Notas iniciais
Oi Minhas lindas! Saudades de vocês. Mais dois capítulos para vocês.


Capítulo Cinco

Sua cabeça doía. Doía pra caralho. Sentia um líquido viscoso escorrendo por sua testa. Seria sangue? Tinha cheiro de sangue. Não conseguia abrir os olhos e ver o que estava acontecendo.
— Antony? Por favor, Antony, diga algo.
Ryan? Sim, era ele. Mas por que não conseguia responder ao irmão?
— Merda! Merda!
A voz do irmão parecia desesperada.
— Pai? Aconteceu um acidente... um atropelamento e depois capotamos.
Escutou e tentou recordar sobre o que Ryan falava. Não se recordava.
— Eu não! Estou bem, mas Antony se machucou. Por favor, chame uma ambulância. Acho... acho que matamos um homem...

O forasteiro pulou da cama, mais uma vez perseguido pelos pesadelos. Mais uma vez sua mente não o deixava esquecer-se do que ocorrera anos atrás.
Tinha havido alguns dias de trégua depois que começara a trabalhar, mas então novamente a culpa com a qual teria que conviver pelo resto da vida voltava para assombrá-lo em forma de sonhos.
A parede do quarto foi seu alvo desta vez. Ódio por si mesmo, o fez dar o primeiro golpe contra a sólida parede. Punia-se por ter deixado as coisas seguirem aquele caminho. Por ter sido tão egoísta. Por prejudicar pessoas inocentes. Depois de socar repetidas vezes e sentir dor e ver o sangue, ele parou.
A mão ficou bastante machucada e ele acabou enfaixado com um pano limpo.
Observou o sol nascendo e resolveu correr pela praia como de costume. Desde que começara a trabalhar e dormir mais tarde não conseguira levantar cedo para fazer seu exercício.
Correu como sempre. Concentrado e tentando limpar a mente. Logo avistava o píer. Chegando mais perto viu o homem com a cadeira de rodas que conhecera há alguns dias. Notou também seu fiel ajudante Fabrício e uma morena... uma morena que ele conhecia muito bem por que ela estava constante em seus pensamentos.
Caminhou devagar até eles.
— Bom dia — disse ao chegar.
Os olhos de Bella vieram para os dele e dessa vez não viu no olhar dela a ironia, ou irritação que costumava ver. Dessa vez ela parecia feliz em vê-lo.
— Bom dia, forasteiro. Madrugou? — ela perguntou.
— Assim como você — respondeu.
— Bom dia, Edward — Charlie o cumprimentou o fazendo tirar seus olhos da linda garota.
— Você o conhece, pai? — Bella parecia surpresa.
Ele mesmo ficou, já que não sabia que o homem era o pai dela.
— Nós conhecemos há alguns dias, querida, quando Edward veio aqui namorar os barcos.
O forasteiro riu.
— Ah legal — ela disse.
— Bom, garotos, eu tenho que ir.
— Se cuida papai — Bella se inclinou para abraçar Charlie.
— Eu sempre faço, filha.
O barco de Charlie partiu enquanto ele e Bella ficaram olhando a embarcação avançando em direção a automar.
Em silêncio, os dois começaram a caminhada juntos em direção à praia.
— O que houve com a sua mão? — ela perguntou olhando para sua mão enfaixada.
— Nada demais. Fui meio desastrado em casa — mentiu.
Ela se virou para ele retirando a câmera fotográfica da bolsa.
— Preciso agradecê-lo. Essa é câmera é tudo que eu sempre quis — disse parecendo tímida.
Essa nova maneira de ser dela, mais gentil e doce, diferente da Bella sarcástica e petulante era igualmente cativante.
— Não precisa agradecer. Como eu falei, eu não deveria ter feito o que fiz, isso foi só a forma de reparar meu erro.
— Bem, agora eu fico até feliz que fez o que fez, se não fosse isso eu jamais teria essa maravilha — ergueu a câmera meio envergonhada. — Essa câmera é uma Full Frame!
Sentaram-se na areia.
— O que é Full Frame? — Edward perguntou.
Ela se empolgou e começou a explicar o que era. O rapaz não entendeu quase nada apenas que tinha a ver com fotografar com baixa luminosidade e com o tamanho da imagem.
— Você não entendeu nada do que eu falei não é?
— Entendi sim... — tentou mentir e começou a rir. — Não, não entendi nada.
Riram juntos.
— A gente começou errado, não foi? — ela indagou.
O forasteiro assentiu.
— Então, vamos fazer certo dessa vez — disse e estendeu a mão para ele — Bella Rosy Swan.
Pegou na pequena mão e sentiu a maciez da pele dela.
— Edward Thomas Cullen, muito prazer.
Com os olhos presos um ao outro sorriram novamente. Ela retirou a mão da dele e arrumou o cabelo. Aparentava acanhamento. Em nada parecia com a Bella que ele conhecera.
— O que o fez vir para Hierápolis? — ela perguntou.
Ele não gostava de responder perguntas, mas para ela sentia um prazer em falar. Talvez fosse por que não sentia que ela queria especular. Ela queria apenas iniciar uma conversa, ser simpática.
— Estava passando e gostei do lugar. Seu pai disse que se eu desejasse sossego esta era a cidade certa, então, resolvi ficar.
Ele não mentira para ela. Esse realmente era um dos motivos que o fez ficar.
— Então não vai ficar muito tempo?
Agora sim, ele percebeu curiosidade.
— Não. Só de passagem — respondeu.
Percebeu que ela desviou o olhar. Os dois ficaram calados observando o mar.
— Seu pai... O que houve? — ficou curioso desde a primeira vez que viu Charlie Swan. — Se não quiser falar...
— Não, tudo bem. Isso não é um segredo. Meu pai era policial.
O forasteiro ficou tenso, não esperava por isso.
— Ei relaxe! Ele não trabalha mais nisso — ela brincou. Logo voltou a ficar séria — Um dia abordou um suspeito quem nem piscou, atirou nele. Quase o perdi...
Ele percebeu que ela estava emocionada e se arrependeu de tocar no assunto.
— Resumindo, ele perdeu os movimentos das pernas. Mudamo-nos para cá e desde então ele é pescador. Algo que fazia com meu avô quando era jovem.
— Seu pai é um homem forte.
Edward disse realmente impressionado que um homem com deficiência que ele tinha pudesse trabalhar como pescador.
— Sim, ele é. Por sorte ele tem Fabrício que o ajuda muito, mesmo assim me preocupo muito quando ele está no mar.
— Percebi que há outros pescadores na cidade, mas o barco do seu pai é único que fica no píer regularmente.
— Além do barco dos ricaços — ela completou se referindo ao barco imponente ancorado naquele momento. — Sim, os outros pescadores passam dias em alto mar. Com a deficiência do meu pai isso fica difícil. Ele não se afasta muito da costa e volta todos os dias para casa o que me deixa muito feliz.
— É por isso que não foi para a faculdade? — indagou mesmo sem querer ser inconveniente.
— Sim. Eu sei que todos dizem que tenho que cuidar do meu futuro e essas coisas, mas não posso deixá-lo sozinho. Ele é tudo o que eu tenho. Além disso, não há nada que me interesse a não ser a fotografia.
Percebeu que a vida familiar dela também era fonte de problemas. Mesmo assim resolveu arriscar. Algo sobre ela o fazia querer saber mais.
— E sua mãe?
Ela olhou para o mar, e ele teve a impressão que ela pensava no que iria dizer.
— Não precisa falar nada.
Ela voltou a encará-lo.
— Todos temos esqueletos não armário, não é?
Você nem sabe o quanto, ele pensou.
— Sim, todos têm.
A observou por um tempo.
— Qual a sua idade, Bella?
— Vinte um, feito no mês passado.
— Você é muito madura para sua idade.
— Acha mesmo?
Sim, ele achava. Na idade dela ele era um arrogante que se achava o rei do mundo. E era totalmente imaturo.
— Sim, eu acho.
Notou que ela ficou satisfeita com o que ele disse.
— E você? Quantos anos têm?
— Vinte oito.
— Certo. Posso perguntar mais uma coisa, Edward?
— Pode. Apenas não sei se vou responder — brincou, mas no fundo era a verdade.
— Certo. Aquele lance com seus pais... você falou que estava se escondendo...
Ele pensou em como poderia dizer a ele sem se expor.
— Minha família, na verdade, meus pais são complicados. Eu quero viver a minha vida da forma que eu acho que deva fazer e meus pais querem outra coisa... Resumindo, eles contrataram detetives para me encontrar, por isso aquele surto quando a vi com a câmera.
— Ah, bem, então, nada de fotos de você.
Ele riu da brincadeira dela. O assunto entre eles foi direcionado para coisas corriqueiras. Bella ficou espantada quando ele revelou que não tinha um celular.
— Você está brincando comigo?
— Não, não estou.
— E quando precisa ligar pra alguém?
— Telefone público ou celular descartável.
— Tudo isso para impedir seus pais de encontra-lo?
— Sim.
— Nossa! Eles devem realmente ser assustadores — ela comentou espontânea. — Desculpe.
— Tudo bem. Antes a pior qualidade deles fosse essa.
A morena apertou os lábios, na opinião dele querendo segurar sua curiosidade. Ele percebeu que ela queria perguntar muitas coisas.
— Você não tem nem facebook, twitter, email?
— Não. — Respondeu.
— Eu não achei que conseguisse encontrar alguém assim nos dias de hoje. Acho que até a dona Judith tem WatsApp.
Dona Judith era dona da pequena pousada que o forasteiro havia conhecido tão logo se mudara para a cidade. Era uma senhora simpática de quase oitenta anos.
— Você, no entanto é uma aficionada pelas redes sociais — ele concluiu.
— Não, nem tanto. Uso muito pouco o facebook.
Mais uma vez ficaram calados.
— Você é um homem misterioso, Edward. Agora entendo por que o chamam de forasteiro.
Ele não gostou do comentário dela, apesar dela não tê-lo ofendido, apenas não gostou de escutar a verdade. Levantou-se para voltar para casa. Já tinha ficado tempo demais próximo a essa garota que fazia crescer nele a vontade de ser diferente, de ser normal.
— Está na hora de eu voltar — falou para ela.
— Edward, me desculpe eu não quis... — a garota ficou sem jeito.
— Não se preocupe, Bella — a cortou. — Não falou nada mais que a verdade. Eu realmente preciso ir. Quero tentar dormir mais um pouco para aguentar a noite agitada que provavelmente teremos.
— Claro. Eu também vou fazer isso.
— Nos vemos a noite — falou se afastado dela.
— Até mais.

***
Nos dias que se seguiram Bella e Edward cada vez se aproximavam mais. Tornaram-se amigos, na medida do possível. Contudo a morena já começava a ter ciência de que seus sentimentos pelo forasteiro eram bem maiores do que apenas amizade.
Embora os dois estivessem se dando bem, ela percebia que ele mantinha uma distância segura dela. Algumas vezes como se a evitasse. A dica era clara: ele queria apenas a amizade dela.
Sonhadora, ela o observava atender algumas garotas no balcão. As meninas obviamente babavam por ele assim como ela fazia naquele momento.
— Bella!
Ela se sobressaltou com seu nome chamado por Alice.
— Que susto, Alice! — colocou a mão sobre o coração.
— Se você parasse de babar no Edward perceberia que estou te chamando a um tempão.
— Desculpa. E eu não estava babando em ninguém — falou ríspida.
— Ah não é? Contra outra, amiga. Está caidinha por ele.
A morena ficou sem saber o que dizer, inexplicavelmente, já que ela sempre tinha uma resposta à altura.
— Eu...
Alice a encarou.
Oh droga! Bella se desesperou. Se estava assim tão na cara, era capaz de Edward ter notado.
— Merda!
— Bella, me escute. Eu sou sua amiga há anos e nunca vi você se interessar realmente por um cara. Tipo, claro teve os flertes, e alguns você até deixou chegar perto, mas nunca nada abalou você. Sua beleza e seu jeito segura deixa os caras doidos mesmo assim nunca se envolveu, eu até achava que você tinha algum problema — brincou. — Quem iria segurar a virgindade acima do vinte anos? — continuou deixando o clima leve. — Mas, então, esse forasteiro lindo apareceu e você parece que finalmente se interessou. Vai a luta amiga. Investe!
— Somos apenas amigos, Alice. Ele me vê apenas como amiga.
— Não, Bella. Ele está a fim de você, sim. Eu já notei a forma que ele a olha. Geralmente é quando você não está prestando atenção.
— Você acha mesmo? — perguntou insegura.
— Tenho certeza. Só que acho que você vai ter que deixar seu interesse mais óbvio.
— Será? — ela mordeu a unha do polegar.
— Sim. Convide-o para ir com você amanhã no luau na praia. Como amigos se achar melhor, já é um começo.
Ela ficou pensando em tudo o que a melhor amiga havia lhe dito. Seu coração com medo, mas ao mesmo tempo, pela primeira vez ela queria arriscar. Queria ver o que era aquilo que sentia quando estava com ele. Olhou novamente para o forasteiro que conversava com um cliente, ele devolveu o olhar dela, sorriu e lhe deu uma piscadinha marota. Com isso estava decidido: ela iria convidar Edward para sair.

Capítulo Seis

Corou assim que o viu saindo do mar. Lembrou-se do sonho que tivera com ele. Lembrou, principalmente, como se tocou imaginando que era ele que a tocava. Era virgem, não santa. Sabia como se dar prazer.
E agora, vendo sacudir os cabelos molhados, vendo as gotas de água escorrendo pelo corpo perfeito dele, mesmo com um misto de vergonha e excitação, ela não conseguia tirar os olhos dele.
Disfarçou, quando ele se aproximou segurando a prancha de surf. Tinha que convidá-lo para o luau que aconteceria naquela noite. Queria ir com ele, mas não encontrava coragem de pedir para que ele fosse seu acompanhante.
— Não sabia que surfava — comentou se levantando da areia quando ele parou a frente dela.
— Cresci na Califórnia, isso é quase como respirar para um garoto de lá.
— Não sabia que era da Califórnia.
Depois que falou notou que ele ficou estranho. Edward era um homem muito fechado, não gostava de falar sobre si.
Estavam se tornando amigos e ele havia confessado a ela sem muitos detalhes que tinha um irmão e uma irmã. Assim como ela também havia dito a ele que tinha um irmão e um sobrinho. Todavia ele deixava claro que não gostava de falar sobre seu passado e sua família.
— Não sou de lá — falou após um tempo —, mas morei lá por muito tempo.
— Qual cidade?
— Bella... Eu tenho que ir...
— Desculpa, Edward, eu prometo que não vou perguntar mais nada. Fique...
Droga! Esbravejou consigo mesma. Será que poderia dar mais bandeira que isso do seu interesse por ele?
Ele permaneceu quieto por algum tempo, mas não saiu o que a deixou contente.
— Está usando a câmera? — ele perguntou apontando para o equipamento pendurado no pescoço dela.
— Sim. E prometo que não fiz nenhuma foto sua — disse.
Bem que eu gostaria, ela pensou. Ele era lindo, merecia quase um pôster que ela colocaria na parede do quarto para que sua imaginação fluísse ainda melhor. Novamente desviou o olhar para que ele não percebesse a direção dos pensamentos.
— Tudo bem. Eu confio em você — ele disse.
Ela ficou extremamente feliz pelas palavras deles.
— Emmett me falou que você estava pensando em desistir da fotografia. Devido às criticas sobre suas fotos.
— Sim — ela assentiu — ainda não sei se vou continuar. Acho que não sou tão boa quanto pensei que fosse.
— Não deixe as criticas te desanimar.
— Eu sei, mas os professores realmente não gostaram das minhas fotos.
— Você fotografa apenas paisagens? — ele indagou interessado.
— Bem, por enquanto sim... O que está pensando?
— Olhe, eu não entendo nada de fotografia, mas... bom certa vez vi umas fotos em preto e branco de pessoas em lugares como estações de trem, bares e você já viu como o pub tem uma decoração bacana? Um ambiente intimista legal que você poderia usar para fazer esses tipos de fotos. Não sei, é apenas uma ideia.
Ela parou para pensar e viu que ele tinha razão. Como não havia pensando naquilo antes?
— Sabe que pode ter razão.
— Não quero me meter no seu estilo é apenas uma sugestão.
— Sim, mas eu adorei a sugestão — disse a ele sorrindo.
Ele deu a ele um sorriso que a deixava ainda mais atraída por ele. Bella não estava acostumada a esses sentimentos.
Os dois começaram a caminhar pela beira da praia apreciando a água que não estava gelada tocarem seus pés, aproveitando a companhia um do outro.
— Você deve sentir falta da cidade grande — ela comentou.
— Por que diz isso? — ele indagou.
— Aqui não tem nada pra fazer. Não tem restaurante, cinema essas coisas.
— Não tenho ido a cinema em alguns anos então não sinto falta.
— Sério? Então temos algo em comum. Eu não vou nunca a cinema. E não gosto muito de filmes.
Ela parou de andar quando o viu a encarando de forma intensa.
— Isso é sério? — ele questionou — você não gosta de filmes?
— Não muito. Eu procuro evitar assistir se possível.
— Isso é muito estranho.
Ela iria contar a ele? Por que diria algo tão íntimo aquele homem? Talvez por que confiasse nele.
— Tenho um motivo maior para isso.
Ele não perguntou, deixou que ela se sentisse a vontade para partilhar o que fosse com ele.
— Minha mãe é atriz. Abandonou-nos por conta disso.
Bella observou ele ficar sério, rígido.
— Posso saber quem é?
Ela fechou os olhos pouco antes de dizer o nome da mulher que ela procurava não pensar.
— Greta Maxwell.
Dessa vez ele não conseguiu esconder sua surpresa.
— A famosa atriz...
— Pornô? Sim, ela mesma.
— Não sei o que dizer.
— Não precisa dizer nada — ela suspirou. — Não a vejo desde que tinha cinco nos. Jacob, meu irmão, teve mais contato com ela durante os anos seguintes. Ele tinha quase 15 anos quando ela foi embora. Enfim, eu mal me lembro dela. Evito ir a cinemas a assistir filmes por que morro de medo de vê-la em algum.
— Não tem perigo de isso acontecer. Ela só faz filmes adultos — ele explicou.
— Sim. Mas mesmo assim eu evito. E se algum produtor der alguma oportunidade a ela?
— Isso é quase impossível de acontecer. Quando uma atriz vai para a indústria pornô é quase impossível ser chamada para fazer filmes “normais”.
— Como sabe disso? Entende do assunto?
— Não! Eu apenas li sobre isso – desconversou.
— Mesmo assim, eu prefiro não arriscar.
— Sinto muito por você, Bella.
— Não sinta. Eu não sinto. Ela nunca foi uma mãe de verdade. Nem mesmo quando eu mais precisei, quando o Jacob mais precisou...
Ela tentou não fraquejar, mas sua emoção foi maior. Sentiu-o pegar em sua mão e gostou demais do gesto.
— Obrigado por confiar em mim.
— Eu confio em você, Edward. Assim como você disse a pouco que confia em mim. Pode confiar. Somos amigos e os amigos se apoiam nas dificuldades. Sei que você tem problemas... e se um dia quiser dividir com alguém... eu estou aqui para ajudá-lo.
Foi sincera em suas palavras. Mesmo que estivesse interessada nele mais do que amiga, seu oferecimento de amizade era verdadeiro.
***
Estava abaixada, arrumando umas coisas bagunçadas em baixo do balcão de atendimento quando Edward chegou para iniciar mais um dia de trabalho no pub.
— O que faz ai escondida? — ele perguntou.
No impulso de se levantar para falar com ele, ela acabou batendo a cabeça.
— Ai! Droga! — acariciou a cabeça perto da testa onde tinha levado a pancada.
O forasteiro foi ao encontro dela.
— Se machucou?
— Não... — ela riu — sou desastrada não sou?
— Não é nada. Agora fique quieta e me deixei olhar se machucou.
— Não machucou, Edward...
Com a proximidade dele as palavras dela sumiram da mente. Era sempre assim quando ele estava por perto.
O rapaz examinou o local percebendo que não havia hematoma. Então os olhos dele foram para os dela. A garota percebeu quando ele notou como os dois estavam perto. Perto demais...
— Acho que está tudo bem. Foi apenas uma batida — ele disse se afastando.
— Eu disse a você que não era nada.
Ela olhou de lado percebendo que ele tentava se concentrar e limpar o balcão sem fazer contato com ela.
Às vezes ela o achava ainda mais estranho do que normal, mesmo assim o fascínio que sentia por ele não diminuía. Ao contrário, apenas aumentava.
Tomando coragem ela foi para perto dele. Dessa vez não iria fraquejar como naquela manhã na praia.
— Eu queria te fazer um convite.
Ele devolveu o olhar dela, desconfiado.
— Quer ia uma festa na praia comigo?... Como amigos, é claro — se apressou em dizer.
Estava mais que claro que não o queria apenas como amigo, mas não precisava que ele soubesse assim tão rápido.
— Quando? — ele perguntou.
— Hoje. Desculpe ser em cima da hora só me lembrei há pouco — mentiu. — Bem, é depois que fecharmos o pub. Todas as quintas, Emmett fecha mais cedo, pois tem essa festa. Os jovens da cidade vizinha vem aqui para praia fazer uma espécie e luau. Tem bebidas, fogueira e musicas... é legal.
Ele ficou pensativo por um tempo. Ela logo acreditou que ele iria dispensá-la quando o sorriso deslumbrante dele apareceu.
— É claro. Vamos sim.
— Ah legal! — se controlou para não soar animada demais. — Você vai se divertir.
— Espero que sim.
Em seguida a clientela começou a chegar e ela tentou se concentrar em fazer seu trabalho, mesmo que seus pensamentos fossem direcionados ao lindo forasteiro ao seu lado.

***

Alice parou a frente do balcão. Os olhos observadores daquela baixinha de cabelos curtos deixaram Edward um pouco tenso.
— Quer alguma coisa, Alice?
— Não.
Respondeu simplesmente. O forasteiro então voltou a olhar para o salão percebendo que o movimento começava a diminuir. Era quase meia noite e logo Emmett fecharia o lugar devido ao tal luau na praia.
Novamente, notou o olhar de Alice que ainda estava parada no mesmo local. Aquilo já estava irritando.
— O quê?! — perguntou novamente para a colega de trabalho.
— Bella disse que vocês vão ao luau juntos.
— Sim, nós vamos.
— Hum...
— Desembucha! — ordenou já sem paciência.
— Bem, Bella é minha amiga e obviamente você percebeu que ela está atraída por você... então eu queria que você fosse legal. Ela tem todo esse jeito independente e arisco, mas é uma garota romântica e inexperiente. Percebi que você é gente boa e retribui o interesse dela, acho isso bacana...
— Espere! — Interrompeu o dilúvio de palavras dela. — Bella e eu somos apenas amigos — disse firme.
No entanto saber que a morena se sentia atraída por ele era tentador. Ele também sentia o mesmo por ela, mas não poderia haver nada entre eles, nunca.
— Sim, eu sei disso, mas talvez isso mude hoje...
— Não vai mudar! Eu não estou interessado em Bella... desta forma.
Teria que ser convincente ao mentir, pois mentia até mesmo para si mesmo.
— Deixa disso, Edward! Eu vejo como você olha para ela. Só queria avisar que seja legal com ela.
— Olha, Alice, não sei por que pensa dessa forma. Bella é... linda, sim, e simpática, atenciosa, uma garota que qualquer cara gostaria de ter por perto, mas não há possibilidade de algo acontecer...
— Sei...
— Estou falando sério.
— Veremos. Falamo-nos amanhã, forasteiro.
Depois que sua colega de trabalho se afastou, o rapaz ficou pensando no porque dela vir falar com ele sobre aquele assunto. Teria Bella esperanças de que algo acontecesse entre eles naquele luau?
Decidiu que deveria dizer à morena que não poderia acompanhá-la. Não queria dar falsas esperanças à garota. Quando se virou para ir falar com Bella, ela estava parada quase atrás dele com um sorriso que na opinião dele era a coisa mais linda que já havia visto. Ficou totalmente desarmado.
— Emmett já vai fechar, então, poderemos ir — ela falou animada.
Por mais que quisesse não conseguiu dizer a ela que não poderia ir. Sua consciência dizia que era o certo a fazer, mas ele não conseguiu.
— Ótimo — murmurou.
Talvez, só talvez Alice estivesse exagerando e o que Bella esperava dele era somente o que poderia lhe dar, amizade.
Meia hora depois eles seguiam a pé pela rua principal da pacata cidade em direção à praia.
Em seguida, avistaram os jovens em volta de uma fogueira. Eram cerca de cinquenta pessoas. A musica estava alta e algumas garotas dançavam.
Bella e Edward retiraram os sapatos e pisaram na areia fofa indo de encontro às pessoas. Estava uma noite bonita.
— Vai ser o alvo hoje à noite, Edward. Quero dizer, as meninas vão se jogar sobre você.
— Ah, pode ter certeza que peço sua ajuda se precisar.
— Você pode gostar de alguma delas. São garotas legais.
Duvido muito, ele pensou consigo.
Foram recebidos pelos jovens. Bella conhecia a maioria e foi apresentando ele a todos. Como sempre acontecia quando conhecia novas pessoas Edward, ficou tenso. Tinha receio de ser reconhecido. Mas tudo deu certo e ele acabou se divertindo conversando sobre musicas com dois rapazes e suas namoradas.
Avistou do outro lado da fogueira, Bella conversando com um grupo de garotas que nem disfarçavam que o assunto era ele. Mesmo assim, estava tranquilo visto que a colega de trabalho não fizera qualquer movimento sobre ele.
Pouco depois, Bella caminhava na direção dele quando foi abordada por um rapaz que nitidamente queria mais que apenas conversar com ela. Na mesma hora ele ficou em alerta. Irritado que o sujeito estivesse pegando na mão dela. Era claro para ele que aquilo era apenas por seu instinto protetor de amigo em relação a ela. Nada mais.
Viu com alivio quando ela se livrou do rapaz e veio para perto dele sentando-se ao seu lado na areia.
— Que tal? Se divertido?
Ele levantou a cerveja que bebia para ela.
— Sim. E você?
— Também. Shery, a ruiva e, Dana, a morena me encheram de perguntas sobre você — ela falou apontando para as garotas que olhavam para eles. — Principalmente se você tem uma namorada. Como eu não sabia eu vim perguntar.
Logo percebeu que ela usara as garotas para saber se ele tinha alguém. Ao mesmo tempo, que gostara do estratagema dela, ficou com raiva, pois deveria cortar logo o quer que fosse que estivesse na cabeça dela. Mas como? Se ao vê-la olhar para ele daquele jeito a vontade que tinha era de beijá-la.
Olhou para a fogueira para se controlar e não fazer uma besteira.
— Edward?
— O quê?
— Você ficou distante... não respondeu a minha pergunta...
— Não tenho namorada, Bella.
Ela assentiu parecendo meio acanhada.
Naquele instante, a musica que a viu dançar no pub enquanto limpava as mesas, começou a tocar.
As amigas a chamaram para dançar. Ela se levantou e foi. A garota parecia adivinhar que dançando aquela musica o fazia ter pensamentos impróprios, pois começou a movimentar o quadril olhando sempre para ele.
O forasteiro parecia hipnotizado pela imagem sensual a sua frente. Havia cerca de dez garotas dançando sensualmente aquela canção, contudo ele somente conseguia vê-la. Seus olhos deslizavam pelas curvas do corpo dela sem que ele pudesse controlar, e para piorar o fato ela tinha ciência dos olhares dele.
Então, ela se aproximou estendendo a mão para ele.
— Dança comigo?
A resposta na cabeça dele era não, de jeito nenhum, no entanto não conseguiu dizer nada, a não ser olhar para ela.
— É só uma dança — disse inocente.
Não era apenas uma dança, pelo menos não para ele.
Nem acreditou quando se levantou e pegou a mão oferecida. Não saíram do lugar indo para onde as outras pessoas estavam dançando. Foi ali mesmo que ela colocou os braços sobre os ombros dele e cruzou as mãos atrás do pescoço dele.
Essa garota estava brincando com fogo, o forasteiro pensou.
Ele continuou com os braços inertes até que os movimentos, que antes ele apenas observava agora eram feitos colados ao corpo dele. Isso foi demais para seu escasso controle. As mãos, antes imóveis, foram para cintura dela.
Os olhos dos dois presos um ao outro, sem nunca desviar. E ali ele vislumbrou a chama que queimava naquela mulher. Ela o queria. Ele também a queria, demais. Todavia Bella não era como essas garotas que ele esporadicamente usava e jogava fora. Ela era diferente, ele gostava dela, se importava com ela. Não podia deixar que se envolvesse com um cara como ele. Um homem mau. Ela merecia mais.
— Você dança bem... — ela disse baixo.
A voz dela o trouxe a realidade.
— Eu tento. Bella... Eu queria dizer a você que... bem, — olhou para longe e de volta para ela, para aqueles incríveis olhos. — Você não está pensando nada errado em relação a nós, não é? Quer dizer, eu a vejo somente como uma amiga. Você chega até me lembrar a minha irmã — mentiu descaradamente.
Notou de imediato que a garota em seus braços congelou.
— É claro que você não fez nada demais, eu só queria deixar as coisas claras entre nós — acrescentou tentando não magoá-la em demasia.
— Não... — ela gaguejou nitidamente perdida.
E com certeza estava. Ele dera todos os sinais de que estava interessado e agora jogava aquelas palavras sobre ela.
— Eu... não... não pensei nada disso, Edward.
— Que bom! — fingiu alivio, mas quase voltou atrás ao ver o rosto de decepção dela.
Precisava sair dali urgente ou faria uma estupidez.
— Obrigado por me convidar, eu me diverti muito, mas tenho que ir. O dia foi puxado hoje. Quer que eu a leve em casa?
Feito um maricas, ele pesou, rezou para que ela negasse e parece que suas preces foram ouvidas.
— Não precisa... Eu vou ficar mais um pouco... hã... Dana e Shery vão me levar... — respondeu sem olhar para ele.
— Tem certeza?
Queria fugir dela, mas queria que ela ficasse bem.
— Sim. Eu as conheço há muito tempo. Elas já me deram carona outras vezes. Fique tranquilo.
— Certo. Então, eu vou nessa. Nos vemos amanhã. Até, Bella.
Não ficou para esperar resposta dela, saindo em disparada pela areia, indo em direção ao pub pegar sua moto.
Necessitava colocar o maior espaço possível entre ele e aquela mulher. Só não sabia como faria para evita-la constantemente já que eram colegas de trabalho. Contudo sabia que era o certo a fazer, estava fazendo um bem a ela. Se envolver com um homem como ele era a última coisa que ela precisava.