E se tudo fosse do fim pro início

Se a vida corresse ao contrário

E a gente vivesse andando pra trás

Andando de costas de encontro ao que já passou.

Aqueles sentimentos ruins

Demônios, tragédias

O sangue que escorria, volta

E a dor se torna menos pesarosa

E o aprendizado se perde.

As memórias vão se tornando nítidas

Cada vez mais próximas.

E o incio do dia é no fim dele

Levantando com o corpo cansado

Com lágrimas no rosto, e a luta no corpo

E pouco a pouco vamos esquecendo que existe futuro.

As passagens boas

Os dias incríveis

Aquela gratidão

Tudo se apaga

Como escrita que se apaga conforme volta o lápis,

Conforme o tempo volta

No anti horário

Se perde aquela lembrança forte que nos motiva

Tudo se perde.

E assim como do fim ao início

A morte se torna nascimento

E o nascimento vai de encontro a inexistência

E no fim do início nada existe

Nenhuma dor

Nenhum sentimento.

Nenhuma necessidade de viver

Apenas o andar incessante para trás

Indo e deixando atrás de si, talvez,

Um futuro interessante de se viver.