O Que Eles Veem Em Você?
46 Você
Notas iniciais
Vocês devem estar com tanta raiva da minha pessoa, e eu entendo, eu demorei pelo simples fato de que não estava escrevendo e é isto, não tenho desculpas, nem nada do tipo. Demorei, e ponto. E peço desculpas por isto.
Outra coisa, duas recomendações de uma só vez? Que legal, cara! Obrigada! Eu quero agradecer a Bhiah Otoni e a blendamedeiroos pelas recomendações. E a blenda, gente, é a segunda vez que ela recomenda minha fic só que com uma conta diferente, que daora! Obrigada!!
Capitulo para vocês.
Boa leitura!
Annabeth sorriu simpática para Apolo, não era a primeira vez que tinha um jantar com ele e sabia exatamente como o mesmo gostava que se portassem a mesa: Sem nenhum pudor.
–Eu fico feliz que o Will tenha colocado juízo na cabeça e namorado alguma menina direita – Apolo disse, as bochechas de Will ficaram vermelhas, porém Annabeth riu.
–Quê isso Apolo, não sou nada disto – o que era verdade, porém Apolo fez um gesto desdém, Will que parecia ter engasgado pegou uma jarra de suco dentro da geladeira, quase morrendo de vergonha do pai.
Enquanto Will ia para a cozinha, Apolo chegou um pouco mais perto de Annabeth, como se fosse lhe contar o pior dos segredos.
–E aí? Meu filho é um bom namorado? – Annabeth não fez nada além de rir, ela chegou mais perto de Apolo, como se fosse lhe contar outro segredo em troca.
–Nunca tive um namorado melhor – ela disse com um sorriso grande, pensando em certa forma, se fosse para imagina-los juntos, Annabeth conseguia visualizar um bom namorado, realmente.
–Mas, como ele é? Imaturo demais? Tímido demais?
–Ah não! – Annabeth limpou a boca com o guardanapo – Will é o garoto mais maduro com que eu já namorei, e não é nenhum pouco tímido – a loira olhou um pouco em direção a Apolo – Creio eu que puxou isto do pai.
Apolo riu.
–Sem sombra de dúvidas! – Will havia voltado, fazendo com que Apolo e Annabeth afastassem-se um do outro, ele limpou a garganta e mordeu o lábio inferior. Não sabia mais o que fazer para tentar não parecer tão nervoso. Annabeth não era nada mais do que sua amiga, e mesmo assim nem quando apresentou uma namorada de verdade, Will parecia tão nervoso.
–Você sabia que a Annie já conseguiu pontuação para uma universidade? 2.100 — Will disse, Apolo olhou impressionado para uma Annabeth com as bochechas vermelhas.
–Muito bom.
–Não é nada demais – era sim, mas Annabeth decidiu ser uma garota humilde.
O jantar correu mais rápido do que a própria Annabeth imaginou, ela descobriu que passar o tempo com Will não era nada pesaroso, como acontecia alguns anos atrás, e que ele, como o pai, eram pessoas boas e legais.
Quando deu a hora de ir embora, ela sentiu que havia conseguido ajudar Will de alguma forma, o pai o olhava com brilhos nos olhos que Annabeth reconhecia sempre quando dava uma nota boa para sua mãe.
Will a levou até a porta e os dois sabiam que Apolo olhava despistadamente, o loiro colocou as mãos nos bolsos, um pouco nervoso.
–Obrigada- ele sussurrou, Annabeth riu.
–Não foi nada demais, na realidade foi bem divertido – os dois ouviram um “beija, beija”. Annabeth franziu as sobrancelhas, risonha, porém Will fechou os olhos, com as bochechas vermelhas de vergonha.
–Você não ia arrumar a cozinha não, pai?- gritou Will enquanto andava e fechava a porta atrás de si, ele sabia que pela janela, Apolo continuava olhando. Os dois andaram até o carro, Annabeth com um sorriso divertido, e Will com as bochechas vermelhas de vergonha. – Obrigada de novo, a noite foi legal.
Annabeth assentiu enquanto abria a porta de seu carro, ajeitou a saia e olhou pela janela, onde Apolo olhava tudo com um sorriso no rosto. Então balançou a cabeça, ainda mais pesarosa.
–A gente tem que fazer isto direito – ela o puxou pela gola da camisa, invadindo com sua língua na boca dele, demorou, mas Will correspondeu. E correspondeu bem, colocou uma das mãos na bochecha de Annabeth enquanto que com a outra colava seu corpo ainda mais com o dela.
Annabeth separou-se dele ofegante, com as bochechas vermelhas porque só queria ter dado um beijo rápido.
–Tchau – ele disse com um sorriso de lado, também ofegante. Annabeth sentou-se no banco de motorista, olhando para ele enquanto mordia o lábio inferior.
–Tchau. – Will se virou com certa vontade de não fazer isto. Annabeth olhou para ele andando devagar e riu alto, fazendo-o se virar- Vem cá.
Ela saiu do carro de novo, adentrando com seus dedos longos nos cabelos loiro dourados de Will, que a pressionou contra o carro, beijando-a com mais avidez. Apolo, dentro da casa, não podia deixar de rir.
*
Annabeth olhou para Will, que olhou de volta para ela, então os dois acabaram sorrindo, estavam na frente da escola, e já havia batido o primeiro sinal, mesmo assim não sabiam o que fazer.
–Vão achar que eu estou querendo fazer ciúmes no Percy com você – Annabeth disse, enquanto olhava o seu relógio de pulso, estava atrasada. Will deu de ombros.
–Eu não ligo de ser sua cobaia – a loira revirou os olhos, enquanto olhava para frente. Então Will acabou revirando os olhos de raiva e ficando na frente dela – Se a gente ficar junto ali não será muito diferente do que está acontecendo realmente... Na vida real.
–Quê? – Annabeth quase riu.
–Tá, olha, a gente tá realmente ficando... – ele respirou fundo – Nós não precisamos dar explicação para os outros do que está acontecendo com a gente. Estamos ficando, eu gosto de te beijar, você gosta de me beijar, só que nós aumentamos um pouco as coisas com o meu pai, foda-se.
–Aumentamos um pouco?- Annabeth cruzou os braços, Will deu de ombros novamente.
–E estamos aumentando um pouco esta versão da história, mas se analisarmos friamente é exatamente isto que está acontecendo – ele olhou para trás- E nós estamos atrasados pra caralho, então você tem alguma desculpa para dar pra supervisora?
–Nós podemos falar que estávamos na redação.
–Mas para isto nós temos que ir para a entrada da esquerda – Annabeth deu de ombros, indo para a redação em passos lentos. – O que você está fazendo?
–Eu quero perder o primeiro horário. – ela abriu a porta da redação, que provavelmente agora estava sem ninguém – Tenho química e minha dupla é Percy.
–Triste, fazer misturas com o ex, os velhos tempos da bomba de cor.
–Retardado – Annabeth disse rindo, enquanto olhava para os computadores de um lado para o outro, então viu um ligado e achou estranho, até porque era uma segunda feira e a redação só iria funcionar a partir das 11.
–Ei, este não é o computador da Clarisse? – perguntou Will com os braços cruzados, Annabeth olhou para ele desconfiada.
–Como você sabe?- ele apontou para cima, onde estava escrito “editora-chefe”, a loira semicerrou os olhos, então mexeu com o mouse, fazendo com que a tela brilhasse novamente.
Quase caiu para trás de susto quando viu ela mesma naquele computador. Se aquilo poderia ser ela, realmente. Estava em seus últimos meses em Los Angeles, com aquele grupo de pessoas estupidas com quem sempre andou, tinha um cigarro de maconha na boca e estava numa aparência definitivamente horrível, olhos fundos e vermelhos, extremamente magra, pele branca demais e cabelos sem vida nem cor. Will arregalou os olhos.
–Meu Deus, Annabeth, você era viciada? – ele olhou para ela rapidamente, a mesma engoliu o choro.
–Eu achei que todos na empresa já sabiam disto.
–Não, não, nunca – Will a encarou por uns segundos, confuso – Porque a Clarisse tem isto?
–Eu não sei. Realmente eu não sei – ela se sentou na cadeira, então sua expressão de choro ficou para puro ódio – Mas ela não vai ter mais.
Então excluiu aquela foto, pegou o nome dela e procurou por cópias no computador, havia mais duas, e então excluiu definitivamente todas elas. Will olhava tudo calado enquanto via todo aquele processo ser feito, quando Annabeth terminou, ela colocou as duas mãos na testa com raiva de si mesma.
–Isso vai me perseguir pra sempre.
–Claro que não! Eu era um magricela ridículo, e nem por isto continuaram com o bullying para cima de mim – Annabeth quase riu, enquanto se lembrava do quanto Will era magro, baixo e branco. – Claro que isto é atribuído a minha gostosura máxima de agora.
–Retardado – ela disse novamente, enquanto sorria.
–E eu não sei por que a Clarisse tinha isto, mas eu duvido que ela fosse postar no jornal.
–Pois eu não – Annabeth se levantou de súbito, então ouviu o sinal do segundo horário tocar, chamuscou a boca. – Não mesmo.
Will seguiu uma loira com os passos mais pesados e rápidos que ele viu na vida, ela entrou nos corredores do colégio com certa raiva, enquanto ia sem pestanejar em direção ao corredor de Clarisse. A morena estava guardando os seus livros quando Annabeth a atacou.
–Que isto?- Clarisse disse enquanto caía no chão, Annabeth tinha as bochechas vermelhas e deu um tapa na cara da morena, e depois mais um e mais outro. Não demorou muito para Clarisse dar a volta e fica por cima dela, segurando-a pelos pulsos, Annabeth deu uma joelhada em sua barriga, trocando novamente as posições.
–Porque você é assim, hein? O QUE EU TE FIZ?- Will tirou Annabeth de cima de Clarisse, porém ela se soltou dos braços do loiro e foi para cima da morena novamente, dando um soco em seu nariz – É porque eu peguei seu ex-namorado, é? Eu tentei te ajudar naquela merda daquela brincadeira, mas o Percy tinha razão, você merece ser humilhada sempre!
Percy olhou para aquilo confuso, Will nunca conseguiria fazer Annabeth ficar calma, não porque ele não era forte o suficiente, mas porque Annabeth tinha que perder o foco para não falar besteiras, Percy já sabia disto há muito tempo.
–Eu vou te matar, eu juro que vou te matar- Clarisse parecia atordoada, enquanto uma multidão gritava “briga, briga, briga” como loucos. Percy correu para frente de Annabeth, então colocou as duas mãos em seus ombros os apertando com força.
–Ei, ei, ei, ei – ele olhou em seus olhos – Fica calma, ok? Se você brigar, eles só vão querer saber o motivo pelo qual você está brigando... – Annabeth piscou. Quase como se estivesse outra alma em seu corpo. Então seus ombros caíram de uma só vez.
–Annabeth Chase! – gritou a supervisora com sua voz estridente, Percy e Annabeth fecharam os olhos- Will Solace, Percy Jackson e Clarisse Le Rue. Todos na diretoria! AGORA!
*
–O Percy e o Will não tem nada a ver com isto, eles só estavam tentando me acalmar, é tudo culpa minha na realidade, pode dispensa-los- Annabeth começou, o diretor Figgins olhou para Clarisse.
–Você apoia esta versão, senhorita Le Rue?
–Porque ela falaria a verdade e eu não? – perguntou Annabeth com raiva, apontando para a morena, o diretor a parou com um gesto de mão.
–Porque ela foi atacada por você, Srta. Pathernos.
–Será que tem como parar de me chamar por esse sobrenome? – ela fechou os olhos, Percy olhou para ela quase ressentido, deveria ser triste pararem de chama-la pelo sobrenome Chase, não só porque sua mãe havia pagado a escola para isto, mas pelo fato de que parecia que Frederick não existia mais para Annabeth, era apenas uma mera ilusão.
–Sim, eu concordo com a versão da Chase – Clarisse ressaltou, tentando acabar com aquela discursão, ao contrário de sua tradicional pose, ela estava com os ombros abaixados, os olhos vagos, como se tivesse culpa de alguma coisa. Mesmo ninguém sabendo o quê.
–Então, Sr. Jackson e Sr. Solace, deem licença, por favor – os dois se retiraram prontamente, Percy deu uma olhada em Annabeth, era a segunda vez em uma semana que ia para a diretoria, ele a via se declinando e estava virando as costas, apenas naquela hora ele havia descoberto aquilo. O diretor Figgins olhou severamente para Annabeth – Várias pessoas testemunharam contra a senhorita, Annabeth, alegando que você não apenas atacou a Srta. Le Rue, como atacou sem nenhum tipo de pretexto óbvio, estou correto ou não Annabeth?
–Sim, você está correto – a loira disse fria, com os olhos para frente, o Sr. Figgins assentiu.
–Severas medidas serão tomadas, eu não sei como funciona o sistema do colegial em Los Angeles, mas por aqui dois comunicados em uma semana levam a suspensão, e você está três dias suspensa do colégio. – Annabeth não falou nada, apenas assentiu. — Além disto, pedirei para a secretaria entrar em contato com sua mãe, pois terei eu mesmo uma conversa particular com ela, e daqui a três dias, quando puder voltar à área deste colégio, irá ir para a pedagoga, onde poderá discutir sobre seus distúrbios de violência.
–Distúrbios de violência? – Annabeth estava cética, quase irônica.
–Primeiro o ataque ao capitão do time de basquete, e agora o ataque a nossa editora-chefe da redação, não são motivos o suficiente para você?
Annabeth se levantou, com certa raiva, e então saiu da diretoria, sua raiva era tão grande que ela nem sabia de quem exatamente estava com raiva. Não deu um mínimo olhar para os dois garotos sentados, esperando-a, não propositalmente, mas sim pela cegueira do ódio.
Três dias fora, e algumas decisões necessárias a serem tomadas na sua vida, era isto que Annabeth precisava, talvez.
*
Era o segundo dia seguido em que não ia para o colégio, era uma tarde ensolarada de terça feira, em que Annabeth quase se sentia feliz por estar suspensa. Muitos pensamentos rondavam sua cabeça e isto a fazia ficar extremamente confusa, coisa que não era muito normal de sua parte. Então ela decidiu reorganizar seus pensamentos e deixa-los numa linha de importância em sua mentalidade.
Primeiro, ela necessitava de estudar mais arduamente, um ano marcado com namoro, briga, mudanças e separações não era exatamente um bom cenário para uma estudante de ensino médio, sua primeira decisão era tentar apagar todas essas manchas em idas a diretoria e mostrar enfim todo seu potencial.
Seu segundo pensamento era se decidiria ficar com o pai ou com a mãe, faltavam apenas duas semanas para toda esta decisão e ela não fazia ideia com quem ficar, não só pelo fato de que amava os dois imensamente, mas sim porque as coisas que a pesavam a ficar em Nova York estavam começando a desaparecer: Suas amizades, seu namoro, a única coisa que restava era a boa integridade e relação com a mãe. E isto pesava mais que qualquer outra coisa. Mas a sua linha de raciocínio era que não deveria pensar muito nisto mais, e sim olhar nos olhos do pai e da mãe na hora do divórcio, e descobrir qual olho brilhava mais para ficar este um ano com ela.
E terceiro, e para ela, o menos importante, ela precisava reestabelecer sua vida amorosa, de uma hora para outra tudo deu uma reviravolta muito grande, ela amava Percy e namorava com ele de forma estranhamente pacifica, depois eles simplesmente descobriram o que não deviam um do outro e deram um tempo, e depois disto um ódio descomunal reencarnado do começo do ano havia voltado, e Percy era a última pessoa para que Annabeth queria olhar naquele momento. Aí veio Will, o garoto com quem perdeu o seu BV, ele que havia sido extremamente sincero com ela, e que quando todos viraram a cara ele esteve ao seu lado, era engraçado, um tanto tímido e um pouco cafajeste, e não tinha uma menina que recusaria estar ao seu lado. No último fim de semana, os dois estabeleceram a relação de que não teriam relação, e até ali tudo estava ótimo. A não ser pelo fato de que Annabeth pensava em Percy todas as noites antes de dormir, e naquela manhã anterior, quando ele olhou em seus olhos, ela sentiu aquela coisa que mais odiava sentir quando estava perto dele, as mãos formigando e tremendo, a perna bambeando, o coração bombeando sangue mais rápido que o normal, e os braços arrepiando. Ela tinha quase uma sensação tão forte quanto um AVC, o que não era nada normal. E depois daquilo todos os seus sentimentos pareciam ter se misturado como água e açúcar, e ela não conseguia mais diferenciar nada.
Quando ouviu a campainha sendo tocada, colocou o chocolate e todos os seus pensamentos de lado, andou em passos lentos e pesados, enquanto sentia raios solares invadirem sua pele, tentou arrumar rapidamente o cabelo, mesmo não ligando exatamente para sua aparência, e então abriu a porta. Franziu as sobrancelhas e quase deu um sorriso.
–Megan? – ela perguntou, quase que surpresa, a morena estava com os braços abaixados e os olhos um tanto vagos, parecia triste. Algo que não acontecia toda hora, então levantou o olhar.
–A Thalia está tentando achar uma vaga lá embaixo – ela disse em voz chorona, Annabeth olhou para a janela, mesmo sendo praticamente impossível ver o carro de Thalia daquele andar.
–Entra – ela disse dando passagem, Megan mal havia entrado quando começou com uma série de palavras sem nexo.
–Meu Deus, Annie, me desculpa tem quase um mês que eu não falo com você e você deve estar com muita raiva de mim, eu estou com raiva de mim, mas eu estava com medo do Nico e que ele ficasse com raiva de mim e acabasse o namoro, e Meu Deus você sabe se cuidar melhor que o Percy, ele é o tipo de pessoa que não consegue ficar sozinho ao contrário de você mas não é desculpa, sério me desculpa.
–Meu Deus, Megan, calma! – Annabeth sorriu – Eu não estou com raiva de você, na verdade eu já havia deduzido tudo isto e você tem razão em dar prioridade ao seu namoro que ficou conturbado, ok?
–Não tenho razão não! Eu e Thalia fomos muito estupidas, quer dizer, nascemos e crescemos juntas, você é a prioridade, sempre. – Annabeth abraçou Megan, rindo sinceramente.
–Eu sei disto, mas eu me afastei, não foram vocês que me afastaram ok?- ela olhou para Megan, que estava chorando sem querer.
–Desculpa, desculpa – Megan deu pulinhos de raiva –Eu sou muito idiota mesmo, e agora você está suspensa, desculpa!
–Eu estar suspensa é culpa minha não sua, e não tem o que pedir desculpas, mas se você quer pedir, então eu te desculpo. Tudo bem? — Annabeth ouviu passos do lado de fora e se virou bruscamente.
–A Megan não é a única que você tem que desculpar – Thalia disse enquanto passava a mão pelos cabelos coloridos – Você sabe que eu não sou a melhor das pessoas no quesito “demonstrar afeto”, mas se eu pudesse fazer isto, então eu te diria que estou extremamente arrependida.
–Eu sei disto – Annabeth parecia severa, de uma hora para outra havia mudado da água para o vinho. E Thalia sabia por que, infelizmente. Megan era a garota ingênua que cometia erros com a mesma frequência com que respirava, não era de se esperar que ficasse confusa para que lado tomar, mas Thalia era a garota ativa anti-padrões que não deveria, e não podia ficar do lado do namorado num momento como aquele. Ela era a garota do botão “foda-se”, e partir do momento que ela não fazia isto, Annabeth sentia que havia certo declínio entre a amizade das duas.
–Eu fui na onda do pessoal e acabei sendo tudo aquilo que eu não nunca quis ser, você sabe, que vai com os outros.
–Eu sei disto também – Annabeth respondeu enquanto olhava para ela, então respirou fundo. O seu quarto proposito, e para ela o mais importante, é que estava na hora de deixar todas as mágoas para trás e se renovar, ela estava caminhando para seu último ano de colegial e se fosse para estraga-lo com coisas pequenas não tinha o porquê dela se preocupar tanto para que lado iria: Los Angeles ou Nova York. Então Annabeth acabou suspirando e dando de ombros:
–Vocês são as minhas amigas e não vai ser isto que vai me fazer parar de ser amiga de vocês, então será que tem como apenas darem um abraço coletivo em mim e acabarem com esta baboseira logo? – Annabeth sorriu de forma singela, enquanto abria os braços.
As garotas acabaram abraçando, e Megan mais uma vez chorou, então Annabeth se sentiu mais aliviada, e definitivamente deveria fazer isto mais vezes: Essa coisa de dar o braço a torcer.
*
Percy passou a mão na bermuda enquanto ia para o estacionamento ao ar livre do prédio, olhou para seu Maserati azul e sorriu apaixonado, aquela era a sua maior paixão fiel, estava com o balde de sabão e uma bucha do outro lado, pronto para lava-lo.
Olhou fixamente para uma Annabeth com os cabelos soltos, ela tinha um óculos aviador com a armação dourada, e parecia concentrada em arrumar alguma coisa no carro. Percy olhou para seu short curto e a camiseta branca colada em seu corpo, então andou para o seu lado, onde estava o seu próprio carro. Annabeth não pareceu nota-lo, continuou arrumando algo em seu carro e Percy só conseguiu ver suas mãos e parte de seu braço sujos de graxa.
–Dando uma geral no motor? – Percy perguntou enfim, enquanto passava a bucha cheia de sabão na porta do carro. Annabeth olhou para ele surpresa, fazendo com que seu óculos caíssem rapidamente para seu nariz, mostrando seus olhos cinza tempestuosos.
–Não foi você que me disse que eu precisava dar uma geral?
–Isso foi há tanto tempo, não sabia que você iria se lembrar – Percy olhou de esguelha para ela, enquanto continuava a esfregar o carro – Mas a embreagem não está muito boa, como eu disse aquele dia.
–Eu percebi, dei uma arrumada nela agora, mas acho que vou ter que levar num mecânico mesmo, na verdade eu vou ter que dar uma geral um pouco mais drástica neste carro – Percy riu, não fazia nem ideia porque estava discutindo sobre carros com Annabeth, mas mesmo assim parecia um tipo de símbolo para demonstrar que os dois haviam se entendido.
–Mas antes de levar para um mecânico é melhor ver algumas peças- Percy foi para seu lado, olhando-a de perto, então desviou a cabeça para o motor, sua voz ficou mais rouca que o normal – É normal trocarem as peças velhas para peças mais atualizadas, isso vai fazer com que o carro não funcione perfeitamente, a sua Mercedes é de 68, tente peças originais de fábrica, talvez daquela época, mas bem conservados, ok?
–Eu acho que entendi – Annabeth disse sorrindo, enquanto limpava as mãos sujas de graxa- Na maioria das vezes eu não te entendo, mas sinto que a intenção é boa.
–Sempre foi — ele respondeu, enquanto olhava para ela um tanto recuado, ela estava bonita, e ele estava simples, a blusa cinza era praticamente de pijama e o chinelo de dedos não era a coisa mais elegante do seu armário.
–Eu sei disto, mas às vezes eu sou cabeça dura e não entendo.
–E eu sei disto – respondeu Percy- Mas eu entendo, é uma questão de carinho, você quer saber um pouquinho mais sobre mim.
–Mas eu não sabia como seria sua reação – Annabeth respondeu, então viu o quanto divagaram – Quer dizer, a reação do carro.
–Claro, é uma coisa totalmente instável – Percy cruzou os braços encima do peito – Mas nunca seria instável com você.
–Eu fui meio burra neste aspecto – ela disse, enquanto via Percy ficar na sua frente, as duas mãos dele foram para a capota do carro, rodeando-a e pressionando-a contra ele.
–E eu também sei disto – Percy riu – Mas eu gosto de você assim. – Annabeth olhou para os olhos verdes curiosa, querendo ler seus pensamentos, por fim, não conseguiu.
–O que você está pensando?
–Eu quero te beijar agora – ele respondeu rapidamente, sem devaneios – Mas eu não sei se você deixaria.
Annabeth não respondeu, passou as duas mãos pelo peitoral de Percy e parou na sua gola, puxando-o para ela, e então os dois trocaram um selinho mais demorado que o normal, fazendo-o virar um beijo de língua de forma automática. As duas mãos de Percy foram para a cintura dela, pressionando o corpo da loira contra o dele ainda com mais força, e as duas mãos dela foram para seus cabelos negros.
Quando Annabeth se separou dele, viu seus olhos verdes brilhando, o brilho que ela queria ver em seu pai ou sua mãe na semana do julgamento, então não teve mais dúvidas sobre várias coisas.
–E agora? – Percy perguntou, enquanto olhava para os olhos cinza. Annabeth olhou de volta com a mesma intensidade.
–Eu não sei — ela acabou respondendo – Mas parece que tudo é você.
Notas finais
Creio eu que não tem nem dez capítulos para o fim desta fic, isso aí minha gente, tá chegando na reta final, e nos capítulos que eu mais estava ansiosa para escrever, finalmente. kkk
Deixem seus reviews, eles são super importantes para mim.
Beijos e até o próximo! =)
Fale com o autor