Dez anos haviam transformado a doçura de Diana em uma carapaça de cinismo e seda negra. Aos vinte e oito anos, ela não caminhava; ela desfilava com o peso de quem já não esperava nada da vida a não ser o próximo prazer passageiro. Seu deboche era sua arma mais afiada, e sua beleza, agora gélida, servia apenas para atrair homens que ela descartava antes do amanhecer.

​Na mesa do café, o silêncio foi quebrado pelo selo rompido de uma carta vinda das fronteiras do Norte. Adrian, cujos cabelos agora ostentavam fios de prata, leu o conteúdo e suspirou, fechando os olhos.

​— Giulia Lâfrer está morta — anunciou o Rei. — Jogou-se de um penhasco. Nem o mar quis acolher aquela alma por muito tempo.

​Diana, que girava uma taça de vinho — sua nova companhia matinal —, soltou uma risada curta e sem vida.

​— Que final poético. A queda de uma rainha de nada. — Ela se levantou, a saia de seda farfalhando. — Sinto que devo compartilhar essa alegria com o meu "querido" hóspede das masmorras. Gostaria de ver que cara um homem faz quando descobre que perdeu a única razão pela qual vendeu a própria alma.

​Adrian a observou. Ele via o veneno nos olhos da filha e, embora doesse, ele apenas assentiu.


​O som dos saltos de Diana ecoando no corredor úmido das masmorras era o anúncio do julgamento. Lucca, que agora carregava o rosto marcado pelo isolamento e uma barba crespa, estava sentado à sua mesa, escrevendo sob a luz de uma única vela. Ele não precisou olhar para saber quem era. O perfume dela — aquele mesmo jasmim de dez anos atrás, agora misturado ao cheiro forte de vinho — impregnou o ar.

​Diana parou diante da cela. A grade de ferro parecia pequena para a fúria que ela carregava.

​— Ora, veja só. O rato ainda sabe escrever — ela disse, o tom carregado de um deboche ácido. — Senti saudades, Lucca? Ou ainda prefere ser chamado pelo nome que roubou?

​Lucca levantou-se lentamente. Seus olhos azuis, outrora brilhantes, agora eram profundos e calmos como um lago congelado. Ele a observou com uma tristeza que irritou Diana.

​— Você continua linda, Diana — ele disse, a voz rouca pela falta de uso. — Mas seu coração parece estar gritando mais alto que suas palavras.

​— Meu coração morreu na noite em que você me tocou pela última vez — ela retrucou, aproximando-se das grades, o rosto a poucos centímetros do dele. — Mas vim aqui para lhe dar um presente. Um consolo para sua solidão. Sua mãe está morta. Ela se jogou nas pedras, Lucca. Até ela percebeu que a vida não valia a pena depois de ver o fracasso do filho.

​Lucca fechou os olhos por um segundo. Um suspiro pesado escapou de seus lábios, mas ele não chorou. Ele olhou para Diana com uma piedade que a fez querer gritar.

​— Ela finalmente encontrou a paz que nunca me deixou ter — ele murmurou. — E você, Diana? O que veio buscar aqui? O meu choro? A minha agonia?

​— Vim buscar o prazer de ver você perceber que não sobrou nada! — ela gritou, a máscara de deboche rachando por um instante. — Você está preso, sua mãe é pó, e eu... eu sou uma mulher que dorme com quem deseja e acorda sem lembrar nomes! Eu venci, Lucca! Eu transformei o que você fez em cinzas!

​Lucca deu um passo à frente, segurando as grades. Ele estava tão perto que ela podia sentir o calor de sua respiração.

​— Você não venceu, meu amor — ele disse, num sussurro devastador. — Você se tornou exatamente o que eu era quando cheguei aqui: uma sombra movida por mágoa. Você me odeia tanto que moldou toda a sua vida ao redor desse ódio. Você ainda é minha prisioneira, Diana. Mais do que eu sou deste castelo.

​Diana recuou como se tivesse levado um tapa. O deboche sumiu, dando lugar a uma raiva tremente. Ela agarrou uma caneca de metal que estava sobre a mesa dele e a arremessou contra a parede da cela.

​— EU TE ODEIO! — ela berrou, o rosto transfigurado. — Eu vou trazer um homem diferente para este corredor todas as noites só para que você ouça o que perdeu!

​— Você pode trazer o reino inteiro para a sua cama — Lucca respondeu, mantendo a calma absoluta enquanto se sentava novamente. — Mas no escuro, quando o silêncio chegar, é o meu nome que você vai tentar abafar com o vinho. Eu estou no inferno, Diana, mas pelo menos eu sei quem eu sou. E você? O que sobrou da princesa que subia em laranjeiras?

​Diana deu um passo atrás, as mãos trêmulas. Ela queria rir, queria humilhá-lo mais, mas as palavras dele entraram como navalhas. Sem dizer mais nada, ela virou as costas e saiu correndo pelos corredores escuros, o som de seus saltos soando agora como batidas de um coração desesperado, deixando Lucca sozinho com sua vela, sua dor e a notícia de que agora era, verdadeiramente, o último de sua linhagem amaldiçoada.