O Preço da Traição.
11 As diferentes pinturas de uma realidade.
Notas iniciais
Quando completei dezessete anos, eu decidi que iria fugir de casa. Eu estava cansada de viver sobre as ordens de minha mãe, de levar uma vida que não era a desejada por mim. Então, às vinte e três horas de uma sexta feira à noite, eu fugi. Caminhei poucos passos até me deparar com um museu, que exibia algumas obras de Frida Kahlo. Eu sabia que deveria correr, pois perderia a condução para outra cidade caso me atrasasse, mas eu não poderia. Fui atraída para dentro do museu, como uma presa é atraída para sua armadilha. Eu fui envolta pelas obras de Frida, pela beleza mostrada e por tudo o que era oferecido em seus quadros. Entre os quadros espalhados, algumas de suas mais impactantes frases eram exibidas. Lembro-me que em uma grande placa de bronze, exibia-se em letras itálicas o dizer “Nunca pintei sonhos, só pintei a minha própria realidade”. Aquela frase ecoaria em minha mente por anos, até mesmo agora. De fato, os sonhos são partes importantes de nossas vidas, afinal, se eles são apenas ilusões, do que seria a nossa vivência sem a sucessão de ilusões que a conduzem e que nos faz, por fim, viver? Mesmo assim, outra parte importante é a forma como pintamos a nossa realidade. Sim, nós a vivemos, mas há diversas formas de enxergarmos o que nos é real. Uma prova disso é o fato de dialogarmos durante anos com situações que nos incomodam, mas não percebermos o incomodo. Nós deixamos passar. Nós aceitamos. Nós fechamos os olhos e seguimos. Nós pintamos uma realidade fadada a falta de autoconhecimento. Basta que algo mude, basta que uma simples mudança de perspectiva se faça presente e nós, enfim, abrimos os olhos. Pinta-se então outra realidade, ainda que seja a mesma, apenas vista por olhos mais atentos e, desta vez, enxergadas pela lente do autoconhecimento. Isso me levou a outra frase de Frida, como se existisse uma grande conexão entre as duas, ainda que ditas em diferentes momentos. Onde não puderes amar, não te demores, ela disse. Temos o amor como o mais sublime dos sentimentos. Muitos acreditam que o amor é a causa das maiores dores, que ele ocasiona as tragédias, mas estão errados. Ódio, raiva, amargura, ambição... Todos eles são capazes de causar tragédias. O amor é o antidoto usado para curá-las. O grande problema é que nós, seres humanos, vulgarizamos o amor. Acreditamos que o mínimo dele é o bastante e aceitamos aquilo. Aceitamos migalhas, temos medo de não tê-las. Muitas vezes não amamos, mas a ilusão de amar nos consola e, mais uma vez, percebemos o quanto dependemos das ilusões, pois quando elas caem por terra, nós somos capazes de enxergar. Eu enxerguei.
Dei-me conta de que não existe sensação melhor do que a do autoconhecimento. A sensação de pertencer a si mesma e a mais ninguém. A sensação de se compreender e notar que qualquer outra pessoa é um somatório a mim, jamais o único reagente. O incrível de entender a frase de Frida é o poder da fuga. Aos meus dezessete anos, eu não fui capaz de fugir do meu próprio destino, não, eu retornei. O ponto principal é que, agora, não se resume apenas a uma fuga. Eu não estou, de fato, fugindo. Estou me libertando e, desta vez, por completo. Liberto-me da prisão do casamento, liberto-me das responsabilidades sociais, liberto-me do não amar. Ainda que Daniel se negasse a assinar o divórcio, ainda que a sociedade me julgasse pela separação, eu não me importava. Estava, mais do que nunca, disposta a lutar. Não era uma luta travada por uma relação fadada ao fracasso. Eu lutaria pelo direito a liberdade, lutaria pelo direito de poder me entregar a quem eu realmente amava. Eu lutaria por mim.
A entrada do prédio de Emma já havia se tornado familiar. Os corredores já não me pareciam desconhecidos e o local havia se tornado agradável. Até mesmo o porteiro me cumprimentava com um amistoso sorriso no rosto. Conforme eu caminhava em direção ao seu apartamento, o peso da cena com Daniel se dissipava, dando lugar a uma paz imensurável. Preparei-me para bater na porta, quando ouvi os gritos vindos de dentro. Por um segundo, certo pânico se instalou em mim, mas bastou que eu apurasse minha audição para compreender do que se tratava.
— Certo, você já pode vir! — segui a voz de Emma e a encontrei agachada atrás do sofá. Ela sorriu e me puxou para baixo, fazendo com que eu me desequilibrasse e caísse sentada em seu colo. — Olá, meu amor. — sua voz não passava de um sussurro e o beijo breve que me deu fez com que um sorriso brotasse em meus lábios.
— O que vocês estão fazendo? — Emma arregalou os olhos e tampou minha boca, impedindo-me de falar.
— Fale baixo! Nós estamos nisso há quase uma hora e estamos empatados, se eu perder, terei que cozinhar para ele. — ela colocou o indicador sobre os lábios e eu assenti, concordando em fazer silêncio. — O seu filho é um ladrãozinho, ele roubou uma três vezes e...
— Emma! — a voz de Henry se fez presente e Emma me puxou para o chão. — Eu estou ouvindo sua respiração!
— Como ele? — ela moveu a boca me encarando em choque.
— Certo, eu vou deixar você se render para poupar a humilhação. — eu pude ouvir o riso contido em sua fala.
Mexi os dedos frente ao rosto de Emma, chamando sua atenção para que olhasse para mim. Ela me encarou sem entender e eu movi os lábios dizendo: “Ele não sabe onde estamos! Ele está blefando!”. Emma abriu um enorme sorriso, como uma criança ao ser presenteada. “Mas como diabos você sabe disso?”, pude notar a frase ser formada quando ela moveu seus lábios. Dei de ombros e sorri, para logo, em seguida, responder o óbvio: “Querida, ele é meu filho”. Eu fiquei alguns segundos em silêncio e pude ouvir os passos perdidos de Henry, que ainda procurava Emma pela casa. Chamei a atenção de Emma novamente e apontei para o sofá ao lado, indicando que iria para lá e mandando que ela esperasse. Emma assentiu em resposta e eu tirei meus saltos, subindo minha saia até as coxas, para que pudesse engatinhar até o meu futuro esconderijo. No entanto, quando preparei-me para ir, um tapa atingiu-me a bunda, fazendo com que eu me virasse novamente para Emma. Ela me encarou com um sorriso malicioso nos lábios e levou uma das mãos até o peito, tombando a cabeça levemente para trás de maneira teatral. Revirei os olhos e contive o riso, pondo-me a engatinhar até o sofá.
Pude ver quando Henry caminhou até o meio da sala e chegou perto de olhar atrás do sofá onde Emma estava, mas acabou se virando e indo em direção aos quartos. Emma estava me olhando e, vez ou outra, me mandava beijos. Revirei os olhos e sinalizei para que ficasse quieta, porém isso só serviu para que um enorme sorriso se mostrasse em seus lábios. Henry voltou à sala, mas sua atenção estava para as portas do armário, bastou que eu olhasse Emma para que ela entendesse meus planos. Henry se abaixou e nós nos levantamos, caminhamos silenciosamente até ele.
— Ah garoto! — Emma falou próximo a seu ouvido e Henry se assustou, dando alguns passos para trás.
Peguei-o pela cintura e ambos caímos no chão, sobre o grande tapete que cobria o chão da sala. Henry tencionou a se levantar, mas Emma o derrubou de novo, atacando seu abdômen com cócegas. Por fim, ambos se deitaram ao meu lado e ficamos os três olhando para o teto.
— Todos sabem que eu ganhei, porque vocês duas roubaram! — Henry se virou, olhando para nós duas.
— Claro que não, garoto! A aposta era entre nós. Você não me encontrou, portanto, eu ganhei! Você terá que cozinhar! — Emma beliscou a ponta do nariz de Henry e ele se deitou sobre a minha barriga.
— Mãe, isso não é justo, diga a ela! — eu neguei com a cabeça e ele se manteve em silêncio durante alguns minutos, até que seus olhos brilharam e ele me encarou sorrindo. — Você é quem está errada!
— O que? — abri a boca em surpresa e ele se sentou.
— Emma, veja bem, nós estávamos apostando e a minha mãe chegou! Ela estragou nosso jogo! — ele cruzou os braços e franziu a testa. Olhei para Emma, certa de que ela discordaria, mas a sua resposta me surpreendeu totalmente.
— Eu concordo! — ela se sentou ao lado de Henry e imitou sua expressão. — Sugiro que a doutora Regina Mills se prepare para ir até a cozinha.
— Ah! Mas não mesmo! — tencionei a levantar-me, mas Emma circundou minha cintura com seus braços, puxando-me de volta ao tapete.
— Por favor, mãe! Há anos você não me faz um bolo de chocolate! — Henry uniu as mãos em forma de prece.
— Henry, eu nem ao menos sei como fazer um bolo! Sabe há quanto tempo eu não entro em uma cozinha? — lutei para manter meu tom sério, ainda que aquela guerra já estivesse perdida.
— Exatamente! Você precisa fazer isso, porque há muito tempo não entra em uma cozinha e há muito tempo não faz um bolo para este pobre menino. — Emma abraçou os ombros de Henry e ele assentiu com uma expressão triste.
Revirei os olhos e me levantei. Os dois continuaram sentados no tapete, ambos compartilhavam o mesmo olhar pidão, como se já se conhecessem a ponto de terem as mesmas manias. Por fim, dei-me por vencida e estiquei as mãos para que levantassem.
— Eu acho bom você ter tudo o que eu preciso nessa cozinha. — falei para Emma, que beijou-me a bochecha e gargalhou.
Olhando minha atual situação, era incrivelmente difícil acreditar que tudo fosse mesmo real. Eu não me lembrava de, alguma vez em todos esses anos, ter ido para a cozinha junto a Henry preparar um bolo. Mais uma vez eu me sentia feliz pelas decisões que havia tomado. Era como se existisse um muro entre meu filho e eu. Ainda que Henry sempre tenha sido mais próximo do que Lily, nada se comparava a nossa atual relação. Ele estava sempre tão leve e sorridente. Passamos tanto tempo juntos e é inegável que, além de filho, ele se tornou um amigo. Eu sabia que Emma tinha uma grande influência nisso e, estranhamente, tornava tudo ainda melhor. A forma como ela e Henry interagiam, as brincadeiras leves e a maneira como ambos pareciam dois adolescentes discutindo me fazia ter a certeza de que era por aquele caminho que eu desejava seguir. Sem mais dor, sem abrir mão de nada por ninguém.
— Então, você coloca a massa que batemos. — orientei Henry, enquanto Emma segurava a vasilha.
— Desse jeito? — Henry parecia completamente dedicado a sua tarefa, sem desviar a atenção do que estava fazendo.
— Assim é melhor. — Emma tomou a colher de sua mão e eu só me dei conta dos seus planos quando senti meu rosto ser molhado.
— Emma Swan. — limpei a massa de bolo com as minhas mãos e abri os olhos, encontrando Emma e Henry do outro lado da cozinha, ambos gargalhando. — Você é uma mulher morta!
Henry havia adormecido no sofá quando eu, enfim, tirei o bolo do forno. Meu cabelo estava uma bagunça, minhas roupas estavam sujas e tudo o que eu conseguia ouvir era a risada baixa de Emma. Ela estava sentada em cima da bancada, com as pernas cruzadas e se dedicava a lambuzar-se com o chantilly. Cruzei os braços e a encarei séria, erguendo uma das sobrancelhas. Emma parou seus movimentos e arregalou os olhos levemente, mas pude ver que um sorriso ainda brincava em seus lábios.
— Venha até aqui. — ela descruzou as pernas e se sentou mais para frente.
— E por que eu iria até ai? — Emma, que estava vestindo uma blusa de botões, começou a desabotoá-los um por um, enquanto seu olhar se mantinha preso ao meu. — Ah sim, esse é um bom motivo.
Então, eu caminhei em sua direção, apoiando as mãos em suas coxas. Emma tocou-me os lábios levemente, mas não tardou para que eu aprofundasse o beijo, prendendo minhas mãos à sua nuca. Ela circundou meu corpo com as pernas, diminuindo o espaço entre nós. Apertei sua cintura e a puxei, trazendo-a para mais perto. O beijo chegou ao fim com nossas respirações descompassadas. Emma beijou-me a testa e tocou a ponta do meu nariz com o indicador, mas eu não conseguia desviar os olhos dos seus seios expostos pela blusa semiaberta. Prendi uma de minhas mãos ao seu cabelo e ela inclinou a cabeça para trás, dando-me livre acesso ao seu pescoço, onde passei a depositar chupões que certamente deixariam marca. Aos poucos os botões da blusa de Emma foram abertos, exibindo o sutiã rendado que vestia. Pude sentir Emma segurar os meus cabelos quando passei a beijar seus seios, ainda cobertos, e, vez ou outra, o seu suspirar pesado se tornava audível. Empurrei seus ombros para trás, fazendo com que Emma deitasse o corpo e ela assim o fez, apoiando-se nos cotovelos. Desci por seu corpo depositando mordidas em seu abdômen, até a barra de sua calça, que logo deixou de ser uma barreira. Afastei-me alguns passos para observar a bela imagem à minha frente. Emma trajava apenas lingerie a posição em que estava fazia com que seus músculos tencionassem, tornando-a uma paisagem digna de ser contemplada.
Ela desceu da bancada e veio até mim, unindo seu corpo ao meu, mas antes que eu pudesse tomar qualquer atitude, Emma me virou em seus braços e colocou-me entre ela e a bancada. Os seus lábios me tocaram a nuca e suas mãos apertaram minha bunda, fazendo com que um gemido rouco abandonasse os meus lábios. Apoiei ambas as mãos à borda e senti as mãos de Emma subirem por meu corpo, até os meus seios, que foram pressionados com força. Minha blusa foi aberta bruscamente, fazendo com que os botões se espalhassem pelo chão. Deixei que ela tirasse, pois aquele ponto, eu já não possuía controle algum sobre o meu corpo. Os toques de Emma, suas ações, cada gesto vindo dela era como o fogo tocando a palha seca. Não tardava a se alastrar, tal como o desejo que residia em mim. Quando dei-me conta, minha blusa já se juntava as roupas de Emma, que estavam caídas pelo piso branco.
— Quanto tempo o Henry costuma dormir? — ela sussurrou em meu ouvido, para logo em seguida morder-me o lóbulo.
— Ele acordou cedo para vir até aqui, vocês dois não pararam por um instante e você entrou nas brincadeiras de Henry como uma adolescente... — eu fui interrompida por um puxão forte dado em meu cabelo, que fez com que minha cabeça tombasse para trás.
— Está dizendo que pareço uma adolescente, doutora Mills? — Emma desceu sua mão até minha virilha, onde deslizou os dedos, torturando-me.
— Uma adolescente, sem sombra de dúvidas. — as palavras saíram em um suspiro, que foi cortado por um gemido alto quando Emma pressionou-me a vagina, ainda por cima do tecido da calcinha. — Emma...
— Eu discordo de você, doutora Mills. — Emma me virou em seus braços, colocando-me de frente para ela, mas sua mão se manteve firme em meu cabelo.
— Mostre-me o porquê discorda, Swan. — ela soltou-me o cabelo e estava pronta para beijar-me quando eu me desvencilhei da prisão estabelecida entre ela e a bancada.
Emma encarou-me com um sorriso travesso nos lábios e eu me afastei com passos curtos, mantendo meus olhos presos aos dela. Mordi lentamente o lábio inferior e pude ver seu olhar acompanhar o movimento. Desatei meu sutiã, deixando que o mesmo caísse ao chão. A cada passo dado por mim, Emma se aproximava, deixando que o jogo estabelecido entre nós se prologasse. Toquei meus próprios seios, pressionando-os com força. Emma encarou-me faminta, eu podia ver o desejo refletido em seus olhos e isso me causava o mais intenso dos prazeres. Subi minhas mãos pelo pescoço, adentrando em meus cabelos e os erguendo, para logo depois soltá-los e voltar a descer os toques, até que atingissem a borda da minha calcinha. Emma avançou alguns passos, mas, desta vez, eu não me afastei.
— O que você está fazendo comigo, Regina? — sua voz era apenas um sussurro, eu podia notar.
— Eu estou apenas despindo-me para ir tomar um relaxante banho. — Emma prendeu meus cabelos em suas mãos para ter acesso à minha nuca.
— E pretende me deixar aqui? — virei-me, beijando seus lábios. Sua língua pediu passagem em minha boca e eu concedi. Os seus toques eram famintos e se mostravam cada vez mais desejosos.
— Nada te impede de me acompanhar, querida.
E ela assim o fez. Caminhamos entre beijos até o banheiro de seu quarto, onde nos despimos por completo, sem parar, em momento algum, as cariciais que se tornavam ainda mais vorazes. A água morna me tocou a pele, ao tempo em que Emma beijou-me os seios, um conjunto que fez-me gemer. No entanto, os meus planos eram diferentes e eu pretendia colocá-los em prática. Inverti nossas posições, encostando Emma contra o vidro gelado. Sua boca se abriu, mas som algum foi emitido. Ergui uma de suas coxas e entreguei meus lábios aos seus, que não tardaram a ser dominados por ela. Aquele beijo que despertava tantas coisas em mim, que causava-me suspiros dos quais eu jamais me cansaria. Mordi seu lábio inferior, puxando-o para mim, para logo depois o soltar e selar seus lábios em um novo beijo. O aperto de minha mão em sua coxa se tornava cada vez mais forte e eu sabia que sua pele clara ficaria marcada. De certa forma, isso tornava o feito ainda mais excitante. Ajoelhei-me a sua frente e pude ver o olhar de Emma brilhar, ainda mais quando um sorriso brincou em seus lábios. O seu peito inflou em um suspiro pesado quando coloquei uma de suas coxas apoiadas em meu ombro e mordi sua parte interna. Suas mãos acariciaram-me o rosto e se prenderam aos meus cabelos. Eu não estava com pressa, pelo contrário. Estava se tornando um deleite imenso ver Emma perder o controle. Ela queria e eu podia ver, tornava-se evidente em sua respiração e na forma como olhava-me em súplica. Suas mãos tocaram o vidro embaçado e um arfar pesado se fez presente quando beijei sua virilha, descendo em direção à sua vagina. Ela se moveu, marcando o vidro com seus movimentos, deixando rastros pela fumaça que o embaçava.
— Regina! — não pude evitar o sorriso ao ouvir Emma gemer meu nome.
Contudo, eu não podia me esquecer de que não estávamos sozinhas e, portanto, os maravilhosos sons deveriam ser controlados. Levei uma de minhas mãos até sua boca, impedindo que seus gemidos fossem dados. Intensifiquei os movimentos de minha língua em sua vagina, passando-a por toda a extensão de seu sexo, para só então dar chupões em seu clitóris. Emma moveu sua boca, desvencilhando-se de minha mão e quando tencionei a abaixá-la, ela a segurou, levando dois de meus dedos as seus lábios. Ela mordiscou, para logo depois os chupar. Recebendo aquilo como um pedido, eu os direcionei à sua vagina, juntando-os à minha língua. Penetrei-a lentamente e pude ver Emma tombar a cabeça para trás, apoiando-se ao vidro. Suspiros eram dados e o seu corpo tremia em resposta. Eu me levantei, ao mesmo tempo em que a penetrei totalmente. As unhas de Emma se cravaram à minhas costas e pude sentir a pele ser rasgada, o que, curiosamente, me causou um desejo ainda maior. Intensifiquei os movimentos, tornando-os mais rápidos e mais fortes. Tomei os lábios de Emma junto aos meus, em um peito que, literalmente, lhe tirou o fôlego. O seu corpo tremeu em meus braços, dando sinais do orgasmo que se aproximava. Ela fechou os olhos com força e mordeu-me o ombro, para evitar o gemido que, com certeza, não seria nem um pouco baixo. Aos poucos o frenesi parou e eu diminui os movimentos de meus dedos, até que os tirei. Emma encarou-me, um sorriso enorme brilhava em seu rosto, que estava levemente corado. Ela respirou fundo e escondeu-se na curva de meu pescoço.
— Está saciada, senhorita Swan? — beijei seu ombro, acariciando seus cabelos, que estavam molhados.
— De você? — ela ergueu a cabeça e tocou-me os lábios, para logo em seguida inverter nossas posições. — Nunca.
Eu estava no quarto de Emma, penteando os cabelos frente ao espelho. Swan veio até mim e abraçou-me a cintura, beijando-me a bochecha.
— Regina Mills, desde quando você marca as pessoas? — ela encarou meu reflexo no espelho, erguendo uma das sobrancelhas, em uma falsa expressão de indignação.
— Querida, eu não sei do que você está falando. — fingi inocência, mas eu sabia muito bem do que ela estava falando.
Emma me soltou e se colocou à minha frente, erguendo o hobby que vestia e exibindo a marca de meus dedos em sua coxa. Mal abri a boca para debater e ela ergueu o indicador, mandando-me esperar. Então, ela ergueu os cabelos, exibindo as marcas em seu pescoço. Novamente, quando me preparei para agir em minha defesa, ela desatou o nó que prendia o hobby e mostrou-me seus seios, que possuíam chupões em diversos lugares.
— Certo. — segurei o queixo entre dois dedos, olhando com atenção para o seu corpo, que estava completamente despido.
— Regina, eu estou falando sério! — ela fechou o hobby e cruzou os braços à minha frente, mas eu podia ver que estava se esforçando para não rir.
— Você quer mesmo falar sobre marcas? — ela assentiu. — Tudo bem.
Virei-me de costas e desatei o nó do meu hobby, deixando que caísse pelos meus braços. Deixei que Emma visse as marcas de suas unhas em minhas costas e puxei o cabelo para exibir a deixada por sua mordida em meu ombro. Ela abriu a boca para falar, mas a fechou logo em seguida. Vesti o hobby e cruzei os braços, espelhando sua posição, e a encarei, esperando que dissesse algo.
— E então, querida? — Emma sorriu fraco, o seu olhar pidão fez-me negar com a cabeça, mas antes que eu pudesse dizer algo, fomos interrompidas.
— Mãe! O bolo tá pronto? — a voz de Henry se fez presente e Emma ergueu as mãos em vitória.
— Salva pelo gongo! — beijou meu rosto e tencionou a caminhar até o banheiro, mas eu a segurei.
— Emma! As nossas roupas estão jogadas na cozinha! — o seu rosto espelhou meu pânico e seus olhos se arregalaram.
— Henry!
Corremos em direção à cozinha, mas Emma segurou-me pela cintura e paramos bruscamente ao chegar lá. Henry estava encostado em uma das bancadas, com uma maçã nas mãos. Ele alternou o olhar entre nós e as roupas que estavam jogadas pelo chão. Eu olhei para Emma e quase gargalhei com o rubor em sua face. Ela estava completamente vermelha e eu jurava que ela sairia correndo a qualquer segundo.
— Aconteceu uma guerra aqui ou algo assim? — Henry enrugou a testa enquanto nos encarava, mas me aliviou ver que ele estava achando graça da situação, ainda que eu quisesse acabar logo com aquilo.
— Henry! Não vê que Emma está quase pegando fogo de tão vermelha! Não a deixe mais sem graça. — o meu filho me encarou com uma das sobrancelhas erguidas e eu tive a certeza de que a malicia era genética.
— Certo, vamos fazer assim, mamãe. — ele colocou a maçã sobre a bancada e ergueu ambas as mãos. Eu rezei para que aquilo acabasse logo e pudéssemos esquecer o assunto. — Eu vou voltar lá para a sala e ficar alguns minutos vendo os livros de Emma. Daqui a pouco eu volto e vamos fingir que esse momento nunca aconteceu.
— Parece perfeito! — Emma respirou fundo, enquanto apoiava uma das mãos à cintura e outra pairava sobre o peito.
Henry se virou e Emma pareceu respirar, mas durou poucos segundos, pois ele se virou e ela retornou a sua posição. No entanto, Henry apenas pegou a maçã em cima da bancada e voltou a caminhar. Encarei Emma e ela se abanou com as mãos.
— Céus! Eu achei que não sobreviveria a isso. — ela deitou sua cabeça em meu ombro e eu sorri. — Como diabos você está sorrindo? O seu filho acabou de... De presenciar isso. Meu Deus!
— Emma, olhe para mim. — eu a segurei pelos ombros e ela me encarou, ainda com a respiração descompassada. — Henry é um adolescente, ele sabe que estamos juntas. Parte de mim está louca, querendo fugir e me esconder por isso, mas outra parte sabe que está tudo bem e eu estou tentando me apegar a ela. Então não me deixe nervosa, porque você não vai gostar de me ver nervosa.
— Não te deixar nervosa. — ela sorriu e assentiu, beijando-me os lábios rapidamente, mas eu podia ver que ela lutava para não surtar. — Certo, não te deixar nervosa. Posso fazer isso.
Depois de muita insistência de Henry e Emma, eu concordei em passar a noite em sua casa. Henry já havia dormido no sofá, enquanto eu e Emma ainda assistíamos ao filme que passava na tevê. O meu celular vibrou, roubando-nos a atenção e Emma se esticou para pegá-lo em minha bolsa.
— Ah é o meu corretor. Vamos ver algumas casas amanhã. — entreguei meu celular para ela, que o colocou sobre a mesa de centro.
— Regina... Eu estava pensando nisso há algum tempo e eu realmente não quero correr com as coisas, eu sei que você está se separando e eu entendo a situação, ou pelo menos tanto entender, mas é que...
— Emma, fale logo. — ela inspirou fundo e fechou os olhos, para logo depois os abrir e me encarar.
— Eu queria muito que você e o Henry viessem morar aqui comigo. — seu pedido me pegou de surpresa e eu soltei seus ombros, tomando certa distância para olhá-la, o que não passou despercebido por ela. — Eu realmente quero isso, Regina. Eu quero você e eu o quero também. Henry é um garoto tão incrível e eu me sinto tão bem ao seu lado. É como se, com vocês, eu realmente estivesse em um lar. Eu quero mudar, eu quero estudar, quero trabalhar com outra coisa, mas, além disso, eu quero fazer isso ao seu lado, com vocês.
— Emma, eu... — ela cobriu meus lábios com o indicador, para logo depois substituí-los por um beijo.
— Não fala nada, você não precisa me responder agora. — retribui seu beijo e segurei suas mãos.
— Eu quero responder. — ela assentiu e eu continuei. — Eu adorei saber disso. Adorei saber que quer fazer todas essas coisas e ainda mais quando incluiu o Henry nisso tudo. Ele é parte de mim e, de qualquer forma, eu não poderia sonhar estar com você se ele não estivesse nisso. Quando eu vejo vocês, quando vejo como ele fica e o quão feliz Henry está, isso me faz ter certeza de que estou seguindo pelo caminho certo e eu não poderia estar mais feliz, mas...
— Mas... — Emma beijou minha mão e esperou.
— Mas eu estou saindo de um casamento e eu preciso me estabilizar. Eu preciso ter o meu lugar, preciso me libertar dessa dependência. Eu preciso comprar uma casa, preciso saber que estou pisando em algo meu e preciso ter essa segurança. Então, eu a convido a vir comigo. — Emma me olhou sem entender e eu me adiantei em explicar. — Eu estou saindo da casa onde vivi com Daniel, pois eu quero um novo começo. Eu não vou vir para cá pelo mesmo motivo. Eu quero que você venha comigo amanhã, quero que façamos juntas, quero que você venha morar comigo em uma casa nossa. Vai ser um lugar meu, tal como será um lugar seu. Eu quero um novo começo, Emma, e eu quero com você.
— Céus, você é tão incrível. — Emma beijou-me os lábios, para logo depois dar-me o mais belo dos sorrisos. — É claro que eu aceito!
— Ótimo, eu não estava disposta a aceitar um “não” como resposta. — Emma revirou os olhos e eu a abracei.
Faltavam poucas horas para meu encontro com Daniel. Logo pela manhã ele havia me ligado disposto a uma conversa para acertarmos alguns detalhes do divórcio e eu estava ansiosa para acabar com aquilo. Mais uma vez, Frida rodeou-me a mente, com sua tão maravilhosa imagem. Eu jamais discordaria que amuralhar meu próprio sofrimento significava arriscar que ele me devoraria por dentro. Eu vivi isso. Eu me prendi a uma relação que tirou-me o poder de escolha, que me deu um status social, mas me tirou o brilho de viver. Casei porque era o certo a se fazer e eu não vou negar que amei Daniel, mas eu amei pouco e, ainda assim, coloquei esse pouco amor frente ao que me deveria ser o mais importante: o amor próprio. A valorização de minhas próprias ideias, de minhas vontades e desejos, pois eu passei por cima deles. Agora, tudo o que eu via, era uma chance de rasgar as tiras que me prendiam a isso e assim o faria.
— Regina, você não pode fazer isso comigo! — Daniel entrou pela porta do consultório com os papéis em mãos. — Eu não posso aceitar isso!
— Não cabe a você aceitar ou não, Daniel. Eu já me decidi e não irei voltar atrás. — cruzei as pernas e me recostei na cadeira, enquanto o encarava.
— Regina, nós temos um casamento de anos! Eu amo você! Não faça isso com a nossa família! — ele apoiou as mãos na mesa e tombou a cabeça. — É por causa da traição? Eu sinto muito! Eu prometo nunca mais vê-la, isso não vai se repetir!
— Daniel, em primeiro lugar, nós nunca realmente estivemos em um casamento. Nós sustentamos aparências, nada além disso. Casamos por pura pressão, não por amor. Nunca foi sobre amor e por isso você me traiu. Eu não te culpo por ter me traído, na verdade, eu tenho pena da pobre menina que você está iludindo. — aproximei-me da mesa, debruçando-me ali para ficar mais perto de seu rosto, que se mantinha abaixado. — Você não se importa com nosso casamento, ou com nossa família. A grande questão é que agora você sabe que perdeu.
— Regina, você não pode me deixar! — ele falou baixo, sem erguer a cabeça.
— Eu te deixei há muito tempo, querido, só estou tornando isso oficial. O ponto é que agora você percebeu o quanto precisa desse casamento. Por anos eu achei que precisava do status social que ele me dava, mas a verdade é que eu nunca precisei de você, você sempre precisou de mim. Você não era nada antes de ter o meu sobrenome associado ao seu nome e é isso o que você vai se tornar após o divórcio: um nada. Um professorzinho medíocre que não tem onde cair morto. — eu me levantei, espelhando sua posição com as mãos apoiadas à mesa, mas meu rosto se mantinha erguido e minha expressão impassível. — E sabe por que eu sei disso? O reitor da faculdade em que você dá aula me ligou mais cedo. Pense no quanto ele deve estar te odiando após ouvir minha triste história sobre a sua infidelidade. Ele jamais iria querer alguém assim em sua faculdade, ele não quer alguém que foi expulso da família Mills. Eu nunca precisei de você, Daniel. Então eu sugiro que assine esse papel e se poupe da humilhação que será o litigioso. — eu me levantei, pegando minha bolsa. — E me faça um favor, caso veja Lily, diga que eu também a quero fora daquela casa. O meu advogado entrará em contato com você. Feche a porta quando sair.
Eu deixei o consultório e eu sabia que, naquele momento, o meu casamento com Daniel estava morto. Verdades que deixei de dizer durante anos vieram à tona, verdades que eu já não poderia esconder. Não de Daniel e muito menos de mim. Eu desejava a ele um bom futuro e que fosse longe de mim. Liguei para Emma, acertando o local aonde iríamos nos encontrar. Henry estava na escola e o mesmo havia pedido para irmos buscá-lo mais tarde. Eu estava feliz e pela primeira vez em muito tempo, eu não me sentia culpada por nada.
— Olá, senhorita. — Emma abraçou-me pela cintura e seus lábios tocaram-me o rosto. — Você está sozinha?
— Oh não, eu estou esperando alguém. — coloquei-me de frente para ela, apoiando os braços em seus ombros.
— Acredito que seja uma pessoa de muita sorte. — ela me beijou e tal como todas as vezes que o fazia, eu me entreguei.
— Creio que sou eu a pessoa de sorte. — retirei os cabelos de seu rosto, que se agitavam com o vento. — Queria te dar tudo o que nunca teve, e...
— Nem assim você saberia a maravilha que é poder te ter. — ela completou a frase e, diferente do esperado, eu não me surpreendi por Emma conhecer Frida. Pelo contrário, acredito que, naquele instante, eu me apaixonei ainda mais. — No que você estava pensando quando cheguei aqui? Fiquei durante minutos te observando e você me parecia tão perdida.
— Eu só estava refletindo sobre algumas coisas. — toquei a ponta de seu nariz e ela assentiu, com seus olhos presos aos meus.
— Eu tenho a estranha impressão de nunca realmente saber o que você está pensando. É como se você mostrasse uma parte, mostrasse o que deseja que seja visto, mas guardasse muitas coisas aqui dentro. — o seu indicador tocou-me a têmpora.
Então, eu a beijei. Não existia resposta verbal para aquilo, ou talvez, eu simplesmente não quisesse responder. Ainda que reflita sobre Heráclito e sua constante afirmação da mudança, eu sempre vou me recordar de frases de Frida. Eu sempre vou me recordar da noite em que escolhi fugir, mas acabei retornando por medo. Aquela noite representava o meu sopro de coragem, ao tempo em que simbolizava a minha covardia e sua lembrança seria conservada para que nunca mais se repetisse. Eu pretendia jamais desejar fugir novamente. Mais do que isso. Eu pretendia jamais fugir. Só foge aquele que está preso a algo e eu jamais me prenderia. Não mais. Valorizada seria a minha liberdade e tudo o que a rodeia. Afirma-se que a mudança é imutável, pois nada é absoluto. Tudo muda, tudo se move, tudo gira, tudo voa e desaparece. O que não se difere quando fala-se de pessoas, ou quando falo de mim. Acima de tudo e do que é dito, depois de me descobrir e me redescobrir, hoje eu sei que, mais do que eu mesma, eu sou a desintegração.
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