O Preço do Poder
6 Propostas
Notas iniciais
Os ventos guiavam com força a frota de navios dos vikings, algumas pessoas voavam com os dragões um pouco a frente. Astrid estava no convés principal observando os movimentos do vento e da mare, tentando captar todo tipo de ponto de referencia que levariam até aquela terra. Era bastante tempo no mar, e tudo indicava que ainda estavam longe, porém todos ali pareciam estar longe de reclamar em vista da recompensa final.
–Astrid... – Chamou um viking seriamente, ela se virou na direção dele e ele apenas indicou com a cabeça em direção ao gabinete. Astrid caminhou em passos apressados entrando na sala, vendo que havia muitos guerreiros sentados em um tipo de escritório improvisado, o lugar era mal iluminado, por isso Astrid não pode reconhecer todos que estavam presentes. Ela sentou-se em um lugar qualquer, e estava muito silencio a ponto de um pedaço de madeira mal colocado da estrutura do navio esgueirar enquanto o navio movia-se sobre as ondas.
–Temos que deixar algumas coisas claras antes de chegarmos às novas terras – Dizia o mesmo viking que saiu para chamar Astrid. Ele quebrou o silencio e todos davam atenção, Astrid tentou observar algum de seus amigos e logo os encontrou do outro lado da sala. Ela voltou a atenção ao homem.
–Todos sabem que há tempos foram tiradas nossas terras, nossas frotas. Em batalhas mortais. – Astrid se concentrava para absorver o máximo de informação que ele queria transmitir.
–Vamos conseguir tudo isso de volta! Ao contrário dos nossos ancestrais, nós temos as feras.
Os olhos dele brilhavam a cada palavra, e Astrid percebeu no poder de persuasão das propostas deles no restante dos guerreiros que pareciam cada vez mais entusiasmados. O homem foi interrompido por Perna-de-peixe que levantou a mão para falar, porem não esperou nenhum tipo de permissão, e nem precisava.
–E quanto ao nosso líder? Ele não parece estar de acordo com... Esses planos. – Ele terminou de falar e uma onda de comentários de todos os tipos cobriu a sala, mas Astrid não fez questão de dar atenção a nenhum deles.
–Silencio! – Disse novamente o viking, não era autoritário, ele pediu com calma. E todos aos pouco foram se calando. Mesmo com a escuridão do local, Astrid sentiu os olhos negros a encarando e aos poucos outros olhares seguiram o mesmo caminho até ela. Ela balançou a cabeça e se moveu inquieta.
–Ele virá. Não se preocupe, Soluço é o maior orgulho de Berk em três gerações, quando ele perceber a grandiosidade que estamos propondo ele cairá em si.
Primeiramente sentiu raiva. Raiva pelo vínculo que parecia existir ali, depois passou a lembrar-se de suas palavras na ultima vez que vira o líder e de como não conseguia entende-lo. Soluço era poderoso ele tinha o controle de dragões e mesmo assim, não se permitia usar aquela realidade para o bem de seu povo. Vikings estavam se extinguindo. Era cada vez mais raro encontrar outra tribo que partilhava dos mesmos costumes. Tinham que agir.
–...Eu garanto que ele virá. – Ela comentou por fim, mesmo não tendo certeza em suas palavras.
–Ótimo. O filho de Stoico ainda é nosso líder, ele tem que estar na linha de frente para o avanço da nossa civilização. Vamos difundir o progresso do nosso povo. E por fim...
Astrid sentiu frio na barriga, como se a realidade de guerras estivesse, agora, mais do que nunca, perto. Ela não tinha medo, mas um sentimento de receio bateu em si, mesmo ela tentando dispersar esse pensamento, não pode evitar sua boca secar e direcionar seus olhos arregalados em direção aquele guerreiro.
–...Uma nova Era viking.
[...]
Merida estava perdida em poucos pensamentos, seu olhar era vago e pensava em toda consequência de seu ato vindo à tona. A ideia de se casar por um minuto pareceu mais interessante, porém caiu em si e começou a tentar bolar uma solução imediata para aquela situação, a ponto de não perceber que estava resmungando diante de Soluço que tinha o olhar confuso à figura da ruiva que pensava alto sem notar que ele permanecia ali vendo-a falando sozinha, porém ele não conseguiu compreender o que ao certo ela comentava.
–Você está bem? – Ele tinha uma das sobrancelhas levantadas. O viking viu o olhar dela fixar bruscamente nele em feições assustadas onde era possível captar seu desespero momentâneo.
Ela sacudiu a cabeça freneticamente, mas respirou fundo tentando disfarçar.
–Você precisa ir embora. – Ela comentou rápido e começou a empurrar Soluço em direção a Banguela que tinha seu olhar também confuso em direção a Merida.
Ele não se moveu.
–Não. Eu preciso falar com você. – Merida parou mordendo o lábio inferior e olhando para o lado de onde pode ouvir outro “princesa” dessa vez foi Dingwall, Soluço também lançou o olhar na mesma direção e tentava a todo custo entender as atitudes da, até então, rainha.
Soluço andou calmamente até seu dragão, montando nele. Encarou Merida que pareceu confusa por um momento, mas em segundos voltou a sua expressão perturbada.
–Se seus amigos a incomodam, nós vamos para outro lugar. – Disse ele estendendo a mão.
Merida o encarou incrédula com a boca semiaberta.
Ele deveria ser um louco, em pensar que aquela que acabara de se declarar líder dos inimigos de Soluço, cogitaria a possibilidade de subir em um dragão o qual ele tinha total controle. Ela podia ser raptada, morta e principalmente cair. Sem falar que a espada dele tinha uma lamina de fogo.
Tudo indicava que se ela aceitasse aquela proposta sem-noção, morreria. Não tinha medo de Banguela, pois ainda acreditava que ele era um guardião espiritual, mas seu cavaleiro era um líder dos bárbaros que exterminaram um vilarejo inteiro. Se simples pessoas daquele povo faziam aquele tipo de atrocidade o que o líder era capaz de fazer?
Merida deu um quase imperceptível paço para trás, o que não passou despercebido para Soluço, que naquele momento começou achar que comunicar-se com dragões era algo tão mais fácil do que seres humanos. E pela sua intuição, depois de ter algum tipo de aproximação com Baguela jovem não estaria hesitante a subir em um. Afinal era o que acontecia, após o primeiro contato a tentação de voar era inviável de não ocorrer.
–Princesa? – pode ouvir novamente. Ela fechou os olhos e Soluço teve a impressão de que ela fez algum tipo de prece antes de pegar na mão dele e subir em Banguela, que fez um único impulso antes de decolar.
Jovem Macintosh sentiu a rajada de vento e se protegeu com a mão no momento do susto sendo seguindo pelos outros jovens, que tiveram a mesma reação. Mas logo seu olhar se tornou feroz e desconfiado. O trio correu em direção de onde tinha vindo o estranho fenômeno. Encaravam o circulo de pedra tentando achar alguma coisa fora do comum.
–Vamos dar o fora daqui, esse lugar é muito sinistro. – Disse Dingwall. Os outros apenas concordaram se direcionaram a outros lugares.
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