Notas iniciais
Boa leitura

Alguns dias antes, estava sossegado, encubando ovos e procurando novas espécies de dragões, se ao menos não tivesse ido tão ao sul quanto era do seu costume, nada disso teria acontecido. Na verdade tudo que Soluço tentava fazer era não se culpar, ele tinha fé de que ele era um orgulho para seus ancestrais, ao seu pai. Porém parecia tão improvável que em menos de uma semana os vikings decidiriam expandir seu território.

Soluço se perguntava se seria assim caso Stoico estivesse vivo, perguntava-se se seria assim, se ainda fossem apenas guerreiros batalhando contra dragões para proteger suas ovelhas e mantimentos. Há muito ele não se sentia assim, tão deslocado de seu próprio povo, e Astrid, a quem ele sempre confiara simplesmente acompanhou os passos dos demais.

Parecia que tudo que nutria em relação a Berk estava se desfazendo em poucos segundos e não era surpreendente a ideia de apenas dar as costas aquela realidade e deixar de ter um “lar” apenas para se aventurar como sempre fizera, Valka, sua mãe, vivia assim, e vivia bem. Valka e Berk não eram compatíveis um com outro e o mero motivo de sua mãe ter dado uma chance ao seu passado era estar próximo ao seu filho. Foi questão de tempo para a mulher de cabelos longos e castanhos voltar ao oficio de resgatar dragões, afinal Berk não era a ultima vila viking no mundo. Existiam outros, que ainda optavam por batalhar contra as feras, existia contrabando de presas, escamas e garras e sua mãe lutava contra esses feitos.

Entretanto existia Merida, existiam pessoas inocentes que mal conheciam a historia dos tempos passados. Soluço não tinha a capacidade de voar para longe da guerra e deixar que uma nação inteira morresse injustamente. Injusto sim, uma vez que vikings tinham diversos dragões. E pelos recentes dados que recolhera as pessoas de Dunbroch mal se encontravam com dragões.

Por fim, estava curioso. Em saber onde as feras daquelas terras habitavam, em conhecer a cultura da garota ruiva e de seu reino, seus guerreiros. Soluço podia se considerava muitas coisas, mas conquistador não era uma delas.

Já voava a um bom tempo sua mente estava a mil a ponto de perceber apenas quando estava perto o suficiente do grande navio, Banguela por não receber nenhuma direção deu a volta no barco antes de pousar, lançou um olhar ao Soluço para ver se ele estava bem assim que ele tinha descido de suas costas, o mesmo apenas lançou um meio sorriso, antes de respirar profundamente procurando paz, ele deu o primeiro passo como se estivesse quebrando uma grande barreira de seus pensamentos, a porta da cabine abriu no mesmo momento, era Astrid que lançou um olhar surpreso para ele, logo atrás dela apareceu Minaz, viking o qual Soluço conhecia bem.

Na época em que batalhavam contra os dragões Minaz era um dos vikings mais brutais em aniquilar as feras, e isso explicava a origem de seu nome. Aos poucos o restante dos vikings foram aparecendo o olharam para Soluço com uma expressão o qual o jovem não pode decifrar ao certo, alguns temiam por sua atitude, tinham medo de que optasse por fazer o oposto o qual Stoico faria, outros pareciam aliviados em ver que o líder enfim estava ali. E por fim, alguns passaram a direcionar os olhares a Minaz como se estivesse esperando a reação dele, já que fora esse mesmo viking que os trouxera até ali e dera as ideias utópicas de uma nova Era Viking.

–Soluço...É bom ver que está aqui. – Ele tinha um sorriso amarelo estampado no rosto, seu olhar por ora passou um tom desafiador a Soluço, Banguela pode constatar o mesmo a ponto de ranger os dentes e direcionar seu olhar apertado em direção ao possante viking. Soluço lançou o olhar de lado para Banguela, mas não fez que evitaria nenhuma tentativa de ataque do dragão e isso não passou despercebido por Minaz, que fechou seu sorriso gradativamente.

–Precisamos conversar, seriamente, filho de Stoico. – Ele disse seco, Astrid sentiu a frieza de Minaz ao seu lado e encarou de novo a Soluço, ela pode constatar pelas suas sobrancelhas contraídas uma contra a outra que ele não estava ali para negociar, mas sim para evitar o golpe de estado que Minaz aparentava estar bolando.

Minaz era forte, alto, amedrontador, sabia lutar muito bem, lembrava muito mais um viking do que Soluço jamais fora capaz de transmitir. Ele aparentava ser um líder viking. Não era pelas cicatrizes de batalhas espalhadas em seu corpo, nem pela sua voz profunda. Mas por que, de fato, ele tinha os ideais que muitos naquela embarcação pareciam ter. Astrid sentiu seu coração congelar pelo próprio pensamento, ela queria se desculpar com Soluço, mas havia uma tensão no ambiente, todos os olhares esperando uma briga, uma morte. Nos pensamentos de todos já havia acontecido, apenas pelos olhares que ambos trocavam.

Soluço caminhou com passos pesados e longos em direção ao gabinete e à medida que se aproximava os vikings iam abrindo caminho aos pouco, Astrid fez o mesmo, e se surpreendeu mais uma vez por ver que o olhar de Soluço não migrou uma única vez até ela, mesmo Soluço tendo passado bem ao seu lado.

A porta se fechou.

–Então...A que devo o desprazer? – Soluço disse irônico enquanto o grande homem caminhava até uma mesa que tinha armas depositadas e passava a mão minuciosamente em cada machado e lança que encontrara ali na frente.

–Acho que o que eu sempre gostei em você foi o seu senso de humor, sabia garoto?! – Ele parou por segundos para olhar a reação de Soluço que tinha seu olhar rígido em sua direção. Riu fraco e continuou.

–Não estamos fazendo nada sem a sua permissão, eu só quero o bem de Berk, o bem dos vikings. Falando sério agora, pelo respeito que eu sempre tive a Stoico. Você tem que estar na linha de frente quando matarmos o líder dessa gente. – Ele mal pode perceber quando ao certo sua voz subiu de tom. Soluço levantou o dedo indicador na direção dele sem se incomodar com o olhar raivoso que recebeu.

–Você não sabe o que está fazendo. Existe gente inocente lá, eles não querem batalhar!

–Melhor para nós, será mais fácil. Mataremos o líder e escravizaremos o resto já que faz tanta questão da vida dos desprezíveis.

Soluço sentiu sem sangue subir e ferver com aquele comentário horrível. Mas respirou fundo tentando manter a calma.

–Não, vamos conversar. Merida não quer lutar, tenho certeza que ela até cederá o terreno para que possamos procurar dragões...

Ele parou de falar progressivamente ao ver da burrice que tinha feito até aquele momento, seu olhar ficou vago por poucos segundos até se encontrar com os olhos negros que mal davam para serem enxergados por causa do elmo grande demais para cabeça de Minaz.

–Então você já se comunicou com eles? O que é Merida, é o líder deles? – Ele era ambicioso e prestava atenção no rapaz que tornou sua postura inquieta movendo seus braços enquanto se balançava imperceptivelmente de um lado para o outro.

–Ah Odin me ajude. É uma garota ruiva tão valente quanto muitas mulheres vikings que eu já conheci. Se tivermos como aliada, será uma rota e tanto. Esqueça essa ideia idiota de guerra, não precisamos disso.

Ele disse enquanto via Minaz andando de um lado para o outro como se procurasse uma solução. Ele olhou a ultima vez ao rapaz que na opinião dele era raquítico de mais para ser seu líder e andou a té a porta abrindo a, viu muitos vikings sentados na proa esperando como se fosse a espera mais importante de suas vidas, viu que Soluço o acompanhava e aproveitando dos olhares direcionados sobre si ele se pronunciou.

–Irmãos, temos nosso alvo, só precisamos de um plano, em breve as terras do sul serão nossas. – Muitos comemoraram com gritos e Soluço correu os olhos até Banguela que não se importava com as pessoas que precisou passar por cima apenas se esforçou para ficar próximo a Soluço. Ele também deu sua palavra.

–Não é isso que devemos fazer! Existem famílias lá, crianças, mulheres... Pessoas inocentes, vamos agir com clemencia.

Alguns ficaram divididos pelos argumentos do líder.

–Não vamos matar todos, vamos dar um tratado, o líder deve se sujeitar em nome de seu povo. A cabeça de um pela de todo o resto.

Todos gritaram mais, Minaz tinha conseguido seu golpe de estado e Soluço tinha percebido que diante da reação de Berk eles iriam prosseguir na guerra. Ele apenas montou em Banguela que começou a voar, o banco balançou poucas vezes e Astrid ficou minutos quieta filtrando o que tinha acontecido ali.

[...]

Merida já estava na cama mais por não conseguir dormir levantou-se e foi até a janela estreita e fechada de seu quarto, as chamas estavam acesas e ela decidiu afiar algumas fechas enquanto o sono não vinha, sua cabeça estava a mil, tinha muitas coisas para pensar sobre seu futuro, decidira então passar a noite acordada até o sol raiar para só então dormir, pelo menos evitaria a presença dos jovens, e a pressão que estava sendo formada naquele local em cima dela, antes do anoitecer do próximo dia ela visitaria seu pai doente e tentaria convencer de suas ideia malucas para sua época. Mas ela não conseguia evitar era uma sonhadora, e para aquele tipo de pessoa se era permitido pelo menos sonhar.

Ela olhou a imensidão azulada do céu anoite e pode ver no meio dele luzes, como se fosse estrelas explodindo, ela se assustou brevemente, mas sabia que eram dragões, então rapidamente se vestiu de acordo e desceu as escadas já com seu arco no corpo, viu sua mãe de costas conversando com os lordes, eles já tinham tomado conta, e Merida agradeceu a Dagda por aquilo.

–Princesa! – Comentou Dingwall, e Elinou se virou para filha com uma expressão um pouco assustada e rapidamente foi em direção da filha levando para um canto um pouco afastado dos lordes que mesmo de longe lançaram olhares curiosos a figura das duas afastadas.

–Filha, você não falou que era em pouco menos de uma semana? – Ela disfarçava a preocupação em sua voz muito bem.

–Eu não esperava por isso também. – Respondeu com sinceridade, Elinor respirou fundo.

–Dragões eram só um detalhe? – Naquele momento, pelo menos, fazia um pouco de sentido a rapidez do ataque da ultima vez. Merida respondeu com um sorriso fraco.

–Rainha, não queremos interromper a reunião de vocês, mas precisamos agir, vamos ataca-los.

Disse Macintosh claramente e era obvio pela postura dos três que era o plano deles naquele momento. Eles não tinham um plano, só queriam ir lutar, Merida sabia que isso era burrice então se direcionou a ele tomando a frente da mãe, que apenas olhou surpresa as atitudes da princesa. Elinor não sabia o motivo de ainda se surpreender com a audácia que Merida tinha quando o assunto era o reino.

–Com todo respeito, Milordes, mas isso é ridículo, temos que recuar. – Argumentou com toda a certeza do mundo, mesmo tendo que encarar os olhares dos lordes, como se dissessem que era superiores e que já tinham enfrentado batalhas mortais q que a princesa era jovem e não conhecia táticas de guerra, teoricamente eles estavam certos e Merida sabia disso, mas só uma vez queria que eles vissem as coisas com os seus olhos, não tinha logica em enfrentar dragões.

–Minha Rainha... – Disse McGuffin como se só estivesse esperando a decisão dela. Merida lançou seu olhar bruscamente a figura da mãe que se encontraram, mas Elinor estava de mãos atadas, sem o rei quem eram responsáveis pela guerra eram os lordes, até que Merida se casasse, o que provavelmente não demoraria a acontecer. Ela moveu a cabeça graciosamente e os três vitoriosos deram as costas a figura incrédula de Merida que apenas correu até a porta ela estava entre a saída e os lordes que estavam perplexos pela cena.

–Por favor... – Merida contorceu o rosto em misericórdia, ela temia pela vida deles ela não podia permitir que se suicidassem daquele jeito, mas membros do clã de Macintosh prenderam Merida e seguraram mesmo com os protestos dela. A princesa se contorcia tentando se soltar, mas viu que já era impossível no momento em que os lordes e uma tropa já estava longe de mais para que ela corresse atrás na tentativa de evita-los.

–Vai ficar tudo bem, Merida. – Disse Elinor. Merida ainda olhava em direção da porta e olhou para própria mãe por segundos. Parecia a hora de fazer alguma loucura? Ela olhou de canto e viu que os guardas do castelo estavam distraídos junto aos membros dos três clãs que estavam separados no grande salão, por ultimo olhou novamente a sua mãe.

–Vai...? – Ela comentou mais para si mesma e em frações e segundos ela correu em direção da cozinha apenas ouvindo o “Merida!” assustado de sua mãe e de alguns guardas tentando evitar a sua fuga, ela pode ver alguns deles vindo em sua direção, mas a princesa fora mais rápida, subindo em Angus que de imediato começou a correr, ela só olhou para trás para ter a certeza que os guardas que tentariam impedi-la não persistiram na perseguição no momento em que o bravo cavalo começara a correr. Ela riu alto e divertida comemorando por poucos segundos, porém decidiu permanecer seu foco em primeiro plano.

Não foi difícil seguir o rastro dos escoceses, muito mais levando em conta a direção da fumaça e dos brilhos de explosões moderadas que viam naquela direção. Merida estava assustada, seu coração estava a mil e sentia sua garganta secar no momento em que ouviu um grito estertorado de um dos soldados sendo queimado vivo.

–Recuar! – Ela ouviu um deles dizer e pode ver três cavalos com seus respectivos cavaleiros saindo quase ilesos do combate. Então todos aqueles homens morreriam em prol de seus superiores, Merida sentiu seus olhos lacrimejarem, mas ela conseguiu evitar chorar naquele momento, ela tinha que ser forte, desceu de Angus e passou a mão em sua cabeça. Angus inclinou para conseguir encostar em sua amazona, ela respirou fundo.

Olhou o campo de batalha mais uma vez, tinham vários homens queimados no chão, e três grandes homens com elmos característicos dos vikings, um com machado se aproximava de um dos escoceses que tinha uma lança, ele tremia pela figura monstruosa do viking a sua frente, Merida lançou uma flecha para evitar o impacto do machado, com sucesso, mas chamando a atenção para si própria, ela se fez aparecer.

–Para trás! – Ela disse mirando para ele, o viking deu uma risada fraca e seu dragão, um pedregulho, pareceu que ia atacar a jovem, porém o viking fez um sinal com a mão e a fera se inquietou. Ele se aproximou da jovem que ficou sem reação com a aproximação exagerada que recebera.

–Posso ajudar senhorita? – Ele mostrou seu sorriso malicioso para Merida, e passou a mão de leve em uma mexa mal colocada de seu cabelo, era como se não respirasse mais, se arrependeu de toda a sua alma por se aproximar do ponto de batalha, ela percebeu que a corda do seu arco já estava frouxa e que ela estava sem defesa, ela olhou de canto e viu os três jovens incrédulos pela cena. O homem continuou.

–Talvez eu... – Ele iria usar a outra mão para alisá-la, se não fosse jovem Dingwall se jogando em cima do homem que apenas gritou desesperado ao receber a mordida do loiro, ele rodopiou algumas vezes até cair no chão, os outros cavaleiros ficaram desesperados e um deles se adiantou em pegar seu machado em encravar nas costas do jovem.

–Não! – Merida gritou, mas Macintosh a segurou e empurrou rapidamente em direção de Angus que já estava presente junto a poucos outros cavalos, ao perceber que a moça não subiria ele subiu com ela tentando evitar que ela se jogasse para fora do cavalo, ele adiantou o passo e o cavalo cavalgou rapidamente, e Merida só pode ver um dos outros dragões mirarem no corpo do jovem que, pelos deuses, já estava inconsciente quando recebeu o jato de fogo. Os outros guerreiros ficariam ali tempo o suficiente apenas para passar o tempo que as pessoas daquela vila levaram para fugir, e ficariam agora o tempo para os dessedentes dos clãs estarem em uma distancia segura o suficiente.

Os destinos deles já estavam traçados, eles morreriam assim como o jovem Dingwall.

Notas finais
Desculpa se tiver algum erro. bjs até o próximo.