O Preço da Traição.
8 Antes da tempestade.
Notas iniciais
O abismo. O abismo é uma incógnita, dependendo do contexto no qual se aplica. Para alguns, pular em um abismo, ainda que de forma simbólica, é sinônimo de desespero, falta de opção, suicídio. Para outros, o abismo é a libertação da alma, o desafio da vida e o grito da coragem. Para mim, ele é um recomeço. É curiosa a forma como é visto, Freud disse, certa vez, que cada pessoa é um abismo e nos causa vertigem olhar dentro delas. Um abismo pelo simples fato de que a mente alheia é uma escuridão completa, ainda que convivêssemos 24 horas por dia com a mesma pessoa, nunca seriamos capaz de conhecer todas as suas ideias, todos os seus planos, objetivos e pensamos. Não me admira saber que se pode passar a vida ao lado de um psicopata e não se dar conta disso. Mergulhar em outra pessoa, entregar-se a outra pessoa, assemelha-se a isso, pois não se sabe o que pode encontrar. Exige-se confiança, exige-se coragem e, principalmente, exige-se a crença de que no fim da queda, alguém irá lhe segurar. Causa vertigem encarar, pois o desconhecido assusta, até mesmo os mais preparados. Todos hesitam diante de uma porta escura, todos pensam duas vezes antes de prosseguir, a vertigem vem e é inevitável. O problema em si não é a escuridão do abismo e sim o que se esconde atrás dela. No entanto, em alguns casos, a escuridão pode ser apenas uma parte do caminho, onde uma luz prevalece em seguida.
Emma e Henry travavam um pequeno debate, pequei-me alheia a tudo, voltando à realidade apenas quando um dos carros buzinou, chamando-me a atenção para o sinal que acabara de abrir.
― Você precisa entender que Harry Potter e Câmara Secreta é o melhor filme, sempre será! ― Henry estava sentado no banco de trás e esticava-se para falar com Emma.
― Nada disso! ― Ela negou com o dedo indicador. ― O Prisioneiro de Azkaban é o melhor livro e o melhor filme. Harry encontra Sirius, ninguém morre.
― Mas somos iludidos o filme todo, até descobrirmos que Sirius não é o verdadeiro culpado. É frustrante! ― Ele bateu contra o encosto do banco.
― Pelo contrário, só mostra o quando J.K é magnifica! ― Emma ergueu a mão, como quem declara o óbvio.
― Eu não aceito isso! ― Pude ouvir Henry bufar, ele odiava perder discussões. ― Minha mãe vai decidir. Diga a ela que A Câmara Secreta é o melhor filme, mãe.
Parei no sinal, encarando os dois. Ambos me olhavam com expectativa e se não se conhecessem há tão pouco tempo, eu poderia jurar que compartilhavam o mesmo olhar pidão.
― Você sabe que eu sempre gostei do Sirius, Henry. Além disso, amo a cena onde a Professora Trelawney fala a profecia. ― Coloquei o carro em movimento novamente, vendo o olhar desapontado de Henry pelo espelho.
― Céus! Além de linda, ela entende de Harry Potter! ― Encarei Emma com reprovação, segurando-me para não sorrir, pois Henry estava no carro. ― Viu só, garoto. Sua mãe sabe das coisas.
― Ah… Talvez eu concorde, mas só talvez. ― Emma sorriu, erguendo os braços. ― Santa Regina Mills! ― Beijou-me a bochecha de forma carinhosa, fazendo com que um arrepio passasse por meu corpo.
Encarei o espelho novamente, encontrando os olhos de Henry que me observavam. Eu sabia que meu rosto estava corado, sabia também que um sorriso bobo pintava meus lábios e, diferente do esperado, ele se reproduzia no rosto de Henry, que nos olhava com certa alegria, uma alegria que há tempos eu não via nos olhos do meu filho.
Emma e eu nos acomodamos nos bancos, enquanto Henry havia ido para o vestiário se trocar. Ele vestia uma calça jeans rasgada, tênis All Stars, uma regata branca e jaqueta vermelha. Céus, como eu amava aquela jaqueta vermelha.
― Eu vou buscar uma Coca, você quer alguma coisa? ― Encarei seus olhos, que eram demasiadamente hipnotizantes. ― Regina?
― Oi! ― Balancei a cabeça, recobrando a consciência. ― Eu quero uma água, por favor.
― Certo. ―Ela olhou ao redor antes de tocar-me os lábios e sair.
Cerca de alguns minutos depois, Emma retornou. Henry já estava no campo, ele seria o batedor. O jogo de basebol havia começado há poucos segundos e eu me segurava para não rir das reações de Emma.
― Há quanto tempo Henry joga basebol? ― Ela se voltou para mim, levando o canudo até a boca.
― Cerca de um ano, mais ou menos. Ele nunca gostou, mas começou a jogar para agradar Daniel. ― Segurei sua mão, entrelaçando nossos dedos.
― Daniel gosta de basebol? ― Ela se sentou mais perto.
― Daniel nunca assistiu a nenhum jogo. Ele está sempre muito ocupado em jantares, viagens. O tempo é algo quase utópico em seu vocabulário. Eu sempre fui mais próxima às crianças. Tanto de Lily, quanto de Henry. Lily fez Ballet até os dezesseis anos, eu assisti a todos os ensaios e todas as apresentações. Henry sempre gostou de música, desde pequeno ele faz aulas de piano e então, decidiu começar os treinos de basebol. Eu tento formular meus horários para estar presente sempre e, na maioria das vezes, eu consigo. ― Suspirei ― Daniel não é um pai ruim, ele só…
― Não é bom o bastante. ― Ela completou e eu sorri em resposta. ― Você é uma boa mãe. Henry te ama tanto e isso é absurdamente notável, a forma como ele age com você… É lindo.
― Você pensa nisso, Em? ― Ela me encarou com um olhar de desentendimento. ― Você pensa em ser mãe?
― Eu... ― Ela sorriu. ― Eu nunca tive uma base materna, Regina, minha vida é uma bagunça. Não cuido nem de mim, como eu poderia cuidar de uma criança?
― Eu entendo. ― Apertei sua mão de forma protetora.
Ela sorriu, levando a mão direita até a nuca. Aquele sorriso extremamente adorável, que mostrava o quanto estava sem graça e entregava quando um assunto a afetava internamente. Seus olhos se encontraram com os meus novamente. Aquele olhar esmeralda. Segurei-me para não beijá-la e eu sabia que ela estava travando a mesma batalha, pois meus lábios eram alvos do seu olhar e sua boca se abriu, entregando sua respiração pesada. Emma balançou a cabeça e voltou-se novamente para o jogo.
― Está se tornando muito difícil me manter longe de você. ― Confessei, encarando seu rosto.
― Então não fique.
Aproximei-me de Emma. Eu sabia o quanto era arriscado, mas a fase de decidir entre o certo e o errado já havia ficado para trás. Seria mentira dizer que eu não pertencia a ela, que cada célula do meu corpo clamava pelo dela. A verdade é que há tempos eu desisti de resistir ao instinto que me puxa em sua direção. Toquei seu rosto com a ponta dos meus dedos, trazendo-a mais para perto.
― Mãe! ― A voz de Henry despertou-me, fazendo com que eu me afastasse e o procurasse.
― Oi, querido! ― Sorri para ele, que vinha correndo em nossa direção.
― Eu acho que vou sair do jogo. ― Ele se acomodou entre nós, meio cabisbaixo. ― Não consegui rebater sequer uma bola!
― Mas isso não é motivo para você desistir, garoto! ― Emma chamou sua atenção, abraçando-o de lado. ― Presta atenção, o arremessador do time adversário é bem mais alto que você, então a bola dele sempre mais sair mais alta. ― Ela indicou o campo com o dedo, como se mostrasse a bola voando. ― Mas ela pede velocidade e cai um pouco antes de chegar até você, então mantenha o taco perto do seu rosto, atento a altura da bola antes de bater.
― Você joga basebol, Emma? ― Henry estava animado, como se toda a tristeza que trouxe consigo tivesse, de repente, se esvaído.
― Eu jogava, mas já faz muito tempo. Lembro-me de algumas coisas. ― Ela sorriu para mim e bagunçou o cabelo de Henry. ― Agora vá até lá e arrase!
― Certo! ― Ele bateu na mão dela e voltou correndo para o campo.
O jogo se iniciou novamente. Emma estava agora, sem a jaqueta, em pé, olhando com atenção tudo o que acontecia. Vez ou outra ela soltava um suspiro de frustração. Era adorável. Henry se preparou, segurou o taco com as duas mãos. Eu podia ver que ele estava nervoso. Fiquei ao lado de Emma, ambas esperávamos o momento em que a bola seria lançada. E ela foi. Como se estivesse em câmera lenta, eu observei a bola voar em direção a Henry. Ele se preparou e bateu, acertando em cheio. Ergui os braços, olhando para Emma, que acabara de dar um pulo em alegria.
― Esse é o meu garoto! ― Ela gritou, abraçando-me em seguida.
Henry correu em nossa direção, unindo-se a nós em um abraço triplo, que por pouco não me derrubou. O sorriso que trazia em seus lábios mostrava o quanto estava feliz e aquilo era, para mim, o mais incrível dos presentes. Ele entregou a bola do jogo a Emma e pude jurar ver seus olhos marejados.
― Muito obrigada! Eu realmente quero que fique com ela, como uma lembrança! ― Ele a olhou com expectativa.
― Claro, garoto! ― Ela estava surpresa e isso era extremamente notável. ― Mas eu quero um autógrafo do melhor jogador de basebol que já conheci!
Mexi dentro de minha bolsa, retirando uma caneta e entregando a ele, que assinou a bola e devolveu a Emma.
― Perfeito! ― Ela sorriu para mim, abraçando Henry de lado.
Tudo parecia tão perfeito, tão incrível. Era como se tudo estivesse certo, em seu lugar. Como se meus problemas não existissem e toda a alegria se resumisse aos sorrisos que eram lançados para mim. No fim, se resumia.
― Mãe, tudo bem para você se eu for para a casa do David?
― Eu pensei que você iria para casa, querido, mas não tem problema algum, você pode ir. Eu vou pegar uma água, você quer alguma coisa?
― Aceito um milk-shake! ― Olhei-o com reprovação, ele sabia que eu odiava quando comia essas besteiras.
― Só hoje, mãe! ― Lá estava ela, a carinha que sempre me desmontava, embora eu lutasse para resistir. ― Diga a ela, Emma, que de vez em quando não tem problema. ― Encarei Emma, esperando que falasse algo. O espanto em seu olhar quase me fez rir, mas mantive-me séria, encarando-a.
― Eu… Eu… ― Levantei uma das sobrancelhas, esperando que prosseguisse. ― Olha, eu acho que não tem problema de vez em quando. ― Ela falou rápido, em um folego só.
Caminhei em sua direção de forma ameaçadora, levantando o indicador na altura de seu rosto. Emma prendeu a respiração e eu prendi o riso.
― Certo. ― Vire-me e caminhei para a área das lanchonetes.
Cerca de alguns minutos depois eu retornava com um milk-shake em mãos e uma água na outra, mas parei quando vi Emma e Henry sentados. Eles pareciam conversar e eu me aproximei em silêncio, tentando ouvir sobre o que falavam.
― Há tempos eu não via minha mãe tão feliz, eu não a via sorrir e eu gosto disso, gosto de quando ela está bem. ― Ouvi a voz de Henry e meus olhos ficaram marejados diante do que era dito. ― Eu sei que o casamento deles não está em sua melhor fase e ainda tem os problemas com a Lily. Eu não me importaria se ela se separasse dele, sabe? Eu não acho que ele a mereça, ela é tão feliz, tão magnifica.
― Henry… ― Emma o interrompeu. ― As coisas não são assim, a vida dos adultos é muito complicada. Ela não pode simplesmente largá-lo. Existem coisas importantes envolvidas. Um casamento de anos, você, sua irmã.
― Eu sei que existe algo a mais entre vocês. ― Prendi a respiração ao ouvir aquilo e fechei os olhos, esperando o que viria a seguir. ― Eu vi o jeito como ela te olha, Em. Ela nunca olhou assim para o meu pai. Em um dia eu a vi dar os melhores sorrisos. Eu quero que saiba que eu não sou contra, pelo contrário, eu apoio isso e eu estou do seu lado, se você me prometer que fará todos os dias dela serem como hoje.
― Eu… ― Pensei em interromper, mas eu estava curiosa, no fundo, eu realmente queria saber qual era a resposta. ― É o que eu mais quero, Henry, mas não depende só de mim.
Sequei as lágrimas que marcavam meu rosto e caminhei em direção a eles, forçando meus saltos contra o chão, para que o barulho anunciasse minha chegada.
***
Henry havia ido para a casa de David e Emma insistiu para que fossemos até seu apartamento. Hesitei a princípio, mas acabei cedendo. Emma estava quieta, completamente diferente do normal e algo me dizia que o motivo era a conversa que havia tido com Henry. Entramos em sua casa e ela foi até a cozinha, encheu um copo d’água e o bebeu, enquanto eu me mantinha encostada no batente da porta, observando suas ações.
― Você vai me dizer o que está acontecendo? ― Caminhei até ela, colocando-a contra a bancada.
― Eu não sei. ― Abracei seu pescoço, enquanto suas mãos se prenderam em minha cintura. ― Prometo dizer quando souber, certo?
― Certo.
Toquei seus lábios com lentidão, puxando-a para mim. Suas mãos subiram por minhas costas, encurtando a distância entre nossos corpos. O beijo de Emma era maravilhoso. A forma como nossos lábios se encaixavam, como as línguas dançavam uma melodia própria e seguiam seu ritmo. Nunca fora tão saboroso. Segurei em seus cabelos, prendendo as madeixas loiras entre os meus dedos.
― Toma banho comigo? ― Ela sussurrou contra minha boca e eu assenti.
O banheiro de Emma era incrivelmente grande e bem organizado. Emma abriu as torneiras da banheira e voltou-se para mim. Eu estava encostada na pia e observei quando ela, de forma extremamente provocativa, retirou sua própria camiseta, exibindo o sutiã preto que vestia. Meus olhos desceram para o seu abdômen bem definido e não pude evitar morder os lábios quanto o primeiro botão do seu jeans foi aberto. No entanto, ela parou e caminhou até a banheira, apoiando-se na borda.
― Tire suas roupas para mim… ― Era um tipo de pedido mesclado a uma ordem. Hesitei por alguns segundos, o que não passou despercebido por ela. ― Você é linda, Regina. A mulher mais linda que eu já vi e eu a quero de todas as formas. Sinto que nunca irei me cansar de você, do seu jeito, da sua beleza.
As palavras dela me atingiram de uma forma deliciosa. O jeito intenso de Emma mexia comigo, ela inflava meu ego com poucas palavras e fazia com que eu me sentisse a mais bela entre as belas. Fazia com que eu, principalmente, quisesse abusar da sensualidade que sabia ter, mas que por muito fora esquecida. Emma era o mais saboroso dos desafios. Caminhei até o centro do banheiro, ficando à sua frente. Eu trajava uma blusa de seda negra e saia lápis, peças que estavam dentro do meu carro e que eu agradeci aos céus por tê-las ali, afinal, eu havia dormido na casa de Swan e não queria repetir o vestido que usei durante o jantar.
Joguei meu cabelo para o lado, afastando a franja que caia em meu rosto. Abri com lentidão o zíper de minha saia lápis, deixando que a mesma caísse ao chão. Os olhos de Emma subiram por minhas pernas e pude ver quando mordeu o lábio inferior. Voltei minha atenção para os botões da blusa que vestia, abrindo-os um por um. Quando cheguei ao fim, a blusa estava completamente aberta e dava uma visão perfeita da lingerie negra que trajava. Emma caminhou em minha direção e se abaixou, puxando a meia calça que cobria-me a perna. Seus lábios se arrastaram por minha coxa, subiram por minha vagina, que ainda estava coberta pela calcinha, depositaram beijos por meu abdômen, pelos meus seios, para só então encontrarem os meus lábios. Suas mãos se prenderam em meus cabelos, enquanto eu abria os botões de sua calça. Não tardou para que ambas estivéssemos nuas. Emma segurou minhas mãos, indo em direção à banheira. Ela se sentou e eu me acomodei entre suas pernas.
Senti seus lábios tocarem-me o pescoço, depositando um beijo. Suas mãos subiram pelo meu abdômen, indo de encontro aos meus seios. Deite-me a cabeça em seu ombro, dando a ela livre acesso. Seus dedos rodearam o bico de meus seios e eu suspirei.
― Em-ma…
Segurei em suas coxas, cravando as unhas em sua carne. Sua mão esquerda continuou massageando meu seio, enquanto a direita desceu de encontro a minha vagina. Seus dedos massagearam meu clitóris com uma lentidão tortuosa. Uma mordida foi dada em meu ombro e eu gemi, em alto em bom som, completamente entregue a ela. O meu corpo tremia em seus braços, uma resposta às ondas de prazer que se espalhavam por ele e se concentravam no meio das minhas pernas.
― Emma, por favor!
― O que você quer? ― ela sussurrou contra meu ouvido, mordiscando-me o lóbulo.
― Eu quero você… Por favor.
Ela penetrou-me com seus dedos, iniciando um vai e vem lento, mas que ganhava velocidade. Beijos eram depositados em meu pescoço, seguido de chupões, que eu sabia que deixariam marcas, mas pouco me importava. Meu quadril se movia em direção aos seus dedos, meu corpo clamava por ela. Emma estocou rápido e forte. Os meus pelos se arrepiaram, uma onda de prazer passou por todo o meu corpo e eu gozei. Os orgasmos com ela eram sempre os melhores. Nunca eram iguais e nunca deixavam de ser perfeitos. Suspirei fundo, apoiando-me em seu corpo.
***
― Você precisa mesmo ir? ― Ela me encarava com um olhar triste.
― Eu preciso. ― Suspirei.
Ela veio em minha direção, tomando-me em seus braços. Inspirei seu cheiro, abraçando-me com força a ela. Ela se afastou e encarou os meus olhos.
― Eu posso estar me enganando, Regina, eu posso estar cometendo o maior erro de toda a minha vida, mas eu rezo pelo dia em que você não precisará ir embora. ― Os seus olhos marejaram e ela segurou meu rosto entre as mãos, beijando-me com leveza.
Eu sabia que, em breve, eu não seria capaz de deixa-la. Sabia que estava indo cada vez mais fundo e não me importava, eu queria ir e eu iria.
― Toma. ― ela mexeu no bolso de sua calça, retirando minha aliança. ― Acho que preciso te devolver isso.
― Não. ― Retirei a mão, antes que ela colocasse em meu dedo. ― Você não precisa… Eu não a quero.
Pude jurar que olhar de Emma se iluminou e um sorriso brincou no canto dos seus lábios. Puxei-a para mim, iniciando um beijo, que não era de despedida, mas que deixava clara toda à saudade que já se fazia presente.
Existem grandes especulações a respeito de abismos. Sempre irão existir. Mas acredito que o grande problema não é ele, são as pessoas que o encaram. Eu havia pulado, eu estava certa de que essa era a melhor escolha. Nós passamos a vida hesitando, passamos a vida duvidando e isso só nos faz perder grandes oportunidades. Faz-nos perder momentos que valem por uma vida inteira. Momentos que nos mostram que não se precisa de muito para ser feliz, que a beleza reside em pequenas coisas e que você só precisa estar disposto a enxergar. Por isso eu digo, que se as pessoas são abismos, como Freud disse, mergulhe nelas. Ignore a vertigem e aceite a queda. Dê a essa pessoa, a oportunidade de lhe segurar. Eu pulei e cada vez mais tinha certeza de que Emma era a luz por trás de toda a escuridão. Eu ansiava para que ela chegasse, pois eu já estava entregue. Não havia volta e eu não queria voltar. Tudo pelo qual anseio é uma calmaria e a oportunidade de ser feliz antes da próxima tempestade, porque você sabe, elas sempre vêm.
Fale com o autor