O salão de bailes do Palácio de Edimburgo nunca esteve tão iluminado. Centenas de velas de cera de abelha refletiam nos espelhos de cristal e nas joias das damas da corte. Mas todos os olhares, sem exceção, convergiam para uma única figura: a Baronesa de Valfenda.

​Maria movia-se com uma graça que silenciava qualquer crítico. Seu vestido, uma obra-prima da seda francesa em tom esmeralda, realçava seus cachos escuros que agora eram adornados por pequenas presilhas de diamantes. Ela sorria, conversava em francês fluente com diplomatas e aceitava convites para valsar com duques e condes, movendo-se pelo salão como se tivesse nascido em Versalhes.

​Edmund, sentado ao lado de Isabella no estrado real, mal conseguia respirar. Ele observava cada riso dela, cada toque de mãos de outros nobres na cintura de Maria. O ciúme e o desejo lutavam dentro dele como feras enjauladas.

​A Dança do Destino

​Quando a música mudou para uma melodia mais lenta e profunda, Edmund levantou-se. O salão silenciou. Ele desceu os degraus e caminhou em linha reta até Maria, que acabara de recusar um conde espanhol.

​— Baronesa — a voz de Edmund saiu mais grave do que o normal. Ele estendeu a mão enluvada. — Concederia esta dança ao seu Rei?

​Maria sustentou o olhar dele. Não havia mais a fúria cega de três anos atrás, nem a dor da partida. Havia uma segurança altiva.

— Como desejar, Majestade — ela respondeu, colocando a mão sobre a dele.

​Eles foram para o centro do salão. No momento em que Edmund envolveu a cintura dela e Maria pousou a mão no ombro dele, o mundo ao redor pareceu desaparecer. Eles flutuavam.

​— Você mudou — Edmund sussurrou, os olhos fixos nos dela. — Está... magnífica. E agora é uma Baronesa.

​— Aprendi que títulos são escudos, Edmund — ela retrucou, o tom suave mas firme. — Eu não precisei de um rei para me dar valor. Eu mesma o conquistei.

​— Eu nunca deixei de pensar em você. Nem por um dia — ele confessou, a voz falhando sob o peso da verdade. — Quando soube que você era nobre por sangue... eu senti que o mundo tinha rido da minha cara. Se eu soubesse disso três anos atrás...

​— Se soubesse, teria me amado por quem eu era ou pelo que o papel dizia que eu sou? — Maria o desafiou, fazendo um giro elegante.

​O Olhar da Rainha

​Do trono, a Rainha Isabella observava a cena. Ela não sentia o ódio de uma esposa traída, mas a melancolia de uma mulher que reconhecia a alma de um homem que nunca lhe pertenceu. Ela via a mão de Edmund apertar a de Maria com uma urgência desesperada; via o modo como ele inclinava a cabeça para ouvir o sussurro dela.

​Isabella suspirou, fechando o leque de plumas. Ela olhou para a aliança em seu dedo — um símbolo de um contrato que trouxera paz, mas que agora parecia uma corrente para ambos.

​"Ele nunca me deu esse olhar", pensou Isabella. "Nós somos bons parceiros, mas eles... eles são a própria vida."

​A Semente da Liberdade

​Após a dança, Edmund levou Maria até uma varanda isolada, longe dos ouvidos curiosos.

— Maria, eu não posso continuar assim. O reino está estável, a Espanha está satisfeita. Eu vou falar com os juristas de Roma. Deve haver uma forma...

​Maria o olhou com tristeza.

— Você é casado perante Deus, Edmund. Anulações são raras e perigosas.

​— Isabella é uma mulher inteligente — Edmund disse, ganhando coragem. — Ela sabe que este casamento é uma farsa sagrada. Eu vi o olhar dela hoje. Ela não quer viver em um castelo de gelo tanto quanto eu.

​O que eles não sabiam é que Isabella, naquele exato momento, chamava Lorde Archibald para um canto escuro.

— Archibald — a rainha sussurrou. — Quero que prepare uma audiência privada com o enviado do Papa e meu marido amanhã. Há uma conversa sobre "ausência de afeição mútua" e "propósitos políticos cumpridos" que precisamos ter. A Escócia merece uma Rainha que o Rei realmente ame.