Notas iniciais
Boa leitura.

Um bom tempo depois Troye e Michelle já estavam subindo o elevador do prédio. Uma nova moradia. Um lugar chique, acomodado e bem cinza. Decoração urbana. Cidade grande. Austin.

Michelle: Eu nunca mais viajo com você, Troye! Nunca mais! – gritava, jogando a mala longe com sua força de pantera. – Primeiro, você me para num mercadinho de estrada meia boca, faz eu pagar a conta e quase bate o carro na viatura da polícia. Aí, eu, nervosa, sou obrigada a descer e falar com os policiais. Você é muito folgado, mesmo!!

Troye: Você é nervosa demais! Sabe que eu não sei resolver problemas. – sentou com os pés na mesa de centro após deixar sua mala de qualquer jeito. – Milagre que você não ficou nervosa por eu ter comprado uma casa imobiliada.

Michelle: Primeiro, não é casa! É apartamento! Segundo, eu gostei dessa decoração meio preta, cinza, gótica, emo e roqueira. É o estilo da pantera! – zombou ela, jogando-se contra seu irmão de coração e o enchendo de cócegas.

Troye: Irmã... eu preciso pensar em como encontrar a Joanne. Eu andei pensando... não sei por onde começar. Assim como o mar me levou para perto de vocês, ele pode ter levado ela pra bem longe. E, talvez, ela não esteja viva.

Michelle: Seu coração bate. E ele já te disse que o dela também está batendo. É uma metáfora, mas você entendeu. Segue o seu coração. Você está aqui. Por ela. Ela tem que estar viva e ela está viva. Você só não tem confirmação. – consolou, abraçada a ele.

Troye: Só que eu penso em cenários. Eu preciso de um outro motivo de estar aqui. Ela não pode ser o único motivo. Eu preciso encontrar um emprego, fazer uma faculdade, sei lá! – levantou rapidamente e foi em direção à janela, começando a observar aquela cidade cinza e cheia de ambição.

Michelle: Faculdade? Você, Troye? É mais fácil eu virar a pantera cor-de-rosa e sair por aí desfilando igual a Penélope Charmosa. Me economize. Você tirava as piores notas da escola. Só sabia brigar com os valentões e dizer para todo mundo que o Sol te dava força. – zombou, gargalhando em seguida das lembranças da infância dele.

Troye: E o Sol me dá força, sim. E como a Lua reflete a sua luz, consequentemente ela também me dá força. Você se transforma em uma pantera negra, mesmo que isso demore horas, mas isso acontece. O mundo em que vivemos... quase todos possuem poderes, habilidades, dons. Dizem que há uma terra paralela à nossa em que nada disso existe. Como isso pode ser possível? Seria tão estranho se não fossemos assim. Tantas guerras. Tantas mortes. – refletiu desnecessariamente, encarando Michelle.

Michelle: Seria horrível, mas você fugiu muito do assunto. Estávamos falando do nosso futuro em Austin, essa cidade cinza, maravilhosa de violenta e de ambiciosa. Que tal... criássemos um bar? Eu tenho um bom dinheiro guardado. Eu tinha participação dos lucros do Bar da Fronteira. E você também. Podemos criar algo assim, aqui. – levantou, foi em direção a copa enquanto falava e encheu o copo grande com água da torneira, bebendo-o em seguida.

Troye: Ah! Vamos pensar nisso mais tarde. Por enquanto não precisamos de dinheiro. Eu só quero dar uma volta pela cidade. Conhecer tudo isso aqui. Austin é um pouco grande. Não tanto quanto a gente via na televisão, mas é um bom lugar de se divertir.

Michelle: Tá pensando em levar várias garotas pra cá? Se tiver uma do meu agrado, uma loira, dos olhos claros, linda de bonita. Eu gosto. – começou a viajar, olhando para o teto e lembrando das garotas que ficava antigamente.

Troye: Igual a Joanne... Michelle! Quando eu encontrar a Joanne, não vai dar em cima dela não! Te boto pra correr! – ameaçou, apontando o dedo para ela.

Michelle: Eu sempre respeitei as gatinhas que você pegava e levava para cama. Nunca falei nada. Só olhei. Espiava elas no banho, às vezes. Quem mandou pegar meninas mais bonitas do que as que eu pegava. Só que com a Joanne vai ser diferente. De tanto eu te dar conselho e escutar suas falas grudentas de romântica eu meio que peguei ranço dela. Não vou achar ela nem um pouco bonita. – mentiu, dando risadinhas curtas de ironia.

Troye: Eu sei que vou encontrar ela... ah, se vou!

Não precisava ser um vidente para saber que o destino de Troye e Joanne estavam na mesma direção. Austin, uma cidade que Troye ainda não conhecia muito bem, mas que Joanne desenhava e rabiscava de olhos fechados. Ela morava ali, bem próximo ao prédio de Troye, porém algo estava prestes a acontecer e dificultar os planos dele e de Michelle.

Notas finais
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