O Preço da Coroa
30 Um rei amoroso
À medida que a barriga de Selene crescia, o coração de Adrian parecia expandir na mesma proporção. O Rei de Ferro, cuja voz antes só emitia ordens e sentenças, agora preenchia os corredores de Oakhaven com confissões que faziam as servas suspirarem e Selene perder o fôlego.
Oakhaven estava no auge de um inverno rigoroso, mas dentro dos aposentos reais, o clima era de uma primavera eterna.
O Ritual do Entardecer
Todas as noites, Adrian insistia em um ritual. Ele dispensava os criados e ele mesmo ajudava Selene a se preparar para dormir. Naquela noite, com ela sentada diante da penteadeira, ele escovava seus cabelos com uma delicadeza quase sagrada.
— Você está me olhando de um jeito estranho pelo espelho — comentou Selene, sorrindo com o toque rítmico da escova.
Adrian parou e encontrou o olhar dela no reflexo. Ele largou a escova e abraçou-a por trás, apoiando o queixo no ombro dela e espalmando as mãos sobre o ventre agora proeminente.
— Eu estava pensando em como fui cego — ele sussurrou perto do ouvido dela. — Eu achava que a beleza de uma mulher estava na joia que ela usava ou na linhagem que carregava. Mas olhar para você assim... carregando nossa vida, com esse brilho que parece vir de dentro... Selene, você é a visão mais magnífica que meus olhos já contemplaram. Eu te amo mais do que as palavras de um homem rústico como eu podem expressar.
Selene cobriu as mãos dele com as suas. — Você se tornou um poeta, Adrian Kane.
— O amor é um professor exigente — ele riu baixinho. — Ele me obrigou a aprender a falar com o coração, porque o Rei já não tinha mais o que dizer.
A Presença Constante
Adrian não conseguia mais ficar longe por muito tempo. Se ele estava em uma reunião com os generais e Selene entrava na sala para buscar um livro, ele interrompia a discussão sobre as fronteiras para se levantar e beijar a mão dela.
— Majestade, estávamos falando sobre o estoque de pólvora — comentou um general, um tanto desconfortável.
— A pólvora não vai a lugar nenhum, general — Adrian respondeu, sem tirar os olhos da esposa. — Mas a minha Rainha precisa saber que, não importa o quão ocupado eu esteja, ela é sempre a minha prioridade. Está se sentindo bem, Selene? O bebê chutou? Precisa de algo?
Selene riu, acariciando o rosto do marido. — Estou bem, Adrian. Volte para sua guerra.
— Minha única guerra agora é garantir que este mundo seja seguro o suficiente para vocês dois — ele afirmou, antes de deixá-la sair, acompanhando-a com o olhar até que a porta se fechasse.
Uma Declaração sob as Estrelas
Em uma noite clara, ele a levou até a varanda, protegida por pesadas peles de urso. O céu do Norte brilhava com mil estrelas.
— Lembra-se da lenda que você me contou? — ele perguntou, abraçando-a por trás para mantê-la aquecida. — Que as estrelas são faíscas das forjas dos deuses para guiar os amantes?
— Lembro-me.
— Durante anos, eu olhei para este céu e só vi pontos frios de luz que serviam para navegação. Mas hoje... — ele beijou o topo da cabeça dela — hoje eu olho para cima e agradeço a cada uma delas por terem me guiado através do meu próprio gelo até você. Você não é apenas minha esposa por contrato, Selene. Você é a minha redenção. Se eu tivesse que perder meu reino inteiro para manter este momento, eu entregaria a coroa sem hesitar.
Selene virou-se nos braços dele, vendo a sinceridade absoluta naquele olhar que um dia a aterrorizou.
— Você não vai perder o reino, meu amor — ela disse, puxando-o para um beijo doce que sabia a promessa e futuro. — Você vai governá-lo com o herdeiro que estamos criando. E eu estarei aqui, todos os dias, para te lembrar que o Rei de Oakhaven tem o coração mais quente de todo o continente.
Adrian sorriu, sentindo um chute vigoroso contra seu peito vindo do ventre de Selene. Ele riu, maravilhado, e a pegou nos braços para levá-la de volta para o calor do quarto, murmurando declarações de amor a cada passo do caminho.
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