As semanas que se seguiram foram marcadas por uma calmaria que o palácio de Aethelgard não conhecia há uma década. Lucca não permitiu que nenhum criado cuidasse de Diana; ele mesmo preparava seus caldos, alimentava a lareira e lia para ela durante as tardes de febre. O homem que antes movia impérios de café agora dedicava sua existência a observar cada pequena cor que voltava ao rosto da princesa.

​Em uma noite de tempestade, onde o vento uivava contra as janelas mas o quarto era um refúgio de calor, Diana descansava recostada em seus travesseiros. Ela observava Lucca, que estava sentado aos pés da cama, terminando de cobri-la. O silêncio entre eles não era mais de mágoa, mas de uma reconstrução lenta e cuidadosa.


​Lucca mergulhou a mão no bolso do colete e retirou um pequeno objeto que ele carregara durante todos os dez anos — nas masmorras, nas terras do Norte, em cada momento de solidão. Ele se aproximou, sentando-se ao lado dela, e abriu a palma da mão.

​Lá estava o anel. O ouro, embora gasto pelo tempo, brilhava sob a luz das velas. Era a joia simples que ele entregara à jovem princesa no jardim de laranjeiras, muito antes de "Marcos" se tornar um nome maldito.

​— Você guardou isso? — Diana sussurrou, a voz trêmula, enquanto as lágrimas começavam a embaçar sua visão.

​— Ele nunca saiu de perto de mim, Diana — Lucca respondeu, pegando a mão dela com uma delicadeza absoluta. — Ele foi minha âncora quando eu estava no escuro e meu lembrete de que, apesar de todas as mentiras, o que nasceu entre nós era a única verdade da minha vida.

​Ele olhou profundamente nos olhos dela, onde o ódio finalmente fora substituído por uma entrega vulnerável.

​— Eu não quero mais um casamento por contrato, ou por perdão, ou apenas pelo filho que você carrega — Lucca disse, a voz firme e carregada de emoção. — Eu quero o resto dos meus dias com a mulher que me desafia, que me odeia com paixão e que me ama com fúria. Diana Kane, você aceita ser minha esposa, sob o meu verdadeiro nome e com o meu verdadeiro coração?

​Diana olhou para o anel e depois para o homem à sua frente. Ela viu as cicatrizes dele, as marcas do tempo e o amor que sobrevivera ao inferno que ela mesma ajudara a criar. Ela não hesitou. Com a mão livre, ela tocou o rosto de Lucca, puxando-o para perto.

​— Sim — ela murmurou contra os lábios dele. — Mil vezes sim, meu prisioneiro. Meu senhor. Meu Lucca.

​Lucca deslizou o anel pelo dedo dela, e naquele momento, o círculo de ouro parecia fechar uma ferida aberta há dez anos. Ele a beijou com uma ternura que prometia proteção, enquanto sua mão descia suavemente para o ventre dela, sentindo a vida que agora era o alicerce de sua nova história. O passado era uma cicatriz, mas o futuro, pela primeira vez, tinha o gosto doce das uvas que eles colheriam juntos, novamente, no jardim do palácio.