O Preço do Pecado
6 Marcas na Água
O suor colava os corpos e o cheiro de sexo e fúria ainda pairava no ar do quarto quando Heitor se levantou. Sem dizer uma palavra, ele caminhou até a imensa sala de banho integrada à suíte. O som da água forte jorrando na banheira de mármore negro ecoou pelo ambiente. Ele jogou sais de banho aromáticos na água quente e esperou encher até a borda.
Voltou ao quarto, parou ao lado da cama e olhou para Maite, que continuava encolhida, exausta e com o ombro mordido ardendo.
— Levanta — ele ordenou, a ignorância habitual ditando o tom. — Vamos tirar o meu cheiro de você antes de colocar outro.
Como ela não se moveu, Heitor a pegou no colo de forma bruta, ignorando os protestos fracos e os tapa que ela tentou dar em seu peito. Ele a carregou para o banheiro e a jogou na água quente junto com ele. A banheira era enorme, mas a presença de Heitor ocupava quase todo o espaço.
A água quente relaxou os músculos travados de Maite, mas a paz durou pouco. Heitor a puxou pela cintura, fazendo-a sentar de frente para ele, montada em seu colo dentro da água. O contato molhado e escorregadio acendeu a luxúria instantaneamente. Heitor sorriu, aquele deboche clássico de quem sabe que tem o controle.
— Olha para mim, Natasha — ele provocou, segurando o queixo dela enquanto a água transbordava pelas laterais do mármore. — Adoro ver essa fúria nos seus olhos. Esse ódio te deixa ainda mais gostosa.
— Você é um doente, Laurentis — ela cuspiu as palavras, segurando-se nas bordas de mármore, tentando não ceder ao roçar do corpo dele sob a água.
— Sou o doente que está te deixando com as pernas bambas — ele rebateu com safadeza, segurando o quadril dela com as duas mãos e a erguendo ligeiramente para, em seguida, abaixá-la de uma vez.
A invasão molhada e quente arrancou um gemido sôfrego de Maite. Heitor ditou um ritmo lento, mas incrivelmente profundo, aproveitando a lubrificação da água e dos sais. Ele a fazia subir e descer, observando cada expressão de raiva se transformar em puro deleite carnal. Os olhos dela faiscavam, uma mistura de humilhação por estar gostando e um desejo selvagem que ela não conseguia frear. O clímax na água veio rápido, intenso e barulhento, arrancando gritos ecoados pelas paredes de azulejo escuro.
Quando os espasmos finalmente cessaram, Heitor não se afastou. Ele a manteve ali, sentada sobre ele, ainda conectada ao seu corpo dentro da água morna.
A atmosfera mudou sutilmente. A brutalidade deu lugar a uma possessividade quase carinhosa, mas ainda assim dominadora. Heitor envolveu as costas de Maite com seus braços tatuados, puxando-a contra o peito. Seus lábios, antes duros, começaram a trilhar beijos molhados pelo pescoço dela, subindo até os seios fartos, mordiscando os bicos erguidos com uma lentidão que fez Maite suspirar contra a sua vontade. Ele buscou a boca dela, iniciando um beijo lento, profundo, com gosto de água e luxúria, dominando a língua dela sem pressa.
Maite tentou virar o rosto, confusa com aquela mudança de comportamento.
— Por que está fazendo isso agora? Pensei que eu fosse só um pedaço de carne para pagar uma dívida.
Heitor afastou os cabelos molhados do rosto dela, os dedos grandes acariciando a bochecha dela com uma intimidade perigosa. Seus olhos desceram para o braço esquerdo dela, perto do ombro, onde a água limpava a pele, revelando em detalhes a tatuagem de uma caveira entrelaçada com uma rosa, e algumas linhas escritas abaixo.
— Quantos anos você tem, garota? — ele perguntou do nada, a voz rouca, enquanto a mão dele traçava o desenho da tatuagem com a ponta dos dedos.
— Vinte e três — ela respondeu, a voz fraca pelo cansaço, observando o polegar dele acariciar a tinta na sua pele.
— Vinte e três... Uma criança brincando de ser adulta — ele debochou de leve, mas sem a agressividade de antes. Seus olhos se estreitaram na escrita da tatuagem. — E o que significa isso aqui? Uma caveira e uma rosa? Um pouco mórbido para uma restauradora de arte, não acha?
Maite desviou o olhar para a água.
— A rosa é a beleza da vida, a caveira é o lembrete de que tudo morre. A frase embaixo diz que o amor e a dor andam juntos. Eu fiz quando a minha mãe faleceu. Meu pai se afundou no jogo e eu descobri que a vida pode ser um inferno bem rápido.
Heitor soltou um som de aprovação baixo, o peito vibrando contra o dela. Ele continuava conectado dentro dela, um lembrete constante de quem era o dono da situação.
— E por que dois nomes? O velho te chamou de Maite, mas nos documentos que o Enzo me mostrou o seu nome é Natasha. Qual é a mentira aqui?
Maite deu um sorriso amargo, olhando nos olhos castanhos e profundos do mafioso.
— Natasha era o nome que a minha mãe queria. Significa renascimento. Mas quando ela morreu, meu pai começou a me chamar de Maite, que significa amada... Acho que era a forma dele tentar se convencer de que se importava comigo. Mas como você viu esta noite, ele não se importa. Para ele, eu sou só Natasha, a moeda de troca.
Heitor fixou o olhar nela. Por um breve segundo, a frieza do mafioso pareceu oscilar diante da vulnerabilidade orgulhosa da jovem, mas ele logo se recompôs, apertando a cintura dela com mais força, cravando os dedos na pele molhada.
— Pois para mim, você é as duas coisas — Heitor sussurrou, aproximando a boca do ouvido dela, desferindo uma lambida lenta no lóbulo antes de falar com sua vulgaridade possessiva. — Você é a Maite que eu vou usar até cansar, e a Natasha que vai renascer marcada por mim. Você não pertence mais ao seu pai, boneca. Pertence a este quarto. E a noite ainda não acabou.
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