— Olha que diria. – Luciana entrou em casa zoando os pais que estavam no sofá. – Quer dizer que namorar no portão não pode, mais se for no sofá tá tudo liberado não é pai. — a menina riu fechando a porta.

— Não falei Sueli que ela não tava dormindo coisa nenhuma, tava tudo muito quieto mesmo. – Jorge resmungou atrapalhado levantando-se e já pensando em encher a filha de perguntas. – Onde você andava dona Luciana posso saber. – o homem disse tentando fazer o sério e ignorando a provocação cheia de razão de Luciana no momento em que chegava em casa.

— Eu estava por aí, fui dar uma volta espairecer, porque não podia. – Luciana foi falando soltando as chaves sob a mesinha que havia no centro da sala, com um sorriso de alguém que comemorava muito mais, do que alguém que viu uma noite estrelada e agradável.

— Pois isso não explica nada Luciana. – Sueli não entende o jeito todo misterioso da filha, mas não pode deixar de notar que ela também estava muito feliz.

— Ah não. – Lu os encarou com ar de ironia e riu. – Pois quem tem que me explicar é vocês, o que de tão incrível aconteceu hoje pros dois estarem de namoro no sofá, e há essa hora hein. – a garota debochou dos pais, que se entreolharam sem jeito. – Boa noite, paizinho, mãe, que amanhã o dia é bem longo, fui pro meu quarto. – Luciana fugiu de responder os pais, apenas dando um beijo no rosto de cada um deles e se dirigindo a seu quarto.

— Ai esses dois... – Luciana saiu a dar risada das reclamações de Jorge e Sueli, no momento que entrava em seu quarto e fechava a porta, descalçando os sapatos. – Celular, há essa hora. – ela sorriu distraída ainda perdida em seus pensamentos quando ouviu o bipe do objeto ainda dentro de sua bolsa.

— “ Olha eu nem sei se eu devia, e muito menos ainda se você está merecendo depois de ter me insultado até não querer mais, antes da gente enfim... – Se entender, bom talvez seja uma palavra muito forte, mais boa noite e bons sonhos, espero que você me procure no colégio amanhã, se eu por acaso esquecer, mas espero mesmo que eu não esqueça... Beijos Rodrigo!!!!

— Rodrigo... – a garota repetiu o nome do rapaz ainda fitando a tela do celular. – Ai meu deus! — ela riu jogando-se em sua cama. – É um ridículo mesmo. – julgou Luciana pensando em lhe responder a altura.

— Olha se isso foi uma forma enigmática, de você me induzir a te pedir desculpas esquece, eu não vou retirar nada do que eu disse, você sabe que eu não vou. Hahaha. – Tá bom ok é, se eu lembrar de você amanhã por acaso a gente se fala, primeiro lembrete do dia, boa noite um beijo... – ela acabou respondendo de volta.

— Luciana. – Sueli chamou pela menina.

— Ah mãe, que susto. – Lu retrucou distraída, soltando o celular.

— Eu hein, o que você tem pra andar se assustando tanto. – Sueli perguntou a filha.

— Nada, caramba você invade meu quarto, quer o que. – Luciana tenta negar.

— Ah agora então você tem segredos pra nos esconder. – a mãe retrucou forçando uma cara indignada.

— Não, claro que não, eu nunca tive aliás. – Lu garante se levantando e indo até o armário pegar uma roupa de dormir para vestir.

— Então me fala filha, onde você foi. – Sueli teimou em saber.

— Eu fui no hostel, tinha um show dos meninos foi só isso. – Luciana não viu problemas em revelar.

— Ah dos meninos, ou do Rodrigo. – Sueli implicou a olhando irônica.

— É do Rodrigo, foi Rodrigo que organizou sim, inclusive ele veio aqui me chamar, algum problema, tá bom assim pra você mãe. – Luciana disse a ela com um sorriso atrevido.

— Não, nenhum, mais me diz a verdade Luciana, você tá namorando esse menino de você, não é porque esse vai e vem e volta de vocês já tem um tempo minha filha. – Sueli afirmou um pouco confusa com a relação dos dois garotos.

— Não sei mãe, a gente tem se envolvido sim, não tem porque eu negar, afinal você já desconfia. – Lu se enrolou com a resposta. – Mais eu to feliz, to feliz só isso... – ela admitiu sorridente.

— Estou vendo né Luciana. – a mulher responde meio que rindo da filha. – Mais é que você nunca foi disso né filha, de ficar nesse fica fica sem fim. – justificou ela suas desconfianças.

— É mãe, talvez esse tenha sido um pouco meu problema com o Luan né, levei tanto a sério o que a gente tinha, e nem percebi que pra ele me trair, era como piscar o olho e pronto, tava feito. – Luciana despreocupada. – E depois de alguma maneira, o Rodrigo e eu, já fomos muito taxativos lá no início, vai ver foi isso, por isso mesmo que a gente sofreu tanto quando viu um monte de problema, e nosso namoro não dando exatamente certo... –a menina disse sentando em sua cama sorrindo meio pensativa.

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— Bom dia. – Luciana foi obrigada a desejar por mais que não quisesse quando chegou ao banheiro do escola e já encontrou algumas meninas do time se trocando.

— Bom dia. – Alina respondeu ao lado de Krica que estava mais preocupada com as mensagens de seu celular.

— Amiga que bom que você chegou, eu já tava morrendo de tédio com elas aqui. – Lívia cochichou indo abraçar Luciana.

— Oi Lívia. – Luciana riu afastando-se da morena, mas ficou calada a respeito do fato.

— Minha mãe já está esperando todo mundo lá na quadra Luciana. – Alina informou cordialmente também pensando em terminar de se trocar para iniciar mais um treino de vôlei.

— Claro, pode dizer pra ela que eu já to me juntando com vocês, vou só resolver uma coisa antes de me trocar. – Luciana garantiu pondo a mochila com seu segundo uniforme sob a bancada da pia.

— Quem merece, chega atrasada, e ainda quer passear pelo colégio e a gente que tome bronca por ela também. – Dani provou a rival, enraivada por tudo que houve na noite anterior.

— É de fato Dani, eu cheguei tarde ontem, custei pra dormir, mais relaxa eu vou fazer questão de dizer pra Monique que o atraso é só meu. – Lu respondeu de maneira atravessada. – Eu já venho. – Lu comunicou não esperando uma replica da outra garota e saindo altivamente pela porta.

— Cuida tua direita Rodrigo, atenção Rodrigo. – Ruben tentava ajudar o aluno, que apenas agia distraidamente enquanto lutava.

— Oi gente, to atrapalhando. – Luciana acabou perguntando se aproximando um pouco.

— O que você acha, isso aqui é treino garota. – Flávia não gostou de ver a morena ali, principalmente depois que mais cedo escutou uma parte da conversa de Rodrigo com Ruben a acerca de um possível entendimento do casal.

— É, é treino sim, mais ainda não tá valendo. – Rodrigo agiu com ironia.

— E nem vai tá né Rodrigo você não se concentra, nunca vi mais mole. – Flávia bufou enraivada.

— É Flávia, mais como eu te disse, Taekwondo pra mim é só um esporte, não é estilo de vida, eu realmente tenho outras prioridades. – Rodrigo retrucou impaciente, livrando-se dos equipamentos de treino e logo depois fitando Luciana, que por um segundo segurou-se para não rir da cara iriada da loira pelo passa fora que havia tomado.

— Sei. – a lutadora respondeu insatisfeita.

— Me dá um cinco minutos Ruben, eu já venho. – Rodrigo pediu querendo muito falar com Luciana.

— Vai adiantar eu dizer que não. – o professou sorriu como autorização.

— E aí, bom dia né. – Rodrigo respondeu aos sorrisos ao chegar perto de Luciana.

— Bom dia só se for pra você, porque pra tua amiga ali tá puxado, achei que ela já ia partir pra cima de você com um mata leão. – Lu zoou o rapaz aos cochichos.

— Não, e também nem tem esse golpe no Taekwondo. – Rodrigo afirmou sereno encarando Luciana.

— Ah foi mal, eu não saberia mesmo, só jogo capoeira mesmo, assim nem tão bem. – Luciana ri ironicamente.

— Ahan sei, e nesse caso você gosta mesmo de inventa golpe, tipo um pé na orelha dos outros. – brinca ele. – Mais quem sabe eu ainda não te dou umas aulas. – sugere o garoto.

— É, e será que você é tão professor quanto o Ruben. – Lu retruca audaciosa.

— Quem sabe. – ele sorri.

— Ham é, eu tenho que ir mesmo, só vim passear mesmo, a Monique deve estar me esperando com as meninas e furiosa pelo meu atraso. – Luciana acaba lembrando do fato e preocupa-se.

— Vai lá. – Rodrigo consentiu alegremente.

— Tá tchau, a gente se fala. – ela despediu-se. – Ah água pra você, pra tua coleguinha chata não vir te dizer que minha presença é inútil. – Luciana ri lhe entregando a garrafa com água que havia apanhado na cantina para o garoto.

— Ah muito obrigada. – Rodrigo não resisti e ri também. – Mais antes. – insinuou ele a encarando fixamente.

— Que Rodrigo. – Luciana se perde sem compreender, e nem esperando que ele se aproximasse a puxando para um beijo.

— Agora acho que eu posso te deixar ir. – Rodrigo afirma a soltando sorridente.

— Deve né, tchau. – a garota riu lhe dando um beijo rápido e logo caminhando para fora do ginásio.