O Plano da Conquista - Perina
17 Desistir
Notas iniciais
Karina
Abri os olhos com uma dor de cabeça insuportável e não reconheci o lugar onde estava apenas sei que a cama tinha um cheiro maravilhoso, eu conhecia, mas não conseguia lembrar. Sentei na cama e ao olhar para meu corpo vi uma camisa masculina a me cobrir, a camisa ia até as minhas coxas e possuía o mesmo cheiro que a cama, olhei para o chão e vi meu vestido jogado, o que será que aconteceu aqui?
Ouvi batidas na porta e como se houvesse um click em minha cabeça lembrei que aquele quarto era do Pedro. Então o que eu estou fazendo no quarto do Pedro, vestida com a roupa dele, Aí meu DEUS, será? A porta foi aberta e ele pôs a cabeça para dentro.
—Posso entrar?- perguntou olhando pra mim, parecia seco.
—Po...pode- não sabia o que havia acontecido, mas com certeza iria descobrir.
—Está melhor?- perguntou aproximando-se de mim.
—Só com uma terrível dor de cabeça- queria perguntar, mas não via outra maneira, precisava ser direta- Pedro...a gente... – falava gesticulando com as mãos.
—Não- ele respondeu se afastando e apoiando os braços na escrivaninha, sua expressão séria, percebi seu olhar ir em direção a meu corpo e desviar o olhar rapidamente.
—Como?- apontei para a roupa que vestia, não lembrava de ter me trocado, na verdade não me lembrava de nada.
—Achei que pudesse estar desconfortável com aquele vestido- ele falava sem me encarar e percebi suas bochechas corarem um pouco.
Era impressionante a mistura que era esse garoto, as vezes era o nerd certinho que vive se importando com os estudos, outras vezes era um garoto cheio de si, transbordando luxúria e as vezes é esse garoto calado, que fica com vergonha de tudo e de todos, porém esse último parece esconder inúmeros segredos, que me anseia desvendá-los.
—Vou trazer um remédio para você- ele saiu ainda sem me encarar, com certeza estava me evitando, mas porque?
Eu é que deveria estar chateada, depois que nos beijamos ontem na festa ele foi logo atrás de outra, talvez seja até melhor assim, com certeza não daríamos certo juntos, mesmo que eu já estivesse me interessando por ele.
—Aqui está- ele trazia em uma pequena bandeja um copo com água e um comprido do lado.
—Obrigada- falei pegando o copo junto com o comprimido e ingerindo- Que horas são?- perguntei.
—Meio dia- ele respondeu calmo.
—MEIO DIA- me levantei as pressas da cama e fui pegando meu vestido que estava no chão- Meu pai vai me matar- falava para mim mesma, mas ele pareceu ouvir.
—Calma, ele sabe que está aqui- ele falava calmamente como se não houvesse problemas de meu pai saber que eu dormi na casa de um garoto.
—Co...como...- estava completamente sem palavras.
—Meus pais saíram ontem à noite com o seu pai e a Dandara, quando voltaram, vieram pra cá, contei para seu pai, que você se excedeu um pouco e ingeriu uma quantidade um tanto abusiva de álcool e avisei que estava dormindo em meu quarto, disse que se ele achasse melhor deixá-la não havia problemas, ele não gostou muito da ideia, mas a Tia Dandara achou melhor não mexer em você, que precisava descansar e tudo mais.
—Ah...tá...é...obrigada- agradeci- Eu vou...me trocar...
—Tudo bem, qualquer coisa chama- era evidente que estava me evitando, não me olhava nos olhos, na verdade nem olhava pra mim e quando o fazia, desviava o olhar rapidamente, é bem difícil saber o que aconteceu quando se tem uma amnésia alcóolica.
Retirei sua camisa e não pude evitar sentir seu cheiro, era maravilhoso, era como álcool, me deixava embriagada. Vesti rapidamente o vestido, quando notei estar demorando demais com aquela camisa em minhas mãos, sentindo aquele cheiro tão único e forte.
Desci as escadas e o vi sentado no sofá, olhava um ponto qualquer à sua frente, de repente soltou um suspiro e murmurou algo que não consegui ouvir, levou as mãos a cabeça, os dedos se perderam em meio ao fios de cabelo, até pararem em sua nuca, se ele soubesse o quão sexy fica ao fazer isso, desci os últimos degraus e ele pareceu me notar ali, virou-se rapidamente e logo estava de pé.
—Quer comer alguma coisa?- ele falava como se fosse obrigado, me senti mal com isso.
—Não, muito obrigada- fui um pouco hostil, mas a forma com que falava comigo, me dava nos nervos- Como qualquer coisa quando chegar em casa.
—Se achar melhor- ele caminhou até a porta e a abriu, passei por ele, sem ao menos olhá-lo, estava me sentindo mal, por ser tão rejeitada e logo por ele.
Pedro
Essa garota não é para mim, porque é tão difícil fazer meu coração aprender isso, já era de madrugada, meus pais não haviam chegado ainda, a casa estava em um completo silêncio, subi as escadas e abri um pouco a porta, ela dormia calmamente, nem parecia aquela Karina de minutos atrás, fui até o closet e peguei uma camisa minha, ela parecia estar desconfortável com aquela roupa, com um pouco de dificuldade e bastante cuidado tirei seu vestido, mesmo que estivesse só nós dois ali e ela estivesse totalmente apagada, me senti envergonhado, de vê-la apenas de roupa íntima.
Vesti nela a camisa e quando deslizei as mãos por suas costas, sentindo sua pele, me encontrei com o fecho do sutiã, aquela peça deveria ser tão desconfortável quanto o vestido, deveria tirá-lo, mas a vergonha era tão grande que me impedia, sua pele era tão macia, abri aquela pequena peça e a retirei, ela moveu-se em meus braços e como se acordasse de uma hipnose, uma hipnose por seu corpo, a soltei calmamente, deitando-a no colchão e saí dali o mais rápido possível, para que não cometesse nenhuma loucura.
—Filho, já chegou?- meus pais entravam sorridentes e vinham até mim acompanhados por nada mais, nada menos que o pai da Karina e a tia Dandara.
—Acho até que passei muito tempo fora, já vocês, parece que se divertiram bastante- falei olhando para o relógio.
—Ah filho, foi ótimo, acho que eu e o seu pai merecíamos um dia de folga e a Dandara e o Gael- ela falava olhando de mim para o casal ali a minha frente- São ótimas companhias.
—Ah que é isso Delma- Dandara falou daquele jeito doce dela e o mestre apenas sorria, nem parecia aquele cara durão da academia, deveria aproveitar essa distração e contar que a filha dele estava ali.
—Mestre- o chamei e ele acenou para que prosseguisse- É...a sua filha...a Karina...
—O que tem a minha filha, aconteceu alguma coisa com ela?- ele já começava a se preocupar.
—Não, não, calma Mestre, não aconteceu nada demais com ela.
—Como assim nada demais?
—Bom, ela apenas bebeu um pouco mais do que deveria, a trouxe para casa mesmo com ela protestando, mas como o senhor não estava em casa, tive que trazê-la para cá.
—Minha filha está aqui?- ele me olhava como se eu fosse do tipo que abusaria da filha dele, se ele soubesse que ela que estava dando em cima de mim.
—Está, a deixei dormindo lá no meu quarto...
—No seu quarto?- e as coisas só pioravam.
—Se quiser vê-la?!- falei e ele pareceu se acalmar um pouco.
—Mas é claro que quero- o acompanhei até meu quarto, tia Dandara vinha logo atrás e convenceu o mestre a deixá-la dormindo ali.
Quando eles foram embora e meus pais foram dormir, fiquei ali no sofá olhando pro nada até cair no sono. No dia seguinte quando acordei, ou melhor no mesmo dia, ainda eram sete horas, meu corpo já está tão acostumado a acordar cedo que mesmo que eu durma as seis acordaria as sete, caminhei um pouco pela casa e parei em frente ao meu quarto, abri a porta cuidadosamente e a vi dormindo, como era linda, entrei sem fazer barulho algum e peguei uma roupa no closet, saí do quarto e fui até o banheiro do corredor, tomei um bom banho e tentei colocar as ideias no lugar.
E cheguei a mais sensata conclusão...Vou desistir desse plano idiota de conquistá-la.
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