O Primeiro Punk

1 Capítulo 1 - Visto de Longe


Fumaças subiam frente à porta dos fundos do pequeno rock bar. Iluminada pelos neons da placa de saída, Ivy Jenner fumava com outros amigos e conhecidos para eliminar a ansiedade do seu primeiro show fora do seu estado. Os outros ali presente se impressionaram ao ver uma novata fumando tranquilamente igual os outros veteranos dali.

O produtor de Ivy abre a porta violentamente procurando-a. Ela foi a única entre os outros que não olhou para a porta assustada. O produtor por esse motivo não demorou mais do que cinco segundos para avista-la de longe.

— De novo Jenner? – O produtor foi até ela puxando pelos braços – Nem no seu show mais importante você é capaz de seguir horários.

Essa foi à primeira vergonha de Ivy em um futuro significativo. Ela foi letamente até a escada ao lado do palco onde encontrou Matthew, ou Matt, o guitarrista da banda e Brian, o baterista. Os três eram amigos inseparáveis, ambos estavam aguardando o horário para subir para o palco.

O bar estava um pouco cheio quando o nome “Mad Reputation” foi anunciado por um dos donos do estabelecimento. Por desconhecerem o nome anunciado, todos ali presentes olharam para o palco curiosos.

Brian que estava com a franja jogada para o lado e o resto do cabelo raspado, vestido todo de preto com uma gravata azul mal amarrada no pescoço, entrou com todo entusiasmo e correu para a bateria, o público percebeu o estilo da banda de cara.

Ivy e Matt entraram normalmente logo atrás com roupas similares. Ambos olharam para Brian que entendeu o recado pelos olhares, começou a fazer o seu repique inicial na bateria.

Brian tocava rapidamente e fez o público se impressionar mais ainda. Em seguida Matt levantou sua guitarra e começou a fazer os seus Riffs, Ivy apesar de mulher, cantou com uma voz forte e segura, alcançando todos os agudos e graves necessários para acompanhar toda a melodia musical.

De longe um jovem observava a banda sozinho, encarava a banda de um jeito não muito comum, Matt e Brian não deram muita atenção, mas Ivy percebeu logo de primeira. Sempre que Ivy começava a encara-lo, ele virava a cara e dava mais alguns goles na sua garrafa alcoólica.

Tal situação só despertavam curiosidades sobre a cantora. Ela então começou a tentar entender o que estava acontecendo. Mesmo no palco ainda fazendo sua apresentação, ela encarou o garoto.

O jovem percebendo a ação desafiadora da cantora pegou a garrafa, jogou uma nota de cem dólares na bancada do bar e saiu andando lentamente. Antes de sair do local, ele ascendeu um cigarro comum com o isqueiro da porta e foi andando pelas ruas. Ivy não percebeu a saída dele, mas imaginou que ele tivesse ido ao banheiro ou algo do tipo.

“Que merda aquele menino estava me olhando?” era a única frase que passava na sua cabeça. Ela prometeu a si mesmo que iria atrás dele para entender o que estava acontecendo e tirar satisfações. Até então Matt e Brian não estavam cientes do acontecimento, apenas continuaram tocando sem parar.

A banda terminou a apresentação com muitos aplausos e muitos assovios. Devido a tanto sucesso naquela noite, cada membro da banda foi presenteado com uma garrafa de whisky, mas Ivy nem se quer estava preocupada com isso.

Desceram os três do palco se abraçando e se auto elogiando, e recebendo elogios de alguns outros produtores e sonoplastas do estabelecimento. Inclusive elogios de outras bandas também. Matt e Brian foram até o bar terminar de curtir a noite, mas Ivy foi atrás do jovem que a poucos minutos a encarava.

Ela o procurou por todos os lugares até que se lembrou do beco atrás do bar onde estava fumando há pouco tempo atrás e resolveu ir até lá. Não o encontrando resolveu perguntar aos outros que estavam ali.

Ao descrever poucas características, todos que estavam por perto reconheceram o representado. Um dos músicos que estavam mais distantes dos fumantes se levantou do chão e veio andando em direção à Ivy.

— Está falando de Andy – afirma o homem tirando o cabelo grande do rosto dele mesmo – Ele é da minha banda, algum problema?

— Só queria falar com ele mesmo – Disse Ivy se desculpando com um tom leva e calmo – Qual é o seu nome?

— Acho que você só queria saber o nome dele mesmo – O homem aparentemente alterado voltou-se a sentar no mesmo lugar onde estava e continuou fumando.

Ivy se sentiu no lugar errado por alguns instantes, mas se lembrou de que havia outras pessoas ali por perto e resolveu continuar no assunto. Olhou para um guitarrista que estava jogando baralho em uma vã e rendeu:

— Ele é assim mesmo?

— Grosso? – O guitarrista perguntou e Ivy concordou com a cabeça – Não, ele está assim por causa do álcool. Mas ele é um cara legal.

Ivy olhou disfarçadamente para o garoto que acabara de ser grosso com ela. O jovem tinha diversas tatuagens pelo corpo, um cabelo grande, uma calça rasgada e uma bota com cadarço. O guitarrista percebeu a curiosidade de Ivy e puxou o assunto ainda jogando baralho com o resto da sua banda:

— O nome dele é Ashley, baixista da banda do garoto que você procura – O guitarrista fez uma jogada e olhou para Ivy – sem dúvidas a melhor banda daqui.

— Me assusta um pouco o estilo dele – um colega que estava na partida do baralho comentou com todos ali.

— Ele só está alterado – o guitarrista completou e voltou o foco para Ivy – Qual o seu nome?

— Ivy, Ivy Jenner. E o seu?

— Zacky, da banda Strangers – ele nem se quer olhou para Ivy — Por falar em banda, você está de parabéns. É uma grande cantora e tem dois amigos sensacionais.

— A banda deles tem o mesmo estilo que esse tal de Ashley? – Ivy nem se importou com o elogio de Zazky.

— Na verdade a maioria mudou depois da fama mundial. Mas sim, são um pouco similares – Zacky riu para Ivy – Mas eles não mordem.

Ivy se quer agradeceu pelo bate papo entre as pessoas ali foi para dentro do backstage (local atrás ou em baixo do palco) do bar e chamou os dois amigos para perto dela. Matt e Brian ainda estavam totalmente animados com o sucesso da apresentação mas ouviram o que Ivy tinha pra falar.

— Amanhã voltaremos aqui – Ivy afirmou para ambos e deu uma desculpa breve – Apenas para acostumarmos com os ambientes de rock.

Os dois concordaram e foram até o camarim preparar suas coisas para ir para casa. Ivy que não carregava nada só pensava no que acabara de passar por ali. Na sua cabeça agora só se passava “Andy, eu preciso saber quem é ele”.