O Preço da Coroa
15 O baile
O salão de bailes do Palácio de Edimburgo nunca esteve tão iluminado. Centenas de velas de cera de abelha refletiam nos espelhos de cristal e nas joias das damas da corte. Mas todos os olhares, sem exceção, convergiam para uma única figura: a Baronesa de Valfenda.
Maria movia-se com uma graça que silenciava qualquer crítico. Seu vestido, uma obra-prima da seda francesa em tom esmeralda, realçava seus cachos escuros que agora eram adornados por pequenas presilhas de diamantes. Ela sorria, conversava em francês fluente com diplomatas e aceitava convites para valsar com duques e condes, movendo-se pelo salão como se tivesse nascido em Versalhes.
Edmund, sentado ao lado de Isabella no estrado real, mal conseguia respirar. Ele observava cada riso dela, cada toque de mãos de outros nobres na cintura de Maria. O ciúme e o desejo lutavam dentro dele como feras enjauladas.
A Dança do Destino
Quando a música mudou para uma melodia mais lenta e profunda, Edmund levantou-se. O salão silenciou. Ele desceu os degraus e caminhou em linha reta até Maria, que acabara de recusar um conde espanhol.
— Baronesa — a voz de Edmund saiu mais grave do que o normal. Ele estendeu a mão enluvada. — Concederia esta dança ao seu Rei?
Maria sustentou o olhar dele. Não havia mais a fúria cega de três anos atrás, nem a dor da partida. Havia uma segurança altiva.
— Como desejar, Majestade — ela respondeu, colocando a mão sobre a dele.
Eles foram para o centro do salão. No momento em que Edmund envolveu a cintura dela e Maria pousou a mão no ombro dele, o mundo ao redor pareceu desaparecer. Eles flutuavam.
— Você mudou — Edmund sussurrou, os olhos fixos nos dela. — Está... magnífica. E agora é uma Baronesa.
— Aprendi que títulos são escudos, Edmund — ela retrucou, o tom suave mas firme. — Eu não precisei de um rei para me dar valor. Eu mesma o conquistei.
— Eu nunca deixei de pensar em você. Nem por um dia — ele confessou, a voz falhando sob o peso da verdade. — Quando soube que você era nobre por sangue... eu senti que o mundo tinha rido da minha cara. Se eu soubesse disso três anos atrás...
— Se soubesse, teria me amado por quem eu era ou pelo que o papel dizia que eu sou? — Maria o desafiou, fazendo um giro elegante.
O Olhar da Rainha
Do trono, a Rainha Isabella observava a cena. Ela não sentia o ódio de uma esposa traída, mas a melancolia de uma mulher que reconhecia a alma de um homem que nunca lhe pertenceu. Ela via a mão de Edmund apertar a de Maria com uma urgência desesperada; via o modo como ele inclinava a cabeça para ouvir o sussurro dela.
Isabella suspirou, fechando o leque de plumas. Ela olhou para a aliança em seu dedo — um símbolo de um contrato que trouxera paz, mas que agora parecia uma corrente para ambos.
"Ele nunca me deu esse olhar", pensou Isabella. "Nós somos bons parceiros, mas eles... eles são a própria vida."
A Semente da Liberdade
Após a dança, Edmund levou Maria até uma varanda isolada, longe dos ouvidos curiosos.
— Maria, eu não posso continuar assim. O reino está estável, a Espanha está satisfeita. Eu vou falar com os juristas de Roma. Deve haver uma forma...
Maria o olhou com tristeza.
— Você é casado perante Deus, Edmund. Anulações são raras e perigosas.
— Isabella é uma mulher inteligente — Edmund disse, ganhando coragem. — Ela sabe que este casamento é uma farsa sagrada. Eu vi o olhar dela hoje. Ela não quer viver em um castelo de gelo tanto quanto eu.
O que eles não sabiam é que Isabella, naquele exato momento, chamava Lorde Archibald para um canto escuro.
— Archibald — a rainha sussurrou. — Quero que prepare uma audiência privada com o enviado do Papa e meu marido amanhã. Há uma conversa sobre "ausência de afeição mútua" e "propósitos políticos cumpridos" que precisamos ter. A Escócia merece uma Rainha que o Rei realmente ame.
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