O Preço do Poder
5 Equivalência
Notas iniciais
Merida olhava atentamente ao rapaz que se encontrava bem no centro do grande circulo de pedra, naquele momento ela se sentiu um pouco impotente em pensar que ele não fazia ideia do grau de importância que aquele lugar tinha, na verdade, nem mesmo Merida ousara ter mais conhecimento a respeito de magia antiga. De relance ela pode perceber que a grande fera negra estava acanhada por encontrar-se entre as pedras.
Merida sentiu-se com intrepidez para fazer uma pequena aproximação, só para ter certeza que o dragão não atacaria, tudo indicou que não. Então ela observou os trajes estranhos de Soluço um pouco mais de perto. O rapaz a sua frente estava longe dos vikings da sua imaginação.
Ela parou de encará-lo ao perceber que ele fazia o mesmo com ela. Ele estava a analisando, então decidiu quebrar o silencio sucessivo que se formara no local.
–Não é mesmo? – Ela tornou sua postura inflexível com as sobrancelhas levemente contraídas. Merida não tinha mais medo, não ali naquela situação. Algo dizia para ela que ele não era um inimigo, ou se fosse ele conseguia fingir muito bem que não era. Isso a perturbava de verdade.
Ela precisava de um plano, talvez com aquela pequena conversa a princesa conseguiria arrancar informações valiosas que ajudaria o exercito de seu povo a combatê-los.
Soluço estava sem reação pelas atitudes de Banguela. Pensou um momento na possibilidade daquela garota ser uma feiticeira. Mas por instante ignoraria aquele fato, sendo ou não conhecedora de magia ela poderia lhe ajudar a ter uma audição com o líder deles.
–Meu nome é Soluço, preciso falar com o seu líder.
Ele disse alto mostrando a seriedade das palavras. Merida observou a feição rígida dele. E começou a refletir da situação de Fergus, seria burrice falar que seu povo se encontrava sem rei para o inimigo. A ruiva pareceu surpresa pela proposta e comentou:
–Agora que vai oficializar a guerra? – Ela tinha o tom de indignação lembrando-se do ataque recente que a Escócia tinha levado.
Soluço pareceu mais contraído depois da resposta dela, porém estava sem jeito e deu um passo para o lado onde Banguela estava como se estivesse procurando argumentos para rebater, mas ele não parecia ter.
–Não...Não é bem isso. Você está entendendo errado. – Soluço sabia que os vikings demorariam pelo menos dois dias de barco para chegar naquela terra, mesmo assim, ele não conhecia as estratégias de guerra deles, por isso quanto mais rápido conversasse com o líder mais rápido eles se apressariam. Ele estava agitado, e não conseguia disfarçar isso da princesa. Ele continuou:
–Eu posso falar com o seu líder? É muito importante. – Ele disse por fim parando e fixando o olhar nos azuis-turquesa da princesa que parecia confusa e sem entender as atitudes dele, ela estava desconfiada e não fazia questão de esconder. Seja Soluço quem fosse, ele estava suplicando uma audição com o seu rei, mas que rei? O Rei Urso estava totalmente debilitado, se descobrissem que um viking fez contato certamente no dia seguinte ela estaria casada.
–E-Eu sou a líder. – Merida não mediu suas palavras e Soluço estranhou o fato dela ter gaguejado, mas sua aflição era tanta que ele simplesmente ignorou. Ele encarou Banguela que fez o mesmo e ele voltou a Merida com um sorriso entusiasmado.
–Ah Odin, isso é ótimo! – Ele comentou mais para o dragão do que para a princesa então ela apenas ficou quieta esperando que ele dirigisse diretamente a ela, sem se ofender, afinal ela mesma não acreditava no que tinha acabado de falar.
–É um prazer conhecer... – Disse o viking formalmente.
–...Merida...Rainha. – A cada palavra Merida se arrependia ainda mais, e mesmo sua voz sendo falha e duvidosa, Soluço não parecia dar importância aquele fato, na verdade ele estava feliz, afinal se aquela garota jovem e astuta era a rainha isso queria dizer que os nativos não eram tão diferentes de Berk, era mais um motivo daquela guerra ser completamente sem sentido.
–Esse é Banguela, Banguela essa é Merida, a rainha. – Ele disse para o dragão, a ruiva encarou a fera que rosnava em direção dela, mas parecia apenas com ciúmes.
–Como acharam dragões? – Merida disse curiosa. Soluço pareceu satisfeito com a pergunta, afinal ele queria confiança e precisava daquilo para que a rainha confiasse nas palavras dele quando ele dissesse que os vikings estavam vindo para a guerra, que ele era o líder e que não tinha nada a ver com aquela guerra, não estava traindo a sua vila, queria expandir frotas comerciais e não dominar novos territórios. Só esperava que aquela moça fosse uma melhor líder que ele.
–Eles sempre estiveram lá. Aqui não tem dragões? – Ele perguntou curioso. Era outro motivo para estar ali, achar novas raças de dragões era tão importante para ele como um treinador.
–Ter, tem. Mas nunca vi, não são comuns, não nos perturbam e não os perturbamos também. – A resposta animou Soluço e Merida não deixou de reparar nisso.
Ele estendeu a mão em direção dela, e ela achou o ato muito ousado, e não disfarçou Soluço pareceu sem graça então apenas insinuou para que ela se aproximasse de Banguela. Merida queria ver a fera de perto, queria tocas as escamas, ela estava interessada. Em poucos segundos ela estava de frente ao dragão e virou para o lado onde Soluço estava, ela podia perguntar com o olhar se aquilo era seguro, Soluço indicou que sim e ela esticou a mão em direção a fera que parecia a cada segundo mais acostumado com a presença da moça, que sorriu de canto para a criatura.
–Você consegue achar desses aqui também? – Ela perguntou passando a mão cuidadosamente na cabeça da fera que já estava entregue as caricias dela.
–Outros dragões, muito provável. – Ele respondeu convencido de que era um ótimo treinador de dragão. Foi então que se lembrou do real motivo de estar ali, e decidiu voltar a feição preocupada que não passou despercebido da princesa.
–Eu preciso falar do motivo que me trouxe aqui... – Merida pareceu preocupada e se por segundos ela se esqueceu de que ele era um viking, acabara de lembrar e em pequenos passos ela se afastou tanto de Banguela quanto de Soluço.
–Princesa! – Ambos puderam ouvir a alguns metros de distancia em direção ao leste, de onde vinha o castelo. Merida arregalou os olhos e amaldiçoou a voz de Macintosh que provavelmente era acompanhado pelos outros jovens, se a achassem seria seu fim, e ainda ficaria com fama de mentirosa. Não que ela não fosse, naquele momento.
–São seus amigos? – Merida percebeu que o viking não conhecia os termos de tratamento de seu povo e agradeceu a Danu* por isso. Precisava sair dali, precisava tirar o viking e o dragão dali antes que os jovens lordes aparecessem.
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