​O suor colava os corpos e o cheiro de sexo e fúria ainda pairava no ar do quarto quando Heitor se levantou. Sem dizer uma palavra, ele caminhou até a imensa sala de banho integrada à suíte. O som da água forte jorrando na banheira de mármore negro ecoou pelo ambiente. Ele jogou sais de banho aromáticos na água quente e esperou encher até a borda.

​Voltou ao quarto, parou ao lado da cama e olhou para Maite, que continuava encolhida, exausta e com o ombro mordido ardendo.

​— Levanta — ele ordenou, a ignorância habitual ditando o tom. — Vamos tirar o meu cheiro de você antes de colocar outro.

​Como ela não se moveu, Heitor a pegou no colo de forma bruta, ignorando os protestos fracos e os tapa que ela tentou dar em seu peito. Ele a carregou para o banheiro e a jogou na água quente junto com ele. A banheira era enorme, mas a presença de Heitor ocupava quase todo o espaço.

​A água quente relaxou os músculos travados de Maite, mas a paz durou pouco. Heitor a puxou pela cintura, fazendo-a sentar de frente para ele, montada em seu colo dentro da água. O contato molhado e escorregadio acendeu a luxúria instantaneamente. Heitor sorriu, aquele deboche clássico de quem sabe que tem o controle.

​— Olha para mim, Natasha — ele provocou, segurando o queixo dela enquanto a água transbordava pelas laterais do mármore. — Adoro ver essa fúria nos seus olhos. Esse ódio te deixa ainda mais gostosa.

​— Você é um doente, Laurentis — ela cuspiu as palavras, segurando-se nas bordas de mármore, tentando não ceder ao roçar do corpo dele sob a água.

​— Sou o doente que está te deixando com as pernas bambas — ele rebateu com safadeza, segurando o quadril dela com as duas mãos e a erguendo ligeiramente para, em seguida, abaixá-la de uma vez.

​A invasão molhada e quente arrancou um gemido sôfrego de Maite. Heitor ditou um ritmo lento, mas incrivelmente profundo, aproveitando a lubrificação da água e dos sais. Ele a fazia subir e descer, observando cada expressão de raiva se transformar em puro deleite carnal. Os olhos dela faiscavam, uma mistura de humilhação por estar gostando e um desejo selvagem que ela não conseguia frear. O clímax na água veio rápido, intenso e barulhento, arrancando gritos ecoados pelas paredes de azulejo escuro.

​Quando os espasmos finalmente cessaram, Heitor não se afastou. Ele a manteve ali, sentada sobre ele, ainda conectada ao seu corpo dentro da água morna.

​A atmosfera mudou sutilmente. A brutalidade deu lugar a uma possessividade quase carinhosa, mas ainda assim dominadora. Heitor envolveu as costas de Maite com seus braços tatuados, puxando-a contra o peito. Seus lábios, antes duros, começaram a trilhar beijos molhados pelo pescoço dela, subindo até os seios fartos, mordiscando os bicos erguidos com uma lentidão que fez Maite suspirar contra a sua vontade. Ele buscou a boca dela, iniciando um beijo lento, profundo, com gosto de água e luxúria, dominando a língua dela sem pressa.

​Maite tentou virar o rosto, confusa com aquela mudança de comportamento.

— Por que está fazendo isso agora? Pensei que eu fosse só um pedaço de carne para pagar uma dívida.

​Heitor afastou os cabelos molhados do rosto dela, os dedos grandes acariciando a bochecha dela com uma intimidade perigosa. Seus olhos desceram para o braço esquerdo dela, perto do ombro, onde a água limpava a pele, revelando em detalhes a tatuagem de uma caveira entrelaçada com uma rosa, e algumas linhas escritas abaixo.

​— Quantos anos você tem, garota? — ele perguntou do nada, a voz rouca, enquanto a mão dele traçava o desenho da tatuagem com a ponta dos dedos.

​— Vinte e três — ela respondeu, a voz fraca pelo cansaço, observando o polegar dele acariciar a tinta na sua pele.

​— Vinte e três... Uma criança brincando de ser adulta — ele debochou de leve, mas sem a agressividade de antes. Seus olhos se estreitaram na escrita da tatuagem. — E o que significa isso aqui? Uma caveira e uma rosa? Um pouco mórbido para uma restauradora de arte, não acha?

​Maite desviou o olhar para a água.

— A rosa é a beleza da vida, a caveira é o lembrete de que tudo morre. A frase embaixo diz que o amor e a dor andam juntos. Eu fiz quando a minha mãe faleceu. Meu pai se afundou no jogo e eu descobri que a vida pode ser um inferno bem rápido.

​Heitor soltou um som de aprovação baixo, o peito vibrando contra o dela. Ele continuava conectado dentro dela, um lembrete constante de quem era o dono da situação.

— E por que dois nomes? O velho te chamou de Maite, mas nos documentos que o Enzo me mostrou o seu nome é Natasha. Qual é a mentira aqui?

​Maite deu um sorriso amargo, olhando nos olhos castanhos e profundos do mafioso.

— Natasha era o nome que a minha mãe queria. Significa renascimento. Mas quando ela morreu, meu pai começou a me chamar de Maite, que significa amada... Acho que era a forma dele tentar se convencer de que se importava comigo. Mas como você viu esta noite, ele não se importa. Para ele, eu sou só Natasha, a moeda de troca.

​Heitor fixou o olhar nela. Por um breve segundo, a frieza do mafioso pareceu oscilar diante da vulnerabilidade orgulhosa da jovem, mas ele logo se recompôs, apertando a cintura dela com mais força, cravando os dedos na pele molhada.

​— Pois para mim, você é as duas coisas — Heitor sussurrou, aproximando a boca do ouvido dela, desferindo uma lambida lenta no lóbulo antes de falar com sua vulgaridade possessiva. — Você é a Maite que eu vou usar até cansar, e a Natasha que vai renascer marcada por mim. Você não pertence mais ao seu pai, boneca. Pertence a este quarto. E a noite ainda não acabou.