O Preço do Poder

1 Momentos difíceis


Notas iniciais
Primeira fic nessa categoria. Se está aqui, dê uma chance e leia ^^

O vento soprava-lhe forte, sua respiração estava alterada, mas a princesa Merida estava bem com aquele fato. Sua cabeça estava a mil, parecia mesmo que os deuses estavam a castigando, não só a ela mais a todo o seu povo.

O rei Fergus estava doente e diante da situação dele tudo parecia que estava perto do fim, por mais que Merida quisesse fingir que seu pai logo melhoraria, a cada dia parecia que tudo só iria de mal a pior e isso a assustava. Afinal a morte de Fergus significava que alguém deveria assumir o trono, os príncipes Herry, Hubert e Hamish eram novos de mais para administrar qualquer tipo de coisa. Isso só significava uma coisa, casamento. Só de pensar na palavra o estomago da ruiva revirava, ela não estava preparada, mesmo naquela situação tão drástica a qual o destino tinha lhe levado.

A jovem respirou, estava de frente ao rio encarando aquela correnteza indomável, seu tempo de tranquilidade estava acabando, ela não podia ser inconsequente tampouco egoísta, sua mãe também sofria, seus irmãos também. O destino de seu povo parecia que estava cada vez mais em suas mãos. Marida não estava preparada para aquela responsabilidade. Era muito pedir que só pudesse correr e treinar sua artilharia o dia inteiro?

Logicamente que sim.

Ela se virou para trás. Angus, seu cavalo estava a alguns metros de distancia, no exato momento em que se sentiu observado o animal parou de devorar a grama na sua frente e a encarou como se pudesse perguntar se estava tudo bem.

Mas Marida estava séria e perdida em seus pensamentos, caminhou até seu cavalo e antes de montar olhou mais uma vez a paisagem cuidadosamente, esperou por algum milagre divino, ou até mesmo que alguma luz mágica aparecesse, mas como o esperado nada aconteceu.

–Vamos Angus... – Disse a garota dando três tapinhas carinhosos no animal que a levou de volta para o castelo.

Merida não pode deixar de notar a atmosfera tensa que estava instalada naquele lugar e a cada passo que dava para perto do castelo passou a piorar. Preocupada, ela acelerou o passo chegando na estalagem e descendo de Angus.

–Lá vou eu, Angus. – Disse a amazona se despedindo de seu cavalo. Merida escolheu entrar pela cozinha, que no momento não tinha ninguém apenas algumas panelas no fogão e legumes que pareciam terem sidos recém-abandonados pelas cozinheiras. Isso alarmou a ruiva que com passos rápidos foi até o salão principal.

Elinor estava conversava com alguns soldados, o que era estranho para Merida, mas a rainha ao ver a filha entrar no salão deu as costas para os mesmos e correu até a filha dando-lhe um abraço. Parando apenas para passar as mãos em seu rosto como se procurasse algum ferimento.

–Mãe, eu estou bem, aconteceu alguma coisa? – Ela perguntou receosa, o olhar de Elinor era revelador.

–Fomos atacados essa manhã. Pelos céus, Merida eu estava tão aflita. – Aquela notícia era nova, há muito não eram atacados, na verdade Merida mal se lembrava da ultima vez que presenciou tal fato.

–Por quem? – Merida perguntou conseguindo se afastar das mãos da mãe, que se recompôs, mas seu olhar ainda era alarmado, como se não bastava a situação de Fergus, um guerra era tudo que não precisavam.

–Não sabemos, mas um vilarejo próximo ao mar norte foi completamente incinerada, poucos homens sobreviveram, as mulheres e crianças foram poupadas. – Disse Elinor tristemente, o olhar de Merida se arregalou, um ataque sem ao menos uma carta de guerra? Isso significava que seus inimigos não eram os Lordes. Ainda bem, pois significava que ninguém cogitara um casamento naquela situação e nem mesmo sua mãe fazia menção a tal.

Elinor se deu conta que o soldado ainda estava lá, esperando coordenadas do rei, tinham um bom exercito e depois do imprevisto ataque, precisariam de um plano, de um comodante, de um rei. Merida sabia disso tanto quanto sua mãe.

–Por enquanto só investiguem, o Rei Fergus logo estará de pé. – Disse a rainha com convicção, por mais que sua voz tenha saído de forma imprecisa no final. Os Lordes estavam a caminho e era essencial que protegessem DumBroch.

De repente como se seu instinto falasse Marida olhou em toda a sala a procura de seus irmãos mas não os encontrou por isso direcionou o olhar para sua mãe que pôs a mão na cabeça como se estivesse preocupada e exausta com toda a situação.

–Calma, vai dar tudo certo. – Disse Merida em consolo a mãe que apenas deu um sorriso melancólico para a filha.

–Eu acredito nas suas palavras. – Ela comentou dando um abraço na filha que apenas retribuiu.

–Onde estão meus irmãos? – Merida perguntou com naturalidade e esperava uma resposta com tanta naturalidade quanto o seu tom, porém Elinor se afastou bruscamente da jovem e a encarou extasiada, passara o dia todo se preocupando com ordens, nas cartas dos Lordes, na hospedagem das pessoas que agora não tinham uma casa, que não pode acreditar ao esquecer-se de seus pequeninos.

–Merida, seus irmãos saíram pela manhã pouco depois do desjejum. – A rainha colocou as mãos na boca de forma preocupada, como se já pudesse prever o pior, parecia que em seus olhos se desmoronariam por toda a desgraça que começara naqueles meses.

–Eu vou busca-los. – Disse Merida franzindo a testa. Sua mãe era super-protetora, mas Merida conhecia os irmãos, eles estavam vivos, mas mesmo assim com ataques do desconhecido era bem mais seguro se os príncipes estivessem em casa. Elinor pareceu hesitante em permitir a ida da filha, mas ao ouvir a voz de uma das empregadas do castelo a chamar ela viu que precisava do auxilio da filha, então apenas assentiu e sussurrou um “cuide-se” antes de se direcionar a outros afazeres.

Merida correu até a cozinha passando pela mesa e pegando uma maçã chegou na estalagem e jogou a mesma a Angus que pegou no ar, ela deu um pulo habilidoso e seu cavalo começou a correr, ela não sabia bem aonde procurar, mas os trariam rápido. Ela viu o estado da mãe, não queria vê-la mais preocupada.

[...]

–Vocês o que...? – O rapaz franzino, em relação aos outros homens da sala estava visivelmente irritado.

–Fomos conferir as novas terras. – Completou um dos homens que não conseguia entender a reprovação do líder que mantinha sua postura rígida e cabeça baixa para todos como se não quisesse acreditar em seus próprios ouvidos.

–Vocês mataram pessoas e destruíram a casa delas, isso não é conferir. – Ele deu ênfase na palavra “conferir”, ele cerrou seus dentes e encarou com seu semblante irritado para os vikings a sua frente que estavam completamente sem fala.

Ele mapeava, a poucos meses descobrira um povoado grande, com bons castelos de pedras, uma nova civilização. Diziam os livros de seu povo que há muito tempo naquele mesmo lugar muitos vikings viviam e que depois de guerras eles perderam, indo para direção de um novo lugar em busca de moradia, o qual mais tarde seria chamado de Berk. Soluço não era do tipo que deixava o passado interferir em suas decisões, para ele, o que tinha passado não tinha como mudar e não era culpa das novas gerações. Ele não se preocupava com isso, mas seu mapa estava incompleto, ele só queria saber se encontraria novas espécies de dragões ou até mesmo conseguir novas rotas comerciais. Mesmo sabendo que aquele povo fora responsável pela morte de milhares de vikings no passado.

Ele suspirou retomando sua calma, se levantando.

–Tudo bem, mas eu ainda tenho um trabalho para fazer. Permaneçam aqui até o meu retorno. – Ele se referia ao mapa. Disse ele deixando os homens para trás saiu da sala de reunião e deu um longo assobio, em questões de minutos o grande dragão tão negro quanto a noite se permitiu ver, e pousou perto de Soluço que deu um sorriso acariciando-o.

–Vamos amigo. Temos um mapa pra completar. – Disse ele antes de montar em seu fúria da noite.

Notas finais
Alguém?