O Prometido
16 Visita inesperada... Ou não
Notas iniciais
Aproveitem e não me matem, por favor!
– Ártemis? – exclamei.
Ela sorriu – Olá... – ela parou quando percebeu que eu não estava corretamente vestido. Eu corei até a raiz dos cabelos – Bela cueca. – completou.
Se fosse outro deus, eu estaria frito. Mas era Ártemis, nós já havíamos dormido juntos e ela rasgou meu uniforme laranja no peito e nas costas. Me ver com uma boxer vermelha não seria nada. Infelizmente...
– En... Entra. – gaguejei. Comecei a sentir meu rosto queimando enquanto ela passava por mim olhando para minha cueca. – Pode esperar aí? Vou terminar de me vestir.
– Não precisa. Só vim te falar uma coisa – Ela disse em tom doce.
– E o que seria? – disse me sentando ao seu lado, nossas pernas se encostando. Tive medo de perder o controle e agarrar ela ali mesmo na sala.
– Você vai ter uma pequena surpresa amanhã. Vai sentar na sua direita na primeira aula. – ela disse. Então segurou minha coxa com a mão direita e me beijou. – Cuide-se.
E então se foi.
Subi as escadas com o sabor da boca dela dançando na minha, uma mistura de uvas e menta, doce e fresca ao mesmo tempo. Terminei de me trocar e desci para comer alguma coisa.
Peguei o telefone e pedi uma pizza meio pepperoni meio brasileira. Vinte minutos depois eu estava comendo uma fatia enorme de pizza brasileira e tomando Coca. Quando terminei fui escovar os dentes, vestir meu pijama e dormir. Papai provavelmente iria dormir na casa da nova “amiga” dele.
Enrosquei-me nos cobertores e dormi pesadamente, sem sonhos, vozes ou imagens desconexas, apenas com a voz e as imagens DELA.
Acordei com o despertador tendo um ataque epilético no criado mudo. Ele beijou a parede. Peguei o celular e digitei uma mensagem rápida pra Erika:
Acorda Capivara, eu ainda não te vi de uniforme!
A resposta veio à altura:
Capivara é teu pai, e você não vai me ver de uniforme, ouviu Halzito?
Pulei da cama, tomei um banho rápido, me troquei e desci as escadas. Preparei a cafeteira e a torradeira. Enquanto elas faziam o trabalho delas fui pro meu quarto pegar a mochila e tirar o Ipod do carregador, depois fui no quarto do papai ver se ele estava lá. Havia apenas um bilhete.
Hal, saí com a mãe do Jake. Não fica bravo comigo, é só hoje, eu acho. Prepara alguma coisa ou pede uma pizza pra jantar porque eu talvez durma com ela. Papai.
– Ook! Como se não soubéssemos disso papai. – joguei o papel no lixo.
Saí do quarto ajeitando meu fone e desci as escadas para tomar café, ou quase isso.
Agora, tenho que admitir, café de cafeteira é um pé no saco! Fica fraco, frio e claro. Prefiro quando papai faz café com um coador, é rústico, mas sai muito melhor. Eu não sabia fazer café assim, então me contentei com uma “água de batatas” como diz papai. Ele aprendeu a usar coador na viagem ao Brasil. É uma história engraçada, e papai a deixa mais engraçada ainda.
Terminei de comer e olhei no relógio. Estava atrasado. Passei a tipóia no braço direito e fui em direção a casa da Erika. Ela estava sentada na varanda ouvindo música. Vestia uma camiseta preta com o símbolo das relíquias da morte em branco, jeans e All Star bege. A alça da mochila era cheia de botons de bandas.
– Oooi! Vamos. – ela pegou meu braço e me puxou. – Viu, você não vai me ver de uniforme.
– Vou sim, um dia! – ri. Erika bateu em mim.
Chegamos na escola só para ver Jake e Jane se amassando.
– Jake, Jane. Ah cara, não aperta a bunda dela! – falei.
Jake mostrou o dedo do meio para mim e eu entrei na escola.
A escola parecia normal, ou quão normal é uma escola no primeiro dia de aula. Todos os alunos estavam conversando, alguns me olhavam quando eu passava quase correndo em direção a secretaria para pegar os horários.
Erika parou na porta da diretoria e me encarou – Eu bato e você fala?
– Não mesmo, se vira – disse batendo na porta.
A diretora Minerva abriu a porta. Foi estranho, ela quase nunca saia da diretoria e nunca sorria. Mas hoje ela estava com um sorriso de orelha a orelha, o batom manchado e espalhado por toda a sua boca e respirando pesadamente.
– Pois não? – ela disse sorrindo ainda mais. Ok, aquilo era bizarro!
Pigarreei para espantar a crise de risos que queria vir – Desculpe o inconveniente, diretora, eu vim aqui pegar meu horário de aulas.
– Ah, claro. Esperem um pouco. – e fechou a porta.
Olhei para Erika, que fazia um esforço monstruoso para não rolar de rir – Que houve com ela?
– Hal, acorda, só uma pessoa faz isso com a Minerva. O safado do seu pai foi na casa dela ontem à noite. Eu vi ele entrando de fininho quando eu tava abrindo a porta de casa. Ela mora em... – a porta se escancarou e a diretora saiu, agora limpa, segurando dois papeizinhos com os horários.
– Os dois estão no Segundo F? – ela perguntou ainda sorrindo.
– Sim senhora. – falamos em uníssono.
Ela nos entregou os papéis e nós fomos embora fingindo compará-los. Quando dobramos o corredor e passamos para um paralelo a direita Erika caiu na gargalhada. Nos sentamos no chão e rimos como dois loucos. Quando demos conta de que estávamos na escola, vários alunos nos olhavam curiosos querendo saber porque estávamos rindo. Jake e Jane nos olhavam balançando a cabeça miseravelmente.
Então meu coração deu um golpe de judô contra minhas costelas. Ela entrou radiante na sala da Profª Smith, passando por mim. Me levantei de supetão e entrei na sala dizendo desculpas para todos. Erika, Jake e Jane me seguiram para dentro e o sinal bateu.
Não podia ser ela! Ah, deuses, eu amo vocês!
Notas finais
Mais uma vez, mil perdões pela demora, mil perdões pelos erros, mil perdões por ser chato.
Masenfim, mereço reviews? Comentem seus lindjos!
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