O Preço do Poder
17 O fim...
O clydesdale caminhava lentamente para seus cascos não se chocarem tão violentamente no chão, a terra fofa auxiliava com precisão, aos poucos ele estava fora do castelo, os soldados estavam quase prontos para o combate, o exercito que se formara agora era maior que qualquer um podia imaginar, além dos guerreiros dos três clãs vários homens da plebe se voluntariaram a proteger suas terras dos invasores. E a chama da esperança estava acesa. Eles lutariam por suas mulheres, por suas terras e principalmente em nome do lendário rei falecido. Era o lema deles.
O pequeno Hamish se fez aparecer quando jugou seguro, se escondia na sombra de Angus e antes de prosseguir ele fez um sinal para que os irmãos o acompanhassem e assim fizeram. O príncipe olhou para a lua brilhante no céu e as muitas nuvens traiçoeiras que podiam tampar a única luz natural da noite a qualquer instante e constatou que o seguro era se infiltrar por entre a vasta floresta com o cavalo de Merida, onde provavelmente a irmã deveria estar, claro que tinham uma boa caminhada, a princesa poderia estar em qualquer lugar, mas a mente dos três trabalharam até chegar a conclusão de que ela poderia estar próxima do acampamento viking e não acharam outra escolha senão caminhar até as redondezas.
Com a ajuda dos irmãos Hamish subiu no dorso do animal e esticou a mão para Hubert e em seguida Harris e silenciosamente adentraram a floresta. Não precisavam dizer nada um para o outro, um simples olhar de qualquer um era o suficiente para que os outros dois conseguissem decifrar.
Alguns passos lentos a diante e os três diminuíram o volume mínimo ao ouvir o som de passos pesados e algumas armas batendo desajeitadas, a floresta era escura o suficiente para impedir qualquer um que não estava habituado a ela se perder com facilidade, ou não conseguir ver o cavalo negro por entre as folhagens.
A figura de alguns homens grandes se fez bem próximo aos trigêmeos, porem não tinham tomado nota que não estavam sozinhos na floresta, os três entenderam de imediato que eles eram os vikings, de certa forma era bom, pois estavam direcionados para o acampamento dos invasores, porém o risco de estarem ali era mortal, se esforçaram para observar os dragões que os acompanhavam impressionados.
–Vamos mesmo atacar? – Perguntou Perna-de-peixe ao, até o que parecia no momento, líder da missão, ele segurava a espada de forma insegura, não escondia o fato de que preferiria o Soluço liderando a guerra ao invés do assustador Minaz, sabia que não era o único a pensar assim.
Pelo menos toda a nova geração pensava o mesmo. Queriam lutar, mas o herói de Berk deveria estar ali e não aquele viking.
Minaz virou se lentamente e Perna-de-peixe apenas abaixou o olhar, mas o viking não se direcionou em especial ao jovem, mas sim aos seus guerreiros que não demonstravam mais todo o entusiasmo que antes, quando ainda existia a possibilidade de Soluço estar entre eles, mas naquele momento nem mesmo Astrid estava entre as escudeiras, por motivos óbvios.
–Agora que chegamos aqui vamos desistir? Só estamos reconquistando o que é nosso por direito, logo ficaremos conhecidos por nossa bravura. Estou aqui de igual para vocês irmãos, não como líder.
Ele percebeu a mudança nas feições dos guerreiros, aos poucos, as palavras dele foram fazendo efeito neles e até mesmo Perna-de-peixe se sentiu mais confiante ao segurar a espada. Minaz voltou sua face para frente sorrindo pela vitória que era certa, olhou de canto as escudeiras que começaram a bater as armas nos escudos animada e o exercito foi fazendo o mesmo, aquilo atordoou as feras que acompanhavam atrás, mas não podiam perder o grito de guerra. Os escoceses eram os escravos, a resistência seria aniquilada. A vitória era certa.
Os três irmãos se entreolharam temendo a derrota de Dunbroch, Harris colocou a mão na crina de Angus e o mesmo começou a andar para mais dentro da floresta, nada fariam ali, precisavam achar Merida o mais rápido o possível, não era mais possível parar a guerra.
[...]
Soluço estava montado em Banguela, estavam voando já. O mais rápido que chegassem podia evitar o pior, ele observou Valka em pé no próprio dragão, ela guiava alguns outros que a acompanhavam, Merida estava com a mãe no grande dragão quase do lado. Era estranho, parecia que o percurso estava sendo mais demorado do que as outras vezes, Soluço estava impaciente, sabia que qualquer coisa que acontecesse ele deveria se responsabilizar e essa ideia lhe assustava grandemente.
Por mais que agora o plano de levar dragões até Dunbroch não parecia ser uma ideia tão boa quanto tinha imaginado há horas atrás. E o que faria com Minaz? E se o viking decidisse por algum ato impensado duelar? Tinham varias perguntas rondando sua mente. E Ele estava no mínimo encabulado por ir além do que a ética lhe permitia com Merida.
Um lado de sua consciência dizia para se desculpar, enquanto outro dizia para se esquecer, porque a princesa faria o mesmo. Ela se casaria e sua lembrança passaria como a espuma das ondas no mar, e ele deveria fazer o mesmo depois daquilo em relação a ela. Existiam outros escoceses que podiam ajuda-lo a encontrar dragões. A relação que provavelmente teria com a Escócia era puramente comercial. Não precisava se preocupar, porém aquela ideia o desagrava mais do que realmente queria, pensar na possibilidade de ver Merida casada parecia tão estranho, tanto quanto pensar que não era uma escolha feita por ela.
Soluço não conseguia aceitar o fato de ter que pedir a um homem a permissão para conversar com a princesa, a menos que fosse o pai dela. Ele não admitiria a ponta de inveja que sentiu por conta disso, tentar se convencer que não adorava a presença da ruiva não era mais uma opção, ele aceitava esse sentimento e o aceitou desde o momento que admirar os olhos cor de céu, a pele rosada com sardas espalhas e o cabelo rebelde que insistia em cair-lhe no rosto, não foram o suficientes para impedir seu coração e seu corpo de ter um contato maior com ela. Merida era corajosa, lutava bem e era a melhor arqueira que já tinha visto.
Os indícios de todos os pensamentos positivos e idealizados que Merida exalava na opinião de Soluço indicavam o obvio, e aquele podia ser um problema horrível considerando que ela estava comprometida, por segundos a ideia de guerrear um pouco apenas para encontrar o escocês eleito e ter a chance de empurrar a morte nele para separa-los antes mesmo da união matrimonial parecia genial, mas a razão veio tão rápido quanto a imaginação fértil.
De longe foi possível ver onde a guerra estava concentrada, Soluço assim como Valka e os dragões estavam preparados para irem até lá de imediato, porém repentinamente Merida foi em direção ao chão e por pouco os dois não conseguiram acompanhar, considerando a frota dos dragões junto a Valka. Soluço desceu de Banguela preocupada enquanto Merida ajudava sua mãe a descer. Ele se aproximou ainda com o seu capacete na cabeça.
–Alguma coisa aconteceu? – A voz saiu abafada porém Merida entendeu o que ele disse, mas não respondeu, ela sabia que não estavam sozinhos naquela floresta, e sabia que era uma questão de tempo para que Soluço também percebesse. Ela foi pouco mais a frente.
E a figura de Angus foi aparecendo e foi iluminado pela luz da lua, ela sorriu aliviada por ver que o amigo estava a salvo, e sua consciência estava melhor em ver os irmãos sãos e salvos. Ela correu na direção deles e abraçou Angus, seus olhos marejados foram de encontro aos irmãos.
Ela nem faria questão de perguntar como os três fizeram para sair do castelo ou algo do gênero, os príncipes sabiam praticamente toda passagem secreta do castelo, o trabalho de equipe dos três era impecável. Eles sorriram convencidos e em seguida desceram do cavalo para irem em direção da rainha que ainda estava perto ao dragão, eles se abraçaram. Merida segurou Angus e o guiou para de Soluço já sem o elmo. Ela estava sem-graça, tinham uma missão e a única coisa que fazia era atrasar.
Seu objetivo era tentar o máximo para não expressar seu nervosismo, mas tinha a total convicção que sua tentativa seria fracassada, tudo começou quando andou na direção dele e quando considerou a possibilidade de estar próximo de mais, deu um grande passo para trás, deixando até Angus confuso pela atitude. Ela desviou o olhar o máximo que pode durante aqueles poucos segundos, mas tomou coragem para encarar Soluço e se deparou com a melancolia no olhar dele, embora ele parecesse indiferente, ele respirou fundo com os olhos fechados e mirou o chão, balançou-se nervoso e coçou o cabelo.
–Desculpa... – Ele disse por fim.
A simples palavra de Soluço demorou a ser filtrada e entendida por Merida. Ela permaneceu boquiaberta por alguns segundos com os olhos o fixando, até o momento que ele se virou para Banguela como forma de distração, então caiu em si. Sua mãe ainda estava abaixada na altura dos trigêmeos, porém estava atenta a cena e observou desconfiada.
Merida sentiu culpa, estranhamente. Por algum motivo ela sabia que não queria decepcionar o viking e quando os olhos verdes se mostraram cabisbaixos direcionados a ela foi o equivalente a uma adaga sendo enfiada em seu coração, Merida sabia o que aquilo queria dizer, mas preferia ignorar aquele sentimento, por sua liberdade. Casar por obrigação parecia tão diferente por amor, ela tinha ideais e julgou o fato de se apaixonar um contraponto a tudo o que negou na vida desde que debutou. Mas Soluço era tão diferente dos lordes, ela simplesmente o queria por perto, e uma parte de si já estava cedida à aceita-lo.
Merida se surpreendeu a se aproximar de soluço e mesmo hesitante colocar a mão no ombro dele, mas retirou a mão a sim que percebeu que ele se virou. Já estava agindo espontaneamente e mais ridículo seria se ela simplesmente desistisse do que estava prestes a fazer. Ela engoliu em seco quando Soluço se virou, mas antes que a razão viesse à tona ela se inclinou na direção da bochecha dele e lhe deu um beijo mais demorado do que o constrangimento.
Ela se afastou insegura.
–Eu gosto de você. – Confessou.
Diferente da postura a voz saiu tranquila, como se fosse à coisa mais normal de se dizer para alguém. Merida pigarreou desviando o olhar e corando levemente, depois voltou para Angus, ela não fez questão de direcionar o olhar para Elinor, mas sabia que naquele momento a rainha deveria estar no mínimo furiosa por aquela atitude, e talvez admitir para si mesma e para Soluço não fosse a melhor ideia que poderia ter, mas ela estava contando com sua morte em guerra e isso a impediria de passar o resto da vida com Macintosh e infelizmente a impediria de sonhar com Soluço também.
O silencio durou por pouco tempo até Merida finalmente tomar nota do barulho de guerra, e mais uma vez se sentiu culpada por estar se preocupando com algo meramente banal como naquele momento em que seu povo provavelmente perecia. A lembrança de seu pai queimou em seu coração dando-lhe autoconfiança para encarar Elinor e os irmãos e caminhou até eles com Angus.
–Se protejam. – A voz saiu chorosa.
Elinor abraçou a filha, sabia que aquele não era um pedido e sim uma suplica que deveria ser ouvida e não questionada. Ela não queria envolver o pensamento da filha com o futuro casamento, mas a ponta de tristeza em saber que a filha encontrara o amor tão tarde para considerar foi inevitável, não podiam cancelar com o clã Macintosh, uma guerra já tinha sido o suficiente para aquela geração. Enquanto abraçada Elinor mirou o rapaz perto do dragão negro. Soluço percebendo os profundos olhos castanhos gelou, o simples olhar de Elinor foi como um pedido silencioso para que protegesse a ruiva.
Merida se separou e indicou o caminho para Angus até a sua família, ela auxiliou a rainha e quando estava montados e deu três tapas e Angus partiu para algum lugar seguro. E a cada passo para longe de seu campo de visão ela se sentiu mais nervosa e impaciente com o que vinha a seguir. A consequência parecia maior e o temor à morte mais intenso do que ela tinha imaginado quando decidira colocar aquele kilt.
–Você está bem? – A voz de rouca de Soluço veio como a brisa fria daquela noite, porém foi reconfortante, os passos lentos chegaram até onde ela observava o ponto que ainda se movia em sua mente por entre as florestas. – Eu não vou permitir que você morra.
A voz dele tinha tanta segurança que Merida estava inclinada a acreditar naquilo, ela se virou na direção dele e o abraçou fortemente, naquele simples gesto a princesa transmitia todo o medo e aflição que conseguia sentir naquele momento, sua respiração alterada e a o modo feroz que descansava a cabeça em Soluço, lembrou-se do estado do primeiro vilarejo destruído pelos vikings e do exato momento em que ouviu os gritos agonizantes do jovem Dingwall no momento em que foi incinerado por um dragão. Sentiu a mão de Soluço acariciar seus cabelos e relaxou. Ela se separou aos poucos e viu Valka se aproximar sorrindo para acalma-la, afinal a morte para os vikings tinha um significado melhor do que Merida ainda tinha conhecimento a respeito.
Soluço a acompanhou até o dragão, depois foi com sua mãe até o dela e em seguida se direcionou ao Banguela. Foi o primeiro a alçar voo seguido por Merida e Valka, chegaram rápido até onde a guerra acontecia e em seu sobrevoo pode ver muitos homens já mortos no chão, e então ele desceu, como em seus pesadelos tinham marcas de homens carbonizados por toda a parte e os dragões presentes estavam desgovernados, ele esperou Merida se aproximar de si para encarar Banguela.
–Agora é com você, amigo.
Merida segurava a espada com força e tentava ignorar a quantidade de sangue no chão, viu que Valka estava do seu lado, com a máscara típica e balançando o báculo que afetava os dragões. Sua atenção voltou para o Fúria da Noite, parte de suas escamas começaram a brilhar em uma cor azulada, tão intensa quanto as luzes mágicas que a levavam para o destino, e foi impossível não relacionar. Os dragões foram se acalmando na medida em que Banguela rugia.
Merida percebeu que agora a luta só seria entre os homens presentes, o que era bom, mas continuava sendo uma situação péssima.
–Parem! – Soluço disse autoritário e alguns vikings seguiram as instruções hesitantes após matarem alguns escoceses para se direcionar a outros. Soluço rodou o olhar por entre a multidão até seus olhos focarem diretamente em um dos homens em questão, Minaz, com o esperado ele lutava bravamente. Seus braços estavam completamente manchados de sangue que não era o sangue dele. Ele terminava de enfiar seu machado profundamente em um dos homens. Soluço caminhou em passos cuidadosos em direção dele.
Quando Merida percebeu já estava sozinha. Valka tentava, com sucesso intimidar alguns homens com os dragões. Uasal, seu dragão, estava arisco e parecia não estar gostando nada na cena de guerra, mas parecia que não interferiria em nenhuma batalha que ela viesse a ter naquele momento. De longe alguns escoceses amarravam pedras flamejantes nas catapultas e em seguidas atiraram, em uma forma de conter o avanço das feras, sem ao menos ter o conhecimento que já estavam dominadas. Um dragão nórdico atingido, Valka foi ao auxilio das feras. Merida olhou na direção que Soluço foi e tentou correr na direção dele se um viking não tivesse a impedido. Ele rodou a maça algumas vezes antes de correr ao encontro dela, Merida com dificuldades girou para o lado, batendo com um dos muitos cadáveres espalhados no chão, ela pegou seu arco o mais rápido que pode aproveitando-se da lentidão dele em remover a maça do chão e atirou. Ficou imóvel alguns segundo quando o corpo caiu em cima de suas pernas.
Soluço tentou passar despercebido por muitos deles e parava poucas vezes para impedir uma morte, seja de escoceses ou vikings, foi quando percebeu que Merida não estava ao seu lado. Ele virou se preocupado para todos os lados a sua volta, se ela morresse ali jamais poderia se perdoar.
–Merida! – Ele gritou preocupado, já procurando a pelo chão, percorreu um pouco o caminho que fez antes, para, graças aos deuses, acha-la com dificuldades para mover o homem morto em cima de si. Ela estava manchada de sangue, nos braços e no rostoe em parte do cabelo, ele a auxiliou sem perder a atenção do que acontecia a sua volta.
–Você se feriu? – Ele perguntou preocupado, procurando algum arranhão, mas ela negou com a cabeça voltando a atenção de onde vinham as pedras lançadas pelas catapultas, não queria ser um fardo para Soluço e sabia que ele não tinha intenção de ofendê-la, Merida era capaz de se proteger.
–Precisamos parar isso, de um jeito ou de outro. – Ela disse.
Merida correu em direção a Uasal que tentava se proteger de alguns escoceses que não sabiam sua origem, eles ficaram parados ao ver o jovem ruivo que se aproximou da fera a domando, sem perceber a identidade do jovem do clã DunBroch. Merida viu Soluço perplexo se concentrar em uma batalha depois de lhe dar cobertura e então ela alçou voo, olhando a luta de cima e atirando flechas para tentar separar algumas concentrações de batalha e se concentrou em destruir as catapultas, o que de certa forma estava dando certo, ao verem que o líder dos vikings e o rapaz do clã Macintosh montado no dragão estavam juntos muitos homens paravam de lutar, exaustos.
Minaz percebeu que seus guerreiros começaram a ficar dispersos junto com o inimigo, ele pode observar que alguns até largavam suas armas ao chão, sem decretar um vencedor. Ele viu que Soluço estava próximo e mais acima de sua visão, alguém montado em um dragão com os cabelos ruivos e rebeldes separavam alguns guerreiros, ele se irritou. Lembrou-se da “líder” que Soluço mencionara em uma de suas poucas conversas, não seria uma mulher que impediria o exercito viking, ele já se julgava vencedor do filho de Stoico, nem considerava a escoria escocesa, ele andou rapidamente até um dos mortos e pegou uma lança, mirou com precisão e acertou uma das asas do dragão de Merida, a queda foi acontecendo inevitavelmente. Merida se levantou conferindo o sangue que surgira em seus joelhos e palmas da mão pelo impacto. Levou os olhos até Uasal e ele parecia bem apesar de ferido.
–Vamos ver a sua valentia. – Comentou para si mesmo
Merida voltou sua atenção para o homem que se aproximou com o machado, ele era tão grande que em sua mente a imagem de Mor’du se fez presente. O ataque foi rápido, mas dando tempo o suficiente para ela desviar da machadada que estava por vir, ela procurou Soluço, sem sucesso, seu inimigo estava próximo de mais para conseguir pegar seu arco, e pela força de Minaz sabia que uma espada seria inútil, ela se preparou para desviar do próximo ataque quando viu Soluço se aproximando da batalha, mas parecia tarde em vista do machado sendo levantado contra si, viu Soluço parar seu percurso sem esperança de conseguir salvá-la, dando tempo de culpar sua perna mecânica pela redução de sua velocidade.
Merida fechou os olhos esperando o ataque, mas o homem gritou de dor e quando Merida abriu os olhos viu cravado no peito dele um machado. Tanto ela quanto Soluço e Minaz levaram a atenção ao dragão voando em direção ao chão, era Astrid e um dos muitos dragões da academia de Berk. Merida estava surpresa em ver a moça aparecer, mas não tanto quanto Minaz parecia estar. Astrid se aproximou de Soluço que demonstrou sua confusão momentânea, mas não estava surpreendido.
–É muito tarde pra eu me redimir? – Ela perguntou forçando um sorriso, pela expressão de Soluço ela soube a resposta do amigo. Então voltou a atenção à escocesa e Minaz, ela o cumprimentou com um aceno de mão e o olhar irônico.
Minaz rangeu os dentes e descravou o machado do seu corpo direcionou a ela e atirou. Morreria sim, mas ainda estava disposto a levar a vida da ruiva consigo.
Astrid desviou do machado caindo distando de Soluço que fez o mesmo e elevou os olhos novamente a Merida, tentou levantar o mais rápido que pode, mas sua perna escorregou no sangue do chão, foi quando viu o grande dragão escocês cuspir uma quantidade de fogo indescritível em direção a Minaz, Merida se encolheu tentando se afastar do grito agonizante de Minaz, que rolou algumas vezes no chão para tentar inutilmente apagar o fogo de seu corpo.
E Minaz, que tanto criticou Soluço nos primeiros anos que começou a academia de dragão, que comandou inúmeras operações para matar dragões, que um dia fora o braço direito de Stoico, um órfão que perdeu os pais em um ataque dos repteis alados, e por isso negava-se a ter um, estava morto, do jeito que deveria ter morrido há anos, seu destino traçado foi completado exatamente como o previsto.
Jovem Macintosh de longe, ainda segurando a espada, observou a cena como todos que ainda se encontravam vivos. Viu o jovem de DunBroch se ajudado pelo viking, ele se aproximou lentamente desconfiado. E quando estava perto o suficiente viu que, aquele que deveria ser considerado o herói da guerra em suas terras, era a princesa, sua noiva rebelde e fugitiva.
Ele segurou mais firme a espada, se lembrava claramente do viking que dissera que conhecia a princesa. O quebra-cabeça foi se formando em sua mente, seria possível que sua noiva não tinha mais honra? Sinceramente, esse não era um problema se fosse rei. Mas considerou importante correr em direção ao viking próximo dela.
Soluço se mexeu por impulso, mas não evitou o golpe em seu ombro, Merida gritou em protesto e quando viu Macintosh levantar a arma mais uma vez para ferir Soluço mortalmente ela o defendeu com sua espada, ele a encarou furioso.
–Você não pode! Será minha esposa e me deve obediência. – Ele gritou para ela, que apenas rangeu mais os dentes e contraiu suas sobrancelhas, pelo ataque seus rostos estavam bem próximo para não precisarem gritar como estavam fazendo.
–Você não será rei Macintosh, esse é o direito dos meus irmãos e pare de combater agora, é uma ordem da primogênita e descendente do clã DunBroch. Lembrando que eu não vou hesitar em te atacar se persistir.
Macintosh arfou indignado decifrar se a princesa estava blefando foi impossível. Sabia que ela falava do dragão que a acompanhava, os olhos amarelos já o encaravam desde o momento em que se aproximara do viking, e o dragão negro tinha o mesmo contato focado no jovem que se afastou devagar em direção a outros membros do clã, indignado.
Merida virou em direção a Astrid, ela estava com os braços cruzados, e distante, ela sorriu e Merida devolveu o sorriso. Acenou para Valka pouco mais distante e por ultimo olhou para Soluço que tentava estocar o sangue de seu ombro, porém ele demonstrava se forte e feliz por terem conseguido, pelo menos parar a guerra antes do fim.
–Conseguimos? – Perguntou Soluço considerando a quantidade de pessoas mortas no chão.
–Sim. – Disse Merida esperançosa, olhando a fina linha do dia que começava a se formar no horizonte. Ela sorriu para Soluço tentando evitar que seus olhos marejassem, ele a admirou por alguns segundos e sorriu em resposta.
Fale com o autor