O Preço do Poder

2 Ameaças do céu


Notas iniciais
Mais um cap, espero que estejam gostando ^^ Boa leitura

Astrid estava resolvendo algumas papeladas da academia, nada sério. Apenas extremamente burocrático e desnecessário, mas se Soluço fazia questão, ela não tinha porque contestar, afinal ele era seu líder.

Soluço era complicado, perfeccionista gostava de mudar os preceitos e a realidade. Ela só não entendia como e se conseguiria acompanha-lo sempre. Ela suspirou incomodada com aqueles relatórios gigantes de novos cavaleiros e novos dragões da academia. Por mais que gostasse muito de Tempestade, a loira nunca conseguiria esquecer-se do que sentia em batalhas contra as feras.

A verdade era que estava entediada, só queria poder batalhar de verdade. Astrid era uma autentica viking, sempre fora. Seu corpo sentia falta da emoção, sua visão sentia falta do avermelhado sangue em seu machado. Coisas do tipo.

Sua atenção foi distraída para um novo rapaz que se fez presente na sala mal iluminada por velas concentradas na mesa de Astrid.

–Nossa! Sua cara está péssima. – Comentou Melequento, Astrid teria o expulsado e xingado a mãe dele por aquele comentário, se ela não tivesse sentido como se realmente fosse verdade, mas ela recomendaria ao viking que não a tirasse do sério naquele dia, podia ser uma decisão fatal.

–Não tanto quanto a sua educação não é mesmo? – Ela disse irônica com um sorriso debochado no rosto. Sua atenção voltou ao prato que o garoto carregava, naquela distancia e longe da luz ela não conseguia definir o que era, mas Melequento percebeu o ar interrogativo que Astrid lhe lançou.

Ela estava trabalhando há horas naquela escuridão. Parecia inegável que Astrid ficaria trancafiada naquele escritório escuro e úmido em um dia de sol. Sol era algo extremamente raro em Berk, não estava calor, mas tinha sol.

–Ainda gosta de comer carne ou tá andando muito com Soluço? – Ele falou com ar de brincadeira, Melequento assim como todos em Berk respeitavam muito o filho de Stoico, ele era um herói.

Astrid riu divertida, mas já estava pensando nisso há algum tempo então não pode evitar guardar aquelas palavras para meditar antes de adormecer na noite que viria. Ela observou Melequento se aproximar e entregar o prato para ela.

–Não exagera... – Ela comentou tentando parecer divertida. Melequento riu.

–Você está há tanto tempo dentro desse lugar fedido a mofo que nem soube que atacamos um velho inimigo. – Astrid lançou lhe uma atenção indescritível, seu semblante sério demonstrava que ela realmente não sabia das boas novas de Berk.

–Do que você está falando? – Indagou a loira.

–Já deve ter lido os livros de história não é? – Ele comentou parecendo distante.

–Ao contrario de você. – Astrid não evitou a provocação, mas Melequento não se ofendeu ele realmente não leu nenhum livro, na verdade ele nem devia saber ler.

–Existem terras ao Sul, que são nossas por direito, fomos expulsos de lá. – Ele olhava para o nada enquanto falava, como se pudesse imaginar a imensidão de suas palavras, Astrid logicamente já conhecia aquela história.

–Soluço foi até lá uma noite qualquer, para explorar, você sabe como ele é. – Riu-se do comentário sozinho. E continuou. – Agora, todos os habitantes de Berk estão comentando de retornarem aquelas Terras.

–Mas e as pessoas que vivem lá? – Perguntou a loira curiosa.

–Astrid, temos dragões, seria um massacre na certa. Eles vão desistir em breve. – Ele disse com os olhos brilhando de emoção.

Astrid refletiu por segundos, aquelas informações eram valiosas. Soluço estaria de acordo? Ele nunca fora de guerrear, ele era um verdadeiro pacifista. Não tinha porque não estar, afinal aquele povo expulsou os vikings de suas terras, passaram a viver lá como se fossem deles.

Era o que ela queria afinal, emoção. Precisavam matar o líder, um povo sem líder era um povo desolado, depois terminariam exterminando a linhagem real e ponto. Fim da guerra. Ela não se preocupava com o domínio territorial Astrid só queria lutar.

–Um líder é responsável por suprir as necessidades de seu povo, se Berk quer lutar Soluço não poderá evitar. – Ela comentou mais para si mesma, sentia seu sangue correr mais quente nas veias, suas mãos soavam só de pensar em poder decapitar pessoas com seu machado.

–Eu quero lutar. – Ela olhou para Melequento que tinha um sorriso de canto ao ver a atitude que a moça ao seu lado tinha tomado, aquela Astrid sim ele conhecia.

–Bem-vinda de volta Astrid.

–Eu quero analisar o território inimigo por mim mesma. Não diga ao Soluço aonde eu fui, volto antes do anoitecer.

[...]

Merida estava chocada, as casas estavam completamente queimadas, nem um sinal de vida parecia estar ali, isso a preocupou, onde seus irmãos estariam vivos, naquele lugar? Era tão impossível. Elinor não resistiria se soubesse que seus filhos estariam mortos.

Merida não podia perdoar os responsáveis por aquela calamidade. Ela não era contra guerras, mas aquilo fora covardia, atacar civis era tão desprezível. O cheiro de morte era tão forte ali, que ela decidira, lutaria pelo seu povo, em honra de Fergus.

Ela despertou de seus pensamentos ao ver que uma luz azul brilhava a alguns metros de distancia, ela franziu o cenho. E desceu de Angus que ficou completamente inquieto ao ver a magia antiga.

–Seria possível me levarem até meus irmãos ou o destino deles já foram traçados? – Ela comentou para si mesma só observava a luz chamando-a, voltou a atenção a ultima vez para Angus, passou a mão nele freneticamente tentando acalma-lo.

Respirou fundo e com olhos curiosos passou a seguir a trilha que a luz lhe proporcionava, tão rápido que por pouco não conseguiu parar a tempo ao ver que não estava sozinha. Parou quieta atrás de uma árvore. Ao invés de encontrar os trigêmeos, se deparou com um grande réptil negro, logo lembranças de aulas que tiveram se fizeram presente era um dragão. Por que um dragão responsável por ser guardião de pessoas que buscavam o equilíbrio espiritual atacaria? Tailtiu* e os outros deuses estavam os castigando, mandando aquela criatura para atacá-los sem mais nem menos? Foi quando um cavaleiro apareceu. Merida o analisou, ele entregou alguns peixes a grande fera que comeu o alimento e se comportou como se fosse um gatinho. O cavaleiro era alto, com ombros largos e um corpo harmonioso, não era um exagero de músculos, e nem era um raquítico. Merida pensou se ele seria algum tipo de deus ou algo do gênero, nunca tinha visto dragões se não em antigas histórias, nunca duvidou de sua existência em vista de sua crença. Em uma tentativa de observar melhor ela deu um pequeno passo para o lado, pisando, acidentalmente, em uma folha seca, chamando a atenção do grande dragão negro, que rangeu os dentes e encarou com desconfiança o local em que ela estava. O cavaleiro também encarava tentando ver quem estava ali. Rapidamente o dragão começou a se aproximar ameaçadoramente de onde Merida estava.

Sendo um ser místico ou não, há poucos minutos a ruiva decidira honrar sua linhagem, puxou seu arco e se fez aparecer, mirando na cabeça do dragão, que ela esperava ser tão reservado quanto nas historias de sua mãe.

–Não faça isso, por favor. – O rapaz disse como se implorasse, o dragão ainda rosnava raivoso e olhava fixamente para ela, como se estivesse preparado para mata-la a qualquer instante. Merida se viu dividida, hora olhava o homem na frente do dragão, hora olhava ao olhar faminto do mesmo.

–Dagda*, por que está nos castigando? – Ela disse sem abaixar seu arco. Soluço lançou um olhar interrogatório para ela.

–Dagda? – Ele repetiu o nome confuso, franziu o cenho para ela, e mesmo tendo uma flecha mortal apontando em sua cabeça ele tinha uma postura natural como se ela não o ameaçasse, e aquilo incomodou Merida.

–Não é? Você é o deus Dagda, com um dragão... – Ela estava perdendo a pose e relaxou só um pouco seus ombros, mas de maneira alguma abaixou sua guarda.

–Meu nome é Soluço, vim das terras ao norte daqui, não tenha medo Banguela não vai machucar você. – Ele passou a mão no focinho do animal que cedeu as caricias de seu amigo humano. Merida suspirou aliviada em saber que não estava diante de um deus, ela abaixou o arco, desconfiada ainda, e lançou seu olhar triste ao rapaz.

–Você fez isso? – Ela apontou ao estrago provocado na manhã daquele dia.

–Não exatamente... – Como explicar aquilo, bem tinha sido seus cavaleiros, não ele em si.

–Mas não foi intencional, foi um erro. – Matar pessoas por acidente, Soluço se amaldiçoou, ao ver a figura da moça ruiva a sua frente se enrijecer apontando sua flecha a Soluço novamente.

–Eram pessoas inocentes. – Ela aumentou o tom de voz, falava como a princesa que era, pelo seu povo. Ao tornar aquela postura o dragão negro se tornou feroz novamente, e Soluço apenas suspirou tentado encontrar palavras a ponto de não perceber o movimento rápido de banguela ao jogar uma bola de fogo em direção ao arco de Merida que queimou em sua mão, mas ela tinha soltado a tempo, apenas soltou um grito de exclamação.

–Não Banguela... – Ele tentou argumentar, mas era tarde, Merida sacou sua espada e correu em direção ao dragão, Soluço a admirou pela valentia, mas era burrice atacar um dragão como um Fúria da Noite. Ele se pois na frente. Defendendo o ataque com a bainha de sua espada.

Merida o encarou incrédula, quando de repente Soluço apartou sua espada e Merida observou a lamina de fogo. Ela arregalou os olhos e recuou.

–O que é você...? – Ela disse extasiada, decidiu se afastar lentamente, até estar em uma distancia em que pudesse correr, mesmo pensando que se quisesse o dragão teria matado enquanto estava de costas.

Soluço observou a garota com longos cabelos ruivos e rebeldes sumir entre as folhagens, não era a recepção que ele esperava, e não era como ele queria ter se mostrado. Mas apenas aconteceu, ele pensou em correr atrás dela e explicar toda a situação, mas parecia que não funcionaria naquele momento, a moça já estava assustada de mais.

–É amigão, você conseguiu. – Ele disse irônico, mas o dragão desentendido lançou um olhar inocente ao viking.

Merida corria, precisariam de bem mais que armas para batalhar com aquelas pessoas, ela subiu em Angus que saiu em disparada, ela pediu aos céus que seus irmãos não estivesse por ali. Naquele momento em que ela só esperava conseguir se afastar daquele inimigo ela olhou ao seu redor tentando pensar onde os príncipes poderiam estar.

Notas finais
Tailtiu: Um das principais deusas da natureza na mitologia celta Dagda: deus supremo do panteão celta, escrevi assim, por que achei desnecessário escrever Daghdha (Fica mais bonito e daora, mas a intenção seria a mesma não é XD.) Até o próximo. Desculpa se tiver muito erro de pt, não existem betas disponíveis na liga dos betas (nunca tem)