O Que Eles Veem Em Você? 2
18 Jogadora.
Notas iniciais
Percy era o atleta mais famoso da escola, e praticava o esporte mais famoso da escola. Mas quando sentou naquela arquibancada e viu os dois times de futebol entrando, uau, ele entendeu porque aquele esporte era o mais famoso do mundo.
Tinha um requinte diferente em estar com tantas pessoas numa “quadra” tão grande, era uma cooperação sem igual. E Percy era especialmente terrível em futebol, o que o deixava ainda mais encantado com a precisão das garotas em passar e dominar a bola.
Os dois times ficaram lado a lado, vinte e duas garotas no total. O sol estava escaldante e a grama verde e bem aparada do colégio estava queimando no sol.
As garotas usavam um uniforme bem típico de futebol, chuteiras, meias nas panturrilhas e calção. A blusa com a insignia era preta e vermelha, ao contrário do uniforme de basquete que era branco e vermelho.
Rachel estava especialmente diferente naquele jogo, os cabelos ruivos presos num coque alto, as luvas de goleira a deixando menos fresca do que Percy era acostumado a vê-la. O juiz pegou a bola e olhou em seu relógio, o jogo começaria em poucos segundos.
Luke virou-se para Percy, animado.
–Até que aqui é legal.
Percy quase não conseguiu ouvi-lo, graças o barulho do cântico da torcida e a banda tocando.
Annabeth era a camisa 11, e Rachel obviamente a 1. Percy acabou não ficando com a camisa do time de nenhuma das duas, primeiro porque recusou antes das duas puderem pedir, e depois porque Annabeth havia dado sua camisa ao Dr.Foster.
Duas garotas do time da casa sinalizaram para Annabeth e foram até o meio do campo, a bola ficou no ponto de partida e o juiz apitou alto.
O jogo havia começado.
Percy acabou se animando na hora, já que estava bem perto do gramado. A banda tocava alto, de forma que Luke e Percy mal conseguiam se comunicar. Eles também nem queriam, estavam focados no jogo.
Annabeth era atacante, pelo que Percy entendia de futebol. Na maioria das vezes estava a partir do meio do campo. Na maioria das vezes ela apenas dava um toque na bola e passava, pelo que parecia o time da casa queria cadenciar o jogo.
Uma hora, a camisa nove do outro time recuperou a bola numa destas cadenciadas, tocando para a atacante mais a frente que cruzou de primeira para a pequena área.
Rachel pulou muito alto e pegou a bola, caindo no chão para finalizar a defesa.
Percy e Luke se entreolharam, sorrindo.
–Ela é boa — foi o que Luke disse sem fazer som, apenas mexendo a boca. Percy riu, concordando. Os dois voltaram a olhar o jogo.
Tudo continuou dentro dos conformes, o time de Annabeth com a posse de bola e o outro time defendendo, só que nenhum dos dois ia muito para o ataque. Quando Percy mal percebeu o juiz apitou para o fim do primeiro tempo.
A banda começou a tocar mais forte, o sol forte devia estar matando todas aquelas garotas.
–Cara, isto ate que é legal — foi o que Luke disse, animando seu amigo.
–A Rachel é ótima, quem diria — respondeu Percy, rindo.
Poucos minutos depois as meninas voltaram do vestiário, Annabeth parecia conversar amigavelmente com alguém do outro time, enquanto Rachel dava a entrevista para Clarisse.
O segundo tempo começou poucos minutos depois, e Percy percebeu o quanto o time de Annabeth decidiu atacar mais.
Na primeira bola uma garota do meio de campo roubou a bola do time adversário, entregando ela para Annabeth que estava já mais a frente. A loira correu com ela até a pequena área, dando um drible humilhante na zagueira e chutando para o gol.
A torcida fez um “uhhh” quando a bola foi para fora.
Percy olhou para Luke, o loiro estava com óculos aviadores mas o moreno tinha certeza que eles estavam brilhando de animação.
O time de fora também começou a atacar muito mais, o que deixava o jogo corrido e de um lado para o outro. As cabeças de Luke e Percy iam para um lado e para o outro, como um lento jogo de ping pong.
A camisa nove do outro time, que por acaso era boa pra caralho, pegou a bola no meio do campo e abriu para a sua camisa onze, que fez tabelinha com a própria camisa nove que chegou na pequena área com a bola, ela chutou forte e Rachel pulou para defender, espalmando a bola para fora.
Annabeth como atacante olhava tudo do meio de campo, ela sorriu para Rachel que sorriu de volta.
Percy franziu as sobrancelhas e seus olhos cobertos pelo ray ban preto ficaram curiosos com aquele pequeno gesto. Seria ótimo se as duas se dessem bem, ou no mínimo convivessem em paz, o que definitivamente não aconteceu com Calypso.
O escanteio foi cobrado, Rachel pulou alto e tirou a bola de soco, a bola chegou até os pés de Annabeth, no meio de campo.
Ela virou para o ataque dando um drible interessante na volante do outro time, ela era rápida e foi com a bola até a pequena área, abrindo do lado com sua lateral.
O outro time corria para defesa loucamente, mas não deu tempo. A lateral devolveu a bola para Annabeth, que já estava infiltrada na pequena área.
As zagueiras voltaram correndo, tentando interceptar o chute de Annabeth, mas a loira fez um corta luz, deixando a bola passar até a sua ponta que chegava do outro lado. A camisa sete do time da casa chutou no ângulo, o gol foi bem bonito.
Percy comemorou, batendo palmas. Luke riu enquanto relaxava na arquibancada, os dois nem ao menos perceberam que haviam se levantado, assim como o resto da torcida também não.
O jogo terminou poucos minutos depois, com as garotas da casa ganhando de um a zero e dominando o jogo todo.
Annabeth e Rachel se cumprimentaram camaradamente do lado do campo, as duas com as meias já abaixadas e os coques desfeitos.
Percy foi até o campo, assim como a maioria da torcida.
–Vocês jogam muito bem — ele disse, sorrindo para as duas. Rachel e Annabeth se entreolharam, a loira acabou deixando os outros dois a sós.
–O que você acha de comemorarmos hoje? — Rachel piscou para ele, sorrindo de lado. Não ousou chegar muito perto de Percy já que estava muito suada.
–Hoje não vai dar, o pessoal vai ficar lá em casa para vermos um filme e tudo o mais, se você quiser ir…
–Oh não. Vai ter uma festa do time, eu vou com elas então.
Rachel deu uma piscadela, indo embora. Percy por fim voltou a arquibancada, Luke olhava para ele com uma sobrancelha arqueada.
–Você sabe que não pode ficar com duas garotas ao mesmo tempo, não é?
Percy deu um sorriso de lado, os dois olhavam para o horizonte.
–No momento eu não estou com nenhuma das duas.
Os dois esperaram até que Annabeth saiu do vestiário. O banho tomado e os cabelos molhados quase chegando em sua cintura.
–Você vai na festa do time? — perguntou Percy, Luke sorriu para Annabeth sem graça. Ele nunca sabia o que fazer quando estava perto de Annabeth, assim como Nico.
–Não.
E foi assim que terminou o diálogo. Os dois foram até o estacionamento, Luke e Percy atrás, Annabeth na frente.
–Porque você teve que me buscar e eu não pude pegar meu carro mesmo?
–Porque você saiu no meio da noite sem dizer nada para ninguém anteontem — respondeu Percy, quase como um irmão mais velho. Annabeth continuou impassível.
O moreno apertou o botão para destravar o carro, ela entrou e os dois logo depois. A viagem foi um silêncio desconfortável.
Annabeth olhava para a janela todo o momento, e Percy queria esgana-la por ser tão chata com Luke. Ele e ela se entreolharam pelo retrovisor do carro, Annabeth revirou os olhos.
–Como anda as inscrições para basquete, Luke? Você ainda quer fazer física robótica? — Luke olhou para trás por um momento, depois arqueou uma sobrancelha para Percy.
–Sério? Você está mesmo interessada?
–Não, estou apenas seguindo normas sociais.
Luke e Percy se entreolharam, o moreno bufou perceptivelmente.
–Ah…
E assim terminou o único diálogo dentro do carro. Percy pegou suas chaves de casa e abriu a porta, poucos segundos depois havia recebido um tapa na testa de Thalia.
–Onde você estava? — ela também deu um tapa na testa de Luke — Nós falamos que víriamos hoje à tarde.
A conversa parou quando Annabeth atravessou a porta, séria e silenciosa. Nico e Megan, no balcão do outro lado da cozinha, pareciam ter retesado.
Percy decidiu tomar as rédeas da situação.
–Annabeth, nós vamos ver um filme você quer…
–Não.
Ela olhou rapidamente para as garotas e depois subiu as escadas. Os outros se entreolharam, e lá dentro, lá no fundo Percy tinha ficado triste. Porque Annabeth não parecia voltar, nem querer voltar ao que era antes.
(...)
O sol em Nova York estava quente, o quente que batia em sua pele e queimava, o quente do começo do verão. Annabeth olhava fixamente para o sol batendo no asfalto pela janela de vidro.
–Annabeth — chamou o Dr. Foster. Ela olhou para ele — Você quer continuar falando sobre seu pai?
Annabeth voltou a olhar para a janela de vidro.
–Não.
–Não fique mal, você deu um passo muito largo desde a nossa primeira consulta, e isto foi apenas um mês e meio atrás. Você quer falar sobre a final que você tem de futebol? Será este sábado, não é?
Annabeth assentiu.
–E o time de basquete também tem a final esta semana, não é?
–Daqui a três dias, na sexta.
–Você está torcendo pelo Percy?
Annabeth pensou por um segundo, depois olhou para Dylan, que sorria de lado.
–Espera aí, isto me parece uma pegadinha.
Dylan gargalhou junto com ela. E depois deu de ombros, deixando a prancheta de lado.
–Você não fala dele desde que transaram, aconteceu alguma coisa?
Annabeth negou com a cabeça.
–Eu estou seguindo seu conselho, focando nos estudos e me esforçando com as pessoas e tudo o mais. Simplesmente deixei ele com Rachel, acho que Percy merece um bom senior year, não cuidando de mim.
Dylan assentiu, pegando a prancheta mais uma vez.
–Falando em senior year, você esteve no melhor colégio da Califórnia e agora esta num ótimo colégio elitista de Manhattan, o que não faltam é oportunidades para você fazer uma faculdade.
–Você quer saber do que eu estou planejando para depois do fim das aulas?
–Bem, só faltam duas semanas para você se formar. Espero que tenha planejado algo — Annabeth balançou a cabeça assentindo.
–Eu já passei na faculdade que queria, eles me deram a carta de admissão alguns dias atrás.
Dylan arregalou os olhos.
–Sério? Isto é ótimo. Você quer cursar arquitetura, então está indo para Yale ou Princeton?
Annabeth riu.
–Eu não quero continuar em Nova York.
–Então aonde você está indo? Você sabe, onde você está eu estou atrás.
Ela deu um mínimo sorriso de lado, olhando para a janela de vidro mais uma vez.
–Carolina do Norte, eu quero ir pra Duke.
Annabeth estava andando pelas ruas de Manhattan, querendo ou não ela continuava sendo a garota elitista de colégio elitista de Nova York. Ela arrumou sua gravata, deixando mais apertada.
Saiu andando pelos corredores do colégio, um pouco animada. Faltavam apenas uma semana para seu aniversário, uma semana para ter 18 anos e enfim estar livre.
O colégio estava naquela tensão que ela já havia conhecido no ano anterior. Era final de campeonato, agora o campeonato regional do terceiro ano. O mais importante do estado.
Todos usavam blusas e jaquetas do time por cima do uniforme, incluindo é claro os próprios jogadores.
Annabeth sentou-se no canto da sua sala, como todos os dias. Alguma festa estava sendo marcada para depois do jogo de basquete, na confiança de que o time da casa iria ganhar.
Ela também estava na final, o que era algo interessante. Percy tinha assistido todos os jogos do campeonato, e até Luke alguns com ele. Annabeth não sabia se ele iria assistir a final no sábado, um dia depois da sua própria final.
Retesou um pouco, não era para se preocupar com estas coisas. Nem ao menos estava animada com o campeonato
O professor de sociologia chegou, deixando todos quietos na turma.
–Bom dia, queridos alunos — ele deu um mínimo sorriso — Prontos para uma ótima aula?
Annabeth saiu da sua sala com vontade de morrer, era impressionante o quanto os professores tinham esta mentalidade elitista no colégio de NY. Eles sempre tentavam implantar o quão era importante fazer uma faculdade e ser alguém muito importante na sociedade. Como se fosse obrigação de pessoas com pais ricos seguirem o mesmo caminho que eles.
Ela rodou as chaves do seu carro no dedo indicador, indo até o estacionamento e abrindo a porta da sua mercedes de 68. Jogou a mochila na parte de trás do carro e girou a chave.
Ela ia embora quando viu Percy correndo até ela, ofegante.
–Você podia me dar uma carona? O meu pai pegou o meu carro — ele continuava ofegante. Annabeth assentiu.
Os dois não iam juntos para o colégio há algum tempo, Percy já estava acostumado com estes afastamentos repentinos de Annabeth. Mas por algum motivo, ela realmente parecia melhor do que no dia que chegou em casa.
Mais calma e sociável, menos Annabeth “rebelde inconsciente”.
–Você vai na final? — perguntou Percy enquanto aquecia os dois pratos de almoço no microondas. Annabeth deu de ombros.
–Não sei. Provavelmente sim.
Ele deu um mínimo sorriso, quase imperceptível. Depois ficou estranhamente sério, e acabou se sentando na mesa em frente a Annabeth.
–Eu preciso ganhar o jogo, todos os olheiros da Califórnia estarão lá.
Annabeth continuava sem expressão.
–Porque você precisa ir para Califórnia? Não é só lá que tem basquete.
–Lá tem o melhor basquete — ele tirou sua gravata vermelha e suspirou um pouco — É um pouco de pressão decidir seu futuro num jogo não é?
–O seu futuro não está decidido em um jogo — ela pegou os dois pratos fumegantes no microondas. Percy começou a comer — Você tem outras faculdades e outros sonhos, você não precisa jogar basquete na faculdade. Até porque nem é isto que você quer ser no futuro, tudo é tão dramático para adolescentes do senior year, nós temos que ter uma ampla visão do futuro, se aquilo não dá, nós podemos tentar outra coisa.
Percy olhou para ela, uma sobrancelha arqueada.
–Você quase pareceu uma adulta agora.
Annabeth deu um sorriso de lado, e os dois voltaram a comer.
A grande verdade é que Annabeth estava totalmente correta, e se não fosse por aquele conselho, Percy não teria aberto sua visão ainda mais, e nem os dos seus amigos. E então, eles não conseguiriam continuar com os destinos entrelaçados, como aconteceu depois daquele senior year.
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