O Perigo Mora Ao Lado

1 Capítulo 1 - Consequências


Eram as primeiras horas da manhã quando eu acordei. Demorei um pouco pra ficar consciente. Me levantei, sem me preocupar em calçar as sandálias na beira da cama. Abri a geladeira da pequena cozinha, peguei uma caixa de leite e coloquei um pouco num copo. Arrastei uma cadeira da mesa sem fazer barulho e sentei nela, olhando os quadros que decoravam o apartamento de Carol. Ela sempre foi minha amiga desde que tínhamos 3 anos de idade. Era uma das pessoas mais legais que já conheci, talvez a mais legal. Carol era meio parecida comigo — quesito personalidade, em mentalidade não éramos nem um pouco parecidas -. Carol era meio infantil, parecia que tinha cinco anos de idade em vez de quatorze. Já eu sou mais madura, pareço mãe dela. Mas nós nos amávamos, era o que importava. De repente, ouvi passos vindos do corredor do apartamento. Eu tremi:

— Sem sono, Ju? — perguntou Carol, sonolenta, pegando um pouco de leite também.

Demorei um pouco pra me recuperar do susto e respondi:

— Sim, e você? — gaguejei um pouco no começo, com a voz tremendo.

— Calma Ju! Parece que viu um fantasma! — Carol me abraçou preocupadamente.

— Só assustada — respondi.

— Com o que? — Carol relaxou um pouco

— Seria correto perguntar com quem. — falei, mais calma também. Carol esperou a resposta.

— Tá OK então, eu falo! — cedi — É que eu estava aqui, pensando, e de repente te vi. Me assustei...

Carol riu:

— Sou tão feia assim? — ela perguntou, entre risos — Vamos? Esqueceu que temos aula? — continuou ela, ainda rindo, e levantando.

Eu olhei pra janela e vi o céu ficando mais claro. Levantei com Carol e fomos tomar banho e café-da-manhã. Eu e ela saímos mais cedo do que de costume, e pegamos carona com Renata, uma menina de nossa classe, que fala mais que uma vitrola:

— Vocês viram o que aconteceu? Passou na televisão ontem. Todo mundo viu. Vão me dizer que vocês não?

Eu e Carol ficamos caladas, segurando a risada. Nós fomos até nossa sala e assistimos nossas aulas, esperando a mãe da Carol chegar quando o sinal da saída tocou. Eu e Carol sentamos nos bancos da pracinha em frente ao colégio, quando eu percebi que dois homens olhavam para nós, discutindo algo. Eu cutuquei Carol:

— Que foi? — perguntou ela, já colocando a mão no lugar onde eu cutuquei.

— Olha pra frente. — ordenei, desviando os olhos.

Ela procurou o que olhar. Eu apontei para os homens e ela congelou.

— Ju, vamos pra casa. — Carol falou, congelada no lugar, levantando depois com a mochila e indo em direção da casa dela.

— E sua mãe? — perguntei, indo atrás dela.

— Ela vai entender! Vamos logo! — ela gritou.

Andamos até a esquina da casa da Carol e olhamos para trás: suspirei de alívio quando vi que os dois homens passaram por nós e viraram a esquina. Entramos na portaria e fomos correndo até o elevador. Carol destrancou o apartamento e o fechou logo depois quando entramos. Fui tomar banho e troquei de roupa. Entrei na sala e vi Carol digitando o número da mãe no celular:

— Ai, Dona Mariana, atende! — falou ela consigo mesma, com o celular no ouvido.

— Já tentou ligar pro trabalho dela? — perguntei, querendo ajudar.

— Foi o primeiro lugar que liguei, mas disseram que ela já tinha saído pro almoço.

Alguém bateu na porta e Carol foi abrir. Eram dois homens, ambos altos e usando ternos elegantes:

— Boa... — um dos homens olhou para seu relógio no pulso — Tarde.

— Boa Tarde, algum problema? — Carol perguntou

— Na verdade, sim. — respondeu o outro homem. Os dois sacaram armas e as colocaram na cabeça de Carol; Eu tremi de medo.

Continua...

Notas finais
Comentem,de sujestões, criticas etc.