O Poder
2 Os dois primeiros dias
Notas iniciais
– A SOLTE. ESSA MENINA não é uma bruxa – uma voz masculina com tom autoritário soou atrás de Cindy, que a fez virar junto com o guardião.
Havia um homem alto, cabelo na altura do ombro negro e olhos castanhos – e uma barba no queixo. Ele usava uma calça preta e uma camiseta também preta e havia uma espada embainhada e usava um anel.
O guardião olhou para o anel e soltou Cindy imediatamente e se ajoelhou – como outras pessoas começaram a fazer.
O homem olhou para Cindy que encostava o braço vermelho perto dela, como se ainda doesse.
– Me perdoe por esse guardião perder a cabeça – disse ele. – Alguns deles gostam de ver essas bruxas sofrendo e não raciocinam e acham que qualquer uma pessoa com medo é um deles. Você é... ?
– Cindy Young.
– Não me lembro de ter te visto. Mas bem, espero que ele não perca a cabeça novamente – ele deu às costas e saiu andando, mas antes que sumisse, ele disse: — Eu sou Nate, conselheiro do Príncipe.
E sumiu na multidão.
O guardião levantou e disse:
– Dessa vez passou porque ele era o conselheiro, uma posição muito alta para alguém abaixo dos reis e príncipes.
O guardião se afastou.
Carl e Nico se aproximaram de Cindy para ver o braço dela.
– Como você está agora? – Nico perguntou.
– Confusa. Ele era o conselheiro?
– Sim, como ele disse – afirmou Carl olhando para o braço vermelho de Cindy.
– Nem eu – afirmou ela. – Mas seja lá o que for e onde estamos, precisamos achar um meio de voltar para nosso ano normal logo. Estou ficando doida.
Moira e Kristen se aproximaram discutindo algo em um tom baixo.
– O que houve? – Carl perguntou.
– Fizeram muitas perguntas – afirmou Moira. – Mas passamos e estamos bem. Vimos o que aconteceu Cindy, você está bem?
A menina fez que sim.
Jenna se aproximou.
– Vamos jovens. Já podemos voltar para o lar. Tem algo que preciso contar.
Os jovens a seguiram apreensivos. Moira e Nico falavam com Cindy que ainda estava com medo do que os guardiões fizeram com a pobre mulher – ou bruxa, já que a menina ainda não havia se acostumado com o tempo ali.
Nico olhou para trás por cima do ombro e viu Cindy olhando para o chão enquanto andava – como se pensasse em algo triste. Ele a conhecia, ela era desse jeito e nunca mudava.
Enquanto desciam novamente para o porão e Jenna fechava o alçapão, nervosa – talvez pelo acontecimento que acontecera com Cindy. Ela deveria ter ficado perto dela, era a única que era mais sensível (Jenna sabia como cada um se sentia apenas em olhar em seus olhos).
Ela se virou para os jovens que pareciam curiosos com o que ela teria que falar.
– Bem, já que vocês estão aqui e querem voltar para o seu tempo normal...
– Como você aceitou isso tão bem? – perguntou Carl franzindo o cenho.
– Bem, eu também sou de 2014... Quero dizer, eu acabei vindo para casa por volta de 2011. Eu e meu filho.
– Seu filho? Ah... Sim – murmurou Carl. – Ele está caçando, certo?
– Certo. Quando estávamos em 2011 ele também caçava com o pai... Que foi o único que não foi trazido para cá – ela lançou um olhar triste para o chão, mas em segundos voltou a ter o olhar forte que ela manteve naquele curto tempo que estiveram ali. – Mas bem, se vocês realmente querem voltar... Não descobri nada entre esses três... Quatro anos, mas vocês tem o potencial para isso. Posso ver isso em seus olhos – ela olhou para Cindy. – Até mesmo você.
Cindy deu um passo para trás.
– Eu? Não faço nada certo – afirmou. – Sou medrosa e sensível demais... Quase gritei quando os vi queimando aquela mulher.
– Você é forte, eu sei disso. Todos vocês tem um destino e eu sei que vão segui-los e terão que fazer escolhas. Então... Eu sei utilizar espadas e arcos, meu filho também e meu amigo... O conselheiro do Príncipe também.
Moira arregalou os olhos.
– O conselheiro!?
– Sim... Bem, durante esses anos, ele acredita em mim e me ajudou e ao meu filho os costumes. Se eu pedir, também poderá ajudá-los. Cindy... Fui eu quem pediu para ele não deixar aquele guardião matar você.
Cindy deu o queixo cair, surpresa.
– O-obrigada.
Jenna assentiu e olhou para Nico e Carl.
– Vocês preferem arco-e-flecha ou espada?
– Arco-e-flecha- afirmou Carl. – Há um tempo... Em 2014 eu tive, quero dizer, tenho aulas de arco-e-flecha. Dou-me melhor com essa arma.
– Entendo – ela olhou para Nico que parecia pensar.
– Espada. Sempre quis usar uma espada – disse ele sonhadoramente.
Jenna abriu um leve sorriso.
– Ok. E vocês meninas... Creio que não vão querer usar espadas. Talvez arco-e-flecha seja melhor para vocês. O que acham?
– Eu não gosto de armas – murmurou Cindy. – Mas... Mas... Acho que me dou bem com arco-e-flecha.
Jenna sorriu contente com Cindy.
– Arco-e-flecha é uma boa ideia – ponderou Moira.
– Eu treinei esgrima há uns anos – disse Kristen encarando Moira como se dissesse “eu sou melhor que você em tudo” – e arco-e-flecha.
– Legal – afirmou Carl fitando Kristen que apenas o fuzilou com o olhar e depois olhou Moira novamente com o mesmo olhar e olhou para Jenna.
– Ok. Bem, amanhã eu vou ajudar as meninas primeiro... E também ensinar umas coisas que vocês vão precisar. Eu tenho um lugar onde guardo arcos, flechas e espadas para caso precisasse. Eu vou preparar a comida.
– Hã... Jenna – disse Moira com um sorriso brincalhão e erguendo um Ipod. – Por que não funciona?
– Bem, porque isso ainda não foi inventado? – Jenna sorriu também brincalhona. – Destrua isso se não quiser ter problemas com os guardiões.
– Ah, ok – Moira encarou o Ipod.
Jenna abriu o alçapão e subiu e logo o encostou para fechar novamente.
Carl e Nico começaram a conversar entre si e Moira decidiu destruir o Ipod enquanto Cindy sentava num canto com a cabeça entre os joelhos e Kristen deitada sobre uns tecidos no chão.
– Saudades dos colchões – afirmou ela. – E das paredes coloridas – afirmou olhando para as paredes de barro.
– Estamos em 686. É o melhor que conseguiremos – disse Moira.
– E quem te perguntou? – disse Kristen.
– Parem de brigar, meninas – disse Cindy num tom como se ela estivesse chorando, não levantou a cabeça de dentro dos joelhos.
Moira e Kristen se calaram e a observaram.
Moira se aproximou e se ajoelhou em frente a ela.
– Cindy, o que houve?
– Eu não vou aguentar ficar muito tempo aqui. Estamos há apenas uma hora... Se for isso, e já estou enlouquecendo.
– Cindy, esqueceu-se do que Jenna acabou de falar?
– Sobre eu ser forte? Não... Mas eu não sou forte. Isso é uma baboseira. Afinal, que horas são?
Nico apareceu na porta do quarto improvisado das meninas e disse:
– Acabei de falar com Jenna e ela disse que já está escurecendo.
– Uau. Quer dizer que nós ficamos horas viajando até aqui?
– Sim... Só que se parecem minutos, né?
Moira fez que sim com a cabeça e se levantou.
– Vou ver se posso ajudar Jenna. Nico... Por favor – ela olhou para Cindy e ele entendeu a mensagem: conversar e tentar ajudar Cindy.
[... Dois dias depois no final de tarde...]
Cindy ajudou Jenna com o colhedor de frutas. Kristen treinava esgrima com Nico perto da casa de Jenna e Moira preparava comida na casa.
Logo Jenna e Cindy entraram e Jenna disse:
– Minha querida, tudo bem, deixa que eu continue. Você já está pegando o jeito... Você e Cindy. Eu falei que logo pegariam o jeito – afirmou contente consigo mesmo e com as meninas.
Moira assentiu e olhou pela porta a fora a lua aparecendo.
– Como você e seu filho vivem por aqui?
– Ah... – Jenna disse. – Tarefas normais... Ele sai uma vez por semana para caçar e quando volta dois ou três dias depois, ele chega com muitos e muitos animais e várias coisas para nosso dia-a-dia – afirmou. – Ah, bem... Temos que ver essas execuções sempre, ele se acostumou. Ah, Cindy, no inicio, ele também ficou perplexo, mas foi se acostumando. Creio que você também irá.
Cindy apenas assentiu e emitiu um leve sorriso simpaticamente – mas dentro dela, a mesma ainda sentia que não iria se acostumar nem que ficasse a vida toda. Ela voltou a terminar a comida enquanto Jenna arrumava as frutas que haviam colhido.
Moira tentou pensar positivamente.
– Vou ver os outros – disse e saiu da casa indo em direção onde Kristen e Nico treinava esgrima e Carl treinava arco-e-flecha. Ele os viu e pareciam estar se divertindo.
Moira olhou para o lado esquerdo e viu uma floresta – ela gostava de florestas. Ela caminhou na direção da floresta iluminada pelo resto de luz do Sol e pela luz da Lua.
Ao andar por uns cinquentas metros, ela observou os animais e insetos, maravilhosamente. Ao andar mais quinze metros, ela olhou para uma árvore gigante e um ovo – sim, um ovo – do tamanho do braço dela em cima de feno, ou algo que parecia feno.
– Mas o quê... ? – ela ficou maravilhada e ajoelhou-se em frente ao ovo e encostou a orelha no ovo, como se quisesse ouvir algo, mas ela não ouviu nada além dos barulhos de animais e insetos.
De repente ela levantou-se num pulo ao sentir o ovo tremendo. Ela recuou dois passos e observou com cuidado o ovo apresentar uma pequena rachadura.
Moira sentiu-se rapidamente com medo e correu de volta para casa de Jenna, porém ela tropeçou num galho e sentiu-se prestes a cair.
Mas algo a envolveu e a impediu de cair.
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