O Que Está Além de um Olhar...
14 Capítulo 14
No dia seguinte, Henrique cumpriu resignado e sem titubear o que havia prometido a Luciana, contou a todos do acidente que envolveu ele Lu, recebendo o apoio de Bia que fez questão de ajudar o rapaz quando ele lhe procurou solicitando ajuda. A maior parte dos alunos reagiu em choque com a notícia e os comentários eram gerais entre os grupos de amigos nos corredores e pátio da escola.
— E aí Henrique beleza. — Rodrigo saiu pela escola com intenção de ir até a cantina fazer um lanche, quando encontrou o outro rapaz cabisbaixo sentado em dos bancos.
— Mais ou menos cara. — Henrique respondeu um pouco pensativo.
— É foi mal, pergunta idiota a minha né. — Rodrigo percebeu.
— Olha você deve estar de cara porque eu não falei nada antes, eu toco na banda e ainda envolvi a Luciana nisso, eu sei o quanto você deve gostar dela. — Henrique foi se explicando afoito, talvez Rodrigo fosse só mais um que diria o quanto ele havia sido irresponsável. — Me desculpa, eu não queria prejudicar ninguém eu te juro, mais eu pretendo não trazer mais nenhum constrangimento a ninguém te juro. — ele disse se sentindo totalmente culpado.
— Olha uma coisa que você disse aí é sim verdade. — Rodrigo olhou para ele meio sério. — Eu gosto pra caramba da Lu, sou doído por ela. — Rodrigo sorriu com a própria confissão. — E quanto ao resto, relaxa, olha não foi tua culpa, foi só um acidente, aconteceu, e eu já sabia, a Luciana já tinha me contado tudo. — admite ele, deixando Henrique com a expressão meio confusa. — Só quero te dizer que você pode contar comigo, pra mim não mudou nada você continua sendo meu amigo, a mesma pessoa que você sempre foi, e pode esquecer também essa parada aí que você disse pro Glauco que vai deixar a banda, nem pagando tu faz isso pode postar. — Rodrigo afirmou tocando o ombro do rapaz em solidariedade.
— Olha valeu mesmo, mais acho que assim vai ser melhor pra todo mundo. — Henrique ficou tocado com a atitude do rapaz, mas não quis voltar atrás, o que piorou ainda mais quando notou os olhares desconfiados de um grupo de alunos sob eles, e o rapaz só soube continuar arredio.
— Melhor não, pior né irmão, tu já imaginou se o Glauco resolve mesmo assumir a bateria como ele tentou outro dia. — Rodrigo continua tentando convênce-lo do contrário, tomando a garrafa com refrigerante que estava ao lado de Henrique, que apenas ficou surpreso ainda mais com a atitude do rapaz.
— Teu irmão consegue surpreender até quando a gente acha que ele não consegue fazer mais isso. — Luciana acabou notando a cena enquanto observava de longe junto com as meninas.
— Eu não sei se eu teria mesmo a coragem dele. — Vera comenta em relação a atitude de Rodrigo em tomar do mesmo refrigerante de Henrique.
— Ih até parece, que o Digo ficaria com medo disso. — Lívia sabia que o irmão era esclarecido demais para perder tempo com preconceitos ignorantes. — E depois pior do tomar refrigerante de alguém que tem o vírus é trocar saliva com uma suposta contaminada. — ela disse olhando travessamente para Lu que ri.
— Você e o Rodrigo ficaram depois que rolou essa história. — Vera falou confusa e surpresa.
— Ficamos Vera, ficamos, satisfeita dona Lívia. — Luciana confirmou com um sorriso leve, mas ai encarar Lívia só conseguiu lhe sisuda devido a provocação. — Mais oh Vera se você tá com medo deu te contaminar, avisa né pra mim não chegar muito perto. — Lu discursa meio provocante, ainda notando Rodrigo e Henrique conversando.
— Não Lu, claro que não, eu só fiquei surpresa. — Vera falou se explicando.
— É isso também é pra você parar de dizer que o Digo não gosta da Lu. — Lívia defende o irmão, Vera acabou tão calada quanto Luciana, que preferiu não comprometer- se ainda mais.
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— Lu, me ajuda. — Lívia chegou na sala de aula da amiga, mal conseguindo respirar de tão apavorada que estava.
— Que isso Lívia tá maluca. — Luciana que estava mais concentrada em finalizar seu trabalho de matemática do que em qualquer outro barulho fora dali estranhou o jeito intempestivo da menina.
— O Rodrigo ele. — Lívia nervosa nem sabia o que lhe dizer.
— Ah não, você vai insistir com isso, que eu tenho que voltar já com ele, Lívia olha eu sei que... — Lu quis se explicar, procurando prever o que a amiga diria.
— Não é, a briga lá no pátio, ele se envolveu numa maior confusão, eu não sei o que fazer. — a morena falou atropelando praticamente as palavras.
— Teu irmão surtou Lívia. — Luciana proferiu alterada se levantando da cadeira.
— Eu não sei o que deu nele, mais me ajuda. — Lívia pediu encarecidamente já puxando a amiga em direção ao pátio do colégio.
— Rodrigo, Rodrigo, saí deixa eu passar. — Luciana tentou se aproximar procurando dispersar o bolinho de alunos que já estava formado assistindo a confusão. — O que tá havendo aqui, você pirou. — ela falou séria cochichando em direção a ele.
— Não, eu to ótimo Luciana, é esse idiota aí que tem que parar de julgar os outros. — Rodrigo respondeu nada paciente, lançando um olhar irritado no rumo de Marquinhos.
— Ah Rodrigo qual foi, até parece que você está confortável em ter que conviver com esse cara. — o garoto rebateu sem nenhuma paciência também.
— O que, espera. — Luciana parecia perplexa não compreendendo muita coisa.
— Não se mete confusão por minha causa, por favor. — Henrique quis intervir não querendo ver o amigo em confusão.
— Rodrigo o que é isso. — Luciana se pronuncia abruptamente. — Um circo dos horrores, ou você tá mesmo achando que ao invés de um colégio, isso aqui é um ringue de luta pros trogloditas dispostos. — Lu quis intervir nervosa.
— Lu na boa. — Rodrigo preferiu insistir que a menina não se metesse.
— E você seu idiota, não sabe que o que tá fazendo com o Henrique é preconceito, discriminação, ou pra ser mais clara crime. — Luciana respondeu ardilosa a Marquinhos, já também demonstrando irritação pelas atitudes do garoto.
— E você tem motivos óbvios pra defender ele, eu acho realmente uma afronta nós termos que conviver com esse cara. — o rapaz rebateu nem um pouco intimidado.
— Pessoas como você nem deveriam nascer mesmo, mais isso a maioria aqui já sabe. — Luciana acabou se exaltando na mesma proporção.
— É né Luciana, afinal como a gente vai saber o nível do teu envolvimento com o Henrique, pode ser que essa história de esbarrão seja somente cáo, até outro dia até em cima do Roger você deu em cima. — audacioso, Marquinhos disparou.
— E isso é mentira, eu não dei em cima do Roger, isso foi fofoca que gente como você inventou. — Luciana respondeu visivelmente irritada.
— Aí tu não tem o direito de falar assim com ela não. — Rodrigo se intromete impaciente.
— Quem vai me impedir. — o garoto provoca de volta.
— Eu vou rachar tua cara seu babaca. — Rodrigo afirmou alterado.
— Rodrigo para. — Lívia e Luciana repetiram quase juntas, procurando conter o rapaz.
— Você não tem absolutamente nada a ver com a vida do Henrique, nem você e nem ninguém aqui Marquinhos, aliás se cada um que está aqui cuidasse da própria vida, com certeza esse mundo iria ser bem melhor. — ruboriza Lu, indignada com o acontecimento.
— O que é isso deixa eu passar. — Menelau exigia entender o que se passava no pátio. — Posso saber por que ninguém está nas salas de aula. — o diretor indagou não muito cordial. — Rodrigo, seu Rodrigo...
— Menelau, você precisa fazer alguma coisa, mas não é com o Rodrigo não, e sim com o que o Henrique está passando por conta de gente preconceituosa. — Luciana respondeu nervosamente.
— Os dois pra minha sala. — instruiu ele.
— Que, não espera você escutou o que a Luciana disse. — Rodrigo agiu confuso diante da ordem.
— Isso é ridículo Menelau. — a morena também protestou.
— Eu já disse, vamos. — o diretor não cedeu.
— Melhor vocês virem comigo, o professor não esta brigando. — Idelfonso que até então só observava quis ajudar os dois alunos. Rodrigo e Luciana se olhavam impacientes, antes de seguirem Idel.
— Rodrigo, Luciana, porque que eu não posso dizer que estou surpreso com a presença dos dois aqui na minha sala, afinal de contas quando vocês não me visitam separados, os dois resolvem virem juntos. — Menelau iniciava a conversa com os dois alunos.
— A gente pode explicar. — Lu garantiu com a voz engasgada pela tensão.
— Se você estiver disposto a ouvir a gente, afinal de contas. — Rodrigo se manifestou.
— Fale, pois fale, mas não mecha nas minhas coisas. — o diretor ordenou tomando a revista da mão de Rodrigo.
— Tá bom é, foi mal, é que eu sou meio inquieto. — ele tentou se justificar, escondendo o sorriso de deboche devido às manias de Menelau.
— Rodrigo. — Lu o repreendeu, os dois já não estavam em boa situação, e o rapaz parecia não ligar, enquanto o diretor se distraía em organizar minuciosamente os papéis sob sua mesa.
— Eu acho que a gente devia de ir lá. – Roger argumentava tencionado, a respeito da situação dos amigos.
— Tá aí, eu to com o Roger, o que o Menelau está fazendo é um abuso, não era o Digo e Lu, que tinham que estarem lá dando explicações. – Lívia afirmou em apoio ao namorado.
— Então vamos agora gente. – Glauco garantiu que seguiria os amigos.
— Sei não gente, pra mim a gente vai acabar é suspenso também, o Menelau não vai poupar. – Vera temeu arrumar uma confusão para sua vida.
— É, mais se fosse você Vera, a Luciana e meu irmão não pensariam duas vezes em ir lá ajudar. – Lívia não curtiu nem um pouco a falta de coragem da amiga.
— É mais eles também provocaram né gente, tanto o Rodrigo e a Luciana são muitos esquentados. — Vera continuou receosa.
— Bom eu devia era de suspender os dois, por uma semana no mínimo. – Menelau continuava com seu discurso altivamente, diante de um Rodrigo e uma Luciana que já pareciam entediados.
— Fala sério. – Rodrigo resmungou cabisbaixo.
— O que você disse senhor Rodrigo. – o diretor o confrontou nada cordial.
— Que uma semana é muito sério, suspenso de uma semana. – Rodrigo achou melhor mesmo calar-se.
— Menelau pega leve, olha a gente só queria que o Henrique não fosse vitima de gente preconceituosa como o Marquinhos, aliás, porque você não chamou ele aqui também. – Luciana pressionou o homem, procurando ser cautelosa.
— É boa, agora eu me interessei pelo assunto. – Rodrigo a apoiou com ar de ironia.
— Irei fazê-lo. – afirmou Menelau parecendo incomodado com os questionamentos.
— Então eu acho que, você tá certo, porque é inaceitável o comportamento do Marquinhos com Henrique, isso não pode continuar acontecendo. – Luciana espalmou as mãos sob a mesa categórica com suas convicções.
— Claro, claro. – Menelau parecia desconfortável. – Como eu ia dizendo, eu devia suspender os dois, mais... – Mais Luciana, um momento, Luciana não se esfregue na minha mesa, por favor. – pediu impaciente. – Germes, bactérias, não se sabe, e esta bagunçando tudo. – afirmou ele enquanto Rodrigo ria, e Luciana não tinha paciência para o diretor. – Bom é, eu vou advertir os dois por hoje, mais claro que eu quero conversar com os pais de vocês, afinal os dois na minha sala está ficando repetitivo, não é. – informou ele taxativa. – Assinem. – Menelau pediu lhes alcançando duas folhas de papel.
— E eu continuo achando isso injusto. – Rodrigo contestou meio irritado.
— Rodrigo, assina isso logo, e vamo embora daqui. – Luciana o pressionou impacientemente lhe alcançando a caneta.
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— O Menelau é uma pessoa complexa. – Rodrigo ria da situação caminhando pelo corredor.
— Complexa, ou exótica, tirando o fato de que ele insinuou que eu não tomo banho. – Luciana ria desconcertada. – Meus pais vão me matar sabia. – comentou ela prevendo.
— E eu deveria dizer que a culpa é minha. – Rodrigo indagou com um sorriso a ela.
— Bom, se eu não aprovasse tua atitude provavelmente te acusaria muito mesmo. – Luciana sorriu de volta.
— Bom é a gente tem que ir pra casa. – Rodrigo perguntou com cara de quem a sondava.
— É, antes que o Menelau mude de ideia não é. – Luciana previu risonha.
— Tchau. – ele se despediu com um beijo demorado em seu rosto.
— Tchau Rodrigo. – Luciana ria da forma desajeitada que os dois e olhavam.
— Tchau, e é... – Foi mal pela confusão que eu te meti, mesmo. – o garoto desculpou-se sem jeito.
— Já tá virando rotina não é, mais também melhor a gente não tentar adivinhar a próxima. – brincou Lu.
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— Ai já vai. – à noite em sua casa Luciana saiu de seu quarto achincalhando o responsável pelas fortes batidas na porta e justamente naquela hora. – Calma droga... – ela gritou passando pela sala. – Rodrigo. – Lu o olhou surpresa diante da porta aberta.
— É você tava dormindo. – Rodrigo estranhou as roupas da morena.
— Sim, Rodrigo eu não sou uma vampira, você já viu que horas são, meus pais saíram pra irem na casa de uma tia da mamãe, e me deixaram, você queria que eu fizesse o que. – a menina respondeu com certo mau humor.
— Não é que, eu vim te convidar pra dar uma volta, tem o show da galera lá no hostel, a Lívia me disse que não sabia se você ia. – o rapaz exclamou.
— É, eu não ia mesmo, depois do dia de hoje o que eu só ouvi foi bronca, acho que foi por isso que cansei tanto. – Lu confessa.
— Então vamos. – insistiu Rodrigo.
— Não sei, eu já tava indo dormir, ou melhor eu já estava dormindo Rodrigo, vai você, você vai acabar se atrasando. – Luciana não soube ao certo.
— Ué te espero, não seja por isso, quer se você me convidar pra entrar né, porque aqui fora tá frio pra valer. – ele respondeu brincalhão. – Por favor, vai...
— Tá, mais você vai ter que esperar mesmo. – Luciana acabou cedendo. – Entra vai. – ela pediu sorridente.
— Pra já, o tempo que você quiser inclusive. – Rodrigo fala com a face alegre.
— Olha, que corre o risco de você passar a noite sentado nesse sofá. – Luciana provocou.
— Se você me fizer companhia, sem problemas. – garantiu ele se aproximando dela.
— Eu já venho. – Lu ignorou brincalhona correndo em direção ao corredor.
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