O Preço da Coroa
36 Surpresa em dobro
O verão em Oakhaven foi interrompido por uma tempestade de verão súbita, mas o barulho dos trovões não era nada comparado à agitação dentro do castelo. Diferente do parto de Eloise, este parecia exigir o dobro de força. Adrian, mantendo sua promessa de nunca mais deixar Selene enfrentar o frio da solidão, não saiu da porta do quarto, desafiando qualquer tradição que o quisesse longe.
Quando o primeiro choro rompeu o ar, Adrian sentiu um alívio avassalador. Mas, antes que ele pudesse comemorar, um segundo choro, tão vigoroso quanto o primeiro, ecoou logo em seguida.
A porta se abriu e a parteira, com o rosto iluminado por um sorriso de pura surpresa, fez sinal para o Rei entrar.
O Espelho do Rei
Adrian caminhou até a cama com o coração na boca. Selene estava exausta, mas havia um orgulho indescritível em seu olhar. Nos braços dela e de Maria Benevides, envoltos em mantas azuis, estavam dois bebês.
Quando Adrian se aproximou, ele ficou sem palavras. Não precisava de testes ou apresentações. Aqueles bebês eram a imagem cuspida e escarrada dele. O mesmo desenho da mandíbula, a mesma sobrancelha arqueada e, quando um deles abriu os olhos por um segundo, Adrian viu o cinza profundo das tempestades do Norte que ele carregava no espelho.
— Dois, Adrian... — sussurrou Selene, com a voz falhando de cansaço. — Você queria um herdeiro? O destino te deu um exército.
— Eles são... eles são eu — Adrian murmurou, em choque, tocando as bochechas minúsculas de seus filhos. — Selene, eles são idênticos a mim. É como se eu estivesse olhando para o meu próprio passado, mas sem a escuridão.
Os Príncipes de Oakhaven
Adrian pegou um em cada braço, sentindo o peso da responsabilidade e da glória. Eram dois meninos robustos, saudáveis e barulhentos.
— Como vamos chamá-los? — Selene perguntou, observando o marido, que parecia ter ganhado o mundo inteiro.
Adrian olhou para os filhos, a cópia exata de sua linhagem, e depois para a esposa que tornou aquilo possível.
— Este será Arthur, em homenagem ao fundador do nosso reino — disse ele, indicando o que parecia mais calmo. — E este será Bastian, para que cresça com a força das rochas de Oakhaven.
Ele se sentou ao lado de Selene, colocando os príncipes próximos ao peito dela.
— Roma queria um menino? — Adrian riu, uma risada rouca e vitoriosa. — Deixe que saibam que a Rainha de Oakhaven não entrega nada pela metade. Agora temos Eloise para governar com sabedoria, e estes dois lobos para garantir que ninguém nunca ouse desafiar a paz que construímos.
O Triunfo da Rainha
Selene olhou para os filhos e depois para Adrian. Ela não se sentia apenas uma rainha que cumpriu um dever; ela se sentia uma deusa que moldara o futuro com as próprias mãos. Aqueles meninos, que carregavam as feições do pai, seriam criados sob o olhar doce da mãe, garantindo que o "gelo" de Adrian nunca se tornasse crueldade neles.
— Você está feliz, meu Rei? — ela perguntou, acariciando o rosto dele.
Adrian inclinou-se e beijou-lhe os lábios com uma paixão que o tempo só fazia aumentar.
— Eu sou o homem mais rico da terra, Selene. E não é por causa do ouro ou das terras. É porque, toda vez que eu olhar para eles, vou me lembrar de que a única coisa melhor do que ser eu mesmo, é ser o homem que você escolheu para amar.
Naquela noite, as fogueiras nos picos das montanhas foram acesas em dobro. Oakhaven tinha seus príncipes, a cópia do seu Rei, mas todos sabiam que o verdadeiro poder residia no amor inabalável que agora unia aquela família de cinco corações.
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