O Preço da Traição.
3 Mudanças inevitáveis.
Notas iniciais
Há muitos anos, lá pelos arredores de Éleia, na Itália, Parmênides disse que o ser é algo único e se olharmos por essa ideia, nós excluímos toda tipo de mudança. Eu, em parte, entendo isso. Afinal, a vida nos faz pensar que ninguém, de fato, muda. As pessoas só pensam que mudam e seguem à partir disso. Até que a mudança se mostra falsa e voltamos ao ponto de partida. Por outro lado, o que seria de nós, meros mortais, sem a possibilidade de mudança? E é por esse motivo que eu nutro uma preferência por Heráclito, que anos após a afirmação feita por Parmênides, nos propôs que a mudança é inevitável. “Não nos banhamos duas vezes no mesmo rio”, ele disse. E não mesmo. O que seria de nós sem a mutação do real que nos torna seres tão distintos? A ideia de que a cada novo rosto tudo muda, muda-se a história, muda-se o destino e por consequência a vida. O que seria de nós sem a garantia de uma possível inovação? Sem a garantia de um novo começo? E se para Parmênides o ser é eterno e perfeito, para mim, nós somos munidos de imperfeições e a falta da eternidade é o que nós faz buscar o aperfeiçoamento.
Eu mesma me encontrava em uma ponte com duas direções a seguir. Meu encontro com Emma hoje iria dar à minha vida um novo rumo. Eu não sabia ao certo como iria proceder. Se meu marido estivesse me traindo, aquilo me destruiria, mas parte de mim já esperava. Agora, se ele fosse fiel, como eu iria olhar em seus olhos sabendo que a confiança havia sido quebrada e que eu contratara uma prostituta para seduzi-lo? E em meio a todo esse furacão existia Emma. Eu seria tola se negasse o fato de que algo naquela mulher me intrigava de uma forma completamente desconhecida. Não gosto de andar pelo desconhecido, pelo contrário, meus caminhos são muito bem traçados. No entanto, Emma era minha incógnita. Sentia-me culpada pelo o que estava fazendo. Sentia-me culpada pelo anseio àquela situação, pois o desejo presente em mim não era algo a ser negado, mas também não era algo ao qual eu deveria me render. Eu amo Daniel, ou pelo menos acho que sim. A verdade é que há tempos o nosso casamento já não era mais como antigamente. Ele já não me tocava da mesma forma e eu já não me entregava como antes. Nós nos perdemos pelo caminho e nenhum dos dois fez questão de procurar pelo outro enquanto era cedo. A situação em que nos encontrávamos era a clara consequência de erros. Nós mudamos. Mudanças, sempre as mudanças.
Desci para tomar café. Meu marido não estava em casa, mas ele já havia me dito que dormiria na Universidade, pois a palestra iria acabar um pouco tarde e logo após haveria uma reunião entre os professores. Quando pisei na cozinha, ouvi passos na sala, voltei para lá, encontrando Lily em um estado deplorável. Ela claramente não havia dormido em casa.
― Lily! Isso são horas? ― meu tom de voz era frio e ela parou no meio da escada para me olhar.
― E isso importa? ― respondeu-me de forma grosseira.
Lily sempre foi problemática. Sua mãe era minha melhor amiga e morreu em consequência de um câncer cerebral. Lily era apenas um bebezinho quando eu a adotei e mesmo não sendo minha filha de sangue, eu sempre a tratara como tal. Aquele jeito estúpido me magoava profundamente.
― Claro que importa! São 6 horas da manhã! Eu posso saber aonde você estava até agora?
― Não, você não pode! Não é da sua conta! ― a esse ponto ela já gritava, mas não perdi o controle.
― Lily! Eu sou sua mãe! Não ouse levantar a voz quando falar comigo ― meu tom permanecia baixo, pois não era de meu feitio gritar, ainda assim, carregava uma frieza que eu nunca havia dirigido a ela.
― Aí é que está… ― desceu alguns degraus, apontando um dedo em meu rosto ― você não é minha mãe!
Aquilo me atingiu de uma forma inimaginável. Eu não contive as lágrimas que tomaram meus olhos. Ela virou as costas e subiu. Caminhei para a cozinha, onde me permiti chorar. Eu havia criado essa menina com todo o meu amor, dei a ela todo o carinho do mundo e ela não tinha motivos para agir assim. Eu não dei a luz, mas fui eu quem participou de todas as reuniões escolares, fui eu quem cuidou de todos os seus machucados, fui eu quem passou noites em claro quando ela não conseguia dormir. Senti alguém me abraçar por trás e logo reconheci o cheiro. Henry estava ali, afagando-me os cabelos enquanto eu chorava. Se Lily direcionava todo seu ódio à mim, meu filho, por outro lado, era dono dos melhores abraços que ganhei na vida. Ele era dócil e incrivelmente educado.
― Não fique assim, mãe. Lily é uma tola, ela não sabe o que diz ― ele ergueu meu rosto, beijando-me a face ― você é incrível! Não derrame mais nenhuma lágrima por aquela garota.
Henry sempre tratou bem a irmã, mas conforme ela mudou suas atitudes comigo, ele mudou as suas com ela. Era notável o desprezo que dirigia à mim. Ele percebia isso, mas diferente das minhas tentativas de estabilizar nossa relação, optou por se afastar dela. A criação dos dois sempre foi igual. Nunca dei mais carinho a um do que a outro, nunca dei mais presentes a um que outro. Sempre tiveram os mesmos direitos e as mesmas responsabilidades. Isso só reforçava a ideia de que Lily não possuía motivo algum para agir dessa forma.
Resolvi acabar com aquilo. Já estava cansada de ser tratada de um jeito tão hostil. Se dar carinho e tentar mostrar que meu amor era o mesmo não adiantava, bom, tentaríamos uma abordagem nova. Limpei minhas lágrimas e encarei meu filho, que me dava um belo sorriso.
― Vamos tomar café fora? Depois eu te levo para a escola.
― Claro! ― ele concordou e eu baguncei seus cabelos ― você está alto demais, querido ― reclamei e ele sorriu.
― Você é que é muito pequena ― rebateu e eu fiz uma careta em desaprovação, o que só aumentou seu sorriso.
Ele pegou sua mochila e logo estávamos no carro. Ligou o rádio e aumentou o som, deixando a música preencher o silêncio. Henry tentava cantar e eu ria de sua falta de habilidade. Aqueles momentos com meu filho me faziam esquecer todas as preocupações e problemas que me assombravam. Eram momentos maravilhosos, que me mostravam que a vida pode ser leve.
Tomamos café e eu o levei para a escola. No caminho para o escritório, liguei para o número que Emma havia me dado no dia anterior. Eu ansiava por saber dos acontecimentos da noite passada.
― Alô? ― sua voz denunciava que eu a havia acordado.
― Olá, Srta. Swan. Desculpa ter lhe acordado, mas creio que tenhamos assuntos a tratar.
― Oi Regina… não, você não me acordou ― mentirosa ― e sim, nós temos assuntos a tratar.
― Almoce comigo. Encontre-me hoje, às 12h, no meu escritório ― meu tom não dava brechas para objeções e ela pareceu perceber isso.
― Tudo bem…
― E, Srta. Swan ― ouvi sua respiração do outro lado ― não se atrase.
Desliguei e voltei minha atenção para a estrada. Eu ansiava por aquela conversa, não só para saber sobre meu marido, mas por motivos que nem eu mesma compreendia.
A manhã no consultório não teve nada de anormal, somente algumas consultas, nada fora da rotina. Um pouco antes do meio dia eu já olhava o relógio, ansiosa para saber se Swan iria se atrasar. Ouvi a notificação do meu e-mail e acabei me perdendo em meio a alguns papéis. Mal ouvi quando minha secretária bateu na porta, avisando que alguém me esperava.
Swan estava linda. Ela possuía uma beleza natural, algo difícil de encontrar. Seu rosto não trazia maquiagem alguma e ainda assim carregava um semblante quase angelical. Os olhos verdes eram tão profundos e a forma como me olhava me dava a impressão de que não só meu físico estava sendo observado, mas também a minha alma. Ela vestia uma calça jeans justa, botas de couro marrom, regata branca e a jaqueta vermelha. Devo confessar que é minha preferida. Os cabelos loiros caiam por cima dos ombros. Aparentava estar um pouco receosa. Só então notei que a mirava por tempo demais.
― Ah… olá Srta. Swan ― era notável o desconcerto em minha voz por ser pega olhando-a daquela forma ― se importa de esperar mais alguns minutos? Preciso assinar esses papéis antes de sairmos.
― Não… tudo bem.
Emma caminhou até um canto e sentou em uma das poltronas. Notei quando seus olhos pararam em minhas coxas expostas. Não sei exatamente o motivo que me levou a tal atitude, mas ao perceber isso, cruzei as pernas novamente e quase me permiti sorrir quando a vi morder o lábio. Pensei em provocá-la dizendo algo, mas um choque de realidade me trouxe à situação atual. Aquela mulher estava ali, pois foi contratada para seduzir meu marido e provar-me sua infidelidade. Balancei a cabeça, tentando acordar de meus devaneios.
― Vamos? ― dirigi-me a ela, que pareceu estar tão perdida quanto eu em seus pensamentos.
― Claro ― ela sorriu e caminhou atrás de mim.
Entramos em meu carro e dirigi para um dos meus restaurantes preferidos. O bom de ter um nome prestigiado são as regalias que a fama traz consigo. Ter um espaço mais reservado em um dos restaurantes mais conhecidos de Toronto era uma delas. As pessoas me conheciam pelo meu trabalho que, diga-se de passagem, era muito bem feito. Não sou o tipo de pessoa muito tolerante, mas algo que tira meu sono é a falta de profissionalismo, pois é o que tenho de sobra e simplesmente não suporto quem não possui. Creio que na vida você deva traçar objetivos, metas e manter sempre tudo às claras. Evidente que as coisas vão eventualmente mudar e alguns obstáculos ou impossibilidades podem aparecer, mas você só precisa ajeitar o caminho, escolher novos meios, porém, ainda assim, manter seus objetivos. Isso nos leva ao controle, algo que nem todos têm, no entanto eu o valorizo mais do que qualquer coisa.
O garçom logo me reconheceu e nos levou até uma parte mais privada do restaurante. Sentamos à mesa e ele nos entregou os cardápios. Fizemos nossos pedidos e esperei o garçom sair para me voltar à mulher à minha frente.
― Me diga como foi ― questionei, sem rodeios.
― Oh, sim, Regina. Eu vou muito bem, obrigado por perguntar. E você? ― a ironia em sua voz fez com que eu revirasse os olhos. Dei a ela um olhar fulminante, que mostrou minha impaciência ― sabe, descobri um amor por literatura.
― Sério? ― não pude esconder que aquilo me pegou de surpresa ― sobre o que, exatamente?
― Poemas ― seu olhar estava preso ao meu e eu não ousaria desviar.
― Recite-me um, então ― sorri de forma desafiadora e ela pareceu pensar.
― Mesmo agora… ― meu coração parou ao perceber qual poema ela recitaria ― por mais que me esforce. Não me recordo de alguma vez ter contemplado. Um rosto como o seu… ― seu olhar continuava não abandonando o meu e eu me sentia irremediavelmente sem rumo diante de toda aquela imensidão esverdeada.
― A sua beleza. Eclipsa a da deusa do amor e a da lua… ― dissemos em uníssono. Nenhuma de nós continuou. Eu estava perdida em seus olhos e ela nos meus ― Bilhana, Srta. Swan? ― dei a ela um sorriso malicioso ― interessante a escolha do trecho.
― Não vi nenhuma mentira ser dita nele ― seu olhar desceu para a minha boca.
O garçom chegou com nossos pedidos. Comíamos em silêncio, mas a curiosidade já me tomava. Embora parte de mim ainda estivesse um pouco tocada pelo poema, eu precisava saber tudo o que havia acontecido. Já não podia mais conter a incerteza que carregava comigo.
― Então… ― ela bebeu um gole de seu vinho ― pode me dizer agora o que aconteceu ontem?
― Você está linda, sabia? ― aquilo me deixou desconcertada. Eu sabia que estava bonita. Havia me arrumado impecavelmente, mas algo no fato daquilo ser dito por ela, mexeu comigo de uma forma diferente.
― Obrigada, querida ― sorri sensualmente para ela, porém, sem demonstrar o quanto aquilo havia mexido comigo ― mas sem rodeios, me diga logo, pois eu já não aguento mais esperar.
Ela suspirou e pareceu pensar.
― Você quer que eu lhe conte tudo? ― suas mãos se juntaram em um sinal claro de nervosismo.
― Tudo. Cada detalhe ― ela saiu da cadeira à minha frente e sentou-se ao meu lado. Não entendi muito bem o porquê daquele ato, mas resolvi não questionar, já que meu foco agora era outro.
― Eu cheguei lá e segui para a palestra, como havíamos combinado. Esperei que acabasse e me dirigi até a ele ― seu tom de voz era baixo, embora eu tivesse a certeza de que ninguém poderia nos ouvir ― disse que era estudante de literatura e que precisava de um coordenador para me auxiliar em uma análise de Othello ― seus olhos encontraram os meus ― ele me disse que Othello o fascinava de várias formas e começamos a falar sobre a obra. Ele recitou algumas partes do diálogo, assim como eu o fiz. Então, em um dado momento, chegamos à parte em que Othello se suicida e diz que…
― “Só me restava morrer beijando a quem eu tanto amara.” ― recitei pela segunda vez esse trecho da obra para ela. E assim como na primeira vez, nossos rostos estavam próximos. Eu podia notar claramente seu peito arfando ― e depois?
― Ele me beijou… ― a fala não passou de um sussurro, pois sua respiração estava descompassada pela curta distância entre nós.
Daniel havia beijado outra mulher. Daniel havia beijado Emma. No entanto, isso não era o que habitava minha mente. Qualquer pensamento racional formado por mim era dissipado pela proximidade dos lábios de Emma. Seus olhos verdes me encaravam, levando-me aos mais profundos devaneios. Seu hálito quente. Sua boca entreaberta de forma tão convidativa. Não existia amarras que me impedissem de consumar tal ato, então simplesmente fechei os olhos e esperei o que viria a seguir. No segundo seguinte, meus lábios foram tomados pelos seus, mas não de uma forma voraz, seu beijo foi lento, delicado, como se tivesse medo de me ferir. Contudo, minha vontade já não era algo possível de se conter. Levei minhas mãos até sua nuca, puxando-a, a fim de aprofundar o beijo e assim o fiz. Sua língua pediu passagem em minha boca, que foi concedida imediatamente. Suas mãos seguravam minha cintura e a cada toque eu ansiava por mais.
Daniel.
Foi a imagem que veio a minha mente. Afastei-me de Emma, lentamente, encarando-a. Nossos olhares estavam presos e eu só conseguia pensar em seu beijo e na forma como meu corpo havia correspondido. Peguei minha bolsa e levantei. Procurei o garçom com os olhos, sinalizei para ele e no minuto seguinte ele estava ao meu lado. Entreguei o dinheiro, sem me importar se estava dando à mais. Sai de lá com Emma atrás de mim. Entramos no carro, mas nenhuma palavra foi dita. Eu olhava para estrada e usava isso como desculpa para não a encarar, já que não era de meu controle e muito menos de meu conhecimento os desejos que tal atitude poderia desencadear em mim. Parei em frente ao consultório, mas meus braços não se desprenderam do volante.
― Regina… ― Emma levou sua mão até meu braço e o toque de sua pele me aqueceu ― Daniel me convidou para tomar café com ele. Não sei ao certo quando irá acontecer, mas ele tem meu número.
― Tudo bem ― peguei minha bolsa, retirando de lá um cheque já preenchido e entreguei a ela.
― Isso é muito mais do que havíamos combinado ― ela analisava a quantia determinada na folha.
― Era só isso, Srta. Swan. Pode se retirar ― meu tom soou rígido, mas era algo necessário. Embora minha mente estivesse em uma completa desordem, minha postura não poderia deixar isso transparecer. Não na frente de Emma.
Quando cheguei em casa, tudo o que eu queria era fugir. Fugir dos meus próprios pensamentos que teimavam em voltar sempre para aqueles olhos verdes. Daniel estava em casa. Ele veio até mim para cumprimentar-me com um beijo, e foi quando, por impulso, eu o puxei, aprofundando o ato. O beijo de meu marido sempre foi algo maravilhoso para mim, mas agora, enquanto eu o beijava, eram os lábios dela que eu desejava.
Caímos na cama e não demorou muito para Daniel penetrar-me. O sexo com ele era bom, mas não era o que eu queria. Eu o olhava ali, em cima de mim, dominando-me, mas não era ele quem eu queria ver. Fechei os olhos, entregando-me aquela sensação. Em meus pensamentos, a boca de Emma passeava pelo meu corpo, assim como suas mãos. Enquanto meu marido estocava-me cada vez mais rápido, eu a imaginava tocando-me. A sensação de sua boca pelo meu corpo, a sensação de ser invadida por seus dedos... Daniel movia-se sobre mim e eu o sentia, mas vagavam longe dali. Os meus pensamentos pertenciam à outra pessoa. Meu corpo estava sendo tomado por ele, mas meu imaginário era dominado por aquele cheiro inebriante de Emma, pelo seu olhar completamente desprovido de pudor. Eu cheguei ao orgasmo e meu marido deitou-se ao meu lado, porém diferente do que ele imaginava, eu só consegui atingir o ápice em consequência das imagens inapropriadas daquela mulher que dominavam-me os pensamentos. Mantive os olhos fechados, pois enquanto permaneceria assim, Emma ainda estaria ali. Eu sabia que quando os abrisse a realidade me atingiria e o pior era saber que eu desejei que ela não chegasse.
― Isso foi incrível ― a respiração de meu marido ainda estava descompassada.
― Sim ― olhos esverdeados, um olhar livre de timidez, os lábios macios de Emma, estavam ali, em minha mente ― foi incrível ― eu quase podia sentir seu cheiro em meu corpo. Eu desejava senti-lo.
Daniel se levantou e eu abri os olhos a tempo de vê-lo entrar no banheiro. Encarei o teto de forma analisadora, como se as respostas para os meus questionamentos fossem surgir dali, magicamente. Há algum tempo, eu teria adorado o que acabara de fazer com meu marido, eu teria ansiado por mais. No entanto, se eu ansiava por algo no momento, com certeza não era Daniel e isso causava-me conflitos internos. Eu nunca achei que me interessaria por outra pessoa depois de ter casado com ele e até então isso não havia acontecido. Tudo estava normal, tudo estava cômodo, porém, agora, tudo estava diferente. Eu com certeza fui atropelada por uma mudança que aconteceu não só em minha mente, mas também em meu corpo. Eu a desejava. Desejava Emma Swan com toda a força de meu ser.
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