de ideia. – Lu brincou com o rapaz.
— Pode deixar. – assentiu Rodrigo sorridente a puxando para um beijo carinhoso.
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— Oi seu Jorge, vim buscar a Lu... — Rodrigo se surpreendeu com o sogro abrindo a porta, e por um segundo, certa tensão lhe atingiu em cheio também.
— Como assim pra que, ela não me disse nada. — seu Jorge despistou esperançoso que funcionasse.
— Ah não é que a festa... — Rodrigo tentava explicar calmamente, mantendo a seriedade o tempo todo, porém Jorge não parecia muito disposto a colaborar.
— Ele sabe sim Rodrigo, a gente já tinha conversado, não pai. — Luciana veio do quarto após ouvir atentamente quando o namorado chegou, já sendo atropelado pelo pai sem rodeios.
Jorge pigarreou tencionado, não sabendo mais como se livrar da situação. — Ok, ok, mais não voltem tarde, antes da meia- noite, Luciana minha filha este foi o combinado, e se você não cumprir... o homem se rendeu ao não ver outra alternativa, mas deixou claro suas imposições imediatamente.
— Tá pai, a gente já sabe. — Lu revirou os olhos incomodada, mas por hora não tinha muita opção.
— Tá tudo certo, a Luciana já tinha me falado, o senhor pode ficar tranquilo. — Rodrigo afirmou categoricamente, jamais pensando em discutir, ou ele teria que voltar para casa sem ir a lugar nenhum com a namorada.
— Então a gente já pode ir indo né Rodrigo. — Lu enganchou no braço do amado e achou melhor ir saindo rapidamente.
— Boa noite seu Jorge. — alegou Rodrigo se despedindo do futuro sogro com um aperto de mãos.
— Vamos, tchau pai, e não precisa se preocupar não. — Luciana o abraçou carinhoso.
— É difícil. — Jorge resmungou impactado, não crendo que estava concordando com aquilo.
— Tchau minha filha. — ele beijou sua testa zeloso.
— E você Rodrigo, cuida bem dela. — Jorge pediu em tom tranquilo, mas lançando ao rapaz um olhar voraz deixando claro para Rodrigo que aquilo era mais uma ordem, do que um pedido solicito.
— Pode deixar, com a minha vida, tchau... — garantiu o garoto, antes deles lhe darem as costas. Jorge sentou no sofá, tendo certeza de que aquela noite seria longa, interminável, até Luciana colocar os pés para dentro de casa.
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— Oi Lívia, tudo bem. — Flávia abordou a garota que conversava sorridente com o namorado.
— Oi. — a morena olhou tortamente para a outra garota estranhando toda aquela abordagem, pelo que Lívia lembrava não era nem um pouco amiga de Flávia, nunca fora.
— É então e o Rodrigo, ele não veio. — Flávia questionou, querendo ser o mais normal possível. Lívia olhou para Roger em silêncio não muito afim de responder, era claro que a loira estava se jogando para cima de seu irmão mesmo ele se dizendo totalmente apaixonado por Luciana.
— Ele foi buscar a Lu em casa, mais deve estar chegando por aí. — a namorada de Roger enfim respondeu contendo um sorriso vitorioso em seu rosto, Roger pressentiu que precisaria apaziguar a situação, porém viu-se pensativo sem muitas alternativas para prosseguir.
— Ih olha ali não é eles. — proferiu Roger os vendo de longe, suspirando fundo e aliviado ao constatar que estava sendo salvo no último minuto.
— É parece que você acabou de achar o Rodrigo, Flávia. — Lívia provocou sem se preocupar com o que a outra pensaria, falta de educação que se dane, a moça julgou incomodada... apenas quis deixar as claras para a garota que sabia qual era seu objetivo ali.
— Oi gente, tudo bem. — Rodrigou preferiu os cumprimentar aleatoriamente do que dar qualquer atenção supostamente especial a Flávia, antes que a noite acabasse ali, com Luciana e a loira discutindo.
— Vocês demoraram. — Lívia fez questão de dar dois beijinhos na grande amiga.
— Trânsito tava péssimo. — Rodrigo justificou com calma.
— Você tá linda Lu. — Lívia fez questão de enaltecer a beleza da futura cunhada, que usava em vestido azul com bordados em contraste com os sapatos de salto alto preto, e os cabelos ondulados.
— Você também tá incrível. — Luciana elogiou a amiga a altura, sem fazer muita questão de qualquer cumprimento a Flávia, ela é que não seria educada com alguém que nunca fazia nenhum gesto cordial em sua direção. Apenas se ateve a observar o vestido preto rendado da irmã do amado.
— E o aniversariante. — Rodrigo perguntou ansioso para conhecer o anfitrião misterioso da noite. Não podia negar havia algo naquele convite inusitado que lhe deixava com uma sensação desconhecida de estranheza que ele não sabia muito entender de onde vinha ou do porque daquilo. Apenas esperava que aquela noite fosse esclarecedora...
— Então o Vitor deve estar chegando aí. — Roger esclareceu a respeito do mais novo amigo.
— Gente eu vou pegar uma bebida, mais alguém quer. — Flávia mudou o rumo do assunto.
— Ah eu quero Flávia, se você fizer o favor. — Roger inocentemente aceitou o favor, quando tentou socializar com os atendentes do bar, que era tudo por conta da festa, mal foi ouvido, o movimento era gigantesco e cansativo, então por hora acabou desistindo. Mas o rapaz acabou se arrependendo instantaneamente, ao notar o olhar mortífero da namorada para ele, definitivamente a ideia havia sido a pior de todas...
— Você não veio de carro não Roger. — Rodrigo indaga taxativo, se o amigo queria farrear tudo bem, mas se fosse assim jamais deixaria Lívia voltar para casa com ele, o excesso de zelo com a irmã mais nova rendeu a Rodrigo um olhar levemente irritado, destinado ao melhor amigo.
— Não, vim com o motorista, depois ele volta pra buscar a gente, meu carro teve que ir pra oficina. — por um segundo, se não fosse a ira de Rodrigo, Roger teria agradecido o assunto ter sido cortado.
— Bom vou pegar então, você não quer nada não Rodrigo. — Flávia não se intimidou com os olhares minuciosos e calados de Luciana, que segurava firmemente a mão do rapaz, quase como um gesto evidente de posse.
— Eu to dirigindo, e se eu quiser água, eu mesmo pego. — o garoto respondeu e ainda sob efeito das farpas iniciadas com o amigo, não fez questão alguma de mudar o tom, e tentar ser cordial.
— Bom meninas, eu não vou perguntar a vocês, que é claro que vocês não tem idade pra isso. — Flávia se gabou altiva, sorrindo vitoriosa, por um segundo Lu ensaiou como seria voar no pescoço da menina, mas optou por respirar profundamente.
— Ter idade não significa querer, aposto que a Lu não vai encher a cara de bebida, só pra parecer interessante. — Lívia não conseguiu seguir Luciana e parecer que estava imune a outra garota, ao contrário rolaria ali mesmo com ela naquele segundo sem nenhum problema.
— A Flávia não vai querer carteira de identidade de ninguém, suponho. — Lu agiu irônica, porém sem deixar transparecer qualquer outro sentimento.
— Eu já venho. — a lutadora sorriu de leve saindo em seguida.
— Odeio essa garota. — Lívia cruzou os braços enfurecida.
— Ela quer aparecer Lívia, melhor ignorar, acredita. — Lu riu diante da carinha carrancuda da menina.
— Impossível, ela é intragável. — alegou ela de volta.
— Bora dançar, né gente. — Roger sugeriu, ele é que não esperaria Flávia voltar, para piorar ainda mais a irritação de Lívia que já parecia imensa.
— Ótima ideia. — Rodrigo também concordou.
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Rodrigo observava a movimentação agitada da festa, escorado em uma mesa ao longe da pista de dança, parecendo tentar juntar em sua mente um quebra-cabeças, um tanto quanto insolucionável, boate fechada somente para convidados, lista essa imensa a julgar pela quantidade de pessoas que haviam no local, o aniversariante parecia ser desprovido de pobreza, mas fazia mistério para aparecer para seus próprios convidados, vai ver ele gostava do show mesmo, de ser o centro, tal característica já o fazia não ter nada em comum com aquela pessoa que ainda era desconhecida para ele.
— O que você tanto pensa hein. — Luciana percebeu o amado completamente longe, em outra dimensão talvez.
— Em você, eu penso só em você. — Rodrigo interrompeu seus pensamentos de imediato, olhando para a namorada com um enorme sorriso, Lu e somente ela, era o motivo de seu sorriso naquela noite, e sempre seria, tudo mudaria só por Luciana estar ao seu lado.
— Pra mim pareceu outra coisa. — a morena afirmou arqueando a sobrancelha desconfiada da mentira. Rodrigo ensaiou um sorriso zombeteiro ao perceber o jeito desconfiado da garota, e a beijou com vontade antes de responder qualquer coisa.
— Te amo sabia... — declarou o rapaz sorrindo empolgado.
— Você é um belo de um tratante sabia. — Lu pressentiu a intenção dele em dobrá-la.
— Mais eu ainda te amo muito, muito... muito... — o garoto continuou a sorrir iluminado para ela, sem se intimidar com a cara fechada da moça.
— Para Rodrigo. — Lu protestou diante do abraço apertado que recebia.
— Rodrigo, tudo bem. — uma voz desconhecida interrompeu a troca de carinhos do casal, deixando os dois surpresos.
— Sim. — o garoto virou para ver de quem se tratava, sem ainda reconhecer a figura alta do rapaz que os encarava.
— Eu sou o Vitor, Vitor Samurai. — ele se apresentou simpaticamente, deixando o casal de namorados extremamente intrigados, havia uma energia desconhecida ali.
— O aniversariante. — Luciana pediu confirmação para o óbvio, já que o namorado parecia impactado demais para qualquer pergunta de supetão.
— Isso você tem boa memória... — confirmou ele aos sorrisos. — Lu... Luciana... — Acertei. — ele também parecia bastante informado, julgou a filha de Jorge.
— Que a gente já tenha ouvido falar de você, ok... — Afinal fomos convidados pra sua festa, mas e você. — Rodrigo quis entender totalmente o porque das intenções do rapaz, que tudo indicava simpático até demais.
— Pois é, eu estive conversando com tua irmã e o Roger, foi ele quem falou de vocês. — Samurai explicou cordialmente, percebendo a desconfiança evidente de Rodrigo.
— Eu admito que queria uma explicação pro convite da festa também. — o rapaz disse sem muita cerimônia.
— Eu tinha muita curiosidade em conhecer o irmão do João, ele falava muito de você. — ele exclamou.
— Você conhecia o João então. — Rodrigo quis confirmação.
— Sim, ele falava muito de você. — confirmou Vitor.
— Engraçado que eu conhecia todos os amigos dele. — pouco convencido Rodrigo continuou com o confronto.
— É, teu irmão tinha uma banda, ele devia de conhecer muita gente, não é Rodrigo. — Luciana percebendo a tensão do garoto, tratou logo de intervir, antes que algo saísse de controle.
— Eu conhecia, conhecia a Ciça também, ela vai ser mamãe agora não é. — Samurai continuou com a sondagem sem sim. Notando o incômodo evidente de Rodrigo.
— Você falou com a Ciça recentemente. — o rapaz quis saber.
— Não, um amigo em comum nosso que me contou, eu fiquei muito feliz, ela parecia ser muito apaixonada pelo teu irmão, uma pena o que aconteceu com ele. — afirmou ele calmamente.
— Ninguém sente mais do que. — Rodrigo se ateve apenas a resposta curta e ressentida.
— Rodrigo vamos procurar tua irmã, lembrei que eu tenho que falar uma coisa com ela. — Lu pediu a atenção do amado.
— Aham, prazer Samurai. — Rodrigo concordou, sentindo que precisava mesmo respirar novos ares.
— Tchau, e obrigada pelo convite. — coube a Luciana transparecer o mínimo de educação e gentileza.
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