O Pintor De Jundiaí
1 One-Short
Notas iniciais
Desculpe qualquer erro e boa leitura.
Abro os olhos, o quarto está claro e a primavera entra pela janela com uma brisa suave que balança meus cabelos ondulados. Ontem mamãe comprou algumas tintas e disse que eu poderia criar alguns afrescos pela casa. Estou tão animada. Oh sim, esqueci de me apresentar, desculpe. Eu sou Marina, e vivo aqui no Limoeiro desde sempre. Prazer em conhecê-lo ^-^ ~ ♥
Levanto da cama num pulo, estou ansiosa para começar logo. Prendo meu cabelo num coque alto e tiro o pijama. Um shorts jeans, uma regata velha e alguns pincéis são tudo o que eu preciso para esse dia perfeito.
Desço a escada cantarolando uma música qualquer e encontro as tintas na lavanderia. Pego algumas delas e levo para a cozinha. Não vamos exagerar aqui, a cozinha pede uma pintura mais... clean. Começo com a grama, verde e fresca. Subo um tronco com vários tons de marrom, faço algumas folhas compridas e finalizo com os frutos amarelos.
– “Lá na cozinha quero um pé de bananeira só para alegrar o coração da cozinheira...”
Bananas... Isso me lembra a Magali, hehe. Ela é um amor de pessoa, você iria adorar conhecê-la.
Devolvo as tintas ao lugar de onde as tirei e pego as vermelhas. Na varanda da frente, começo a pintar morangos e cerejas. Algumas folhinhas para deixar tudo mais bonito e...
– Hey, Marina!
Olho para traz e encontro um rapaz alto, loiro, bonito, e com uma franjinha... hihi. Esse é o meu namorado.
– Oi Franja. – Sorrio para ele, que me observa lá em baixo, na rua. – Dando uma volta?
– Quem dera. O Titi está tendo outra crise de choro por causa da Aninha e pediu que eu levasse sorvete para ele. – Franja diz me mostrando a sacola com o doce.
– Boa sorte com ele...
– Obrigado.
O loiro segue seu caminho até a casa do amigo. Coitado do Titi... Ele é um cara tão legal, apesar daquele jeito bruto dele, e ele vem sofrendo tanto desde que ele e a Ana terminaram. Ele banca o machão mas sempre chora nos ombros do Franja. As pessoas não deveriam fingir ser aquilo que não são só para impressionar os outro... Mas essa história não é sobre isso, certo?
Pinto algumas amoras para completar o espaço em branco e deixo a pintura secar.
– “Na varanda quero frutas vermelhinhas, só para alegrar o coração da mamãezinha...” – Engraçado, essa música não sai da minha cabeça.
E agora tenho uma idéia da qual sei que vou me arrepender mais tarde. Droga! Maldita inspiração que me pega de jeito e não me deixa dizer não. Vá embora idéia maluca. Não, não tem jeito... Vou ter que botá-la em prática. Sigo para a frente da casa e, na porta da garagem começo o meu trabalho. A tinta preta cobre grande parte da pintura, e o amarelo de seus olhos me dá uma sensação esquisita. Eu sabia que era uma má idéia! Me afasto para poder olhar toda a pintura. Era assustadora pelo menos para mim.
– “Lá no portão quero um grande cachorrão, só para assustar a cara feia do ladrão...” – Cantarolo angustiada. Não sei se vai assustar algum ladrão, mas assusta e mim.
– Marina, vem jantar! – Ouço minha mãe chamando no interior da casa.
Jantar? Já está tão tarde assim? Olho para o céu, o azul vem se tornando roxo e algumas estrelas já são visíveis. Que visão linda! Queria poder tirar uma foto agora.
Pego as tintas e levo-as de volta para a lavanderia. Acho que já chega por hoje, estou exausta! Subo as escadas e entro no banheiro. Tomo um banho rápido, só para tirar as tintas que respingaram e mandar o cansaço para longe. Desço para a cozinha e encontro meu pai sentado e minha mãe servindo a refeição.
– Ótimo trabalho filha, a casa está ficando linda.
– Obrigada pai. Eu aprendi com o mestre.
Enquanto minha mãe coloca comida no meu prato, posso ouvi-la cantarolar uma musiquinha.
– “Seu pintor, o que eu queria, é que você pintasse um pouquinho de alegria”.
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