Notas iniciais
MICKEY TOMAS

Correr para todos os lados teriam o mesmo resultado, a Ilha tinha incontáveis quilômetros quadrados, cercada por arvores gigantes, várias espécies de plantas e rochas enormes. Os cabelos pretos estavam chamuscados, a camisa havia sido deixada de lado fazendo com que seu corpo magrelo e levemente definido ficasse a mostra, a calça azul bebe estava rasgada, praticamente tornara-se uma bermuda, ele corria descalço pisava em lama e tropeçava em pedras, havia algo incomum naquele garoto não só sua face que transmitia medo como um par de aglomerados de penas jaziam em suas costas, eram asas, brancas, onde mesmo presas por um suporte metálico, mediam pouco mais de um metro e noventa, Mickey Tomas tinha Dezesseis anos, e já havia contado quatro anos dentro daquela prisão, encarcerado, submetido por experiências e doses diárias de injeções e remédios, agora, o motivo para tudo isso? Ele não sabia. A terra úmida, muitas vezes engolia seu pé, mas a adrenalina, o medo e a vontade de se tornar livre deixavam a lama e a dor de alguns espinhos que pisava de lado. Ele não pensou direito, mas foram quase quinze minutos para os alarmes da Prisão soarem, um som agudo crescente e ritmado ecoava do centro da ilha, Mickey tentava ignorar, mas era quase impossível, o som o deixava cansado, era Cícero, um dos guardas, ele tinha um poder favorável à músicas, ele a manipulava, entregando sentimentos e emoções distintas.

Minutos depois dos alarmes, Mickey chegou a praia, a imensidão azul estava a sua frente refletindo a lua e estrelas, a areia entrava em seus dedos e um frio agradável batia, o som ainda corria pelos seus ouvidos, ele levemente fechou os olhos, aquilo o tentava a deitar-se ali mesmo e descansar, mas não, sabia que era influência do indutor de sentimentos, seu poder se tornava quase inútil quando a vítima conhecia o dom mas não impedia de deixar leves rastros de emoções no corpo do jovem anjo, agitou a cabeça e voltou a correr pela praia. A cada passo, o volume em suas costas lutava contra o pedaço de metal, as asas se contorciam em uma tentativa inútil de se tornarem livres novamente, ele lembrava o quão difícil era dormir sem poder escondê-las em seu corpo.

A areia estava começando a atrapalhar sua corrida, ele sempre a chutava, aquilo diminuía suas forças e a cada segundo ouvindo os sonetos de Cícero o tentava a desistir, mas isto estava fora de cogitação. Ele pensava, Fugir não é uma opção. Uma bola de energia azul passou a sua frente, acertando a areia.

Mickey Tomas parou de correr no mesmo segundo, ele não mexia um músculo, o pavor voltou a percorrer seu corpo, um homem a sua direita seguia em sua direção, ele vestia um uniforme que aparentava ser couro, um peitoral cinza e um cinto de utilidades, Ele segurava uma arma, parecida com uma metralhadora, ele não sabia.

O vigilante andava pela areia, cada vez mais próximo de Mickey que estava paralisado, visivelmente abalado, com medo.

— Me mate, eu imploro. Foram suas Palavras, pensava ser as últimas. Ele se ajoelhou na areia. – Não quero voltar, Não vou!

O vigilante mascarado o encarou, ele apontou sua arma para o anjo, ele apertou levemente o gatilho, uma luz azul claro surgiu de dentro da arma, a luz fumegava por suas extremidades, uma energia incomum. Mickey fechou os olhos, escutou tudo que podia, as ondas se quebrando, o vento levantando a areia, a música de Cícero, já ignorável, e as árvores batendo umas nas outras, o som da arma caindo na areia o fez abrir os olhos.

— Idiota, Como você fica engraçado quando está com medo. O vigilante gargalhava, tirou seu capacete, revelando seu rosto branco e quadrado, cabelos curtos e pretos, penteados para o lado direito pequenos olhos e lábios carnudos, Jordan Paine tinha dezoito anos.

— Jordan! Gritou Mickey Tomas.

— Eu disse que viria busca-lo. O vigilante, cambaleou para trás quando Mickey se jogou em busca de um abraço.

— Deixamos os abraços para depois. Ele o afastou.

— Ok! Agora tira essas coisas de mim por favor.

O anjo deu alguns passos para trás e ficou de costas para Jordan.

— Aí está bom.

Jordan tirou as luvas, suas mãos grandes e ásperas, tomaram distancia uma das outras, ele abriu seus braços e em um “baque” as duas se chocaram criando uma espécie de onda que circulou em volta deles, ondas sônicas.

A primeira onda mandou Mickey dar alguns passos para frente, a segunda o desequilibrou, caiu no chão.

— Calma Jor... — Antes que pudesse completar a frase, Jordan deu um grito abafado, ele batera as mãos uma terceira vez, o que fez o metal se retorcer o suficiente, para as asas de Mickey as quebrarem quase instantaneamente.

— Obrigado não é?

Mickey Tomas pousou suas mãos na areia, empurrou seu corpo pra cima e se levantou, suas asas se abriram, se esticaram, estavam se espreguiçando, Mickey lembrava que as únicas vezes que removeu aqueles aparelhos fora nos testes de batalha, dentro da prisão. Cada asa tinha algo próximo a três metros, ele as bateu contra a areia, O anjo flutuou, ele as bateu novamente e quando percebeu, já estava Sob a ilha, sendo banhado pela luz da lua, ele não conseguiu esconder um sorriso, ficou olhando para Jordan lá em baixo, e como ele parecia pequeno, Mickey sentiu saudades de ver as pessoas daquela forma. Ele levantou seu rosto, algo chamou sua atenção, várias pequenas luzes azuis circulando por toda imensidão verde daquela ilha, Eles seguiam em sua direção.

Ele parou de bater suas asas, e planando, Tomas voltou ao chão.

- Precisamos sair daqui, Estão vindo.

- Tarde demais. Disse uma voz dentro da floresta.

- Mickey, Vai embora! Agora! Gritou Jordan visivelmente preocupado.

- Vamos!

Jordan fez uma expressão que deixou Mickey segurando seu estomago.

– Não! Ele disse.

Um homem, alto, careca e moreno surgiu empurrando um galho de uma planta, uma pequena palmeira, Ele tinha um dragão tatuado em seu rosto, usava roupas pretas, Mickey o conhecia como Clear Fire, uma das armas criada pela empresa que apoiava a prisão, A companhia Janner.

- Não discute, Vai, agora!

- Ninguém vai a lugar algum, gritou O homem. Uma dúzia de vigilantes apareceram atrás dele, carregando armas e lanternas. – Agora eu peço, gentilmente, apresentem seus pulsos a nossas algemas e voltem para o Banco, conosco, míseros Dólares! Ele deu um sorriso sarcástico.

(O banco é como chamam a prisão. Eles classificavam os mutantes em reais, dólares e ienis, dependendo de sua força.)

Jordan deu passos para trás, e sussurrou próximo a Mickey.

- Vou usar toda a minha força nesse. Vai!

- Não vou sem....

As mãos de Jordan tremiam escondidas em suas costas, tinha muita energia ali, Mickey ficou assustado mas apenas pelo fato de que Jordan teria de ficar ali.

- Não...

- Volte para nossa cidade, Procure Cato Miller, ele tem um grupo de pessoas como nós, diga a eles o que aconteceu.

Eles se entreolharam e a voz de Jordan saiu, escondendo um choro.

- Você é o único que pode sair da ilha e mostrar nossa localização garoto. Vá agora!

- Ele respirou — Até mais irmão.

Os olhos do anjo desviaram-se de Jordan, ele olhou para Clean Fire que começara a criar fogo com a ponta dos dedos.

Jordan repetiu o processo, separou suas mãos tremulantes e as bateu, o mais forte que pode.

O manipulador de chamas, se surpreendeu, ele não conseguiu fazer nada, por sorte de Mickey, Ele levantou voo e aproveitou a onda sônica para ir mais rápido no céu.

- Vou voltar irmão! Eu prometo!

Notas finais

Espero que Tenham Gostado ! Aceito sugestões e criticas.
Obrigado pela Atenção.